.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Domingo, 13 de Setembro de 2015

A CEIA DO POETA

d5128850l.jpg

(Soneto em decassílabo heróico)

 

O verso ardendo ao lume, a mesa posta,
a toalha das rimas bem estendida
e um prato de silêncios, sem lagosta,
aguardando, expectante, essa comida

 

Que o nutre, que o sustenta, de que gosta
e que está quase pronta a ser servida
pela mão do poeta, numa aposta
em resistir, fintando as leis da vida...

 

Apaga o lume e serve-se à vontade
de imagens, de palavras, de conceitos
expurgados da excessiva quantidade

 

Dos "ais", dos gongorismos, dos trejeitos
em que, alguns, julgam estar a qualidade,
e a qualidade sempre achou defeitos...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 08.09.2015 - 16.47h

 

Imagem - "A Refeição Frugal" - Pablo Picasso (água forte)

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publicado por poetaporkedeusker às 21:38
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24 comentários:
De poetazarolho a 14 de Setembro de 2015 às 18:26
...sem lagosta ? Então não vou !
De poetaporkedeusker a 14 de Setembro de 2015 às 18:49
Eheheheheh... não há disso, por cá, Poeta...
Lagostas, nem sequer das poéticas. A palavra, por aqui, quer-se expurgada, exacta, acutilante, mesmo quando serve a metáfora... e sobretudo quando serve a metáfora.

Sou uma poeta expressionista. Bem mais do que possa parecer. Os traços necessários, nos sítios absolutamente necessários e muito poucos enfeites. Nenhum excesso. Nada de barrocos, rococós, dourados e prateados..

Devo ter recebido estas características "cirúrgicas" do laconismo irónico do António de Sousa e do Torga... ou então, são mesmo minhas, sei lá...

Abraço grande!

PS - Pode vir que uma açorda sempre se arranja!
De poetazarolho a 14 de Setembro de 2015 às 22:32
Então serei o papa-açorda !
De poetaporkedeusker a 14 de Setembro de 2015 às 23:07
Ah, mas eu também sou papa açordas, Poeta! E vê algum problema em ser papa-açorda ??? Olhe que se fosse um "papa recursos do pobre cidadão", como tantos senhores do Arco da Lambança, seria bem pior...

Sejamos uns orgulhosos papa-açordas!
De poetazarolho a 14 de Setembro de 2015 às 22:32
“Sem saber”

Eu que escrevo sem saber
Já nem sei porque escrevo
Talvez seja p’ra não me perder
Ou estar perdido e não devo

Perdido numa selva imensa
De rimas, vogais, consoantes
Atacado de forma intensa
Por estes sons dissonantes

E por não saber escrever
É que impera a dissonância
Em palavras por mim coladas

Mas já não quero aprender
Fico p’la minha irrelevância
Entre rimas assim baralhadas.
De poetaporkedeusker a 14 de Setembro de 2015 às 23:23
Sabe, sabe... só falta saber escutar!

Só não sabe é musicar
Porque bem sabe escrever
E melhor sabe rimar;
Falta-lhe o ritmo entender...

Toda a poesia é som
Cujo jogo de batidas,
Num crescendo marca o tom
Das palavras quando ouvidas...

Umas sílabas são fortes,
Outras são quase inaudíveis;
Misture e dê-lhes sentido

Sem desrespeitar-lhe os cortes
Das vogais, quando impassíveis
Não lhe ecoem no ouvido...


Maria João

Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!
De poetazarolho a 15 de Setembro de 2015 às 00:20
“Lambanças”

É no arco da lambança
Que a açorda perde sentido
Aí gostam d’encher a pança
Com algo faustoso e sortido

Entre ostras e caviar
E o champanhe francês
Venha mais, toca a aviar
Que o povo paga outra vez

O banquete dos convivas
De paladar tão refinado
E sem sequer suspeitar

Cria relações afectivas
Governante, governado
Sente-se mal se não pagar.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 15 de Setembro de 2015 às 10:37
Com ostras, com caviar,
Com espargos ou sapateira,
Fica o Arco a abarrotar
E, pr`a nós, fome certeira...

Ele há, pois, que o derrotar,
Que apoucá-lo, de maneira
A que, em vez de o engordar,
Se lhe passe uma rasteira

Nas eleições e, ao votar,
Pense bem, não faça asneira!
Há que ocupar-lhe o lugar;

Burguesia caloteira,
Deixa o Arco e vai pastar!
Dá lugar à causa obreira!

Maria João

Cá vai, Poeta, feito à pressa, mas muito certo do que diz, este meu sonetilho martelado.

Abraço grande!

De ADÍLIO BELMONTE a 15 de Setembro de 2015 às 03:11


Cara amiga,
É muito difícil ler os seus sonetos e não ingressar no clima da poesia com toda a inspiração, seja em alto ou baixo astral.



BANQUETE DE LUXÚRIA

Ao abrires do nosso amor solitário
O teu mais saboroso dos banquetes,
Buscas o mais glutão destinatário,
Fã incondicional desses espaguetes.

São fibras demais sólidas e puras,
Que busco entusiasmado e quase louco
E sinto as tuas essências nas escuras,
Quando a amor se faz por muito e pouco.

Na mesa bem posta e sempre estendida
É que busco o meu prato favorito
Dessa doçura nunca confundida.

