.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

O PRODUTO FINAL DE ALGUNS ANOS PASSADOS A COLHER [também...] OPINIÕES

 

Como hei-de interpretar tão estranho gesto

De clara discordância e suspeição

Se, no que me respeita, é sempre honesto

Este acto de vos dar - ou não... - razão?

 

Tudo o que vos disser terá, de resto,

A mesma garantia de isenção;

- De quanta opinião guardar no cesto,

Construirei, mais tarde, opinião...

 

Se o tempo escassear, duplicarei

Em vontade o que falte às aptidões,

Em perda o que me for escapando em ganho

 

Mas, enquanto viver, eu escolherei;

Irei sempre arquivando opiniões,

Sem antes lhes medir força ou tamanho...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 01.02.2012 - 18.57h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 13:44
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50 comentários:
De poetazarolho a 3 de Fevereiro de 2012 às 03:34
“Memorial além troika”

Austeridade além troika
É um desígnio nacional
Torna forte nação heróica
De seu nome Portugal

Os oito séculos d’história
Foram engolidos afinal
De tal feito não há memória
Erga-se então um memorial

Na base e como suporte
Um povo sempre esquecido
Apoiado numa justiça forte

Governo da maior confiança
Navegadores que temos sido
Naveguemos na alta finança.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 3 de Fevereiro de 2012 às 10:42
Navegar n`alta finança?
Prefiro acabar com ela!
Conduz-nos, sempre, à matança
Ou, então, traz-nos à trela!

Com sentido ou sem sentido
Nós cá vamos poetando...
Mesmo mal compreendido,
Escrevendo, vamos lutando!

Nem só jogos financeiros
Fazem de nós cidadãos
Dignos de ser portugueses

Nem nós queremos ser parceiros
Desses encómios malsãos
Que são próprios dos burgueses...

Até já, Poeta!

De poetazarolho a 3 de Fevereiro de 2012 às 03:37
“Ideias sem ideias”

Vou desistir da realidade
Já nada me prende aqui
Não por causa de insanidade
Mas tanto insano nunca vi

Serei o único que está mal
Todos parecem em sintonia
Sintonia demasiado racional
Que gera grande harmonia

Harmonia de ideias feitas
Ideias novas sem contestação
Ideias vazias em gestação

Ideias sem ideias são perfeitas
E mais se trazem apelo do cifrão
A esta realidade eu digo não.
De poetaporkedeusker a 3 de Fevereiro de 2012 às 10:27
Dizer não sem recuar
É estar disposto a morrer
Naquilo em que acreditar,
Doa lá a quem doer...

Mas desistir do real
Não me parece sensato...
Eu combaterei o "mal"
Tal como faz qualquer gato...

Impõe-se a sobrevivência
E alguns hão-de conseguir
Ultrapassar "este tempo"

Mas a velha desistência
Há-de incitar a fugir
Quem não tem força e talento...


Bom dia, Poeta!

De PaperLife a 3 de Fevereiro de 2012 às 14:21
É graças a diferentes opiniões que crescemos e aprendemos :) (desde que sejam construtivas claro)

Como estás Maria? Melhor espero ^^
De poetaporkedeusker a 4 de Fevereiro de 2012 às 00:55
Desculpa o atraso, Paper... :(
Já estou no 2008 mas tinha tanta coisa por fazer no Face que só agora vim até cá...
Vou ao teu blog! :)

Abraço grande!
De poetazarolho a 3 de Fevereiro de 2012 às 23:06
“Bloody mary”

A resposta adequada
Não são greves nem nada
Não virá de madrugada
Nem chegará disfarçada

Ela já está em marcha
P’ra fogueira não é acha
Nem sequer é vai ou racha
Não há manif nem faixa

Ela está a ser plantada
Em breve vai desabrochar
Queira ou não o poder

Não será uma intifada
Nem será para assustar
Como será não vou dizer.
De poetaporkedeusker a 4 de Fevereiro de 2012 às 00:48
Não digo porque não sei
Como é, exactamente,
Mas virá - não duvidei! -
Do que é agora semente!

Virá pois trará consigo
Tal força e tão forte abraço
Que não terá inimigo
Que lhe provoque cansaço...

