.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 12 de Novembro de 2011

CANSEI-ME...

Cansei-me de pedir-te ao tempo irado…

Cansei-me de chamar-te e, se chamei,

Foi soprando palavras que nem sei

Se o tempo as entendeu, se as pôs de lado…

 

Chegaste, enfim, mas longe do cuidado

De cuidares deste quanto me cansei,

Quiseste impor-me o esforço de outra lei

Ao meu corpo poema-emancipado...

 

Não terei, hoje, a força pr`a mudar-te

E escrever-te é melhor que desprezar-te

Depois de tanto inútil chamamento,

 

Mas há-de vir o dia em que chamar-te

Não mais será preciso e condenar-te

Não fará mais sentido que um lamento...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 12.11.2011 – 13.41h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 14:01
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58 comentários:
De PaperLife a 12 de Novembro de 2011 às 14:11
Lindo Maria :)
Revejo-me nas tuas palavras...

É a tua gata na foto?
Como te sentes? ^^
De poetaporkedeusker a 12 de Novembro de 2011 às 15:20
:) Olá, Paper! Obrigada! É uma das minhas gatas, a Minerva e morreu em 2009 com um problema renal.
Ainda tenho saudades dela e já estou a preparar-me para a partida dos três - quatro! - velhotes. Vou ficar arrumada quando isso começar... três são gatos e o outro é o Kico, o cãozinho, cardíaco e que está comigo desde 2000, altura em que já era um adulto não muito jovem... ai! Já vi que me está a dar para a nostalgia... ainda tenho as duas pombas que não voam mas dão um trabalhão que nem imaginas porque todos os dias tenho de limpar a gaiola grande, por jornais no fundo, lavar o recipiente da água e dar de comer ao bico de uma delas que tem torcicolo e não consegue comer sozinha... caramba! Isto está a parecer um "choradinho", desculpa!
Ontem à noite estava com febre... hoje nem vi, mas não a sinto, por isso não devo ter. Do mal o menos! Mas tenho os três gatos a vomitarem como se tivessem combinado uma sinfonia em conjunto... ao Beethoven consigo dar remédios com facilidade mas aos outros dois a coisa "fia mais fino"... são uns amores mas detestam medicações e arranham-me mesmo sem querer...
Credo! Acho que hoje poderia escrever um livro só de queixas :)) Daqui a pouco, quando acabar de limpar esta última "asneira", vou ao Face e faço-te uma visita!
Beijinhos!
De PaperLife a 12 de Novembro de 2011 às 15:29
Oh, anda tudo meio adoentado então :/
Mas vais ver que eles ficam bem rápido :)
Também tenho muitos animais em casa, mas ainda nenhum me deu problemas assim :$

Muita força Maria :)
De poetaporkedeusker a 12 de Novembro de 2011 às 19:12
Estivemos no Face e nem vi este comment... mas já sabes porquê. Mas eles começam a dar mais trabalho quando estão muito velhinhos o que é o caso dos meus...
De poetazarolho a 12 de Novembro de 2011 às 20:17
"Salvem os ricos"

Salvem os ricos
E os pobres também
Remediados e góticos
Drag queen e a mãe

Salvem homo e hetero
Terceiro género também
E poupem o adúltero
Mais não interessa quem

Moedinhas e sem abrigo
Também são cá da vila
Proxeneta é bem antigo

Prostituta não tem data
Não excomunguem à má fila
Em Itália já foi candidata.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 12 de Novembro de 2011 às 20:44
:)

Salvem-se todos, então,
Sem esquecer gatos e cães
Que há, por cá, mais corrupção
Que filhos de boas mães!

Mas, com tanta salvação,
Será que nos sobram bens?
Pões nessa dedicação
Mais do que aquilo que tens?

Agora é menos custoso
Encontrar os sonetilhos
E dar-lhes pronta resposta

Pois cada um, saboroso,
Faz nascer muitos mais "filhos"
Como o bom poeta gosta!


Olá, Poeta! :) Está muito pródigo em salvações... eu ainda não percebi muito bem como vão evoluir as coisas... mas quem sou eu? Às vezes pergunto demasiadas coisas a mim mesma...
Abraço grande!




