.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013

A TODOS OS ARTISTAS PORTUGUESES QUE RESISTEM E SOBREVIVEM A ESTE ANO DE TODAS AS INJUSTIÇAS

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Num traço, redesenho este universo

Ao meu jeito de bicho inacabado

Mas travaram-me o traço mal esboçado

Como a mentira entrava o pólo inverso…

 

Do que me sobra, culminando em verso,

Retiro, peça a peça, este legado

Que aqui sirvo, bocado por bocado,

Na refeição comum de um tempo adverso…

 

Assim, do ousado rumo em que me invento,

Eu cobro, à Poesia, esse sustento

Das horas de ser carne e sangue e sonho

 

E mais vos não sei dar, nem tenho alento

Pr`a obra que me exija mais talento

Do que em tão estranho gesto agora ponho…




 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.02.2013 – 19.25h


 

IMAGEM – Fotografia de Manuel Ribeiro de Pavia, nome artístico do artista plástico alentejano, Manuel Ribeiro, tirada por António Pedro Brito de Sousa, meu pai.

sinto-me :
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publicado por poetaporkedeusker às 20:13
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47 comentários:
De jabeiteslp a 7 de Fevereiro de 2013 às 21:04

Deixo uma flor de quadras
Pétalas
E muito amor...

bela e feliz noite à melhor das Poetisas Portuguesas
De poetaporkedeusker a 7 de Fevereiro de 2013 às 21:12
Obrigada, Anjo!

Uma noite de paz para ti
De jabeiteslp a 7 de Fevereiro de 2013 às 21:16

eu já não sei o que é paz

mas uma grande senhora de letras, sei...
De poetaporkedeusker a 7 de Fevereiro de 2013 às 21:31
Sabes o que eu acho que sou? Uma "palavradora"

Inventei esta e gosto da palavra... tem a ver comigo, isto de "lavrar palavras", eheheheh...
mas olha que com estas tensões malucas, nem uma rimazinha me vem à cabeça... só dor de cabeça, mais nada... e custa-me estar aqui a teclar... parece mentira mas até teclar me cansa...

Noite muito feliz, Anjo
De jabeiteslp a 7 de Fevereiro de 2013 às 21:34

não há igual em Portugal...Poeta
De poetaporkedeusker a 7 de Fevereiro de 2013 às 21:58
... mas hoje nem umas letrinhas eu consigo "lavrar"... e vou ter de me ir deitar cedinho porque a cabeça está numa dor pegada... e o resto, também não está melhor... porcaria da tensão que parece que está com a mania das grandezas; alta, alta, alta...

Feliz e sossegada noite, Anjo
De jabeiteslp a 7 de Fevereiro de 2013 às 22:13

com muita estima


e a mais bonita noite sossegada e feliz
De poetaporkedeusker a 8 de Fevereiro de 2013 às 12:47
Feliz tarde para ti, Anjo!

A amiga Leonor vem buscar-me para irmos, mais uma vez, ao hospital... esta tensão maluca não se decide a baixar...
De jabeiteslp a 8 de Fevereiro de 2013 às 14:16

Que seja uma tarde sossegada

e há cuidar os problemas...
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2013 às 00:04
Noite feliz para ti, Anjo

Estou extremamente cansada e a tensão só desceu uns pontinhos, umas décimazinhas... não me sinto capaz de estar ao computador por mais do que uns minutos, mas acredito que isto venha a melhorar. Por enquanto tenho mesmo que descansar o máximo que me for possível.
De jabeiteslp a 9 de Fevereiro de 2013 às 14:04

Um feliz e desejado bom dia
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2013 às 14:14
Um feliz dia para ti, Anjo!

... isto voltou a subir um bocado... vou ter de descansar um nadinha...

De jabeiteslp a 12 de Fevereiro de 2013 às 23:05
e como vais tu ?

passei pra saber de ti...
De poetaporkedeusker a 14 de Fevereiro de 2013 às 12:31
... estive sem computador desde o dia 10, Anjo... a tensão baixou muito ontem à noite mas já subiu vergonhosamente hoje de manhã, quando acordei.