Na ceia inigualável sou saciado
E essa minha loucura depravada
Deixa-me bem feliz e desmaiado.
De poetaporkedeusker a 15 de Setembro de 2015 às 10:17
Muito grata por mais este poema, amigo Adílio Belmonte.
O meu fraterno abraço.
De poetazarolho a 16 de Setembro de 2015 às 00:47
“Limites”

Competência incompetente
Como linearidade circular
Contentamento descontente
Como alguém ousou pensar

Já não pensa linearmente
Já não sabe o que ousar
Já não se sente competente
Já se consegue contentar

Com a mediocridade vigente
Pois mais não vê alcançar
Toda esta limitada gente

Manda vir uma aguardente
Sentado à mesa num bar
Não pensa, não sabe, não sente.
De poetaporkedeusker a 16 de Setembro de 2015 às 13:14
Quem precisar de aguardente
pr`a melhor poder pensar,
está, com certeza, doente,
não se sabe controlar,

Ou pensa que só dormente
é possível enfrentar
essa exigência inclemente
na qual se deixou levar...

Poeta, é muito dif`rente
saber, na vida, enfrentar
o que a vida of`rece à gente,

Se à lucidez se agarrar
nesse instante em que a corrente
pareça querê-lo afogar...


Maria João

Poeta, cá vai com um abraço para si, para os pequeninos - que estão enormes! - e para a minha homónima!


De poetazarolho a 16 de Setembro de 2015 às 22:06
“Avoari”

Avoari e avoando
Um passarinho qualqueri
Estava ê olhando
Pra ti linda mulheri

E eis-me senã quando
Isto mesmo sem quereri
O passarinho cagando
Logo me veio acertari

Co sê excremento, o malandro
E ê havera de me jangari
Mas foi tali a rapidez

Que mesmo rápido olhando
Já nã o vi a avoari
E tê rasto perdi-o de vez.
De poetaporkedeusker a 17 de Setembro de 2015 às 11:08
Avoe, Poeta, avoe,
que tem muito que avoari
e que a musa lhe abençoe
cada quadra que cantari!

Quando a música faltari,
haverá quem lhe perdoe,
por isso, sem hesitari;
Avoe, Poeta, avoe!!!

E se, acaso, o passarinho
não puder compareceri,
foi porque ficou no ninho,

Pois, de si, não quis saberi;
antes quis ficar sozinho
do que deitar-se a perderi...


Mª João

Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre e os votos de bons vôos!

De poetazarolho a 17 de Setembro de 2015 às 22:56
“Nossas dores”

Outro mundo se levanta
Em forma de indiferença
O papão que se agiganta
Não tem a ver com crença

Tem sim a ver com a dor
Ser a do vizinho do lado
Portanto o seu clamor
É p’los outros ignorado

Um dia se a dor fôr nossa
E o vizinho tiver partido
Então partiremos também

Pois um por muito que possa
Se está sozinho e condoído
Busca o outro mais além.
De poetaporkedeusker a 17 de Setembro de 2015 às 23:23
Não só isso... mas também
por ausência de empatia
que todo o ser vivo tem
(quando a não tem, deveria..)

Ou manobra que convém
às maquinações da CIA...
De tudo um pouco contém
a tão falada apatia...

Não me sinto nada bem,
mas quis ver se conseguia
responder-lhe à letra e bem

Neste avo de poesia
que nenhuma dor detém
porque a mão não consentia...

Mª João

Não estou mesmo a sentir-me bem, Poeta... mas não é a primeira vez que lhe envio um sonetilho-resposta todo martelado... segue com o abraço de sempre!

De poetazarolho a 18 de Setembro de 2015 às 20:27
“Passadas”

Passos largos daqui pra fora
Quem se habituou a roubar
O mal já não vem de agora
Vem de época milenar

Donos que fomos do mundo
Riqueza que era abundante
Depois do rombo profundo
Vestimos alma de pedante

O subsídio e o pedantismo
Na alma se nos entranhou
Mas só chega prá nobreza

São tiques de novo-riquismo
Que o povo um dia sonhou
Mas não saiu da pobreza.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 19 de Setembro de 2015 às 12:13
Talvez sim... sonha-se ainda
Com riquezas desmedidas,
Mesmo estando na berlinda
Com risco das próprias vidas...

Ele é ver-se as "raspadinhas"
A venderem-se aos montões;
"Sonham-se" reis e rainhas
Dos reinos de alguns milhões

E se o sonho é necessário,
Se, afinal, comanda a vida
Sonhe-se um digno salário

E seja, então, preterida
A ambição do milionário
Que é sempre injusta, à partida...

Maria João

Aqui vai, Poeta, meio "martelado", mas vai... abraço grande!

De poetazarolho a 18 de Setembro de 2015 às 20:28
O NOSSO COUVAL

Enquanto o Costa se encosta
Ao que fez na Capital
O Coelho faz o que gosta:
Devasta o nosso couval…

Como é irracional,
Mantém sempre a mesma aposta;
Não faz mais do que ele, o Costa
E aposta de modo igual.

E o couval, assim tratado
Por um e outro tratador,
Cada vez mais devastado,

Vai ficar no mesmo estado
Em que o deixou um tutor
Que por Abril foi julgado.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 18 de Setembro de 2015 às 21:19
Gostei muitíssimo deste seu sonetilho, Eduardo!!! Gostaria imenso de lhe responder, mas estou completamente exausta e sei que não escreveria nada de jeito...

Obrigada e um forte abraço para si e Maria dos Anjos!

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