.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

CICLO - Sonetilho

Espero dar-te uns rebuçados

Duns tantos que cozinhei

Na panela dos pecados

De que nem sequer provei,

 

Mas talvez os resultados,

Sendo mais do que eu pensei,

Possam ser concretizados

Apesar do que não dei...

 

Amanhã nasce o poema

Que me desperta, por fim...

Temo bem que ninguém tema,

 

Da mesma forma, por mim...

(murcharei, mas tenho pena

de não ficar sempre assim...)

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 28.11.2011 - 16.40h

sinto-me :
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publicado por poetaporkedeusker às 16:28
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45 comentários:
De poetazarolho a 28 de Novembro de 2011 às 23:03
“Metades”

Já vivi metade da vida
A outra metade viverei?
Esta passou de fugida
A outra metade não sei

Se me prega uma partida
Que outra metade terei?
Será metade encolhida
Aquela em que morrerei

Se as metades em conjunto
Não perfazem a unidade
Então a metade que passou

Está mais próxima do defunto
Que com toda a humildade
Sempre as metades aceitou.
De poetaporkedeusker a 29 de Novembro de 2011 às 00:40
Eu, por esse pedacinho
Que me possa inda restar,
Calcorreio o meu caminho
Sonhando não me cansar...

Estou já longe do tal ninho
Que me viu desabrochar
Mas guardo dele o carinho
Que poucos sabem guardar...

A morte já não me assusta;
Sou muito mais realista
Do que fui no meu passado

Mas algo há qu`inda me custa;
Querendo correr, como em pista,
Fica-me o corpo parado...

:D Olhe que é mesmo assim, Poeta... a cada dia que passa, parece que faço as coisas mais devagarinho... tudo, tudo vai ficando mais difícil de fazer e exigindo um esforço que cada vez parece ser maior... tenho de começar a não me zangar comigo mesma por causa disso ou corro o risco de ficar eternamente zangada comigo mesma...
Abraço grande!


De poetazarolho a 29 de Novembro de 2011 às 00:07
“Licor Europa”

Vem aí uma outra Europa
Que será mais pequenina
Mas Portugal não se poupa
E é já grande a adrenalina

Por ao clube poder pertencer
E para que nada possa falhar
Na hora disso acontecer
Há uma comissão a trabalhar

Que um estudo vai produzir
Não interessa a conclusão
Pois soubemos de antemão

Angela e Nicolas estão sorrir
Com a garrafa de licor na mão
O que nos facilitará a adesão.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 29 de Novembro de 2011 às 01:03
Essa megalamonia
Que esses "manhosos" ostentam
Há-de transformar-se um dia
Naquilo que mais lamentam!

Vão-se armando em tiranetes
Mas, destruindo esta Europa,
Estarão a fazer mais fretes
Pr´a quem der mais ouro em troca...

Bebam pois, de uma vez só,
A garrafa toda inteira
Pois por mais que depois chorem

Muitosmais não terão dó
Dessa sua bebedeira!
E depois... que se devorem!


Abraço, Poeta! Estou a cair de sono... levo-lhe os sonetilhos amanhã!
De poetazarolho a 29 de Novembro de 2011 às 23:56
“E agora?”

O Seguro demonstrou
E o Coelho não aceitou
Pobre povo amochou
Estado social tudo levou

Muito afilhado se safou
Agora a nau afundou
Para o peditório eu dou
O monstro já m’enrolou

Tudo o que havia gastou
À troika nos amarrou
Democracia já secou

A ditadura regressou
Economia assim ditou
E agora pr’a onde vou?

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 30 de Novembro de 2011 às 12:32
Poeta, peço mil desculpas! Ontem, quando ia responder, já estava quase a dormir e, ainda por cima, com febre. Agora está mesmo na hora do almoço. Se a D. Isa não for ao hospital, eu ainda lhe tento responder hoje.
Um enorme abraço!
De poetaporkedeusker a 30 de Novembro de 2011 às 22:32
Terá sempre as costas largas
O nosso Estado Social
E aguenta todas as cargas
Quando convém dizer mal...

Portugueses, acordai!
Que ninguém fique a dormir
Porque o capital só trai
Quem não souber reagir!

Se houver que haver ditadura
Quero dela a voz mais pura
Deste povo que produz

Se uma luta não bastar
Venha um`outra prolongar
Nosso futuro de luz!


Desculpe, Poeta. Só agora, e não muito bem, consigo responder-lhe. Tentarei levar-lhe, hoje, todos os sonetilhos.
Abraço grande!



De poetazarolho a 30 de Novembro de 2011 às 00:00
“Pão e circo”

Está em marcha a revolução
Esta é contra o cidadão
Quem sobrará então
A toda esta destruição

Os mais fortes sobreviverão
Será como Esparta a situação
Crivo natural de selecção
Isento de qualquer protecção

Volta-se atrás sem oposição
Pr’a se dar nova progressão
Que te leva à boca do leão

Será a nova romanização
Terás grátis circo e pão
Em troca da humilhação.
De poetaporkedeusker a 30 de Novembro de 2011 às 12:34
Isto é só uma invasão,
Um retrocesso geral...
Diremos sempre que não
Ao que impõe o capital!!!


