.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Domingo, 25 de Dezembro de 2011

A DEMISSÃO DA PALAVRA

 

Brotaram, de repente, absurdos gritos

Do eixo da palavra atormentada

Onde os sintomas – todos! - são malditos

Prenúncios de revolta estrangulada

 

E à digestão dos ecos mais aflitos

Por excessos duma ceia inesperada,

Somaram-se, por fim, dois sonhos fritos

À privação geral… mas consolada!

 

A vocalização desconstruiu-se

Na absurda convergência da partida,

E, pouco a pouco, a chama consumiu-se

 

No pavio duma rima já sumida

E a palavra ergueu-se e demitiu-se

Da principal função da própria vida…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 25.12.2011 – 22.55h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 23:15
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48 comentários:
De poetazarolho a 26 de Dezembro de 2011 às 00:09
Não sei mas penso que é uma guerra dos tempos actuais, sem fosse um Picasso, que o é, seria a "Guernica", assim é um maravilhoso retrato de uma guerra sem guerra, dos nossos dias.
De poetaporkedeusker a 26 de Dezembro de 2011 às 00:16
É mesmo Poeta... é uma guerra comigo mesma e com as tais variáveis, mas é, sobretudo, uma guerra que só espero perder quando morrer... mas não vai fazer mal porque, afinal, todos morreremos um dia... até eu já estou a ficar confusa, ai! É uma guerra comigo mesma... ou de cada um consigo mesmo e com a forma como será, ou não, entendido, depois de partir.
Abraço enorme. Estou que nem me aguento sentada...
De poetazarolho a 26 de Dezembro de 2011 às 00:20
Não penso que é muito mais vasto, é uma guerra de todos como todos, que a ser perdida será a derrota da humanidade.
De poetaporkedeusker a 26 de Dezembro de 2011 às 17:48
É bem capaz de ser, Poeta... há padrões de comportamento e sensibilidade que se vão repetindo e repercutindo e que acabam por ser comuns a todos nós...
Volto aos sonetilhos mais tarde porque me está a ser difícil estar aqui muito tempo.
Beijinho!
De PaperLife a 26 de Dezembro de 2011 às 15:52
Um soneto bastante realista Maria... mas também muito bem construído :)

Como foi o teu Natal? E como estás tu e o teu amigo de 4 patas? :)
De poetaporkedeusker a 26 de Dezembro de 2011 às 17:53
Olá, Paper! O Beethoven morreu na véspera de Natal e eu estou cada vez com mais dificuldade em andar... até estar sentada, neste banco de "sumapau", me está a custar imenso... mas vou tentar voltar cá esta noite.
O teu Natal, foi bom? Tu também não tinhas grandes exigências... suponho que sim, que tudo tenha estado conforme o teu desejo.
Beijinho!
De PaperLife a 26 de Dezembro de 2011 às 17:57
Oh, sinto muito :(
O meu Natal foi bom, foi dentro da normalidade... Tirando agora que estou a ficar doente :/
De poetaporkedeusker a 26 de Dezembro de 2011 às 22:13
Xiiii... esperemos que seja só uma gripezinha daquelas passageiras! Eu até tenho aguentado, mais ou menos, as gripes dos outros invernos... esta é que foi mais traiçoeira. Precisas de estar boa para o fim de ano! Eu não ligo muito e não gosto nada de sair nessa noite, mas devo ser "bicho único" :))
Beijinho e fica boa depressa! Não faças como eu que acabei por complicar tudo por causa das saídas com o Kico, logo no gelinho da manhã...
De poetazarolho a 26 de Dezembro de 2011 às 21:17
“Infelicidade suprema”

Das coisas sabe o preço
Mas nunca o seu valor
Nunca manifestou apreço
Sempre comprou o amor

Para mal dos seus pecados
Vai-se logo confessar
Vê os pecados expiados
Pr’a logo voltar a pecar