De poetazarolho a 12 de Novembro de 2011 às 22:15
“Estatisticamente”

Está posta em equação
São imensas as variáveis
Pr’ás coisas a evolução
Dá respostas infindáveis

E se a isto adicionarmos
Uma pitada de incerteza
Melhor é nem pensarmos
Mas não antevejo beleza

E já esquecia a estatística
Que aqui nos pode ajudar
Vendo a amostra dos dados

Aplicando leis da balística
Muitos não se irão safar
Pois ficarão esburacados.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 13 de Novembro de 2011 às 00:21
Sei que tentou responder
À pergunta que lhe fiz,
Mas quem me dera poder
Dizer que fiquei feliz...

Reconheço as variáveis
E as incertezas também
Pois são coisas inegáveis
Que qualquer humano tem...

Ainda assim não fiquei
Assim muito sossegada
E nem falámos ainda

Das coisas que eu nem sonhei...
Já ninguém pára a escalada
Desta gente desavinda!


Muiiiiito de pé coxinho :)) mas aí vai!
Até já e um bom Domingo para vós!

De poetazarolho a 13 de Novembro de 2011 às 19:17
“Soberana”

Que dívida é essa amigo?
Que te põe nessa ansiedade
Que dívida é essa amigo?
É dívida tua ou da sociedade

Que dívida é essa amigo?
Que te torna os dias azedos
Que dívida é essa amigo?
Não tens acesso aos segredos

Dívida de fome de quem não come
Dívida de sede de quem não bebe
Dívida de paz numa guerra insana

Dívida de vergonha que te consome
Dívida de honestidade que já fede
Dívida, dívida,... ela é soberana.
De poetaporkedeusker a 13 de Novembro de 2011 às 22:13
:))

Soberana é a jogada
Em que o capital nos mete!
Desse, já não espero nada
Nem creio no que promete!

E os grandes jogadores
Que aturem maus resultados
Pois são os trabalhadores
Os que estão a ser lixados!

Fui sempre mulher de esquerda
Mesmo quando alguns julgavam
Que eu fosse mais... "direitinha"

E se aqui os mando à m...a
É por quantos me calavam...
Vejam lá, que sorte a minha!


Bem, Poeta... isto deve ser contágio dos comments mais "acesos" do Face... mas eu prometi a mim mesma que publicaria o que me viesse à cabeça, e vou cumprir! Pode ser que as duas Europas mudem de cor :))
Desculpe-me mas vai mesmo assim. Acho que vou ter de moderar a minha leitura de comentários alheios...

Abraço grande! :)


De poetazarolho a 13 de Novembro de 2011 às 22:56
"Dia da erradicação da pobreza"

Dia da erradicação da pobreza
IVA a vinte e três por cento
Neste orçamento de magreza
Nem força teremos p´ro lamento

O vinho paga menos que leite
Legumes e fruta sobem logo dez
Subida meteórica tem o azeite
Não vale refilar levas c’os pés

O remédio terás que encontrá-lo
Fazendo das tripas teu coração
Bebe todos os tragos p’lo gargalo

Talvez acordes rico pois então
Após caíres bêbado com’um cacho
Farás assim parte da erradicação.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 14 de Novembro de 2011 às 00:03
Erradiquemos, então,
Essa riqueza extremada
Que derruba esta nação
E que, em troca, não dá nada!

Agora sim! Quem me dera
Ser mais nova, correr mais...
Nunca ficaria à espera
Do que dizem os jornais!

Mas garanto que as medidas
Que estão a ser-nos impostas
Nos farão sangrar a sério!

Mas sei bem qu`inda há saídas
Se não formos nas "maroscas"...
Ou então... o cemitério...