Virá destas nossas mãos,
Destes nossos corações
Tão unidos quanto irmãos

É força que ninguém pára
Sobre os povos das nações
Como a luz da manhã clara...


Abraço grande, Poeta! Obrigada! :)
De poetazarolho a 4 de Fevereiro de 2012 às 18:24
“O exemplo”

O exemplo donde parte
Vem de cima ou de baixo
Em cima está quem reparte
E onde fica logo o tacho

E é aqui que está a arte
De repartir que é antiga
Quem o faz não se farte
Encha dez vezes a barriga

Em baixo é dar o exemplo
De trabalhar para comer
E o tacho chega rapado

Eu cá de baixo contemplo
Mas não chego a perceber
Lá de cima o exemplo dado.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 5 de Fevereiro de 2012 às 01:00
Mas de que exemplo falamos?
Desse exemplo "de fachada"
Que não queremos e a que vamos
Renegar dentro de um nada?

Ou de um exemplo de amor,
No partilhar consciente,
Por gentes de toda a cor,
De uma liberdade urgente?

Sei bem que fácil não é
- nunca o foi, nunca o será... -
Mas há que mudar de vez,

Derrubar, com toda a fé,
Um poder que nada dá
A quem nasceu português!


Continuo demasiado "embalada"... :) ainda não tenho o aparelho a funcionar... o meu sobrinho desculpou-se com o frio...
Pode ser que venha amanhã...
Abraço grande para todos vós!
De poetazarolho a 4 de Fevereiro de 2012 às 18:27
“Darwinismo social”

Há muita gente sem nada
Existe uma solução apenas
Há muito que foi estudada
Aplicada outrora em Atenas

Dos fracos não rez’a história
Tão pouco dos pobrezinhos
Temos que apagar da memória
Todos estes desgraçadinhos

Na teoria da evolução social
Os mais fortes vão sobreviver
Isso permite-nos apurar a raça

Darwin era um tipo bestial
E pessoalmente estou em crer
Que do abismo não se passa.
De poetaporkedeusker a 5 de Fevereiro de 2012 às 00:38
Aqui, a cair de sono - a culpa é toda minha porque nunca mais aprendo que não consigo aprender tudo num dia... - nem tenho tempo para "chamar a poesia" antes de lhe responder... eu sou Darwinista desde pequenina... pelo menos do que sempre me lembro de ter aprendido, graças ao meu pai e ao meu avô que eram homens interessadíssimos pelo evolucionismo, mas não é os naturalmente fracos - pelo menos não é só a eles - que o sistema revela não ter pejo em eliminar... todos os "fracos", mas do ponto de vista financeiro... é tremendo, mas parece que é o que nos está a acontecer. Não terão qualquer pejo em eliminar os que sejam mais dotados, se eles não se mostrarem servos subservientes... a natureza é dura, mas é sábia... o sistema capitalista é apenas interesseiro. Falta-lhe a inteligência, falta-lhe a sensibilidade... acho que venho demasiado "embalada"... :)

Vou "chamar" a poesia :)

É preciso desgastá-los
Ou eles hão-de desgastar-nos
- como se faz aos cavalos -
Até nós os entalarmos...

Fraco é quem trai um irmão
Ou quem o deita a perder!
Haverá melhor razão
Pr`a desdenhar o "poder"?

De fortes não têm nada,
- a não ser os bolsos cheios
e as barriguinhas rotundas -

E a força da própria enxada
Os encherá de receios
E de olheiras muito fundas!


Eu estou do lado dos verdadeiramente "imprestáveis", Poeta. Não tenho força física para coisa nenhuma, mas ainda consigo teclar... sendo mais do que verdade que isso, na perspectiva do sistema, não me valeria de coisa nenhuma porque jamais me curvaria diante deles... mas enquanto puder teclar e respirar, aqui estarei. Não tenciono calar-me.
Até já e tenha paciência com a excessiva velocidade com que senti/ pensei/escrevi, sem me lembrar da poesia...

De poetazarolho a 5 de Fevereiro de 2012 às 19:24
“Espelho da morte”

Vida é o espelho da morte
Podes olhar-te e reflectir
Terás em vida melhor sorte
Ou tê-la-ás depois de partir?

