.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 12 de Maio de 2012

SONETO SOBRE TELA

 

Perscruto estas palavras que burilo

Com olhos de embotado bisturi

Já meio gasto de medir-se aqui,

D`ir-se encontrando nisto e mais naquilo,

 

Mas nunca farta, reproduzo ao quilo

Exactamente as coisas que senti

Só pr`afirmar-vos que vos não menti,

Nem nunca poderia permiti-lo...

 

Agora as letras vão cedendo espaço

À cor das pinceladas do meu traço

E o poema, a sorrir, condescendente,

 

Exibe a cor das tintas que desfaço

Sobre os godés deste soneto escasso

Pr`a tela que se preze... ou se apresente...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 12.05.2012 - 12.18h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 12:04
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18 comentários:
De poetazarolho a 13 de Maio de 2012 às 06:36
O chá após a chegada.
De poetaporkedeusker a 13 de Maio de 2012 às 10:49
Olá, Poeta!!!
Que saudades... e que dilema! Eu já lhe conto, depois do nosso chá...
Enorme abraço de boas vindas!
De poetazarolho a 13 de Maio de 2012 às 11:45
PARA O DESEMPREGO…JÁ.

Sempre teve um protector
Um ângelo, dos do partido
E, sendo assim protegido,
Aos trinta e sete é doutor.

Trapalhão e distraído,
Não será trabalhador
Vai ser, antes, escolhido
Para administrador…

Acha, assim, que o desemprego
Coisa que ele desconhece,
Com todo o desapego

Deve ser acalentado.
O que é que ele merece?
Ficar já, desempregado!

Eduardo
De poetaporkedeusker a 13 de Maio de 2012 às 18:22
Agora não resisto a responder-lhe com umas redondilhas que acabo de publicar no http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/ , amigo Eduardo!
Mas deixo-lhas mesmo aqui... pena não poder pôr a fotografia do gato que "roubei" do Google...



Terei tudo, ou quase tudo
Aquilo que eu possa querer,
Se eriço o dorso e sacudo
Fraquezas de ser mulher!

Projectos? Só passageiros,
Que estes sonhos dos humanos
Levam-nos sempre aos dinheiros
E, esse… a espingardas de canos!

Estatuto? Posses? Certezas?
Já nem sei o que isso seja…
Bastam-me estas duas presas
Brancas de fazer inveja!

E lá labutar, labuto!
Tenho a vida preenchida
Pelas coisas que desfruto
Ao longo da mesma vida…
Tudo em mim se complementa
Na saudável harmonia
Da ração que me alimenta
E da paz que me sacia,

Mas que alguém diga ao meu dono
Que é bom estar desempregado,
Que ficar ao abandono
Não lhe deve dar cuidado,

Isso não posso aceitar!
Eriço o pêlo rosnando
Pr`a melhor lhe demonstrar
Que até eu estou reprovando…


Maria João Brito de Sousa – 13.05.2012 – 16.48h



De poetazarolho a 14 de Maio de 2012 às 07:08
Agradece, por mim, à poetisa da linha aqueles três sublimes comentários e as redondilhas que se dignou enviar-me no último. Perante tanto talento, a única coisa com que posso colaborar é o título que referi em «Assunto»,
[GATO ESCONDIDO COM O RABO DE FORA].

Eduardo
De poetaporkedeusker a 14 de Maio de 2012 às 08:59
Eu é que lhe agradeço, amigo Eduardo... mas... será um mail, aquilo a que se refere com esse título? Tenho as caixas de correio numa vergonhosa desarrumação, mas vou procurar...
Um abraço!
De poetazarolho a 13 de Maio de 2012 às 11:48
AS TRÊS FEIRAS

