.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

ESTE CLARO AMANHÃ QUE TAMBÉM CANTA

 

 

Nenhum de nós aponta o punho erguido

No sentido contrário ao da vitória

Porque esse punho aponta sempre à glória

De tudo quanto temos conseguido

 

Nunca este sonho nosso foi vencido

- da derrota final não reza a História! –

E, trazendo a certeza da memória,

Nunca o nosso ideal será traído!

 

Já novo cravo rubro se agiganta

E um novo grito irrompe da garganta

De cada um dos nossos companheiros

 

Pois quando o nosso punho se levanta

Nasce um claro amanhã que também canta

Por fazer dos algozes prisioneiros!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa 16.01.2012 – 19.59h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 16:31
link do post | "poete" também! | favorito
|
30 comentários:
De poetazarolho a 17 de Janeiro de 2012 às 21:47
“Fantoche”

Portugal mostra ao mundo
O mundo não liga ao tuga
Mostra ao mercado profundo
Mas mercado é sanguessuga

Em declaração triunfal
“Esta é via do crescimento”
Após maratona negocial
Terá perdido o discernimento

O mercado é que comanda
Faz com que o país amoche
Sempre foi e assim será

E quem pensa que manda
Na sua mão é fantoche
O melhor que temos cá.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 18 de Janeiro de 2012 às 16:24
De fantoches`tamos fartos
Nesta "casa portuguesa"
Tão cheia de vagos quartos
Pr`ós convidados da "mesa"

A casa é de quem trabalha,
Não lhe invertam os valores!
Não gastem pão com quem "malha"
No pão dos trabalhadores!

Mercados, sempre existiram;
Está na nossa natureza
Dar o pão, receber sal...

Mal dos que não resistiram,
Nos apertos da pobreza,
Aos senhores do Capital...



Abraço grande, Poeta. :)
De poetazarolho a 17 de Janeiro de 2012 às 21:51
“Guardador de luas”

Ser guardador de luas
Foi sonho meu um dia
Mas sonho fez das suas
E muita lua não queria

O sonho ficou distante
A lua cheia prometida
Fez-se quarto minguante
Mas como prova de vida

Renasceu como lua nova
Fez-se quarto crescente
Foi lua sem se enganar

Lua que o ciclo renova
E interfere com a gente
Mas não se deixa guardar.
De poetaporkedeusker a 19 de Janeiro de 2012 às 13:47
Guardadora de Luas;

Eu, de luas guardadora,
Já não sei como mostrar
Que o Poema não tem hora
Pr`a partir, nem pr`a chegar...

Vai-se a vida na demora
De tantas rimas guardar
E o Poema vai-se embora
Se a guardadora faltar...

Por isso, enquanto durar,
Vou cumprindo o prometido
Na aliança indesmentível

Entre Poeta e Luar;
Fica o pacto, aqui, cumprido
Num poema imprevisível...


Poeta, não pude ir ao CP, mas não estou TÃO aflita quanto ontem à noite. Não tomo o ibuprofeno até estar recomposta. No hospital mandar-me-iam parar, de qualquer forma... é sempre preciso excluir relações de causa/efeito entre uma patologia súbita e um medicamento novo. Mas é claro que as outras dores estão a piorar... mal chegaram a melhorar...
Abraço grande!

De poetaporkedeusker a 19 de Janeiro de 2012 às 17:45
COMO SATISFIZ A MINHA VONTADE DE SER GUARDADORA DE LUAS


Quis, um dia, ir guardar luas
Lá para os Passos Perdidos,
Mas andei por tantas ruas
Que lhes perdi os sentidos...

Não sabia se Este-Oeste,
Se ir a Sul, se tentar Norte
E até tu, Sol, te esqueceste
De me apontar um suporte!

Desisti do estranho ofício
De guardar as luas-cheias
Das ruas desta cidade

E, fazendo um sacrifício,
Voltei pr`a casa e pintei-as
Satisfazendo a vontade!

