.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 9 de Março de 2012

DECEPANDO A PESADA MÃO DO CAPITAL

 

Na mão capitalista o esbulho adorna,
Bem preso, inalcançado, o repartível,
O que não chega a nós mas que é visível,
O que, ao ser-nos roubado, nunca torna,

O que ela nos levou, porque suborna
Fazendo acreditar não ser possível
Aquilo que, afinal, é tão tangível
Quanto a razão que cresce e nos transforma

Mas eis que o era nosso, cai, por fim
Da mão usurpadora que um motim
Decepa sem mostrar falsos pudores…

Portugal florirá como um jardim
Assim que a mão cair, porque é assim
Que morrem, sempre, as mãos dos ditadores!

 



 

Maria João Brito de Sousa – 09.03.2012 – 19.54h

 

 

 

Imagem retirada da internet, via Google


sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 20:17
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76 comentários:
De poetazarolho a 10 de Março de 2012 às 08:30
Hoje é um chá muito eficaz.
De poetazarolho a 10 de Março de 2012 às 13:36
Amiga Maria João de Sousa


Fiz um silêncio prolongado na remessa das peças da revisão do processo La Fontainne. A minha esposa também andou adoentada e, quando isso acontece as minhas preocupações e afazeres aumentam. Felizmente melhorou e tudo está a regressar à normalidade. Espero que a nossa amiga esteja, também, a recuperar.
Um abraço nosso, com o desejo de que assim seja.
Eduardo

O lobo e o cordeiro

Por tretas que ouviu contar
Amedrontou-se, o cordeiro
Ao ver o lobo chegar
À margem de um ribeiro.

Medo injustificado
Porque, do lobo valente,
aquele arrazoado
Eram histórias de gente.

Gentes que o comparavam
Havia já muitos anos
Aos usos de alguns humanos
Que criancinhas matavam…

Mas ele, um lobo decente,
E sem fome, até ordeiro,
Não ia ferrar o dente
Num indefeso cordeiro.

Até tinha tosquiado
Um petulante carneiro,
Num dia, ao sol nascer,
Por este o ter provocado
E lhe ter emporcalhado
As águas de um ribeiro
Onde ele ia beber…
Mas um cordeiro inocente,
Mesmo que apertasse a fome,
Ai isso nunca, isso não,
Em nenhuma ocasião
Crianças, o lobo come!

Eduardo
De poetaporkedeusker a 10 de Março de 2012 às 14:45
Que delícia, meu amigo Eduardo!
Cada vez acredito mais que cada um de nós, poetas, é mais dotado para este ou aquele diferente tipo de poesia e este seu Fabulário é uma verdadeira maravilha! Tenho a certeza de que ainda vai publicar estes poemas temáticos com muitíssimo sucesso!
No meio deste meu entusiasmo, ia-me falhando que houve um motivo menos bom para ter parado a sua produção... felizmente a sua esposa está a melhorar.
Eu não estou completamente curada desta pneumonia, embora ontem já tivesse ido ao centro paroquial e ao centro de juventude... mas o pior, penso eu, é o acumular de problemas físicos. As duas hérnias discais da cervical, provocam-me dormência, falta de força e tremendas dificuldades na marcha, sobretudo no lado esquerdo do corpo, embora o direito também já esteja afectado. Semana a semana, vou sentindo mais e mais as dificuldades em tratar dos meus amiguinhos de quatro patas e em deslocar, nem que seja só para levar o cãozito à rua. Também, andei quatro ou cinco anos a queixar-me disso e das "cãibras" e só me davam magnésio e mais magnésio que, claro está, não adiantava nada... isto já vai soando a "pieguice", mas a verdade é que é muitíssimo limitador e frustrante, para além de muito doloroso e eu acredito que devo dizer a verdade quando me interrogam acerca do meu estado de saúde. Essa coisa de dizer que está tudo bem, quando está tudo tão mal, parece-me, além de ridículo, a melhor maneira de nos interpretarem mal e pensarem, por exemplo, que não saímos ou não convivemos mais por estarmos deprimidos ou por não nos querermos dar a esse trabalho... nem queira saber a facilidade com que o cidadão comum - incluindo assistentes sociais e técnicos de saúde - confundem essas coisas.
De qualquer forma, terei de ir fazer uma radiografia ao tórax, para ver até que ponto houve, ou não, recuperação do parênquima pulmonar. Eu teria pedido também exames analíticos de sangue, uma vez que os meus parâmetros estavam muito alterados na fase aguda... mas isso sou eu que nem sequer sou médica... também teria pedido uma TAC à coluna mas, lá está, não sou médica e, se o fosse, já teria arranjado grandes problemas pois trataria de forma exactamente igual todos os meus doentes, fossem, ou não, dos que pagam taxas moderadoras... ah, também já tenho uma ideia de que irei arranjar problemas com estas "maleitas" todas pois, segundo as mudanças na legislação, só os doentes com uma incapacidade igual ou superior a 60% terão direito ao regime de gratuitidade nos exames clínicos e taxas moderadoras de acesso às consultas... ora eu nem sei como me hei-de deslocar até lá, onde parece ser o local onde dizem que alguns de nós se terão de submeter à tal junta médica... niguém parece saber ao certo como as coisas se irão processar e eu, como não estava empregada, nem sequer tenho um processo coerente para apresentar por lá. Calculo que vá ser "tramada" neste confuso processo, mas já estou a começar a habituar-me a ser - como tantos outros portugueses - bode expiatório da confusão geral do sistema...
Agora peço-lhe desculpa por este extenso relato de maleitas e queixas e deixo-lhe o meu abraço muito agradecido por este divertido e belíssimo momento que me proporcionou com o seu "O lobo e o cordeiro".
Faço votos de que a sua esposa continue no seu rápido processo de recuperação e estendo, também a ela, este meu abraço.


