.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 17 de Março de 2012

O PREÇO II

Eu pago qualquer preço, a qualquer hora,
Qualquer tempo de vida ou qualquer dor
Se, nestes meus sonetos, puder pôr
Metade do que estou sentindo agora

E se for conseguindo, vida fora,
Escrevê-los cada vez com mais ardor,
Hei-de pagar por eles seja o que for
Sem me queixar dos custos da penhora…

Se um dia fraquejar, se este contrato,
Rigoroso e levado ao preço exacto,
Não for cumprido, como deixo escrito,

Não será por ficar-me mais barato
Um poema qualquer que, sendo ingrato,
Vos possa desmentir quanto foi dito…



 

 

Maria João Brito de Sousa – 17.03.2012 – 20.52h


 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 21:14
link do post | "poete" também! | favorito
|
46 comentários:
De jabeiteslp a 17 de Março de 2012 às 23:13

iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

nem sei que dizer ou escrever
de tão sentido
uma mulher sabe transparecer....


é por estas e outras
que digo pra mim
não sou poeta
só um sem fim...de cada dia.

belo fim de semana M.João
xoxo da Covilhã
De poetaporkedeusker a 17 de Março de 2012 às 23:36
Obrigada, Poeta II! Posso chamar assim, não posso?
Um beijinho daqui, do estuário do Tejo! :)
De jabeiteslp a 21 de Março de 2012 às 15:24

De poetazarolho a 18 de Março de 2012 às 00:43
Amiga Maria João de Sousa

Tenho estado por Alcácer e ontem, quando regressei não tinha contactos, nem telefónicos, nem internet e tampouco TV. Hoje ainda estou sem telefone e o resto vai aparecendo com intermitências. Vamos ver se este intervalo dá para lhe enviar a última peça da revisão do processo da bicharada em que procuro redimir a raposa em detrimento da cegonha, ave de que muito gosto, mas que sempre achei de porte demasiado altivo.
Espero que cedo se vá sentindo melhor das suas maleitas. Com muita amizade um abraço meu e outro de minha esposa
Eduardo

A raposa e a cegonha

Quando a dona raposa
Que tem fama de manhosa
Resolveu oferecer
À cegonha maternal
Umas papas aguadas
Em vasilhas achatadas,
Não pensou em a ofender…
Aquilo, nem foi por mal!

Foi até para estrear
O seu serviço de lata
Brilhante e nada barata
Que comprou ao latoeiro
Que havia lá no lugar
E lhe custou bom dinheiro…
Chamava-se o artesão
Creio eu, camaleão.

Mas a cegonha emproada
Ficou muito amofinada,
Quem houvera de dizer…
Por não ter melhor colher
Que o seu bico afunilado
Para aquele cozinhado
E, em título de caixa alta,
Proclamou dona pernalta:

Faria igual iguaria
(falta de imaginação…)
Que ao jantar serviria
À raposa em refeição
Numa grande almotolia
Onde o seu bico cabia
E onde a língua espalmada
Da outra, não dava entrada.

Assim, incompreendida
E dizendo mal da vida
Levantou-se, então, da mesa
De barriguinha vazia
A raposa enganada
Cabisbaixa e amuada
Lastimando a gentileza
Que afinal nem merecia

Eduardo
De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2012 às 02:06
Muito gosto eu deste seu Fabulário, meu amigo Eduardo!
Lamento que tenha estado sem acesso à net, TV e telefone mas, pelos vistos, não perdeu tempo e entrou pelo seu Fabulário dentro com todo o sucesso!
Hoje perdi-me um pouco no tempo, enquanto andava pelo Facebook, e só me lembrei de vir à caixa de correio quando os olhos já se me fechavam de sono... não conseguirei responder ao seu Pedro... consegui, apenas, ler o seu poema com toda a atenção e, neste momento, já estou a cabecear outra vez... mas hei-de responder-lhe amanhã!
Muito obrigada e um enorme abraço para si e sua esposa!