Andou o Zé, distraído,
Na festa anos a fio
E o capital, com o brio
De o ajudar, compungido,
Pôs-lhe o crédito ao dispor
Para a casa de habitar,
Para outra junto ao mar
No tempo de mais calor
E também, e porque não
Uma ajuda p´ra mobília,
E para o enorme carrão
Onde caiba a família.
Deixou-se o Zé seduzir
Por tantas facilidades,
Foi a FEIRA das VAIDADES
Com tudo a reluzir.
Depois veio a austeridade
Imposta pelos credores,
Foi a FEIRA dos HORRORES
Da triste realidade.
Qual cigarra sonhadora
Levou a vida a cantar
E o pobre do Zé, agora,
Para as contas acertar,
Já entregou ao capital
A tal casa de habitar
E a outra junto ao mar,
Vai ter destino igual.
O carro familiar
Lá jaz parado, insensível
Sem forças para arrancar,
Por falta de combustível.
Neste sonho de embalar,
Todos famintos e rotos,
Havemos de acabar
Na FEIRA das ILUSÕES
Onde medram os vendilhões
E os caçadores de votos

Eduardo
De poetaporkedeusker a 13 de Maio de 2012 às 12:38
Ah, que maravilha! Eu pasmo sempre com esta sua capacidade extraordinária de manobrar a rima e dizer tanto e tão acertadamente!
Muito obrigada por me fazer chegar estas maravilhas que produz!
Já abusei do tempo de estar sentada, direitinha, em frente do computador... o corpo faz-me "partidas" que nem pode imaginar... vou fazer um intervalozinho e volto depois de descansar um pouco.
Abraço grande!
De poetazarolho a 13 de Maio de 2012 às 11:51
… e mal pagos

Seguindo vis pensamentos
Uma corja de malvados
Forja os seus argumentos
E espolia os reformados.

Não os vencem desalentos
E ao rigor acostumados
Distribuem seus proventos
De saberes acumulados

Sempre mal avaliados,
Em armazéns de avós,
Acabam depositados

Aos valores da experiência
Ninguém lhes escuta a vós
Por néscia incongruência.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 13 de Maio de 2012 às 12:30
Olá, meu amigo Eduardo! :)

Como meros instrumentos
Que deixaram de ser úteis
Depois de darem proventos,
Dizem que são "coisas fúteis",

Não os sabem entender,
Dizem não servir pr`a nada,
Não lhes dão espaço pr`a "ser"
Quando estão no fim da estrada...

Mas são eles os tais pilares
Em que assenta o que começa
No caminho em construção

E encerrá-los em lares
Só porque outros têm pressa...
Não é boa solução!


Obrigada e um abraço grande para si e para a Maria dos Anjos!

M. João



De poetazarolho a 13 de Maio de 2012 às 20:51
O tango voltou à ponte.
De poetaporkedeusker a 13 de Maio de 2012 às 23:47
E eu cheínha de cãibras!!! Mas sempre posso ver, Poeta
De golimix a 13 de Maio de 2012 às 21:02
Pintamos a tela com tintas soltas
às vezes escolhemos a cor
outras escolhe-nos ela a nós
como controlar a pintura?
Como dominar a demanda?
Tristes os que não percebem...
Não percebem que não se pode demandar nem comandar.
A tela fica mais bonita com tinta solta
às vezes com escolha, outra vezes escolhendo ela...

Beijinho e boa semana
De poetaporkedeusker a 13 de Maio de 2012 às 23:40
:D Olá, Golimix!
O velho Pablo subscreveria estas tuas palavras, garanto-te! Hei-de procurar uma entrevista que lhe foi feita e que tenho guardada não sei onde, para te contar as palavras exactas que ele usou... mas dizem exactamente o mesmo, de uma outra forma...
Enorme abraço!
De golimix a 14 de Maio de 2012 às 08:29
;) Só quem pinta é que percebe que com a tela à frente somos dominados por ela, é como se pertencêssemos a outra dimensão...

Beijinho
De poetaporkedeusker a 14 de Maio de 2012 às 08:45
É mesmo, Golimix... e a mancha vai-se construindo a si própria através do gesto que flui em simultâneo com essa urgência. Claro que, muitas vezes, sabemos que queremos pintar esta ou aquela figura, mas ela nunca nasce exactamente como a pensamos... há sempre qualquer coisa que nasce directamente do próprio acto de pintar/desenhar...
Beijinho!
De poetazarolho a 14 de Maio de 2012 às 07:15
O chá caminhou.
De poetaporkedeusker a 14 de Maio de 2012 às 08:46
Um chá que caminha? Preciso de ver isso!

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