.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 26 de Março de 2013

MURALHAS DE DEFESA

 

(Decassílabo heróico)


Impões-me, “vem pr`aqui, vai pr`acolá!”,
De forma impessoal, paternalista,
Que em tantos prenuncia uma conquista
Mas que de modo algum me afectará

Insistindo em lembrar que o mundo dá,
Àquele que, obedecendo, não resista
Ao “isco” de promessa tão simplista,
Estatuto e bens rivais dos de Sabá…

Invariavelmente te respondo
Que não esperes senão um “não redondo”
No que toca a mudar-me a natureza

Pois, d`aquilo que sou, nada te escondo
E, antes que te imponhas, vou-te impondo
Invencíveis muralhas de defesa…




Maria João Brito de Sousa – 07.03.2013


IMAGEM - Gravura de José Dias Coelho

sinto-me :
tags:
publicado por poetaporkedeusker às 21:07
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|
40 comentários:
De poetazarolho a 27 de Março de 2013 às 00:19
“Sem povo”

Fazer das coisas pequenas
Coisas grandes de novo
Não economia apenas
Mas o renascer dum povo

Que um povo moribundo
A quem poderá servir
Aos poderosos do mundo
Que agora se estão a rir

Mas sem povo nenhum
Num futuro já a seguir
Terão que fazer jejum

Qu’este povo a dar no duro
Em breve vai sucumbir
Sem povo é negro o futuro.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 27 de Março de 2013 às 00:50
Ai, Poeta... ainda me não esqueci que deixei um sonetilho por responder no post anterior... mas acredite que as coisas estão muito difíceis... tenho três infecções diagnosticadas e nenhuma delas é "mansinha"... as dores aumentaram e tiveram de recorrer a um diurético para me conseguirem "domar" a tensão arterial... está um pouco mais controlada, mas eu estou, literalmente, a travar uma acesa batalha com estes microorganismos patogénicos que já conseguiram "ganhar terreno" em várias frentes... olhe, a bem dizer, é uma "troikazinha pessoal"...

O que é certo é que a minha criatividade se "retirou estrategicamente" para ver se o cérebro se concentrava melhor nesta batalha interna... e... é claro que estou a brincar e só lá para o dia 2 é que fico a saber qual é o agente patogénico... mas o processo, passem as metáforas todas, é mais ou menos este... quando um corpo é levado aos limites durante muito tempo e, de repente, piora, fica praticamente imprestável para a criatividade poética... os corpos dos animais não têm grandes dúvidas existenciais, eheheh... tentam tudo, tudo mesmo, para sobreviverem. Não são só os nossos, humanos... com os não humanos passa-se o mesmo...

Assim que voltar a sentir-me minimamente "poeta", respondo-lhe! Porque, agora, não me apetece nada - nem posso! - deixar de "dar luta" a este bichoco recorrente e estúpido que, a par do nosso governo, me está a pôr a sobrevivência em causa!

Abraço grande!

Abraço grande!
De poetazarolho a 27 de Março de 2013 às 07:01
Essa luta é para vencer, tudo o resto é secundário agora. Se tiver alguma necessidade em que eu possa ajudar não se coiba de me pôr ao barulho.
De poetaporkedeusker a 27 de Março de 2013 às 13:48
Obrigada, Poeta!

A grande luta, de momento, está a ser travada entre o meu sistema imunitário e o/os "bichoco/s" que o invadiram em força... claro que há uma outra batalha constante, contra a hipertensão grave... também essa vai depender bastante de uns exames que tenho marcados para Setembro... entretanto foi-me dado o tal diurético que tem sido "bóia de salvação" mas que induz ainda mais cãibras... tenho de me aguentar!

Um enorme abraço para todos vós!
De poetaporkedeusker a 28 de Março de 2013 às 14:27



"Que mundo?"


... mas, sem povo, o que é que resta
À vida ou à felicidade?
Que tipo de sociedade,
Tão pobre que nada empresta

E que, decerto, nem presta
Pois reduz a liberdade
À crueldade da besta
E à nossa passividade,

Se erguerá do que restar?
E esse povo injustiçado
Não se pode revoltar,

Não se sabe levantar
Quando se sente roubado
E, finalmente, lutar?


Aí vai, fruto de uns "pozinhos mancos" da inspiração que o quadro clínico - e circunstancial... - vai permitindo. Abraço, Poeta!


De poetazarolho a 27 de Março de 2013 às 00:21
Nas muralhas consegui ler com música, se calhar é mais fácil que outros ou então estou a evoluir na forma de ler.
De poetaporkedeusker a 27 de Março de 2013 às 00:56
Com a prática da leitura vai-se conseguindo descobrir a musicalidade dos poemas, Poeta! É isso mesmo! Fico contente, muito embora esteja aflitinha com todo o tipo de dores que possa imaginar... é dentes, é cara, é barriga, são cãibras... é todo um rancho folclórico de dores... mas que fiquei contente, fiquei!
De poetazarolho a 27 de Março de 2013 às 00:25
Melodia no feminino na ponte.
De poetaporkedeusker a 27 de Março de 2013 às 00:58
Vou ver, Poeta!
De poetazarolho a 27 de Março de 2013 às 06:58
Chá de interesse.
De poetaporkedeusker a 27 de Março de 2013 às 13:14
Vou já, Poeta!
De jabeiteslp a 28 de Março de 2013 às 14:12
pensava que tinhas emigrado
De poetaporkedeusker a 28 de Março de 2013 às 14:32
Olá, Anjo!