A amiga Leonor levou-me ao hospital , mediram-me várias vezes a tensão , duplicaram-me a medicação em curso... mas ninguém se lembrou de me fazer ECG...

A ligação está atroz! E eu estou ainda mais lenta... nem sei como vou fazer isto...

Feliz tarde para ti, Anjo!
De jabeiteslp a 14 de Fevereiro de 2013 às 13:55
De poetaporkedeusker a 14 de Fevereiro de 2013 às 16:12
De poetazarolho a 8 de Fevereiro de 2013 às 00:05
86 anos na ponte.
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2013 às 00:07
Vou à Ponte, Poeta, mas estou muito longe de me sentir capaz de retomar o ritmo que tinha... para já, claro. Espero sinceramente melhorar, embora a tensão arterial continue muito alta apesar da "dosagem cavalar" de anti-hipertensores...

Abraço grande!
De poetazarolho a 8 de Fevereiro de 2013 às 07:22
Chá com as aranhas.
De poetaporkedeusker a 8 de Fevereiro de 2013 às 12:36
Gosto de aranhas, Poeta! São o meu "mosquicida" natural e tenho cá uma velha teia de estimação com uma amiguinha que me dá conta das moscas todas, já que os gatos estão tão velhinhos que perderam o interesse e a agilidade necessária para as caçar... e vou ao Chá mas a tensão continua muito, muito alta e a amiga Leonor não tarda está aí para me levar, de novo, ao hospital...

Abraço grande e desculpe-me esta falta de respostas "decentes" mas a "maquineta" parece estar mesmo a funcionar nos seus limites.

Abraço grande para todos vós!
De poetazarolho a 8 de Fevereiro de 2013 às 19:47
“Mundo ao contrário”

O mundo ao contrário
É uma opção viável
Pois o actual cenário
Não passa d’execrável

Vira-se do avesso
Este mundo inútil
Que assim tá de gesso
Não passa de fútil

Reinventa-se o mundo
E com imaginação
Dá-se-lhe um sentido

Que este está imundo
Entrou em depressão
É um mundo perdido.
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2013 às 00:40
VIDA, APESAR DE TUDO


Se este mundo, do avesso,
Se mostrar menos perdido,
Peguemos no seu começo
Pr`a lhe dar outro sentido,

Mostrando-lhe o nosso apreço
Ter-lhe-emos garantido
Um rumo novo e sem preço
E um progresso indesmentido!

Nem sei como consegui
Mas penso aqui ter deixado
O que as rimas nunca calam

Apesar do tempo, aqui,
Estar tremido e mal-parado
Pelas tensões que me abalam...


Não sei mesmo como consegui, mas aqui vai, Poeta, com o meu abraço!
De poetazarolho a 8 de Fevereiro de 2013 às 19:49
Greco na ponte.
De poeta_extase a 9 de Fevereiro de 2013 às 02:15
Sei que vês assim essa miséria, coisa que nossa mente que armazena beleza não concebe. Mas tudo isso passa, só não se vão os grandes feitos lusos.
Abraços!
ADÍLIO BELMONTE
BELÉM-PARÁ-BRASIL

Diante disso ensaiei esse humílimo soneto, que peço corrigi-lo nas lacunas:

BRAVIA LUSA

Sei que vês assim toda essa miséria,
Que à tua pátria doam os barões,
Como se a coisa não fosse tão séria,
Levando esse bravo povo aos porões.

Bem que sei de todas as vossas glórias,
De muitos e muitos descobrimentos,
Bravos feitos, conquistas e vitórias,
Que enaltecem todos os sentimentos.

Quando todo o mundo forte galopa,
Buscando o maior desenvolvimento
Não se admite essa história confusa.

Querem aniquilar toda a Europa,
Impondo ao povo muito sofrimento,
Desafiando assim a bravia lusa!

De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2013 às 17:47
Muito grata pelo belíssimo soneto, amigo Adílio Belmonte!
Peço desculpa por só agora lhe responder mas as minhas vindas ao computador, agora, só podem ser feitas muito espaçadamente e fazendo intervalos para descanso entre uma e outra resposta...
O meu problema degenerativo piorou bastante nos últimos dias.

