.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 19 de Junho de 2012

SONETO IMPUBLICÁVEL

Aperta o cerco, amigo, aperta o cerco
Da segurança pouco solidária
De que dependo sendo solitária,
Em que me ganho, amigo, em que me perco…

Se entendem que um poema é mero esterco
Que lhes perturba orgulho e pituitária,
É porque vão temendo a Pasionária
Que possa erguer-se em mim, quando me acerco…

Antes calar o verso! Antes morrer!
Grita o poema, mesmo antes de o ser,
Empunhando as palavras com que o escrevo...

Antes deixar, meus versos, de vos ver
Do que viver da esmola de escrever
Soneto que não pague o que vos devo…




Maria João Brito de Sousa – 18.06.2012 -22.29h


sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 11:33
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114 comentários:
De golimix a 19 de Junho de 2012 às 12:44
Muito intenso este soneto!

Gostei muito =)

Beijinhos
De poetaporkedeusker a 19 de Junho de 2012 às 14:05
Olá, Golimix!
Nem queiras saber como eu estava ontem à noite, quando escrevi... estava furiosíssima! Acho que rebentava se não o tivesse escrito... mas fiquei com ele guardado durante toda a noite... tive a noção de que estava com uma carga de zanga enorme e eu não sei pôr a bolinha vermelha no canto superior direito Hoje de manhã, mais a frio, é que não o achei mau de todo, nem tão "chocante" como me tinha parecido ontem... lá o publiquei...
Vou até aí!
De PaperLife a 19 de Junho de 2012 às 13:49
Um poema brilhante :D
Só podia vir de ti Maria :)

Ninguém cala a poesia! ;)

Como tens andado? :)
Tenho andado um pouco desactualizada :$
De poetaporkedeusker a 19 de Junho de 2012 às 14:57
Olá, Paper!

Lá força deve ele ter! Eu estava furiosa quando o escrevi... e não é meu costume ficar tão zangada... mas, enfim, aconteceu e acabou por dar neste soneto...
Continuo com esta crise prolongada - já dura desde o Inverno - mas quase juraria que já estive um bocadinho pior. Eu nem quero exultar muito para depois não me sentir frustrada...
E tu? Tens escrito? Eu é que ando numa eterna desactualização... mas vou já aí!
Beijinho e obrigada!
De PaperLife a 19 de Junho de 2012 às 16:20
Eu não tenho escrito muito, infelizmente. Estudar para os exames tem-me roubado muito tempo :/

Claro que estás melhor. Temos de ser positivos :)
Tu és forte e ainda vais ficar melhor ;)
De poetaporkedeusker a 19 de Junho de 2012 às 17:14
:) Nunca fui muito de desistir... mas forte... :) pronto, às vezes, nos sonetos, até deixo transparecer bastante força. A desgraça maior é o físicozito que não ajuda lá muito...
Quanto à nossa produção... tu, pelo menos, tens os estudos. Eu bem sei que ando mais devagar do que um caracol e a bicheza do meu coração leva-me muito tempo... mas produzi um soneto por dia durante... sei lá... uns dois ou três anos e, agora, é a pobreza que se vê. Lá vem um por semana... ou menos ainda.
Lá tenho eu de ir secar o cabelo para ir com o Kico à rua. Ele também tomou banho hoje. Teve de ser porque não tem estado grande coisa da barriga e é quase inevitável que se suje um bocadinho quando isso acontece...
Beijinhos!
De poetazarolho a 19 de Junho de 2012 às 23:32
“Bairros negros”

Há pontes possíveis
Até no bairro negro
Nestes tempos sofríveis
De imenso desassossego

Há muita falta de pão
Nos bairros desta cidade
Ninguém emenda a mão
É grande a ansiedade

Nos guetos da sociedade
Falta a responsabilidade
Esgotou-se a solidariedade

Não existe sensibilidade
Chegada a hora da verdade
Homem não é prioridade.
De poetaporkedeusker a 20 de Junho de 2012 às 00:12
A Vida é prioridade
E o homem, decerto, é vida
Embora, em boa verdade,
Possa a causa estar perdida...

Ninguém pode ter certezas
Acerca de uma extinção...
Eu já não creio em promessas,
Mas creio na salvação

E acredito nesta chama
Que tantas vezes nos move,
Que tantas vezes movemos...

Certezas, ninguém proclama,
Mas a vida é que promove
Tudo aquilo que fazemos...

Boa noite, Poeta! Tenho estado no Rádio Horizontes e nem sempre consigo ouvir e escrever em simultâneo...
Abraço grande!



