.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Domingo, 16 de Setembro de 2012

MOAXAHA - Para variar...

AO ANIMAL CRIADOR QUE NOS HABITA

 

 

Amo as penas discretas dos pardais,

Macias, leves, quase intemporais…

 

Amo a serena calma dos meus dias,

Sem saudade, sem medo ou nostalgias,

Repudiando humanas tiranias,

Liberta já das cangas tão banais

Do que se engendra em ciclos rituais…

 

Devoro a manhã clara, as tardes mansas,

Retorno à tal menina que usa tranças,

Devolvo corpo e alma às simples danças

Das coisas sem rotina, ocasionais,

Que são espólio comum dos animais…

 

“O morto és tu, Lázaro! Surge et ambula!”

 

 

Citando António de Sousa em Mea Culpa, Mea Maxima Culpa – Livro de Bordo

 

Maria João Brito de Sousa – 13.09.2012 – 15.33h

sinto-me :
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publicado por poetaporkedeusker às 23:14
link do post | "poete" também! | favorito
|
20 comentários:
De jabeiteslp a 16 de Setembro de 2012 às 23:42

frases de ser a razão de existir
no bonito de as saber sentir...


bela semana MJ
De poetaporkedeusker a 16 de Setembro de 2012 às 23:50
Olá, Anjo! Obrigada! Vou-te confessar que o mais difícil é mesmo calá-las... ou publicá-las sabendo que alguns não entenderão porque são demasiado verdadeiras... ou porque não é habitual usar estas metáforas, não sei...

Uma feliz noite para ti, amigo!
De jabeiteslp a 17 de Setembro de 2012 às 07:52

só quem sabe escreve-las
e que concebidas estão...
um bom dia
De poetaporkedeusker a 17 de Setembro de 2012 às 10:55
Anjo, eu não sabia. Nem sequer sabia da existência deste tipo de poemas que, segundo disse o amigo Albertino Galvão, são de origem andaluza e muito antigos... por isso é que fiquei atrapalhada quando me convidaram para fazer uma. A minha facetazinha mais "humana", mais "não te metas em coisas que nem conheces", deixou-me, a princípio, atada de pés e mãos... não sei como te hei-de explicar isto, mas parece mesmo que há um animalzinho criador dentro de mim, rsrsrsrs... primeiro utilizei as tais "ferramentas humanas"- análise, associação, memorização - para perceber e fixar a ordenação rimática dos versos... depois "desliguei-me" de tudo. Bem podiam ter caído as paredes à minha volta, rsrsrs... mas a verdade é que a Moaxaha veio toda inteirinha, de uma vez só. Veio em decassílabo, embora eu soubesse, pelo que me informaram, que podia vir sem regras métricas...

Obrigada, um feliz dia e uma excelente semana para ti
De jabeiteslp a 17 de Setembro de 2012 às 11:44
muito feliz também pra ti...

mas rematando
sei que sabes que eu sei

que escreves como ninguém...
De poetaporkedeusker a 17 de Setembro de 2012 às 12:02
Obrigada, Anjo!
Escrevo o que sinto... acho que não sou má a sentir, rsrsrs

Grande, grande abraço!
De Isabel Maia Jácome a 16 de Setembro de 2012 às 23:54
Vê o que digo??? Isso é qie é FAZER!!!!... è incrível a sua capacidade de produção. DSempre deliciosos os poemas.
Mas agora uma pergunta... porque aparece sempre as pequenas utopias e não este blog? O outro está ctivo e escreve nele todos os dias? é que quando lá vou tem postes já bastante antigos!!!
Por isso continuo a vir aqui...e irei com muito gosto aos outros que tiver se me disser como e onde.
Abraço, e obrigada
Isabel
De poetaporkedeusker a 17 de Setembro de 2012 às 00:18
Esta Mohaxaha fluiu só quando eu me deixei de grandes pruridos sobre a mudança do estilo poético, Isabel Uma amiga convidou-me para eu entrar num desafio deste tipo de poesia - poesia antiga Al Andaluza composta por uma entrada de dois versos (a,a), duas quintilhas (b,b,b,a,a) e (c,c,c,a,a) e uma citação de um poeta de que se goste muito ou a quem queiramos homenagear.

