.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

SONETO PARA... MORDER!

 

(...mordido em decassílabo heróico...)

 

 

Em verdade só sou quando me dou,

Assim que sol e mar fervem cá dentro

Transmutando-se em corpo e alimento

Do poema/animal que me habitou…

 

Palavras, coisas vivas que se comem,

São frutas que se oferecem se as procuro

Numa fome perpétua que não curo

Enquanto outras palavras me não domem

 

Mas é por esta língua, a que pertenço,

Que sinto, que, por vezes, também penso,

Que mordo, como tantos animais,

 

Sem medo do momento insano, intenso,

Em que abocanho um verso… e quase o venço

Esquecendo a derrocada dos demais…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 23.08.2012 – 19.19h

sinto-me :
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publicado por poetaporkedeusker às 19:25
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39 comentários:
De poetazarolho a 23 de Agosto de 2012 às 20:32
“Obrigado fmi”

Abril e revolução
Crise a cada esquina
Está verde p’ro peão
Nesta luta intestina

Obrigado fmi
Pelo negro pintado
Nesse outro peão aí
À parede encostado

Negro não é esperança
Roubar não é Abril
Esquina é contradição

Nunca houve mudança
Deste povo servil
A quem roubaram a razão.
De poetaporkedeusker a 23 de Agosto de 2012 às 22:12
Espere lá, Poeta, que este sonetilho está mesmo a "pedir" um poema que tenho por aí, já publicado...
ora, aqui vai. Já o encontrei!

TROVAS À TROYKA

Olho este povo cansado

De ver a vida a passar,

De viver das aparências

Na mais dura das carências

A que o vão fazer chegar

Para o terem bem calado…



Meu povo tão criativo

De poetas e cantores,

Gente com caule e raiz

Que nunca será feliz

Nas mãos dessoutros senhores

Que o querem manter cativo



Vejo a gente nas canseiras

Das noites sobressaltadas

Pelos dias sempre incertos

E nos olhos, muito abertos,

Mil perguntas formuladas

De mil e uma maneiras…





Ah, povo, se fores dormir

E eles tentarem sufocar

O cravo que tens no peito

Ao roubarem-te o direito

De viver, de trabalhar

E, até mesmo, de sentir…



Oiço a gente que murmura,

Que duvida e quer respostas,

Que não consegue entender

Porque é que há-de acontecer

Que as regras sejam impostas

Como eram na ditadura



Povo de garra, com garras,

Que rosna sob um chicote

Que a muitos soube calar

Mas que recusa aceitar

As loucuras de um Quixote

Que nunca vestiu samarra!

Não cales, povo que sofres,

A tua revolta imposta

Por amos que não quiseste!

Mostra-te indómito, agreste,

Diz que Portugal não gosta

Que disponham dos seus cofres

Ou da força dos seus braços

Cansados de não saber

Se, amanhã terão trabalho,

Se lhes fica, ou não, retalho

Do que puderem colher,

Do fruto dos seus cansaços!



[este povo inda tem garra

pr` a derrubar os chicotes

que o tentarem subjugar

e recusa-se a aceitar

ordens vindas de Quixotes

sem burrico e sem samarra!]





Maria João Brito de Sousa

De poetazarolho a 23 de Agosto de 2012 às 20:40
A ponte continua por terras de Vera Cruz.
De poetaporkedeusker a 23 de Agosto de 2012 às 21:52
Hi, Poeta! Tanto mar!

Vou já!
De jabeiteslp a 23 de Agosto de 2012 às 20:51

um dia em cada
e uma hora...uuuii

do melhor....
De poetaporkedeusker a 23 de Agosto de 2012 às 21:44
Obrigada, Anjo

Mas tenho uma pergunta para te fazer... vou até aí!
De poetazarolho a 23 de Agosto de 2012 às 22:38
Pude rever Setúbal, a cidade
Por onde circulava de passagem,
Quando, há tantos anos!, noutra idade
Eu ia à minha terra de viagem.

O tempo é hoje pressa! A velocidade
É pelas auto-estradas. E a imagem
Dilui-se na memória e na saudade
Das ruas, do seu porto, da aragem...