Compra toda a felicidade
Que o dinheiro pode comprar
Tem tudo o que sempre quis

Vive com grande ansiedade
Porque não consegue amar
E por nunca se sentir feliz.
De poetaporkedeusker a 26 de Dezembro de 2011 às 22:17
Caramba, Poeta! Andava à procura do sonetilho do seu pai e acabo de ler este... realmente deve ser tristíssimo viver como esse personagem do seu sonetilho... vou lá espreitar a imagem, a ver se inspiro!
De poetaporkedeusker a 26 de Dezembro de 2011 às 22:37
Eu nem mesmo imaginei
Que se pudesse comprar
O que, tanto quanto sei,
Sente quem souber amar...

Por isso não é feliz
Quem, comprando o "incomprável",
Vai pensando e até diz
Que a vida lhe é favorável...

Quem se confessa será
Feliz à sua maneira,
De forma artificial

E, de novo, adiará
Essa culpa, toda inteira,
Pr`a voltar a fazer mal...


Agora vou ver se descubro o sonetilho do seu pai, Poeta... tenho a caixa de correio completamente atafulhada de coisas por abrir...
Abraço grande!
De poeta_extase a 27 de Dezembro de 2011 às 20:44
Cara Maria,
Neste NATAL e depois de sentir os seus versos, nada mais posso dizer-lhe, senão:

SONETO PARA MARIA
Adílio Belmonte

Maravilhosa pena, muitos versos,
Que nos enriquece o nosso caminho,
Com tal beleza e matizes diversos,
Algo do coração, mais que carinho.

Desígnios da grande poetisa,
Ao lançar palavras a todos canta
E com belos momentos profetiza,
Pois emana d’alma a lira que encanta.

Que estro e majestosa inspiração!
Profetizando ao mundo o mais belo amor,
Da alma doirada que a cada luz nasce.

Ah! De onde brota assim tanta emoção?
Da vida fizestes ilha de esplendor,
Jardins regados do amor que renasce.

De poetaporkedeusker a 27 de Dezembro de 2011 às 23:51
Muito obrigada, poeta Adílio Belmonte!
Não me está a ser fácil responder porque estou com dificuldade em escrever. Tenho tido tantas cãibras nas mãos que quase as não consigo utilizar... mas fica o meu abraço grande! :)
De poetazarolho a 28 de Dezembro de 2011 às 00:08
“Portugueses”

Frases soltas quem diria
Que o meu país um dia
As gorduras eliminaria
Mas a gente não sabia

Que o subsídio se incluía
Que o feriado acabaria
Que depois se despediria
Nuvem negra desceria

E todo o país cobriria
Que cada um de nós seria
Um produto de exportação

Sem haver a explicação
Que a tal gordura atroz
Afinal éramos todos nós.
De poetaporkedeusker a 28 de Dezembro de 2011 às 20:06
Quem podia adivinhar
Que a "gordura" era a do povo
A quem urgia aplicar
Regime... de "estado novo"?

Mas alguns de nós previram
Em tanta admoestação
Os "cortes" que se sentiram
[dizem que a bem da nação...]

Do mel de alheia colmeia
Se nos adoça esta vida
E lá vamos subsistindo

Apesar de ser alheia
Não será mal recebida...
Cá vamos... "cantando e rindo"!


Poeta, ando aqui aos "pulinhos"... já me baralhei, já perdi sonetilhos, mas penso que ainda não lhe contei que estou de cabelo curtinho... se contei, paciência; fica re-contado!
Um abraço GRANDE!



De poetazarolho a 28 de Dezembro de 2011 às 23:34
Amiga Maria João de Sousa:

Degustei com guloso apetite o sonetilho que me enviou, mau grado o desgosto de ter que pensar que as primeiras estrofes lhe causaram alguma dificuldade de digestão, pela muita amizade que dedica aos animais. O meu zelo pela causa dos amigos irracionais não vai tão longe, mas também os estimo muito. Também guardo na memória os textos maravilhosos de Torga e Kipling, mas tamém os de um dos mestres que mais admiro e que se serviu da metáfora para retratar a ferocidade dos que não uivam, senão às vezes, para dar título a um dos seus grandiosos romances, «Quando os Lobos Uivam». Como me é grato recordar Mestre Aquilino Ribeiro!
Pela minha parte, peço perdão pela incorência e, para me redimir, aí vai outro sonetilho alinhavado agora mesmo.


