.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 2 de Agosto de 2012

CAPITALISMO - Soneto de Onze Sílabas Métricas

 

Sobram-lhe as migalhas dessoutra fartura

Que o sistema cria, que o cinismo inventa,

Do pouco que fia mas que o não sustenta

Porque se alimenta só de “dita”… e “dura”,

 

Sobejam-lhe as rendas da falsa candura

Que, qual maré alta, num crescendo aumenta

Pr`adornar uns quantos, porque a “plebe” aguenta

Tais desequilíbrios desta arquitectura…

 

Se contra mim falo porque uma injustiça

Tudo o que não calo foi trazendo à liça

E, nada fazendo, tão pouco produzo,

 

Mas levanto o punho como se o fizesse…

Mais saudável fora, mais força eu tivesse,

Mais protestaria contra esses que acuso!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 02.08.2012 – 15.58h

 

 

 

IMAGEM -  Blind Man`s Meal - Pablo Picasso, 1903

 

Reformulado a 22.11.2015

 

 

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 16:48
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115 comentários:
De jabeiteslp a 2 de Agosto de 2012 às 17:15
hé hé hé
assim é que é...gosto


bela e feliz tarde
De poetaporkedeusker a 2 de Agosto de 2012 às 22:27
Olá, Anjo
Acredita! Esta coisa da musicalidade e do ritmo dos versos tem cá uma força!
Eu a querer conseguir as tónicas nos sítios correctos e elas a fugirem-me para as sílabas do costume... foi precisa muita teimosia para conseguir apanhar o ritmo do soneto de onze sílabas...
Obrigada e uma feliz noite para ti
De jabeiteslp a 3 de Agosto de 2012 às 08:27

só quem sabe consegue...

feliz manhã
De poetaporkedeusker a 3 de Agosto de 2012 às 14:34
Ah, Anjo... eu não digo que não seja feliz, mas foi uma manhã de dor de cabeça que nem te conto... começo a duvidar que estas picadelas todas sejam mesmo de mosquito... estou num estado lastimoso e de tanto spray anti mosquitos, repelente anti mosquitos e aparelhinho eléctrico anti mosquitos, qualquer dia quem morre envenenada sou eu... porque as "babas" continuam cá e cada vez são mais... mas... adiante!
Vi-me mesmo aflita para largar o ritmo da poesia diária; decassílabo heróico e redondilha maior! É quase como se o nosso próprio coração batesse naquele compasso e, de repente, lho tentássemos mudar... só se consegue com uma tremenda concentração e uma enorme dose de força de vontade....
Beijinho e uma tarde luminosa para ti
De jabeiteslp a 3 de Agosto de 2012 às 19:45

alguma alergia de Verão
calor que faz suar....

e o sentido sempre conseguido
de um momento escrito

só de quem sabe e não fica aflito...

xoxo dos calhaus da Serra e feliz noite
sossegada...
De poetaporkedeusker a 3 de Agosto de 2012 às 23:02
Pode ser, Anjo... mas sempre te digo que é uma alergia muito atípica!
Beijinho por gostares do meu soneto de onze sílabas métricas (sem o baton... ) e que tenhas uma noite muito feliz
De jabeiteslp a 3 de Agosto de 2012 às 23:25
De poetaporkedeusker a 4 de Agosto de 2012 às 00:03
Sabes, eu acho graça a estes iconezinhos... acho que é aquela minha faceta mais infantil que me "tenta" a usá-los... claro que nem pensaria em usá-los em certos textos... mas gosto tanto de os ver nestas nossas pequeninas conversas...

Noite feliz, Anjo!
De jabeiteslp a 4 de Agosto de 2012 às 07:22

expressam...

belo dia pra ti
De poetaporkedeusker a 4 de Agosto de 2012 às 14:37
Um belo e luminoso dia também para ti, Anjo
De poetazarolho a 2 de Agosto de 2012 às 19:09
“De mãos dadas”

O défice é escorregadio
Tanto quanto a corrupção
Parte dele é um desvio
Que passa de mão em mão

Alimenta quem sabe gerir
A dívida do nosso estado
Mas também sabe dividir
Para prolongar o reinado

Se o dinheiro não tem côr
Dizem que é negra a fome
Por muito que digam que não

Ele há por aí muito doutor
Que é do défice que come
E que alimenta a má gestão.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 2 de Agosto de 2012 às 23:04
Tudo anda de mão em mão...
Do desvio à falcatrua
Tudo toma a direcção
Oposta a quem vai pr´á rua...

É uma estranha atracção
E este jogo continua
Enquanto o doutor-patrão
Assobia para a lua...

Dinheiro tem sempre a cor
Que poder lhe quiser dar
Alegando as ninharias

Que, sendo alheias à dor,
Nem cuidam de preservar
Direitos e regalias...