Até já, espero eu...
De poetaporkedeusker a 30 de Novembro de 2011 às 22:51
Eu nada disso hei-de ter
Porque prefiro morrer
A ter de ver as novelas
E as banalidades delas
Que me enjoam, só de olhar...
Antes morrer a lutar!

Para humilhação... já chega!
Se esta vida assim me nega
O direito de ser eu,
Se me torna Prometeu
E me amarra a um penhasco...
Não a quero, tenho-lhe asco!

Antes quererei morrer
Que submeter-me ao" poder"... :)

E olhe que brinquei muito, mas disse a verdade-verdadinha! Até já!
De PaperLife a 30 de Novembro de 2011 às 16:08
Lindíssimo, como sempre Maria!
E dá bastante que pensar :)

Tenho andado um pouco desactualizada do teu blog, assim que tiver um tempinho tenho que me por ao corrente do que postas-te para trás :D
De poetaporkedeusker a 30 de Novembro de 2011 às 21:56
Olá, Paper! Até eu ando desactualizada do meu blog... tenho tido muitas deslocações e muito cansaço em consequência delas. Tenho as caixas de correio cheias e penso que tão cedo não consigo por as coisas em dia...
Um abraço grande para ti!
De poetazarolho a 1 de Dezembro de 2011 às 01:48
“Mundo sem alma”

Tudo pode ser invertido
Neste mundo virtual
E até já foi assumido
Será esse o mundo real

Que o real é consumido
A uma velocidade tal
Em breve o destino fatal
Deixará este desprevenido

Futuro mundo será binário
Constituído por memórias
Que não serão d’encantar

E quem disser o contrário
Anda a ler outras estórias
Nesta a alma não terá lugar.
De poetaporkedeusker a 2 de Dezembro de 2011 às 15:53
Este mundo virtual
Só tem o significado
Que este lhe der do real...
Por si só não tem legado.

Essa ideia muito antiga
De um mundo de maquinetas
Só serve àquele que prediga
O futuro... em grandes tretas.

Mas há que ter mil cuidados
Porque homens de carne e osso
Podem querer hegemonia

Destes mundos inventados
Espremendo até ao caroço
O povo que os repudia...

Espero que tenha ficado clara a minha ideia sobre tudo o que pode advir da utilização destas ferramentas por elites. Por isso me parece tão importante que TODOS possam - e devam! - ter acesso a estas novas tecnologias. Não devemos deixar que elas se tornem da utilização exclusiva de alguns grupos privilegiados, sob pena de sermos - e, aqui, falo enquanto elemento da população em geral, não enquanto poeta - manipulados e excluídos muito mais facilmente do que nunca!
Conforme já afirmei, as "novas" tecnologias potenciam todas as capacidades do ser humano... para o bem e para o mal. Se os melhores de nós se demitirem da sua responsabilidade neste novo mundo, temo bem que ele penda no sentido da sua própria opressão. Aqui não há grandes fantasias. Será assim mesmo, dependendo da nossa capacidade de, acima de tudo, comunicar, resistir e informar online.

Abraço grande!!!
De poetazarolho a 1 de Dezembro de 2011 às 19:05
“Entrega”

Se ao lado de um grande
Te sentes grande também
A sua grandeza provém
Duma alma que se expande

Se um grande a teu lado
Te faz sentir pequenino
Certamente o seu destino
É nunca mais ser lembrado

Só é grande mesmo grande
Quem se conseguir impôr
À luz duma lei universal

Obedecerás sem que mande
Se essa for a lei do amor
Se esse fôr pequeno afinal.
De poetaporkedeusker a 1 de Dezembro de 2011 às 22:32
Cansada de estar cansada
Só lhe poderei dizer
Que prevejo um "quase nada"
Do que está pr`acontecer

É bem possível, não nego,
Que a obra seja esquecida
Que surja um futuro cego
Nesta luta pela vida

Mas quem nasce pr`a escrever
Fá-lo com tal qualidade
Que só loucos não verão

E, ao que há-de acontecer,
Ninguém conhece a vontade,
Nem sabe se sim, se não...

Já falei com a nossa amiga, Poeta. Deixemos que ela volte, uma vez que, agora, não será possível.
Abraço grande!
De poetazarolho a 1 de Dezembro de 2011 às 20:52
“Independence day”

Pela invasão Troikista
Acaba de ser decretado
Terminem com o feriado
Que celebra a conquista

Do Portugal independente
Passa a ser protectorado
Até que esteja terminado
O pagamento deprimente

Que esmaga a vida da gente
Pela independência lutar
É de novo o nosso fado

Para expulsar o ocupante
Que pela janela há-de voar
Voará ou acabará estatelado.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 1 de Dezembro de 2011 às 22:47
Poeta, este pagamento
Nunca estará terminado
E basta estar mais atento
Pr`a ver que não há condado...