De poetazarolho a 19 de Junho de 2012 às 23:46
Tanto mar na ponte.
De poetaporkedeusker a 20 de Junho de 2012 às 00:15
Vou já, Poeta!
De poetazarolho a 20 de Junho de 2012 às 08:33
O chá não reclama.
De poetaporkedeusker a 20 de Junho de 2012 às 11:26
Vou ver isso, Poeta! Bom dia!
De poetazarolho a 21 de Junho de 2012 às 00:37
“Encher a pança”

Se os poderosos são lesados
Aparecem logo os milhões
Pr’acalmar os mercados
Entre outras decisões

Os mandantes da Europa
Metem o rabo entre pernas
Que o G20 é outra tropa
Obedeces ou não governas

Mas o que ninguém desconfia
É que o governo é da finança
E ao recomendar esta terapia

Vai encher de novo a pança
Enquanto escuta na telefonia
Para o povo não há esperança.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 21 de Junho de 2012 às 01:13
Se este povo se iludisse
Com tanto desmando em cima
E o teor da javardice
Com que este governo o "mima",

Mais lhe valera ser mudo,
Surdo, cego e - porque não? -
Eternamente sisudo,
Serenamente... poltrão.

Ah, povo meu, terra minha,
Como te enganam ainda!
Se o não souberes entender

Quanta fome se avizinha,
Quanta certeza se finda
Sob a mão deste poder...

Boa noite, Poeta! Estou mesmo a dormir em pé e já me custou muito acabar este sonetilho manco...
Abraço grande! Ainda vou tentar ir à ponte




De poetazarolho a 21 de Junho de 2012 às 00:40
Ontem o mar hoje a terra, na ponte.
De poetazarolho a 21 de Junho de 2012 às 07:26
O chá está preparado.
De poetaporkedeusker a 21 de Junho de 2012 às 12:18
Obrigada, Poeta! Vou lá!
De poetazarolho a 21 de Junho de 2012 às 19:46
“Despertar para sonhar”

Toda e nenhuma esperança
De não ter esperança nenhuma
Diz-se que quem espera alcança
Esperança e mais coisa alguma

Ter espernça uma vida inteira
Essa esperança de alcançar
Não existe maior asneira
Nem melhor forma de falhar

Melhor será não esperar
Deixar a esperança de lado
Começar muito cedo a talhar

O modelo de vida desejado
Não que seja mau sonhar
Desde que se sonhe acordado.
De poetaporkedeusker a 21 de Junho de 2012 às 23:32
Estou que não sei o que diga...
Estou mesmo sem palavras, Poeta... vou ter de deixar a tentativa para amanhã.

Abraço grande!
De poetaporkedeusker a 22 de Junho de 2012 às 12:56
Sem um sonho o mundo pára
Não no sentido literal
Mas no que se não compara
Ao de qualquer animal

[nem acredito que disse
o que acabo de dizer,
mas penso não ser tolice
e vai ficar... até ver...]

Todos nós modificamos
Este meio em que vivemos
E, desde o primeiro instante,

Somos tudo o que sonhamos
Mas também o que fazemos
Nesta barca itinerante...


Acabei por conseguir o tal distanciamento de que precisava, Poeta.
Sabe, eu não concebo o "sonho" em termos de objectivos pessoais... ou posso fazê-lo, mas não gosto, nem penso que seja muito útil. A maioria das pessoas não funcionará assim, mas eu funciono. Para mim os objectivos pessoais já são curtinhos e o sonho - enquanto "sonho" mesmo - ultrapassa-me muito. Foi por isso que fiquei com esta resposta "entalada"... ontem estava demasiado absorvida pelos meus problemazinhos pessoais. Pode parecer "esquisitice" mas não é... é a minha maneira de estar no mundo que acaba por se reflectir na minha forma de estar na poesia e blogosfera. Mas isto não significa que alguns dos meus poemas não tenham um forte cunho pessoal... apenas me parece que se torna um tanto ou quanto redutivo abordar o sonho exclusivamente nessa perspectiva. É um tema muito importante. Demasiado importante.

Abraço grande!
De poetazarolho a 21 de Junho de 2012 às 22:38
Há hino na ponte.
De poetaporkedeusker a 21 de Junho de 2012 às 23:21
Poeta, estava a responder-lhe ao sonetilho quando, em simultâneo, a net se "apagou" e o Kico teve mais um "acidente" daqueles bem grandes... mas, adiante... vou ouvir!

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