Poeta, vim deixar este que me nasceu enquanto "tentava" tomar o meu duche... digo "tentava" porque esta tarefa, agora, leva-me, pelo menos, hora e meia, por mais que me tente apressar...
Beijinho e até mais logo!
De poetazarolho a 18 de Janeiro de 2012 às 21:13
“País pacato”

O problema da corrupção
Afirmou o Prof. Marcelo
Vem do tempo da fundação
Deste rectângulo tão belo

Sob a forma de condado
E dando caça aos mouros
Este país seria formado
Roubando-lhes os tesouros

Mais tarde haveria um pacto
O pacto de não agressão
Preservou o país da guerra

Ficando pr’a sempre pacato
Toleramos todo o ladrão
E o sistema que nos emperra.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 23 de Janeiro de 2012 às 14:32
Resposta a País Pacato

O problema é, afinal,
Sermos tão subservientes
Pois,pr`a quem nos faça mal,
Temos justiças diferentes...

Quando humilde, é a doer,
É zurzir até mais não...
Mas, se estatuto tiver,
Nem se lhe chama ladrão!

Chamo a isto "LACAÍCE"
Mas é um neologismo
Muito meu, particular...

Há quem use "sacanice"
E ressalve o heroísmo
De quem não compactuar...


Olá, Poeta! :)
Estava a ver que não chegava cá hoje... mas, pelo menos um dos sonetilhos, está respondido! Caramba! Uma pessoa habitua-se a estas desgarradas e, quando elas faltam, parece que se sente incompleta :)
Abraço grande!
De poetazarolho a 18 de Janeiro de 2012 às 21:20
“História”

Vivemos um dia histórico
De muitos que se seguirão
Carnaval e carro alegórico
Enterro do bacalhau e caixão

Precisam conhecer a história
Para enquadrar a situação
A seguir a uma grande euforia
Segue-se sempre uma depressão

Não precisam saber economia
Precisam sentir a população
Saindo da redoma do poder

Quem muito o povo asfixia
Recebe de volta uma convulsão
Que não tardará a acontecer.
De poetaporkedeusker a 18 de Janeiro de 2012 às 22:33
A famigerada história
Deste imenso "desconcerto"
Ficar-nos-á na memória
Mesmo depois deste "aperto"!

A História deste país,
Mais tarde relatará
Este momento infeliz
Que tanto mal nos trará

Não me enganem com sondagens,
Com discursos laudatórios,
Nem promessas enganosas!

Prefiro estas "desmontagens"
E dispenso os falatórios
Dessas rebuscadas prosas!


Abraço grande, Poeta! Não estou bem, desculpe.


De poetazarolho a 19 de Janeiro de 2012 às 23:49
“Bad guys”

Bad girls go everywhere
Mas é preciso ser-se má
Bad boys meet you there
Isso é o que mais cá há

É raça humana, conheces?
Única espécie da criação
Que ante todas as preces
Não hesita, mata um irmão

Diz-se dotada de compreensão
Nunca vi tanta incongruência
Diz-se trás de origem coração

Será acessório pr’á violência
Pratica amiúde a humilhação
Por certo reflexo de inteligência.
De poetaporkedeusker a 20 de Janeiro de 2012 às 15:25
Com esta exponenciação,
Nem sendo "pior que má",
Voltaria a ter na mão
Aquilo que já não há...

Raça humana, raça humana,
Já nem sei o que te diga!
Há por cá tanto sacana
Com mais olhos que barriga...

Mas soubesse ela abdicar
Da sua imensa ganância
E da sede do poder,

Pudesse, inteira, sonhar,
Entender, mesmo à distância,
Os que não podem nem querer...

Poeta, se foi um apagão da motherboard, só volto cá na segunda feira...
Um enorme abraço para todos vós! :)

De poetazarolho a 19 de Janeiro de 2012 às 23:56
Flor na minha lapela
Tem que ser a que eu mais amo
Se for flor do meu ramo
Ainda gosto mais dela.