Se apelidei de alcateia
o hemiciclo de bobos
que povoam a Assembleia,
não quis ofender os lobos.

Também eu nutro amizade
pelo«canis» ancestral,
vítima da austeridade
do que se diz racional...

A sua ferocidade
mais do que justificada
nada tem de indignidade,

só morde quando tem fome
ao invés da bicharada
que até mata o que não come.

Com amizade, um abraço meu e de minha esposa

Eduardo.
De poetaporkedeusker a 29 de Dezembro de 2011 às 00:37
Caramba, amigo Eduardo! Está muito bom, este sonetilho... e eu que tenho ca~ibras por todo o lado! Até o peito me dói quando respiro fundo ou me rio um bocadinho que seja! Mas eu ainda tento!

Tenho, em casa, um cão tão velho
que ninguém, jamais, daria
um só cêntimo por ele...
tosse e manca dum artelho
e, apesar da "porcaria",
gosto muito, muito dele...

Logo de manhã, cedinho,
pego nele, vamos à rua,
faça o tempo que fizer...
tenho-lhe tanto carinho
como o sol tem pela lua
[sem fazer dela o que quer...]


Amigo Eduardo, peço desculpa. Estas sextilhas estão vergonhosamente mal feitas - ou feitas a martelo - mas eu não quis deixar de tentar responder-lhe... mas não há dúvida de que a má disposição física e a dor "interferem" muitíssimo com a fluência da poesia.
Ainda pensei que seria melhor apagar esta "coisa" mal-atamancada, mas como não sei se vou estar melhor amanhã... cá vai, com um abraço grande e um bocadinho de vergonha por estes "arremedos" tão pouco poéticos...


Maria João
De poetazarolho a 28 de Dezembro de 2011 às 23:49
“Mapa do inferno”

Chineses com capital
Comunistas sem ideal
Capitalistas enquanto tal
Estão comprar Portugal

Qual será a ideologia ?
A única que se conhecia
Que é ser rei por um dia
Que é manter a dinastia

Que é conservar o poder
Criar o inferno de Dante
Onde já nada germina

Onde tudo pode acontecer
Onde se tritura o semelhante
Onde a esperança termina.
De poetaporkedeusker a 29 de Dezembro de 2011 às 00:45
Poeta, depois das sextilhas "mancas" que enviei ao seu pai, acho que fiquei vacinada... é melhor nem tentar poetar mais, hoje! Também ainda estou com febre... só sei que o desconforto físico parece ser incompatível com a poesia... pelo menos quando atinge e ultrapassa determinados limites.
Espero estar melhor amanhã! Estou a ficar farta de dores, cãibras, febrezinhas e outras coisas que tais!
Abraço grande!
De poetazarolho a 29 de Dezembro de 2011 às 00:59
Também estou farto, que melhore rapidamente.
De poetazarolho a 29 de Dezembro de 2011 às 22:11
“Presidente filósofo”

Twilight é a zona
Onde vamos entrar
A nosso favor abona
O saber desenrascar

Se vamos levar na mona
A culpa é do Gaspar
Se o Estado nos abandona
Não temos pr’a esbanjar

Já tomei uma decisão
Vou para Paris estudar
Uma alta filosofia

Se voltarei ou não
É tabu por desvendar
Talvez Presidente um dia.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 30 de Dezembro de 2011 às 16:36
Quanto a mim, dispensaria
Qualquer posto de comando,
Mas, quanto à Filosofia...
Estou sempre filosofando!

Se este hemiciclo descansa,
Nós, por cá... todos cansados
Desta infinda, estranha dança
Dos cortes nos ordenados...