Abraço!
De filipinha22 a 9 de Fevereiro de 2013 às 03:30
SonhoTeria passado a vida
atormentado e sozinho
se os sonhos me não viessem
mostrar qual é o caminho

umas vezes são de noite
outras em pleno de sol
com relâmpagos saltados
ou vagar de caracol

quem os manda não sei eu
se o nada que é tudo à vida
ou se eu os finjo a mim mesmo
para ser sem que decida.

Agostinho da Silva, in 'Poemas'

Bom fim-de-semana amiguinha!! Mil beijinhos super fofinhos,fica bem!!
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2013 às 14:00
Grata por esta partilha de um poema de Agostinho da Silva, Filipinha!

Dos poemas, penso, às vezes,
Estarem tão dentro de mim
Que nem tensões, nem revezes,
Os farão calar-se assim

Que os poemas portugueses
Deste pequeno jardim
Como audazes camponeses
Vão plantando até ao fim...

Decerto os manda a vontade
Mas outra força qualquer,
Despontando em liberdade,

Faz dela a bandeira ao vento
Indo além do que puder
O próprio humano talento...


Maria João Brito de Sousa

E aqui to levo, com o meu abraço, Filipa!
De poetazarolho a 9 de Fevereiro de 2013 às 07:41
Chá concentrado.
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2013 às 13:33
Eu, agora, até bebo infusões de dentes de alho e beringela que a amiga Leonor fez o favor de me trazer... não será nenhuma maravilha em termos de paladar, mas tem os seus efeitos anti-hipertensores e eu aproveito tudo...

Vou já!
De poetazarolho a 9 de Fevereiro de 2013 às 19:30
A MORTE dos TUBARÕES

No mar, os peixes maiores,
Para seu contentamento
Sempre engolem os menores
Garantindo seu sustento

Com igual procedimento
Os racionais predadores
Sujeitam a tal tormento
Os que julgam inferiores

E os peixes de maiores portes
E igualmente os racionais
Deixarão de ser mais fortes

E acabarão por morrer
Se aqueles que sendo mais
Não se deixarem comer

Eduardo
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2013 às 14:33
Belíssimo sonetilho que muito lhe agradeço, amigo Eduardo!

PELA LUTA ORGANIZADA DOS "PEQUENOS"

O pior é que os mais fortes,
No caso aqui relatado,
Prenunciam muitas mortes
Em prol de um fero legado

E multiplicam-se em cortes
Ao povo assalariado
Culpando sempre as más sortes
Do que é por eles engendrado...

Há que dar agora "a volta"
Ao mais sinistro dos planos
Porque este "diabo à solta"

Do perverso capital,
Anda há muitos, muitos anos,
A mostrar-se um "canibal"!

Maria João Brito de Sousa -14.27h


Aqui vai... ou não, que esta ligação está um horror. Pelo sim, pelo não, vou copiar este sonetilho muito espontâneo... penso que já nem sequer estou online...

O meu grato abraço, amigo Eduardo! Também para Maria dos Anjos!
De poetazarolho a 9 de Fevereiro de 2013 às 19:37
“Poder em Portugal”

Abundante o desalento
Fez escoar a esperança
Ouço o sopro do vento
Não me soa a mudança

Soa como um temporal
Que nos está a arrasar
É o poder em Portugal
Que só sabe espezinhar

Recebe doces saborosos
Os quais gosta de lamber
Não passam duns gulosos

Que se agarram ao poder
P’ra servir os poderosos
Com poder de corromper.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2013 às 14:46
"Outro poder..."

Anda à solta, a corrupção,
Neste jardim pequenino
Onde um poder que é ladrão
Tenta impor-se qual destino...

É bem certo e já sabido
Que os recursos são finitos
Mas mal se ouve o estranho grito
Que ressoa entre os aflitos...

É tempo de se calarem
Os gulosos do costume
Que só o são por roubarem!

Que ao mais pobre produtor
Se não trate como estrume
E saiba dar-se VALOR!


Maria João
Abraço, Poeta! Esse valor vai meio "gritado", eheheheh... mas foi assim mesmo que me saiu...

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