Abraço, Poeta! Estou ensonada e congelada. Até já!
De poetazarolho a 14 de Novembro de 2011 às 22:28
“Alvarinho”

Álvaro, o visionário
Antevê o fim da crise
Terminará o calvário
Se não houver deslize

Dois mil e doze é penar
Para expiar o passado
A seguir vai começar
Nosso futuro dourado

Entretanto para esquecer
As dificuldades deste ano
Vamos beber um tintinho

Depois é sempre a crescer
Isto se não houver engano
Ou bebe-se um alvarinho.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 15 de Novembro de 2011 às 14:32
:)) Olá, Poeta! Ontem estive com uma amiga no Face - já não a vejo há anos... - e acabei por nem conseguir vir aos blogs...

Também ouvi o ministro
Dizê-lo - e negar depois...!
Isto ou é louco, ou sinistro!
[cá vamos rimando os dois...]

Até eu que, pouco sei,
Prevejo, em maior rigor,
Um ano de horrores pr`á grei
Que vai de mal a pior!

Não bebo nada de nada
Senão café, água e chá
E não pretendo esquecer

Ou posso ser confrontada
C`o resultado que dá
VER isto e nada DIZER...


Um abraço grande e até já! Tenho mil e uma promessas de visitas e outras tantas coisas que estou mesmo interessada em saber e... penso que não vou ter tempo para visitar e ver a décima parte...



De poetazarolho a 14 de Novembro de 2011 às 22:31
“Pendurados”

Interrompida a democracia
Pela ditadura do mercado
E o povo nem desconfia
Mas já não será consultado

E é tão grande a correria
Por cada governante apeado
Que o povo grita e assobia
Aqueles que havia votado

Substituídos sem eleições
Pelos grandes salvadores
Do povo em incumprimento

Eles é que farão as votações
Serão os donos e senhores
Levarão o povo a julgamento.
De poetaporkedeusker a 15 de Novembro de 2011 às 14:54
Não mais será consultado
Este povo que humilharam
Mas vai dar mau resultado
Porque ainda o não calaram!

Preparam a jogada
Estes traidores, vendilhões!
Eu nunca serei calada
Por tão reles contradições!

Teremos de responder!
Lacaios do capital,
Não nos rendemos sem luta!

Há mercados no poder
E um governo irracional
Cheio de f....s da p..a!


Desculpe, Poeta. Desta vez tinha mesmo que ser... ficou com os pontinhos pretos, na falta de bolinhas vermelhas, mas não pude conter-me...
Abraço grande!
De poetazarolho a 15 de Novembro de 2011 às 16:27
Se me permitir vou publicar no meu blog, mas sem os pontinhos e sim com todas as letras.
De poetaporkedeusker a 15 de Novembro de 2011 às 17:48
Ah, Poeta... isto está mesmo, mesmo a fechar e eu já andei a "deixá-lo" por aí... mas faça como entender! Publique!
Vou ver se consigo voltar ainda hoje. A saúde não está no seu melhor e eu tenho uma série de visitas prometidas a amigos que não consegui visitar...

:) Abraço grande!
De PaperLife a 15 de Novembro de 2011 às 18:20
Comigo estás a vontade Maria, nem precisavas de pontos pretos e bola vermelha... até porque sou da mesma opinião que tu! ;)

Como estás? E os teus bichinhos? :)
De poetaporkedeusker a 15 de Novembro de 2011 às 19:36
:) Eu já sou meia velhota, Paper... nunca fui de dizer palavrões nem de "perder a tramontana" :))... sei ouvi-los sem me deixar perturbar, mas nunca fui de dizer mais do que "m...a!" e pouco mais... mas as coisas estão de uma maneira que dá para senti-las na pele! Estão mesmo a conduzir-nos que nem a uma manada no sentido de perdermos a maioria dos direitos que conseguimos, em prol de uma elite que nem sequer o merece... nem podia merecer porque todos somos iguais em termos de direitos!
Acho que a situação - que infelizmente não está a ser percebida por muitos - justifica a "má língua".
Os meus amiguinhos de quatro patas estão mais ou menos... o Kico continua com muita tosse e, de noite, tem imensa falta de ar, e o Beethoven continua pele e osso... tenho de ir dar de jantar ao Kico e, depois, passeá-lo mas já volto!
Bjo! :)
De poetazarolho a 15 de Novembro de 2011 às 22:07
“Roubalheira”