M. João
De poetazarolho a 18 de Março de 2012 às 00:54
Hoje passei o dia no campo com os miúdos e aprendi isto para partilhar aqui no chá.
De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2012 às 02:08
Ainda bebo o cházinho :) mas já não consigo responder aos sonetilhos... perdi-me a ler algumas coisas no Face e estou quase, quase a dormir em pé... acho que o que me vai mantendo mais acordada são mesmo as dores... mas, adiante! O chá espera-nos! :)
De poetazarolho a 18 de Março de 2012 às 01:00
“Vida ou não vida”

Agora sinto-me nascer
A meio da caminhada
Outros nascem ao morrer
Vida essa desperdiçada

Que a vida não é viver
Não à vida amordaçada
É estar livre p’ra crescer
E de amarras liberada

Todos os dias crescemos
Na crença e na humildade
Se por acaso nascemos

Por nossa livre vontade
Se não já sabes morremos
Sem ter vivido de verdade.
De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2012 às 02:24
Estou a ver se ainda arranjo
Coragem pr`a responder
Quando em bocejos me esbanjo
E mal consigo escrever...

Não duvido um só minuto
Do que acaba de afirmar
Sobre a liberdade-fruto
Que havemos de conquistar

Nem aceito que a mordaça
Venha calar tantas bocas,
Nem tantos olhos, a venda

Por pouquinho que aqui faça
Já larguei fusos e rocas
Em troca de quem me entenda!


Ainda saiu, Poeta! :) Mas agora é que já não aguento mais... beijinho!
De poetazarolho a 18 de Março de 2012 às 19:32
OS CANTONEIROS

Havia os cantoneiros
P´ra remendar a estrada.
Como não faziam nada,
diziam os enfermeiros

Que p´ra curar as maleitas
De um hospital inteiro
Só com umas mesinhas feitas
Com suor de cantoneiro.

Cantoneiros já não há,
Mas topam-se a cada canto
Buracos que temos por cá.

E o remédio apocalíptico
Para mal, tanto…tanto…
É o suor de político.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2012 às 22:17
Olá, meu amigo Eduardo!


Não há quem conte os buracos
De tantos, tantos que são
E ao povo, feito em cacos,
Só resta dizer que não...

Mil buracos na saúde,
Mil outros no próprio ensino
E cada buraco ilude
Quem quer a paz por destino...

Talvez o nosso governo
Nos tapasse alguns, sem fundo,
Com seu próprio "corpo interno"

Mas não vejo que assim seja...
Tanto buraco no mundo
Sem haver quem nos proteja!


Acabo de ligar a televisão e encontro-me diante de um autêntico filme de terror! As coisas parecem enegrecer de dia para dia...
Obrigada e um abraço grande! :)




De poetazarolho a 18 de Março de 2012 às 20:58
“País ensarilhado”

O nosso país vai parar
Se é que não estava parado
Fiz um esforço p’ra lembrar
Quando é que teria andado

Lembrei-me de o ver andar
Mas para trás ou de lado
E nunca para reconfortar
Um cidadão desesperado

Uma pátria que não cuida
Não merece ser cuidada
Não merece tanto filho

E sem uma receita fluida
Vai mesmo ficar parada
À mercê de qualquer sarilho.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2012 às 21:30
Ah, mas ele andar, andou
Era o Poeta um menino
Mas logo alguém lhe lhe roubou
Seu novíssimo destino...

Esta crise fabricada
Pelo grande capital
É que nos não leva a nada
Senão ao logro total

Nunca fui de desistências
E serei, até morrer,
Uma das que não se rendem

Lutando contra evidências
E sempre contra o poder
Sem deixar que outros me emendem :))

E agora ri-me porque este último verso é, no mínimo, irónico e escapou-me sem eu dar por ele... no que toca às minhas convicções, não quero mesmo que me emendem, é verdade... mas no meu trabalho - tudo o que posso fazer é isto... - até nem me importo nada.
Abraço grande!
De poetazarolho a 18 de Março de 2012 às 21:01
“Não a mates”

Vejo utopia ali ao longe
Impulsiona-me o caminhar
Fixa-se lá no horizonte
Mas não se deixa alcançar

Mais dez passos eu avanço
Utopia dez passos recua
Se não paras não te alcanço
Mas que utopia é a tua?

Nunca se alcança a utopia
Por isso nunca iremos parar
Por ela o mundo pula e avança

Imagina que a abraças um dia
Não há mais caminho pr’andar
Acabaste de matar a esperança.
De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2012 às 21:47
Eu subscrevo o que aqui diz
- conheço bem o conceito -
Mas quantas coisas não fiz
Por um soneto perfeito...