Flor que, com os meus olhos,
Vi, desde o desabrochar,
Pode, até, ter mais abrolhos
Mas não me fazem sangrar.

Nunca fica amarelecida
A flor de que gostamos,
A rainha do jardim…
Se for preciso até damos,
Por uma flor assim,
Sem hesitar, nossa vida!

Eduardo
De poetaporkedeusker a 23 de Janeiro de 2012 às 15:10
Boa tarde, amigo Eduardo! Peço desculpa por este atraso todo... já saberá, com certeza, que o meu 2008 se apagou literalmente... mas aqui vai;


Não uso flores, nem lapela,
Mas entendo a devoção
Pois dar a vida por ela
É pôr nela o coração...

Já os dias se conjugam
Na rotineira incerteza
Dos que, esperando, madrugam
Sem verem pão sobre a mesa

Noutros, com fermento a mais,
Tanta farinha medrando,
Desequilibra o produto

Querem parecer banais,
Mas a farinha, entornando,
Rouba o seu salvo-conduto...


Um abraço grande para si e esposa, amigo Eduardo!
De poetazarolho a 20 de Janeiro de 2012 às 21:02
“Respirar”

Não há crises na lua
Quem me dera lá viver
Não há oxigénio na rua
Vives lá só pr’a morrer

Crises são da humanidade
E do seu modo de pensar
Curta de vistas a realidade
Vou para a lua morar

Crio a fábrica d’oxigénio
Vou um governo instalar
Quem pr’a lá fôr a seguir

Vai encontrar este génio
E se pretender respirar
Vai ter que contribuir.
De poetazarolho a 21 de Janeiro de 2012 às 19:23
“A partida”

O nosso presidente coitado
Não ganha pr’a meias solas
Apesar de bem reformado
Está a pensar viver de esmolas

Senhor presidente da nação
Temos pena com certeza
Não espere nossa contribuição
Também vivemos na pobreza

Vislumbramos uma solução
A de quem nos está a governar
Para outro lado vá presidir

Que esta pobre população
Por cá se haverá de arranjar
Não temos pena, pode partir.

Prof Eta
De poetazarolho a 21 de Janeiro de 2012 às 19:37
A CRISE DO PRESIDENTE


No Palácio de Belém
Vive o senhor Presidente
Que anda assaz descontente
Com as reformas que tem.

Na nossa casa pequena,
Do Presidente com pena,
Eu e a minha Maria
Perdemos a alegria…

A custo enfim resolvemos
O problema que nos choca
E ao Presidente escrevemos:

- Reformas, nós temos duas,
Guardamos uma p´ra troca
Mande-nos uma das suas!

Eduardo
De poetaporkedeusker a 23 de Janeiro de 2012 às 15:35
Muito bom, este! :)

Não posso qualificar
Este absurdo desabafo!
Eu bem quis nem comentar
Mas, desta, é que não me safo...

Eu tenho,em casa, um fatinho
Ainda em muito bom estado,
Mas que me ficou curtinho
Depois de eu ter engordado...

Quem sabe, o leve a Belém...?
Se a crise cresceu de forma
A atingir o presidente,

Ao pouco que a gente tem
Junta-se, ainda, a reforma
E partilha-se irmãmente...


Um abraço grande! :)





De poetazarolho a 22 de Janeiro de 2012 às 16:28
“O provedor”

Vós que lá do vosso palácio
Dizeis ser provedor do povo
Que não seja este o posfácio
Antes de um provedor novo

Provedor da nossa incerteza
Das nossas angústias também
Com uma reforma de pobreza
Asilado no Palácio de Belém

Para as despesas não ganhais
Sois provedor das ambições
Dum país de chicos-espertos

Se andássemos mais despertos
Daríamos pelas contradições
Assim não merecemos mais.

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