Continua a decorrer
O julgamento à maneira
Robalos havia pr’oferecer
A retribuição foi alheira

Os presentes gastronómicos
Não justificam o aparato
Evitavam gastos astronómicos
Ao fazer julgamento no prato

Assim vai esta pobre nação
Tem riqueza pr’a oferecer
A quem ocupa a cadeira

E para entreter este povão
Estórias d’escárnio e maldizer
Onde incluem a roubalheira.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 16 de Novembro de 2011 às 00:38
Poeta, vou deixar para responder amanhã. Estou com uma daquelas soneiras que mal me deixam ter os olhos abertos e ainda tenho de dar os remédios aos meus velhotes...
Abraço grande!
De poetaporkedeusker a 16 de Novembro de 2011 às 14:58
E pior, muito pior,
Há-de tudo inda ficar
Com essa asneira maior
Da TV privatizar!

RTP é o canal
A que posso ter acesso...
Privatizam? Fazem mal!
Não me enganam c`o "progresso"!

Não viverei muito mais,
Sei o que estou a dizer
Pois sou muito realista

Mas, perdoá-los? Jamais!
Vejo o que tentam fazer
Antes que alguém lhes resista!


Olá, Poeta! Mais atrasada do que habitualmente e cansada até dizer chega - no duplo sentido do termo - nem me consegui despachar a horas de almoçar...
Abraço grande!
De poetazarolho a 15 de Novembro de 2011 às 22:22
“Do outro lado”

Nesta crise cultural
Endeusada é a estética
O pensamento ocidental
Caiu junto com a ética

E vamos todo ao fundo
Como máquinas de calcular
No admirável novo mundo
Já nem sabemos pensar

Calculo a taxa de juro
E também a mais valia
Vivo agora bem instalado

Não me importa esse muro
Nem a gente que sofria
Assim ficam do outro lado.
De poetaporkedeusker a 16 de Novembro de 2011 às 15:12
Poeta, o muro está lá,
Cada vez sobe mais alto
E deste lado não há
Previsões de qualquer salto...

Mas, supondo que eu estivesse
Muito mais bem instalada...
Mesmo assim, se me conhece,
Crê que eu não mudava em nada!

Cada vez me mexo menos
Mas estou de olhos bem abertos
E de ouvidos sempre atentos

Aos mil sonhos - não pequenos... -
Que, ao viver dias incertos,
São semeados nos ventos...


Poeta, lembrei-me, agora mesmo, de uma frase, do meu avô poeta, de que sempre gostei muitíssimo. Parece muito óbvia mas pode ir até onde chegar o melhor que há em nós ;
"Que Deus me livre do pecado de não ter pecados enquanto os homens forem pecadores"
Abraço e até já!
De poetazarolho a 16 de Novembro de 2011 às 21:24
“O lápis será azul ?”

O estudo foi realizado
E tudo a bem da nação
Foi agora confirmado
Será filtrada a informação

E assim os consumidores
Serão muito beneficiados
Pois poupados a dissabores
Não mais andarão chateados

Será feliz assim este povo
Detalhes não precisa saber
Deixará isso à governação

Dedicar-se-á à produção
A elite dedica-se a aprender
Tudo isto a bem da nação.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 16 de Novembro de 2011 às 22:39
Vão ter muito que cortar,
Muita gente pr`a prender,
Entre os que não vão calar
Denunciando até morrer!

Tudo é feito à revelia
Do que o povo vai sabendo...
Fecham o Dona Maria,
Filtram quanto ele vai escrevendo,

Escondem documentação
Que até hoje circulava...
Mas muitos não calarão
Pois nem o fascismo os trava!

Ó povo da minha terra,
Pois tu cegaste e nem vês
Quanto te vai ser roubado?

Que são eles a própria guerra,
Que te retalham, qual rês,
Só pr`a te verem calado?


Abraço grande, Poeta. Não estou a gostar mesmo nada dos últimos desenvolvimentos das notícias que me vão chegando. Mesmo nada!






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