.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 10 de Outubro de 2013

SONETO DE CODA II

À Dona Elite de Oligarquia & SA


(Em verso eneassilábico)

 

 

Das migalhas que ao povo deixava

Dona Elite, pensando melhor,

Entendeu que era muito o que dava

E que ao povo sobrava vigor

 

Porque, quando a migalha abundava,

Ele podia crescer, ser maior

E atrever-se a sonhar que mandava

Em si próprio, apesar de “inferior”…

 

Dona Elite, prevendo o pior,

Sem cuidar do que ao povo faltava

Foi comendo o que, a si, lhe sobrava;

 

Comeu pobre e criado e senhor

E, por fim, sem notar quanto inchava,

Engoliu quanto mundo restava

 

Até ver que mais nada, em redor,

Preenchia o vazio que gerava

Onde, inútil, rotunda, orbitava

 

Em função do seu próprio fedor…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 09.10.2013 – 18.42h


 

 

NOTA – Soneto com dupla “coda” ou “estrambote”


sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 00:10
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|
87 comentários:
De poetazarolho a 10 de Outubro de 2013 às 06:53
Chá desencontrado.
De poetaporkedeusker a 10 de Outubro de 2013 às 14:01
Lá vou, Poeta!
De poeta_extase a 10 de Outubro de 2013 às 14:57
Cara amiga,
Mirando em seus versos, faço-me sonetista e pretendo enveredar pela 'coda' de um soneto mais amplo. Vejo que em 18 versos você traduziu de forma magistral a escravidão de um povo vista e perpetrada pela elite dominante.
Aqui no Brasil essa praga também grassou, só que aqui compra-se até a ignorância do povo, ou seja, o povo aqui tem quer ser mais ignorante e desinformado para satisfazer ao partido hoje no poder. Com isso, o governo oferece migalhas aos miseráveis em toca de voto e ao mesmo tempo lhes nega saúde, educação, segurança pública, transportes, etc. A elite aqui dominante é muito mais execrável do que desse outro lado do Atlântico.
Sobre isso ensaiei o seguinte soneto:

UTOPIA

Não há luzes em meu caminho a apagar,
Pois que tudo pode ser feito em claro
Quando não se tem dívidas a pagar
E por causa nobre o meu amor declaro.

Pobres vilões e outros insatisfeitos,
Conheço bem os vossos desígnios,
Pois todos são mestres em malfeitos
E cavam por vias turvas infortúnios.

Bandidos que se ostentam em Cortes,
Todos sabem de sua própria volúpia
Com a qual levam o povo à miséria.

Gente responsável até por mortes,
Mas que dizem buscar sã utopia,
Fazendo uma nação pouco séria.

ADÍLIO BELMONTE,
BELÉM-PARÁ-BRASIL
De poetaporkedeusker a 10 de Outubro de 2013 às 21:10
Meu caro Adílio, penso que as elites são execráveis em qualquer lugar do mundo... a nossa, a representada no "arco da governação" e a que muitos de nós apelidamos de "Troika portuguesa", também não é nada "mansa" embora se disfarce muito bem, tentando salvaguardar as aparências...

Obrigada por este seu UTOPIA! Gosto muito desta poesia "de intervenção"... embora eu pense que quase toda a poesia o é, esta é visivelmente interventiva e opinativa!

O meu abraço, Poeta Êxtase!
De poetazarolho a 10 de Outubro de 2013 às 22:08
“O pagode”

Já não enganam ninguém
Os representantes do povo
Para São Bento e Belém
Votaremos neles de novo

Seremos povo enganado
Por nossa livre vontade
Será o erário esquartejado
Mas a bem da equidade

Será o povo reformado
A suportar este pagode
E no fim será esmifrado

Felizmente levamos o fado
Pois só fica quem não pode
Transformar-se em emigrado.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 11 de Outubro de 2013 às 13:14

Outra Verdade...

... também há os que o não querem
E só mortos deixarão
Esta terra onde se inserem
Raízes de outra ambição...

De outra ambição que não morre
E que nunca morrerá
Neste chão por onde corre
O que o próprio chão lhes dá

Nunca aqueles que vão lutando
Desistirão desta terra
Que outros vão abandonando

Porque a luta não tem fim
E a verdade que ela encerra
Não está só dentro de mim!


Maria João



Cá vai, com o meu abraço, Poeta!
De poetazarolho a 10 de Outubro de 2013 às 22:11
Sangue na ponte.
De poetaporkedeusker a 10 de Outubro de 2013 às 22:36
Ó diabo, Poeta... isso é que não convinha nada... mas vou até lá!
De poetazarolho a 11 de Outubro de 2013 às 07:33
Chá ideal.
De poetaporkedeusker a 11 de Outubro de 2013 às 12:50
Vou vê-lo, Poeta!
De poetazarolho a 11 de Outubro de 2013 às 20:44
“Invenção da roda”

Um líder sem imaginação
Sem imaginação não lidera
Não é líder, é aberração
Onde a caciquagem impera

Promove a desmotivação
Torn’a produtividade bera
Não se é líder por função
E o ambiente não prospera

O contrário é criatividade
Promove-se a participação
Um pouco de austeridade

Vem na hora da decisão
Logo retorna a liberdade
Que um líder não é prisão.
De poetazarolho a 11 de Outubro de 2013 às 20:49
Águas na ponte.
De poetazarolho a 12 de Outubro de 2013 às 08:54
Chá real.
De poetaporkedeusker a 12 de Outubro de 2013 às 14:10
Vou vê-lo, Poeta!
De heretico a 12 de Outubro de 2013 às 19:35
excelente diálogo poética.
apreciei...

beijo
De poetaporkedeusker a 13 de Outubro de 2013 às 14:35
Obrigada, Heretico! Folgo vê-lo por aqui!

O meu abraço!
De poetazarolho a 12 de Outubro de 2013 às 21:50
CANTE DO AVÔ CANTIGAS

(da revista Caça & Pesca)

A actividade cinegética
Passou, agora, a contar
Com uma raça invulgar
De rara origem genética.

De fraca traça atlética
Mas exímia a farejar
Disposta a abocanhar
Sempre com raiva frenética.

Atacam pela calada,
Em matilhas agrupados,
Sempre na peugada

Dos mais fracos na passada
Preferem os aleijados
Na sua feroz caçada.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 13 de Outubro de 2013 às 00:17
Os Lambe-botas Vendidos


São os velhos "lambe-botas"
Dos senhores do capital
Servindo, a bem ou mal,
Desde as eras mais remotas

E, desde as zonas ignotas
Deste nosso Portugal,
Tornando a vida infernal,
Fazendo sujas batotas...

"São hienas!", diria alguém
Convictamente, decerto,
Mas eu cá sei muito bem

Que são gente e, com desdém,
Deixo bem a descoberto
Que, afinal, não são ninguém...


Maria João


Obrigada, amigo Eduardo! Abraço para si e Maria dos Anjos!

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