Maria João
De PaperLife a 11 de Março de 2012 às 12:09
Um soneto bastante verídico Maria :)
Adorei ^^
Porque a nós, portugueses, ninguém nos cala!

Como te tens sentido? Espero que estejas melhor :)
De poetaporkedeusker a 11 de Março de 2012 às 12:40
Olá, Paper! :D
Vim aqui de fugida porque tenho uma amiga que faz anos hoje - e eu pensava que era amanhã, vê lá! - e tenho de tratar a bicheza antes de ir ter com ela.
Estou melhor, mas há para aqui qualquer coisa que ainda não ficou boa... a febre baixa continua... mas o resto, a dificuldade em andar e em movimentar os braços, isso tem a ver com as duas hérnias da cervical e já não passa mesmo...
Beijinho e obrigada pela tua visita! :)
De poetazarolho a 11 de Março de 2012 às 13:45
Este é um chá de morte.

Cá em casa é um chá a cinco, fomos outra vez atacados pelo vírus, desta vez foi o Vicente que o trouxe.
De poetaporkedeusker a 11 de Março de 2012 às 21:08
Caramba! Passou-me isso pela cabeça, quando, ontem, notei a ausência do seu sonetilho... já estão melhor?
Eu já vou ver esse chá viral...
De poetazarolho a 11 de Março de 2012 às 18:39
“Impunidade”

P’rá história da democracia
Aqui à beira mar plantados
Por certo escreverão um dia
Como fomos enganados

Milhões p´rá convergência
Os que nos foram roubados
Por mais pura negligência
Pelo convir dos iluminados

Seus interesses acautelaram
Aqui à beira mar plantados
Triste herança nos deixaram

Entre eles andam zangados
Mas a lei nunca aplicaram
Nunca haverá condenados.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 11 de Março de 2012 às 21:03
Mas condenados, já há!
Só lhes falta a punição
Que eu não sei quando virá
A cumprir sua função...

Aquilo que se fará,
Posso dizer de antemão
Cabe a quem os julgará
Dentro da população...

De iluminação conheço
A que me vem dos poemas
E a que tenho acesa, em casa

Portanto nada mais peço
Porque tenho mais problemas
Do que o lume aceso, em brasa...


Até já, Poeta! :)



De poetazarolho a 11 de Março de 2012 às 18:42
“Sem tema”

Não escrevo para o vento
Escrevo para o furacão
Não me ouvem o lamento
Mas ao menos sentirão

Vão tremer com o poema
Arremessado ao passar
Nem sei bem qual o tema
Nem quem o vai encontrar

Fica apenas a sensação
De pôr o dedo na ferida
E conseguir fazer-me ouvir

Mas é a simples ilusão
Duma vitória conseguida
Que fica por conseguir.
De poetaporkedeusker a 11 de Março de 2012 às 20:42
Escrevo pr`a todos os ventos;
Os que sopram loucamente
E os que parecem lamentos
Murmurando humildemente...

Escrevo pr`ó vento que passa
E pr`àquele que há-de passar
Prevendo, em cada desgraça,
O que a possa melhorar...

Escrevo sempre pr`ó futuro
Enquanto o presente avança
Rumo àquilo que há-de vir

E transformo um tempo duro
Noutro que a mão não me alcança
Mas que permita sorrir...


Olá, Poeta! Tudo bem por aí?