Se em primeira classe viajas
Levas ouro, prata e brilhantes
Não importa como em vida ajas
Terás um lugar entre gigantes

Se foste um pobre coitado
Da classe dos indigentes
Atrás do prejuízo deves correr

Se foste um remediado
Então as coisas são diferentes
Tens de pagar antes de morrer.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 5 de Fevereiro de 2012 às 21:28
Todo aquele que nasce, um dia
Vai acabar por morrer...
Nenhuma filosofia
Pode isto contradizer

Mas, da vida, eu colheria
Quanto pudesse colher
E, depois, cá deixaria
Novas formas de se ser...

Já houve tanta excepção
À tal regra da riqueza
Que a morte não é razão

Pr`a se ter pão sobre a mesa...
Mas viver e comer pão,
Essa é razão, com certeza!


Olá, Poeta! :) Lembrei-me do Mestre Aleixo, quando li o seu sonetilho... este grande poeta foi paupérrimo e, no entanto, parece estar a libertar-se da lei do esquecimento a que os pobres são votados... mas melhor seria ele não ter tido de passar tanta fome. Nunca desistirei de acreditar num mundo em que os bens essenciais estejam justamente repartidos. Nunca!
O meu sobrinho, hoje, nem sequer respondeu ao meu sms e também não vi o filho da minha vizinha... mas pode ser que o veja amanhã porque costumo encontrar a senhora durante os dias de semana.
Abraço grande!
De PaperLife a 6 de Fevereiro de 2012 às 17:29
Andamos todos inspirados pelo mesmo motivo, talvez :)
Olha, precisava da tua ajuda para uma coisa. Como eu sei que andas dentro do assunto, queria saber se conheces alguma instituição animal sem fins lucrativos, como aquelas que pedem voluntariado e assim :)
De poetaporkedeusker a 6 de Fevereiro de 2012 às 17:54
Olá, Paper! Conheço pois! Conheço a ANIMAL.ORG ! Conheço outras mais, mas a ANIMAL é muito abrangente e transversal em todos os campos da luta pelos direitos dos animais. No tempo em que eu ainda me conseguia ir mexendo um bocadinho, cheguei a ir a manifestações muitíssimo bem organizadas!
Acho que se fores a http://www.animal.org/ estás lá! Mas não estou assim tão segura do endereço... a minha memória não é famosa em muitas coisas. Mas vai ao Google e procura "associação animal" ou, então, procura na caixinha de busca da tua página do Face. A ANIMAL tem uma boa página no Face, adere e faz-te sócia. Depois enviam-te os updates para o teu endereço postal electrónico. Se quiseres uma acção mais específica, eles saberão encaminhar-te!

Fico muito contente por te saber vocacionada para o trabalho voluntário!
Abraço grande! :)
De poetazarolho a 6 de Fevereiro de 2012 às 21:07
“Austeridades carnavalescas”

Acabou-se o carnaval
E eu até não acho mal
Não havia pão afinal
E tu como um mortal

Austeridade espiritual
Praticavas como ritual
Agora é comportamental
E a seguir conventual

Abrigas-te no convento
Sob a forma de oração
Dás voz ao teu lamento

O espírito não quer pão
Fica barato o sustento
Mais caro é ser folião.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 6 de Fevereiro de 2012 às 21:34
caramba, Poeta! Já tinha feito o meu sonetilho quando a net se foi abaixo... acho que não consigo repeti-lo... vai outro...

Mais bem ou mais mal vestidos,
Com mascarilha ou sem ela
O que eles são é uns bandidos
De florzinha na lapela...

Não gosto do Carnaval
E, bem sabe, é-me indiferente
Mas pr`ó povo, no geral,
Vai doer a muita gente...

O que mais hão-de tirar
A quem quase nada tem
E só quer descontrair?

A luz do sol? respirar?
Querem-lhe a vida também?
[isso vem logo a seguir...]