Utopia é combustível
Dos sonhos que houver em nós
E o conceito é transmissível
Porque vai de voz em voz...

Mundos por dentro do mundo?
Talvez fosse sempre assim
Que caminhou quem, nascendo,

Levou seu sonho profundo
Até chegar ao seu fim
E depois... depois só vendo! :)


Abraço grande, Poeta!
O amigo Anjo da Esquina - eu chamo-lhe Poeta II - não deixou nada por aqui... vou ter de procurar no blog da Maria Luísa...
De poetazarolho a 18 de Março de 2012 às 21:36
Este chá não tem comparticipação.
De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2012 às 21:50
:)) Se tivesse, eu não ia...
Bjo!
De ligeirinha a 18 de Março de 2012 às 22:32

Não gostei do "in extremis"....porque foi?
Éstás melhor?
Eu já vou saindo e sinto-me melhor, mas com umas dorzitas nas costas....deve ser mesmo assim. Amanhã devo ir ao médico, se ele me puder atender.como tens visto ando numa azáfama com as fotografias da Primavera! E como vais, responde! Beijinhos!
De poetaporkedeusker a 18 de Março de 2012 às 22:43
Ligeirinha :D

Já vi algumas das tuas fotos! Estás linda em todas!
Olha, eu tenho "dorzonas" e mal consigo andar. O "in extremis" já estava nas minhas tags e eu utilizei-o porque o publiquei quase sem poder fazê-lo... agora faço tudo - quase nada... - "quase sem poder"...
Tenho uma credencial para consulta no hospital ortopédico de Sant`ana... se perder a isenção, não vou. Nem vale a pena. Mas ainda não marquei. O lado esquerdo está todo muito adormecido... mas dói-me.
Um grande beijinho para ti!
De poetazarolho a 19 de Março de 2012 às 18:06
“Eleito”

Timor já está a votar
Tem tudo para dar certo
Um candidato irá ganhar
Há-de ser o mais esperto

Dos espertos é a política
Esses sabem-se amanhar
Esta situação é verídica
Não preciso de explicar

Seja aqui ou em Timor
Riqueza é mal distribuída
Nunca em prol do povo

Que suporta o dissabor
De uma saga mal parida
Onde elege um aborto novo.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 19 de Março de 2012 às 18:28
A verdade verdadeira
É que eu estou muito isolada
E em vez de dizer asneira,
Prefiro nem dizer nada...

Cheguei aqui e parei
Porque, estando confundida,
Já não sei, sequer, se sei
Dar um rumo à minha vida...

Mas não perdi toda a esperança!
Talvez volte a vislumbrar
Um nada do "jogo" inteiro

Para já, tudo me cansa,
Só penso em ir-me deitar
- não sem me despir primeiro... -


Foi o que me saiu de momento, Poeta... e não é mentira nenhuma porque me bastaram alguns dias menos bem - e continuo... - para nem sequer ter sido capaz de estar atenta aos noticiários...
Abraço grande!

Poete também!

.Transparências de...

.pesquisar

 

.Em livro

   O lucro desta edição reverte
   totalmente a favor da Autora

.posts recentes

. SEGUINDO UM DESAFIO DO PO...

. SEM GARANTIAS

. CONVERSANDO COM ALDA PERE...

. DEUSES SOMOS NÓS!

. NATAIS DOS TEMPOS IDOS...

. CONVERSANDO COM MARIA DA ...

. GLOSANDO MARIA DA ENCARNA...

.arquivos

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

.tags

. todas as tags

.favorito

. CONVERSANDO COM MARIA DA ...

. É a arte, solidão?

. SO(LAS)

. “A Linha de Cascais Está ...

. CANTIGA PARA QUEM SONHA -...

. Our story in 2 minutes

. «A TAUROMAQUIA É A ÚNICA ...

. Novidades a 13 de Dezembr...

. LIMPAR PORTUGAL

. Ler dos outros... (cróni...

.ARCA DE NOÉ

A Arca de Noé Vivapets distinguiu como Animal da Semana

.HORIZONTES DA POESIA


Visit HORIZONTES DA POESIA

.Autores Editora

.A AUTORA DESTE BLOG NÃO ACEITA, NEM ACEITARÁ NUNCA, O AO90

AO 90? Não, nem obrigada!

.subscrever feeds