.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 31 de Agosto de 2013

PLACEBO

 

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

 

Morto o tempo do tempo de lutar

Se o gesto se me esgota em vãs rotinas,

Sobram-me horas amargas, pequeninas,

Que me impõem vagar sobre vagar

 

Teimando, muito embora, em não parar,

Se, a cada passo, enfrento guilhotinas,

Às noites torturadas por espertinas,

Seguem-se os dias em que “estou sem estar”

 

Porque um estranho cansaço vertical

Me vence, toma a rédea e rouba o sal

Das horas de criar seja o que for,

 

Pr´a me lançar, vendada, ao lodaçal

Onde insisto em escrever - mas faço mal... –

Uns versos sem coragem nem valor…

 

 

 

 Maria João Brito de Sousa – 30.08.2013 – 13.41h

 

 

IMAGEM - Cat - Franz Marc, 1880 - 1916

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 12:54
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|
11 comentários:
De poetazarolho a 1 de Setembro de 2013 às 15:24
“Palavra de escuteiro”

São correntes de amor
Neste mar d’esperança
Os lobitos com fervor
Representam a mudança

Sementes darão flôr
A tempestade avança
Desagua em explorador
Mesmo na insegurança

Chegará a pioneiro
Moldada a confiança
Tornar-se-á caminheiro

Surgirá então bonança
Palavra de escuteiro
E o homem novo alcança.
De poetaporkedeusker a 1 de Setembro de 2013 às 20:22
Se é palavra de Escuteiro,
Fico mais aliviada
Pois é sempre verdadeiro
E não mente, nem por nada!



E, hoje, fico-me por aqui... já nem consigo ter "fôlego" para um sonetilho inteiro...

Abraço grande, Poeta!
De poetazarolho a 1 de Setembro de 2013 às 15:26
Menina na ponte.
De poetaporkedeusker a 1 de Setembro de 2013 às 20:22
Vou à Ponte, Poeta!
De poetazarolho a 2 de Setembro de 2013 às 20:02
“Genética mente”

Apaguem a constituição
E a genética também
Terminará a aberração
Desde S.Bento a Belém

Outros seres nascerão
Para a nossa alegria
Não mais haverá relação
Com a actual democracia

Será um regime novo
Com mentes despudoradas
Onde nada estará correcto

E não caberá ao povo
Levar com tantas pedradas
Pois será o seu arquitecto.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 2 de Setembro de 2013 às 22:43
"Despudoradas???"

Tarde ou cedo há-de chegar
O momento, tão sonhado,
Em que o povo há-de alcançar
Quanto tenha arquitectado,

Só não sei qual o lugar
Das "mentes despudoradas",
Nem as sei qualificar
Pois me parecem... "maradas",

Sem conhecer seus direitos,
Nem suas obrigações
No seio da sociedade...

Aos que se julguem "eleitos",
Hei-de pedir mil perdões,
Mas... afirmo o que é verdade...


Maria João


Aqui vai, em jeito de pergunta, Poeta... fiquei sem saber exactamente o que seja isso de "mentes despudoradas", eheheh...



De poetazarolho a 2 de Setembro de 2013 às 20:04
O CANTE DO AVÔ CANTIGAS

FABULÁRIO

O DRAGÃO INCENDIÁRIO

Governantes de Inglaterra
E os interesses instalados
Químicos dos refinados
Venderam aos de outra terra

E a tragédia que isto encerra
É que os vendedores malvados
Fingindo-se de agravados
Encenam eles uma guerra

Estamos fartos de ver
Este estafado ideário
Que nos leva a antever

O fabulário contado
Do dragão incendiário
Que jamais morre queimado.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 2 de Setembro de 2013 às 23:07
Que belo sonetilho, amigo Eduardo!


APAGANDO O FOGO...


Se "jamais morre queimado",
Doutra forma há-de "apagar-se"
O dragão que, incendiado,
Disso anda a vangloriar-se

E se, depois de "apagado",
Quiser voltar a mostrar-se,
Há que ter muito cuidado
Não vá ele reatear-se!

Desse bicho incendiário
Que a todos quer dominar,
E que narra em fabulário,

Vejo o rasto sanguinário
E, se com ele me encontrar,
Viro em sentido contrário!


Maria João

Aqui fica, com o meu abraço e o meu agradecimento!








De poetazarolho a 2 de Setembro de 2013 às 20:14
Mayra na ponte.
De poetazarolho a 3 de Setembro de 2013 às 23:28
“Pintura a fogo”

Fica de negro manchado
Com vermelho à mistura
Todo o país queimado
Enquanto o verão dura

Mas o outono chegado
Logo tudo é esquecido
Com o discurso pintado
Nem parece ter ardido

A culpa morre solteira
Para no verão surgir
Com a cara lavada

Fogo volta a consumir
Essa esperança renovada
Em algo que não há-de vir.
De poetazarolho a 3 de Setembro de 2013 às 23:30
Maricotinha na ponte.

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