Nem sequer é parecido com o outro, mas não deu para tentar reproduzir porque o outro "saiu" muito depressa...
Até já e um abraço grande! :)
De poetazarolho a 6 de Fevereiro de 2012 às 22:19
A vida não vão levá-la
Porque nos querem a ganir
À galinha vão depená-la
Nós ficamos p’ra contribuir

Pois que sem contribuição
Vão andar todos ao estalo
De pintos não passarão
Esses que cantam de galo

Não há rei na capoeira
Do nosso descontentamento
Poucos ficam com o tesouro

P’ra muitos sobra a poeira
São os que por um momento
Põe os ovos de ouro.
De poetazarolho a 6 de Fevereiro de 2012 às 22:20
Põem os ovos de ouro.
De poetaporkedeusker a 6 de Fevereiro de 2012 às 23:11
Ah, só agora vi este! E tenho o Kico aflito! Eu já volto!
De poetaporkedeusker a 6 de Fevereiro de 2012 às 23:48
Pudesse eu contribuir
C`um ovinho só, que fosse,
E em vez de me por a rir,
Escrever qualquer coisa doce...

Mas quando fala em penosas
Só sei rir... que hei-de fazer?
E já dei duas gostosas
Risadas... puro prazer!

O tema não é piada
Mas não sei o que me deu
Por causa dos ovos de oiro...

Escrevi não dizendo nada
Sobre um tema que era seu
E que é quase imorredoiro...


Este sonetilho saiu sem gracinha nenhuma ... e eu, de cada vez que o Poeta fala em galinhas e ovos de oiro, lembro-me daquela dos "ovos de lata" e rio-me mesmo que esteja muito aflita... mas vê como a minha memória é esquisita? Dessa acho que nunca mais me esqueço...
Abraço grande!

De poetazarolho a 6 de Fevereiro de 2012 às 21:11
“Evolução animal”

Ser humano é tal e qual
Seu antepassado animal
A diferença fundamental
É o dinheiro, fez-lhe mal

Já não trata seus filhos
Com o carinho fraternal
Paga p’ra não ter sarilhos
Uma educação excepcional

E desta forma educados
Seus filhos criam os netos
Perpetuam os predicados

Com que brindarão bisnetos
Por mim tenho afilhados
Só o animal esbanja afectos.
De poetaporkedeusker a 6 de Fevereiro de 2012 às 22:04
Quando eu era pequenina,
Antes de saber escrever,
Aprendi que ser menina
Me obrigaria a crescer...

Aprendi coisas das plantas,
Das pedras, dos animais
Coisas belas, coisas tantas
Qu`inda quis aprender mais!

Uma coisa eu aprendi
Que jamais irei esquecer,
Que nunca será esquecida;

Desse muito que então li,
Dei prioridade ao SER
E o resto... é tudo VIDA!


É enquanto animal-humano que lhe respondo, Poeta. A vida é uma maravilha - mesmo quando é cruel - e eu sempre a respeitarei sob todas as suas formas. Vi os meus gatos serem pais adoptivos de crias que lhes não pertenciam biologicamente. Tive um cão que, sem ter sido ensinado, sabia tomar conta de crianças, evitar que fossem para a estrada, impedir que se aproximassem de estranhos, prever um tremor de terra e avisar de todas as formas possíveis - e impossíveis! - que eu deveria levar para a rua as duas filhas que tinha na altura... e, antes de rematar, ainda lhe explico como; foi buscar duas bonecas, uma de cada uma, trouxe-as à cozinha, pousou-as e puxou-me pelas calças até à cama de cada uma delas e, logo a seguir, levou-me à porta da rua que se pôs a arranhar com toda a força... perante tudo isto, Poeta, como poderia eu ser tão estúpida, tão ignorante que pudesse pensar que lhes era superior?
Para acabar esta estória - bem verdadeira, por incrível que pareça - quando eu, finalmente percebi que deveria pegar-lhes e levá-las para a rua, deu-se o tremor de terra. Não foi muito grande, mas o Ferrugem também não era nenhum sismógrafo... foi suficientemente forte para abrir uma rachadela no tecto da cozinha... mas ele tinha feito o que podia para me avisar do perigo. Nunca me cansarei de afirmar que os animais com que lido me têm dado importantíssimas lições de vida.

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