Realmente não sei... acho que me inscrevi para os comentários com o endereço de email do Google... mas eu tenho tentado manter o Pekenasutopias mais actualizado... nem sempre consigo, mas vou tentando... conhece o http://liberdadespoeticas.blog.sapo.pt/ , não conhece? É dedicado à poesia de verso branco e nem sempre está muito actual porque eu nem sempre "fluo" nesse sentido, embora goste muito deste tipo de poesia. Neste momento até está com dois poemas recentes.
Tenho também o http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/ , dedicado à poesia em redondilha maior. Tem por lá um vídeo formatado pela Cida Vasconcellos e declamado pelo Joaquim Sustelo que eu tenho a certeza de que vai gostar! Não é o último post, é o penúltimo.
Hoje estou quase a dormir e com uma tremenda dor de dentes, mas prometo enviar-lhe os endereços dos Portais da AVSPE e do Portal CEN.

Abraço grande e muito, muito obrigada, Isabel!
De poetazarolho a 17 de Setembro de 2012 às 21:13
“Tinta negra”

O povo fala nos muros
Escutem o que ele diz
Quando começam são puros
Mas não prevejo final feliz

A vida não é um drama
Mas sim uma teia pegada
Quem tem muito, muitos trama
Quem não tem, tem vida tramada

Nos muros palavras d’ordem
Anseios p’ra vidas futuras
À procura duma regra

As palavras também mordem
Podem ser muito duras
Fundo branco, tinta negra.
De poetaporkedeusker a 17 de Setembro de 2012 às 22:12
Também são muito importantes,
Esses muros de que fala,
Nas injustiças gritantes
Que a juventude não cala...

Muito querer ou ter demais
Nunca foi muito saudável...
Há excedentes anormais
Frutos de um sistema instável

Neste mundo onde o pão falta!
Palavras ficam mais duras
Assim que a "tampa nos salta"

E morder... mordem-nos, sim,
Quando se tornam maduras
No nosso humano jardim...


Aqui vai, com algumas dificuldades "técnicas" pelo meio... penso que abri separadores a mais...

Abraço grande!
De poetazarolho a 17 de Setembro de 2012 às 21:20
Ai que linda moça na ponte.
De poetaporkedeusker a 17 de Setembro de 2012 às 21:29
Vou vê-la, Poeta!
De poetazarolho a 18 de Setembro de 2012 às 07:21
O chá tem esperança.
De poetaporkedeusker a 18 de Setembro de 2012 às 11:08
É um Chá feliz!
De poetazarolho a 18 de Setembro de 2012 às 21:50
“Gerações e desilusões”

P’ró que lhes havia de dar
Quererem-nos pobrezinhos
Depois do imenso penar
Dos nossos avós e paizinhos

Pobre país sem produtividade
Onde entraram aos milhões
Para promover a equidade
Mas só comprámos desilusões

Os milhões foram encaixados
Onde muito bem sabemos
Mas não há provas de nada

Pobre país de desgraçados
Três gerações e sofremos
E a próxima está destroçada.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 18 de Setembro de 2012 às 22:06
Pobres, sim... não miseráveis
Sem direitos nem saúde
Com sonhos inalcançáveis
De alcançar maior virtude!

Quando bem distribuídos,
Projectando o necessário,
Esforços - todos! - reunidos,
Basta um pequeno salário!

Todos entendemos, creio,
Que o luxo não faz sentido
Nem pode ser sustentável

E, se o não sabem, receio
Que esteja o mundo perdido
E o Homem... pouco viável!


Abraço grande, Poeta!


De poetazarolho a 18 de Setembro de 2012 às 21:52
Homenagem da ponte a quem hoje partiu.
De poetaporkedeusker a 19 de Setembro de 2012 às 00:28
Vou deixar o meu último abraço a Luiz Goes.
De poetazarolho a 19 de Setembro de 2012 às 06:44
O chá e a água.
De poetaporkedeusker a 19 de Setembro de 2012 às 12:16
Eheheh... bastante mais água do que Chá, no meu caso...

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