As doenças crónicas já impõem muitas limitações, Anjo. Quando à sintomatologia habitual se juntam três infecções distintas, as coisas tornam-se mesmo muito complicadas.

O meu tempo online está obviamente reduzido...

Uma feliz tarde para ti!
De jabeiteslp a 28 de Março de 2013 às 20:57

bela noite MJ
De poetaporkedeusker a 28 de Março de 2013 às 22:13
Boa noite para ti, Anjo!
De jabeiteslp a 29 de Março de 2013 às 22:54
grata e repousada noite...

a onda gigante tá online....
De poetaporkedeusker a 29 de Março de 2013 às 23:16
Ahhhhhhhhhhhh... é um vídeo?! Vou lá ver!
De jabeiteslp a 30 de Março de 2013 às 07:51

um belo dia MJ
De poetaporkedeusker a 30 de Março de 2013 às 12:12
Um belo dia também para ti, Anjo!
De jabeiteslp a 30 de Março de 2013 às 18:24
De poetaporkedeusker a 30 de Março de 2013 às 20:37
De poetazarolho a 28 de Março de 2013 às 20:07
“Porreirismo”

Desde o porreiro pá
Não existe porreirismo
Isto assim já não dá
Tombámos no abismo

Mas volta porreiramente
Seu autor sem vergonha
Senta-se mesmo na frente
E goza c’a nossa fronha

Sem vergonha é o país
E este seu povo manso
Que merece o castigo

Aqui existe muito juiz
Para condenar o tanso
E p’ra ilibar o amigo.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 28 de Março de 2013 às 23:48
Esta gente inda receia
Uma esquerda de verdade
Que a defende e não cerceia
A justiça em liberdade...

Manipulada - que o foi! -
Tanto receia que cai
No momento em que mais dói
E o oportuno... se esvai...

Há, porém, quem não desista,
Quem não deixe de lutar,
Quem denuncie e resista

À morte, assim disfarçada,
Do seu direito a sonhar
Com a lonjura alcançada...



Abraço grande, Poeta!



De poetazarolho a 28 de Março de 2013 às 20:08
EM TEMPO de PÁSCOA

Não foi por ressurreição…
Ele chegou de Paris
Acreditei no que diz,
Mas pecou por omissão.

Não era uma visão…
Marcou bem sua matriz
E segundo seu cariz,
Recusou pedir perdão.

De seus rivais, ao contrário
Mente com erudição
É um requintado falsário.

Sem merecer um santuário
Ele será o bom ladrão
Quando chegar ao calvário.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 29 de Março de 2013 às 13:21
Pode ser, como tal, visto
Pelos mais desprevenidos
Mas, quanto a mim, não desisto
De recordar, a esquecidos,

Que ele nunca foi nenhum Cristo
Porque nos deixou "vendidos",
Num aperto nunca visto,
Aos interesses de bandidos...

Se foi bom, ou mau, ladrão,
Não lho saberei dizer,
Nem tenho tal pretensão,

Mas a minha previsão
É que, diga o que disser,
Não terá grande perdão...


Maria João

Muito grata por mais este sonetilho, amigo Eduardo!
Um abraço e os meus votos de uma Páscoa muito feliz e serena para si e Maria dos Anjos!
De poetazarolho a 28 de Março de 2013 às 20:11
Melodia sem voz na ponte.
De poetaporkedeusker a 29 de Março de 2013 às 13:22
Só agora consigo ir à Ponte, Poeta...
De poetazarolho a 29 de Março de 2013 às 11:14
Chá de respeito.
De poetaporkedeusker a 29 de Março de 2013 às 12:32
Com todo o respeito, vou ao Chá!
De poetazarolho a 29 de Março de 2013 às 18:49
“Zig-zag”

Certo dia enlouqueci
Retorno não conheci
Por aqui permaneci
Perto e longe de ti

Observo o engraçado
Ausculto a insanidade
Existente desse lado
Buscando a felicidade

Mas de não ser normal
Tão pouco louco serei
Ao longo da linha tecida

Recuso a receita formal
Nas curvas que aceitei
Como o zig-zag da vida.
De poetaporkedeusker a 29 de Março de 2013 às 23:12
Uma coisa é muito certa;
Há por cá insanidade,
Tanta que nos desconcerta!
Disse, o Poeta, a verdade...

Muitos vão querendo "medir"
O sentido à própria vida
E outros procuram sentir
Se ele terá, sequer, medida...

Mas, fazendo o que fizerem,
Encontro sempre sinais
De muitos que apenas querem

Mil riquezas materiais
E, apesar do que auferem,
Querem ter cada vez mais...


Vai apressadito, Poeta... não estou muito bem. Abraço grande!







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