.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 23 de Março de 2012

CATORZE VERSOS PROFUNDAMENTE PIEGAS

Por vezes não distingo muito bem,
Nem conheço quem saiba destrinçar,
Se o que aqui faço é mesmo trabalhar
Ou forma de queixar-me a mais alguém…

Sendo provável não haver ninguém
Que o desdiga ou que o possa confirmar,
Que o julgue, então, a Terra, o fundo mar
E toda a esfera azul que me contém…

Que a dor se me alivie um poucochinho,
Que a luz que me vestiu de puro linho
Possa transparecer no que vos deixo

E que despertem sempre algum carinho
Palavras que ressoem mais baixinho
Por falarem tão só do que me queixo…



 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 23.03.2012 – 21.35h


publicado por poetaporkedeusker às 21:43
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22 comentários:
De jabeiteslp a 23 de Março de 2012 às 22:51

Um maravilhoso fim de semana

piscadela
por não saber
em que palavras ou tela

desejar...

xoxo dos calhaus frios da Serra
De poetaporkedeusker a 23 de Março de 2012 às 23:04
Obrigada pela florzinha e pela visita, Anjo da Esquina!
Um calhau frio da serra, era bem capaz de vir a calhar para a minha dor de dentes que já dura há uns dois dias... :(

Abraço grande!
De jabeiteslp a 24 de Março de 2012 às 15:55

um grande fim de semana...

e os dentes...fiuuuuu
também sou dos que sofre que nem penitentes...

Tantum

De poetaporkedeusker a 24 de Março de 2012 às 20:00
Amigo, o Tantum já não faz absolutamente nada a uma infecção que já tem abcesso e tudo... isto está mauzito...
Abraço!
De poetazarolho a 23 de Março de 2012 às 23:42
“A torta da Maria”

A Maria está afastada
Mas já esteve mais perto
E não lhe ligavam nada
Ele há muito chico esperto

Vão apodrecer bem longe
Vão pregar p’ro deserto
Vão estudar para monge
Que aproveitarão decerto

Eu de vós não aproveito
O mais ínfimo bocado
Quando passavam à porta

Nem mostravam respeito
A cara viravam p’ro lado
E eu agora é que sou torta.

Prof Eta
De poetazarolho a 23 de Março de 2012 às 23:47
“Operário Brasil”

Os fazedores de ídolos
Jogam com o preconceito
E outros conceitos pérfidos
Fabricam o ídolo perfeito

Atrás seguem os vira-latas
Que sendo homens erectos
Podiam ser de quatro patas
Por serem tão abjectos

E assim vamos seguindo
Até a consciência dizer não
Contra doutor e banqueiro

Que nos estão diminuindo
E o operário em construção
Governe o mundo inteiro.
De poetaporkedeusker a 24 de Março de 2012 às 02:41
:) O Operário em Construção! Um dos meus poemas favoritos!
Como lhe disse, Poeta, não estou em condições de rimar nada com nada, mas pode ser que as dores estejam mais suportáveis amanhã.
Abraço grande!
De poetazarolho a 24 de Março de 2012 às 10:27
O chá está à espera.
De poetaporkedeusker a 24 de Março de 2012 às 20:02
Vou já! :)
De poetazarolho a 24 de Março de 2012 às 21:42
DIA DA LIBERDADE

(para Maria João de Brito Sousa)

Liberdade eu também quero
Como a luz que me alumia
Quero-a tanto que a não quero
Para a ter só por um dia.

Ao meu País, eu espero,
Há-de chegar, todavia
A liberdade que eu queria
E quero, com desespero.