Não venham dizer que não!
É tal e qual como digo
Pois c`os aumentos dos preços

Só se safa algum ladrão
Que faça o que eu não consigo
E se esconda em mil endereços...

Está coxinho, mas saiu-me! Prefiro que me saiam, mesmo coxinhos, do que ficar a olhar para o ecrã como um "boi para um palácio"...
UM BOM 2012, Poeta! Que tenham muito BOAS ENTRADAS!!! Eu vou tentando deixar os meus votos porque não sei como vou estar logo à noite. Às vezes tenho tantas cãibras que nem consigo escrever. Beijinhos para todos vós, incluindo a D. Laura!
De poetazarolho a 29 de Dezembro de 2011 às 22:16
“Não dormirão”

Andámos indignados
Neste ano que passou
Um grupo de enrascados
Centro financeiro ocupou

Foi lá nos estados unidos
Mas cá na Europa também
Uns à rasca outros perdidos
Sem saber o que lá vem

Será já no próximo ano
Que se deverá concretizar
Frase que gostámos d’ouvir

Todos ao palco, sobe o pano…
[Se não nos deixam sonhar
Não vos deixaremos dormir].
De poetaporkedeusker a 30 de Dezembro de 2011 às 00:49
Ora, que excelente ideia! As minhas cãibras bem podiam deixar-me descansar e passar a atacar esses senhores do poder... mas entendo bem, Poeta... só não consegui passar por este sonetilho sem me "fugir o pezinho para a brincadeira"...
Fui ao centro de saúde e ainda esperei um bom pedaço, mas não consegui a consulta do dia. Ficou para 2ª feira... mas isto é uma enorme canseira porque, depois, tenho de ir na 3ª fazer as análises e, na 4ª, outra vez à consulta... e agora é que fico mesmo "comodeusquiser"...

Continuaremos assim
No ano que se aproxima...
Indigna-te tu por mim,
Que eu já estou até cá `cima!

Mas se pedem servilismo
Em vez desta indignação,
Mesmo doente `inda cismo
Em dizer sempre que não!

Elevaremos a voz,
Qual pico de alta montanha,
Pelo mundo todo inteiro!

Tantos de nós, todos nós
Contra injustiça tamanha
Qual imenso justiceiro!

Pronto, Poeta. Este ainda saiu, apesar das cãibras...
Até já!
De M.Luísa Adães a 30 de Dezembro de 2011 às 18:19
Mas tu és Poeta porque Deus quer!

Bom Ano,

M.L.
De poetaporkedeusker a 31 de Dezembro de 2011 às 02:29
:) Obrigada por vires até cá, Maria Luísa!
Deixei-te um apressado voto de Bom Ano, no Prosa-Poética e renovo-o aqui!
Enorme abraço para ti e que tenhas excelentes entradas!
De PaperLife a 30 de Dezembro de 2011 às 15:24
Oh, tu ainda estás a meio caminho :D
Obrigada Maria e um bom ano para ti também, e que seja melhor que este :D
De poetaporkedeusker a 30 de Dezembro de 2011 às 16:21
:))) Não estou, não, Paper... um enorme abraço para ti e que tenhas um 2012 muito, muito FELIZ!!!
De M.Luísa Adães a 30 de Dezembro de 2011 às 18:17
Depois da palavra se ter demitido quem
seremos nós?
A vela está a chegar ao fim
e não temos uma "Cripta Eternamente acesa"

Lindo como sempre!

Abraço,

M.L.
De poetaporkedeusker a 31 de Dezembro de 2011 às 02:33
E voltaste! Só te posso assegurar que, à bocadinho, quando vim responder ao Poeta Zarolho, não te vi... bem, reconheço que a minha caixa de correio continua sem ponta por onde se lhe pegue e, nos blogs, não é fácil encontrar os comments quando são mais de 5 ou 6...
Outro enorme abraço para ti! :)

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