Só o povo - mais ninguém! -
Poderá mudar o rumo
Que a este país convém,
Antes que, desfeito em fumo,

Desapareça de todo!
Antes que o capitalismo,
Na sua ferocidade,

Espalhe o país nesse lodo
Do tal totalitarismo
Que impõe à nossa vontade!


Abraço grande, Poeta!




De poetazarolho a 3 de Dezembro de 2011 às 00:02
“São brisas”

Vem do Atlântico a brisa
Que vai dar-nos de comer
Que faz as plantas crescer
O nosso Presidente frisa

Sem dúvida sabias palavras
Palavras leva-as o vento
São novas a cada momento
Por isso nos enganavas

Quando ainda governavas
E com milhões nos regavas
Para acabar com a produção

Por ser essa a imposição
De uma Europa renovada
E qu’afinal não valia nada.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 3 de Dezembro de 2011 às 00:07
Olá, Poeta! :) Hoje a net está num daqueles "moody days" e vai-se abaixo a cada minuto... ou menos...
Vou tentar responder mas não prometo nada... só me parece que o nosso Presidente está cada vez mais inspirado pelo bucolismo e pelo mar... qualquer dia temo-lo aqui, a poetar connosco...
De poetazarolho a 3 de Dezembro de 2011 às 00:14
Ele que venha, será bem recebido.
De poetaporkedeusker a 3 de Dezembro de 2011 às 18:10
Não tenho a menor dúvida disso, Poeta! :)
De poetaporkedeusker a 3 de Dezembro de 2011 às 00:22
Não ouvi essa entrevista
Mas brevemente ouvirei,
Nas palavras de um artista,
Aquilo qu`inda não sei...

Neste momento confuso
Todo em estórias mal contadas
Brindo, com água do Luso,
A todos os camaradas!

A todo e qualquer momento
Pode a luta rebentar
De uma forma mais sensível

E eu não estarei em S. Bento
Pr`a poder participar
Ou pr`a torná-la possível!

Abraço grande!
De poetazarolho a 3 de Dezembro de 2011 às 00:41
Brindas com água do luso
Eu com aguardente velha
Bebo até ficar confuso
Será um deus nos valha

Os camaradas não sei
Com que hão-de brindar
Por isso não lhes direi
Não estou cá pr’a opinar

E se a luta rebentar
Em S.Bento também
Vão sem a minha pessoa

Estarei a alambazar
Uns pastéis de belém
É uma iguaria bem boa.
De poetaporkedeusker a 3 de Dezembro de 2011 às 13:12
:))) !

Desculpe, Poeta! Ontem acabei por deixar as respostas a meio e agora não tenho tempo senão para tentar esvaziar um bocadinho a caixa do correio que está a abarrotar de emails que nunca pude ler... mas eu volto! Adorei esta sua resposta rápida!
De poetaporkedeusker a 3 de Dezembro de 2011 às 18:24
Falta só um degrauzinho
-... e é tão longe e custa tanto! -
Para entrarmos no caminho
Que nos traz novo acalanto...

Percebi que não está cá
Pr`a me dar opiniões,
Nem eu lhas peço pois já
Fui tomando decisões;

Decidi nunca parar
De dizer tudo o que sinto
(ou, então, ficar calada...)

Por isso este poetar,
Para mim que nunca minto,
Pode ser como uma escada...

Até já, Poeta! Abraço grande!
De poetazarolho a 3 de Dezembro de 2011 às 00:06
“The end of the world”

Acabem com os feriados
E também com afilhados
Acabem com o subsídio
Quem rouba pr’ó presídio

Acabem com a felicidade
Promovam a austeridade
Acabem com os direitos
Se reclamarem estão feitos

Mercado deve ser venerado
Tudo o resto incendiado
Deve ser deus a economia

Ser humano é uma epidemia
Promovam a grande guerra
Acabem com a vida na terra.
De poetaporkedeusker a 4 de Dezembro de 2011 às 01:42
Pl`o andar da carruagem,
Se ninguém lhe põe travão,
É num fascismo selvagem
Que nos impõe escravidão

Que acabaremos a viagem
Desta humana condição...
Mas esta nossa coragem
Sempre lhe dirá que não!!!

Sou emotiva demais
Nesta coisa dos mercados
E do grande capital...

Detesto, em termos gerais,
Tantos jogos inventados
Em prol do "poder total"!

Desculpe-me, Poeta! Estou a cair de sono e vou, apenas, levar-lhe este sonetilho... já não devo conseguir fazer outro hoje... a não ser que saia mesmo a dormir :))
Abraço grande!

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