Sinto ainda o aroma do Portinho
Na terra um paraíso, num cantinho!
Da bela Figueirinha aos pés da serra;

Do alto... o que se vê a nossos pés:
O rio amando o mar em tagatés
Que em Tróia embevecido abraça a terra.


(Poema de Joaquim Sustelo)

Será, aqui diz que sim,

http://www.novaera-alvorecer.net/setubal_cidade.htm
De poetaporkedeusker a 23 de Agosto de 2012 às 23:07
Caramba, Poeta! Que lindas, lindas imagens de Setúbal!
E um soneto do Joaquim Sustelo que é o poeta com maior poder narrativo e descritivo que eu já conheci!
Obrigada, muito obrigada, e um enorme abraço!
De poetazarolho a 24 de Agosto de 2012 às 07:31
O chá é sol.
De poetaporkedeusker a 24 de Agosto de 2012 às 12:40
E viva o sol!
De poetazarolho a 24 de Agosto de 2012 às 19:40
“Novos treinadores”

O monstro volta a ganhar
No jogos dos matraquilhos
Desta vez contra o Gaspar
Do país dos maltrapilhos

E volta a troika pr’avisar
Nada de mais choradeiras
Os golos são pr’a marcar
Comprem novas chuteiras

E afinem a pontaria
Estamos cá para treinar
Mas não esta porcaria

Chicotada psicológica já
Ponham o treinador a andar
Que essa táctica já não dá.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 24 de Agosto de 2012 às 21:58
Não lhe posso responder...
Nem sequer sei quem ganhou!
Se acaso cheguei a ler,
Pode crer que "me passou"...

Às vezes oiço falar
Mas, desta vez, nem ouvi...
Ou não consigo lembrar
Porque decerto o esqueci...

Todos temos de filtrar
Tanta, tanta informação
Que não podemos guardar...

É processo inconsciente
Que nunca sei "desligar"
Na minha cansada mente...


Poeta, eu sei que não será muito normal... mas é a verdade. Não sei mesmo!

Abraço grande!


De poetazarolho a 24 de Agosto de 2012 às 19:53
Um deus maior na ponte.
De poetaporkedeusker a 24 de Agosto de 2012 às 21:35
Vou ver, Poeta!
De jabeiteslp a 25 de Agosto de 2012 às 08:31
Um belo e grande dia
e pensei
porque não pões rede nas portas e janelas...

faz efeito...

De poetaporkedeusker a 25 de Agosto de 2012 às 13:52
Ah, Anjo... tu não conheces a minha casota... nem a minha algibeira literalmente vazia
Todo o meu andar é rodeado por marquises com portadas de vidro... pôr redes nisto é quase como pagar a dívida externa
E, hoje, nem euros tenho para comprar tabaquito, eheheheh... deixa-me rir... para não chorar
Espero que tenhas um dia melhor do que o meu... isto, por aqui, não está lá muito brilhante... o pobre do Kico já se suja todo, a toda a hora... tive de metê-lo na banheira, apesar de estar com uma bronquite tremenda - tem a ver com a doença cardíaca dele... - e estava a ver que nunca mais conseguia parar de lhe dar banho. Mal o enxaguava... "sujava-se" outra vez... mas lá consegui. E tive de lavar a cama dele que já tinha sido lavada ontem pela mesmíssima razão... estou derreada! O chão - de madeira escura - já anda esbranquiçado de tanto ser lavado... e eu estou que não posso com uma esfregona pelo cabo!
Agora que isto mais parece... sei lá o quê... isto nem para telenovela daria! Agora, dizia eu, vou mesmo ter de descansar uma meia horita...

Um belo e luminoso dia para ti, Anjo!
De jabeiteslp a 25 de Agosto de 2012 às 18:08

De golimix a 25 de Agosto de 2012 às 09:22
E que belos frutos dá essa árvore!

bijinho
De poetaporkedeusker a 25 de Agosto de 2012 às 13:15
Ai, Golimix! Nem cheguei a ter tempo de ir ver o resto da tua viagem a Lanzarote...
Vou agora! Obrigada!
De poetazarolho a 25 de Agosto de 2012 às 10:18
O chá não faz guerra.
De poetaporkedeusker a 25 de Agosto de 2012 às 13:07
O Chá apela ao diálogo?

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