Não liberdade de alguns
Que vivem p´ra usurpar
E a não querem p´ra nenhuns…

Nem aquela liberdade
Hirta, de braço no ar,
De costas para a cidade.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 24 de Março de 2012 às 22:00
Ainda consegui ler o seu sonetilho que muito lhe agradeço, amigo Eduardo!
Peço desculpa por não conseguir responder. Tenho estado a "tentar" jogar xadrez para me esquecer da dor de dentes, mas estou a jogar pessimamente. Não estou, sequer, em condições de responder em prosa. Peço, mais uma vez, desculpa e deixo o meu abraço para si e esposa!
De PaperLife a 24 de Março de 2012 às 14:45
Não achei nada de piegas nos teus versos Maria, gostei bastante :)
Como tens andado? Espero que melhor ^^
Tenho andado um pouco ausente, daí não andar a par das coisas :$
De poetaporkedeusker a 25 de Março de 2012 às 16:42
Paper! Cá estás tu! :D
Eu, ontem, ainda respondi a este teu comment mas a net foi-se abaixo e eu estava com demasiadas dores para me conseguir concentrar em reiniciar tudo...
Obrigada e um abraço grande, amiga!
De golimix a 24 de Março de 2012 às 20:11
Não me pareceu pieguice.
Pareceu-me sentido profundamente

De poetaporkedeusker a 25 de Março de 2012 às 16:37
:) Foi sentido, foi, Golimix... é piegas porque só fala de mim e das minhas maleitas...
Beijinho e desculpa já não te conseguir ir visitar. O abcesso ainda não diminuiu e, neste momento, as dores estão a "apertar".
Beijinho!
De artesaoocioso a 24 de Março de 2012 às 21:22
É mesmo trabalho muito sofrido e o que nos deixa é muito.
Grande abraço
De poetaporkedeusker a 25 de Março de 2012 às 16:40
Amigo Artesão, estes sonetos, muito centrados em mim e no meu desconforto físico, não fazem muito o meu género. É bem possível que tivesse sido melhor eu nem os publicar... mas fi-lo porque é a única coisa que me sai num estado destes...
Grande abraço!
De poetaporkedeusker a 28 de Março de 2012 às 13:45
Obrigada, amigo Artesão! Desculpe mas só agora encontrei estas suas palavras. Estou a começar a ficar perdida nas minhas caixas de correio e perfeitamente incapaz de responder a todas as solicitações que exijam continuidade...
Abraço!
De poetazarolho a 24 de Março de 2012 às 21:38
“Coro dos escravos”

Dorso das asas douradas
Transporta o pensamento
As colinas são as estradas
Vais além do sofrimento

Da alma marcada a fogo
Que mais parece um tição
És tornado homem novo
E fogo atinge o coração

Choras a pátria perdida
E todo o tempo que passou
Memória no peito se cravou

Desta ausência terra querida
Teu destino não mais lembrou
Nunca por ti a história rezou.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 26 de Março de 2012 às 14:20
Que a História mais importante
Seja saber que o que faço
Nunca me torna hesitante
E vence o próprio cansaço

Pois se houvesse muitos mais
A pensar desta maneira
Talvez outros ideais
Impedissem tanta asneira...

Dói-me tudo e já não sei
Se hei-de, ou não, continuar
A caminhar como outrora

Mas, dos passos que já dei,
Nunca me hei-de envergonhar
Até me ir daqui embora.

Bem, eu devia era ir deitar-me um bocadinho, mas ainda me saiu este, apesar do acumular de maleitas... também não posso ir deitar-me... consiga ou não, tenho de ir buscar areia para os gatos. Um dia destes, ainda fico pelo caminho... :))
Espero que as férias estejam a ser bem divertidas!
De linhaseletras a 25 de Março de 2012 às 02:50
Olá minha amiga, como sempre os seu sonetos fascinam-me.Eu acho que é uma maneira de protestar muito delicada e culta.Mas consegue transmitir aquilo que está sentindo.É pena que ninguém dê ouvidos a estas queixas que são tão reais.Um grande abraço e um bom domingo
De poetaporkedeusker a 25 de Março de 2012 às 15:49
Boa tarde, minha amiga! Peço desculpa. A minha situação tem vindo a piorar a todos os níveis e as minhas dificuldades na marcha, também... mas, neste momento e há já alguns dias, tem sido uma tremenda dor de dentes e ouvidos que me tem mantido afastada até do computador e das habituais respostas em sonetilho.
Há pouco, surgiu um, sem qualquer tipo de qualidade mas que funcionou muito bem enquanto desabafo. Decidi publicá-lo mas não sei se vou conseguir estar muito tempo a teclar. Não me sinto nada bem e tenho um milhão de razões bem palpáveis para estar assim. Mas ainda lhe tentarei fazer uma visita.
Enorme abraço!

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