Abraço grande, Poeta!
De poetazarolho a 2 de Agosto de 2012 às 19:12
Cuba veio à ponte.
De poetaporkedeusker a 2 de Agosto de 2012 às 22:03
Ahí voy!
De poetazarolho a 3 de Agosto de 2012 às 07:25
O chá está no mundo.
De poetaporkedeusker a 3 de Agosto de 2012 às 14:38
Vou já!
De poetazarolho a 3 de Agosto de 2012 às 19:04
“Petrificou”

Pensador tanto pensou
Foi intenso o esforço
Tanto que petrificou
Com uma dor no pescoço

Nunca viria a entender
O pensar da humanidade
Que para alcançar o poder
Se prostituía com vaidade

Em troca de uns tostões
A dignidade hipotecava
E ao sabor dos milhões

Os interesses governava
E sem outras ambições
Petrificou e se fez escrava.
De poetaporkedeusker a 3 de Agosto de 2012 às 23:23

A maioria - é verdade... -,
Julgando que está liberta,
Prostitui-se - e nem o sabe... -
Por quantia sempre incerta...

O Pensador... faz pensar
Que talvez pensando mais
Alguém lhe ocupe o lugar
Das dormências posturais

Talvez se levante um dia
Pr`a falar do que pensou,
Do que, assim, foi concebendo

Porque acreditou que havia
De entender o que sonhou
Enquanto o estava, ali, vendo...


Cá está o que me ocorreu quando li o seu sonetilho, Poeta!

PS - Qualquer dia ainda me chamam a poeta das "ocorrências"... mas é exactamente isso que eu quero dizer e eu sou uma daquelas pessoas que se prendem muito ao significado das palavras...



De poetazarolho a 3 de Agosto de 2012 às 19:50
Há mais lágrimas na ponte.
De poetaporkedeusker a 3 de Agosto de 2012 às 22:50
Lá vou!
De poetazarolho a 4 de Agosto de 2012 às 07:51
O chá está feliz.
De poetaporkedeusker a 4 de Agosto de 2012 às 14:17
Ora ainda bem Vou lá dar-lhe um abraço!
De poetazarolho a 4 de Agosto de 2012 às 19:26
“Fundação”

Vou criar uma fundação
Que me irá contratar
Para exercer a função
Da fundação administrar

Já preenchi o formulário
Fundação num minuto
Administrador tem salário
Que é mais líquido que bruto

Há lugar para estacionar
O meu carro com motorista
Está inscrito nos estatutos

Que acabei de aprovar
E p’ra qu’a fundação resista
Vou pagar salários brutos.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 5 de Agosto de 2012 às 00:42
Eheheh... Poeta, não lhe vou conseguir responder à letra hoje... achei graça ao sonetilho mas estou sem inspiração e com uma dor de cabeça maior que a do costume... fica para amanhã.

Abraço grande!
De poetaporkedeusker a 5 de Agosto de 2012 às 13:33
Vou fundar a fundação
Do soneto mal medido
E tenho toda a razão
Pois este foi atrevido!

Neste meu último verso
Do soneto publicado
Nada emendo, mas confesso
Que o "metro" nasceu errado...

Tenho uma sílaba a mais,
Não a consigo emendar,
Vou deixá-la como está...

Segundo as contas formais,
Errei, devo confessar,
E pior falta não há!

Poeta, não consegui deixar de ir buscar esta falha no último verso deste soneto, CAPITALISMO.
Há realmente uma sílaba métrica a mais, no último verso e eu vou ter de escrever um mail ao seu pai, ainda hoje... em termos melódicos, no entanto, e baseando-me na oralidade, parece-me muito bem conseguido e, como tal, deixo-o ficar, apesar de coxinho, rsrsrs... mas não me foi fácil admiti-lo ou mesmo compreendê-lo...
Tudo isto pode parecer excessivo, mas olhe que não é. Quando se produz poesia clássica é imperioso que se sigam as regras e eu, aqui, quebrei-as. De modo inconsciente, é certo, mas quebrei-as e a solução que me foi proposta "Mais protestaria contra os que acuso!", estando correcta do ponto de vista métrico, obriga-me a uma longa série de sílabas mudas que me parece bastante cacofónica e que quebra a unidade melódica do poema.
Mais logo também acrescentarei uma nota sob o soneto, dizendo mais ou menos estas mesmas palavras.
Abraço grande!
De poetazarolho a 4 de Agosto de 2012 às 19:28
Trilogia das lágrimas na ponte.
De poetaporkedeusker a 4 de Agosto de 2012 às 22:22
Obrigada, Poeta! Vou ver!
De poetazarolho a 5 de Agosto de 2012 às 07:59
O chá não tem a certaza.
De poetaporkedeusker a 5 de Agosto de 2012 às 11:36
É um chá sábio

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