De poetazarolho a 12 de Março de 2012 às 20:29
Hoje é um cházinho estratégico.
De poetaporkedeusker a 12 de Março de 2012 às 23:02
Bem mereço um cházinho!
Tenho estado, mesmo, a tentar fazer três coisas ao mesmo tempo e, no estado miserando a que cheguei, não faço nem uma com alguma decência...
Vou já! :)
De poetazarolho a 12 de Março de 2012 às 20:32
“Heróis do mar”

Através do voto elege
O povo a representação
Em cada eleito emerge
O orgulho da nação

Que a todos representa
Com espírito de missão
E assim o povo aguenta
Sacrifícios sem imposição

Nosso eleito nosso orgulho
Tu és a nossa motivação
Nunca serás um estorvo

Nunca serás um engulho
P’ra sempre no coração
Deste agradecido povo.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 12 de Março de 2012 às 22:54
Será que esta burguesia
Permanece adormecida
Ou pensa que uma utopia
Não é meta para a vida?

Estou a querer dar atenção
Ao programa, em simultâneo
Ao sonetilho em questão
Mas `tou a "fundir o crânio"

Porque, afinal, já são três
As tarefas que me imponho
Por causa do velho gato

E fazê-lo, desta vez,
Parece mais do que um sonho
E pior que um desacato! :))

Até já, Poeta! Nem queira saber o que o Garfield se lembrou de ir fazer atrás do sofá...


De poetazarolho a 12 de Março de 2012 às 23:13
O programa já não vejo
Minha gata está deitada
Por isso o meu ensejo
De não pensar em mais nada

Desce sobre mim a noite
Asim de mente desocupada
Pode ser que não me afoite
Por ora em nova jogada

Ouço agora na Antena um
Uma voz doce e sincopada
Que de vez me adormece

É o que nos mantem em jejum
Feito ministro da carneirada
Quem o ouve nunca esquece.







De poetaporkedeusker a 13 de Março de 2012 às 00:04
Já nem atenção lhe presto,
Acabei por desistir
De atirar "bolas ao cesto"
Que nunca irei atingir...

Alguém fala em pagamentos,
PPP`s e liquidez
E eu dedico estes momentos
A sonhar c`o fim do mês...

Fui e cheguei atrasada
Porque a música a soar
Mostrou-me que já passou

Esta cabeça azougada
Tem mas é de sossegar
Enquanto eu por aqui estou... :)


Já não fui a tempo... mas também já não posso ouvir este jovem secretário de estado que parece saído dos cafundós da década de 40 do século passado! Mesmo não lhe dando atenção, há sempre um "cliché" neoliberalista que me entra pelo ouvido adentro e me fere o tímpano da lucidez que vou mantendo... a duras penas.
Beijinho! :D
De poetazarolho a 12 de Março de 2012 às 20:35
“Antes do fim”

O dia antes do fim
Não dá para explicar
Eu sei que será assim
Quando a vida acabar

Partiremos num cometa
Num dia de escuridão
Ou então numa lambreta
Quem sabe num avião

Aqui ficará a saudade
Mas ninguém para contar
A história da humanidade

Que não soube respeitar
A sua própria vontade
De ao próximo amar.
De poetaporkedeusker a 12 de Março de 2012 às 22:29
Não se irá a espécie inteira
De uma forma assim tão breve
Mesmo tendo feito asneira
E merecendo o que teve...

Hoje nem a poesia
Me derruba o pragmatismo
De acreditar que seria
Execrável "revanchismo"

Acabar com todos nós
De uma forma tão completa,
Tão primária, tão total,

Mesmo que esta nossa voz
Escapasse nesse cometa
Rumo ao seu destino astral... :)


Como vão as coisas por aí, Poeta?
Eu não pude marcar os raios x porque houve um engano qualquer e foi-me entregue uma credencial com o nome de outra utente qualquer. terei de ir ao centro de saúde, depois de amanhã... nem sei como pois mal consigo andar... mas lá chegarei! :)
De poetazarolho a 12 de Março de 2012 às 20:52
OS MAIS POBRES

Olho e vejo tantos pobres
Bem vestidos, a rigor…
Não digas que os não descobres,
É só olhar em redor.

Comem sempre do melhor
Frequentam salões nobres
Esbanjam sem ter pudor,
A rodos, milhares de cobres

Pagam bem ao motorista
E melhor ao jardineiro
De putas, têm uma lista

E a viver nesta pobreza
Só o que têm é dinheiro
Sua única riqueza.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 12 de Março de 2012 às 22:16
Vejo pois! Conheço tantos
Desses mui "bem sucedidos"
Surgindo em todos os cantos
E, às vezes, comprometidos...

Envergam seus belos mantos
Que atordoam os sentidos,
Mas não são nem bons, nem santos
E não estão arrependidos...

Paguem bem ou paguem mal
Não lhes gabo a pele que vestem
Neste palco universal

Pois por mais anéis que ponham,
Por mais sobras que lhes restem,
Eles nunca sabem... "nem sonham"


Boa noite, amigo Eduardo!
Espero que já estejam todos bem.
Obrigada por este seu sonetilho!




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