.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

O LEITO DE UM RIO POR DENTRO DAS HORAS

É por dentro das horas que desfio

O rosário das queixas que não faço

Que esta fome de sol, que por cá passo,

Me mina de incerteza. E faz-me frio.

 

O abismo que se cava em cada rio

Que rompe a terra mãe no seu abraço,

Traz, no seu leito fundo, o puro traço

De quem, deixando-se ir, não desistiu

 

Pois, cada vez mais vão dentro das horas

Que voam renegando as mil demoras

Que o ciclo natural sempre despreza,

 

Se esse rio perceber que o sonho existe,

Conquista o seu direito a morrer triste,

Desvenda uma insuspeita natureza…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 26.10.2011 - 15.20h

 

Reformulado a 2.11.2015

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 16:20
link do post | "poete" também! | favorito
|
38 comentários:
De PaperLife a 26 de Outubro de 2011 às 16:31
Sem palavras...
Adorei o quadro Maria! :D
E o soneto então, nem se fala :)
De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2011 às 19:23
Obrigada, Paper! :) Também já passei pelo teu entre acidentes e mais acidentes de percurso... a net, às vezes, fica maluquinha de todo!
Bjo!
De M.Luísa Adães a 26 de Outubro de 2011 às 18:13
Tu dizes tudo e eu nada posso dizer, me
ultrapassas...

Um beijo,

Mª. Luisa
De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2011 às 19:33
Maria Luísa! :D Que bom ver-te por aqui! Mas não abuses! Ainda não tive tempo para ir levar os sonetilhos-resposta de ontem... nem a ti, nem ao nosso amigo Poeta. O Beethoven está a piorar muito, eu não estou nada bem e a net tem estado a falhar a toda a hora...
Um enorme abraço, amiga!
De poetazarolho a 26 de Outubro de 2011 às 20:32
“Destino fatal”

Nosso destino é errante
Não está ainda decidido
Ouvi a um governante
De sorriso amarelecido

Só austeridade promete
Para com a crise acabar
Vamos viver da caridade
Haja quem queira ajudar

Ajudem-nos lá por favor
Somos um pequeno país
E que está muito doente

Cumpriremos com rigor
Medidas que alguém quis
Nem que morra toda a gente.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2011 às 21:38
Só uma coisa separa
Portugal de um desgraça;
A força que se prepara
Pr`a deter esta ameaça!

Mas a luta vai ser dura,
Tão dura como era dantes,
No tempo em que a ditadura
Nos levava os militantes!

Estamos todos preparados
Para, seguindo adiante,
Sermos a "muralha de aço",

E, não sendo cuidados,
Todos diremos; "Avante!
Junta o teu ao meu abraço!"


Abraço grande, Poeta! :)

De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2011 às 21:50
Só uma coisa separa
Portugal de uma desgraça;
A força que se prepara
Pr`a deter esta ameaça!

Mas a luta vai ser dura,
Tão dura como era dantes,
No tempo em que a ditadura
Nos levava os militantes!

Estamos todos preparados
Para, seguindo adiante,
Sermos a "muralha de aço",

E, não sendo descuidados,
Todos diremos; "Avante!
Junta o teu ao meu abraço!"


Abraço grande, Poeta! :)

Vou ver se agora é que vai... emendei as duas gralhas...
De poetazarolho a 26 de Outubro de 2011 às 20:37
“Encerrado”

Engenheiro ou doutor
Capitão ou marinheiro
Mondina ou salineiro
Timoneiro ou remador

Estudante ou professor
Soldador ou ferreiro
Vendedor ou sapateiro
Fazendeiro ou agricultor

Na horta ou no lameiro
No teatro ou no barreiro
No cinema ou no areeiro

Mostra a tua indignação
Assina derradeira petição
Para encerrar esta nação.
De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2011 às 22:03
Encerrar esta Nação?
Antes mudar-lhe o poleiro
Ou virar-lhe a direcção
Que o problema é do dinheiro!

Não sei fazer futurismo
Daquele que dá pormenores
Mas um bom generalismo
Fá-lo-ei, como os melhores!

Não sei até onde iremos
Nesta imensa confusão
Em que o capital nos deixa

Mas a Nação guardaremos!
Não assino a petição,
Nem faço mais uma queixa!

Poeta, deixo este aqui porque tenho de ir dar de comer ao Kico e ver se o Beethoven consegue engolir alguma coisa. Também tenho os litters todos para limpar, sou capaz de demorar... mas volto. Se me deixarem e eu conseguir, claro...
De poetazarolho a 26 de Outubro de 2011 às 20:42
Meu Caro Pedro

Não te preocupes com o Portas, nem com a crise que vai acabar. Alegra-te, há ouro no Alentejo.

HÁ OURO NO ALENTEJO

Há ouro no Alentejo
Vamos todos garimpar
Garimpemos num lampejo
Para a crise espantar.
Já achei duas Pepitas
E há por cá muitas mais
São espanholas bonitas
Donas de uns olivais.
De pepita luzidia
Eu nem lhe vi o sinal,
Ministro da Economia
O teu ouro é virtual.
Vamos todos ao garimpo
Que garimpar é urgente,
Fica o terreno limpo,
Depois lança-se a semente.
Vamos achar o tesouro
Que este Alentejo encerra,
Decerto não será ouro…
Deitem sementes à terra.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2011 às 23:10
Amigo, eu não sei gostar
Desse metal amarelo
Que simboliza o "poder"!
Podem-no elogiar
Garantindo-me que é belo,
Mas não me hão-de convencer!

E mesmo que eu acredite
- já ouvi na reportagem -
Que há ouro no Alentejo,
Talvez seja só pirite,
Não traga qualquer vantagem...
Vai ser mau... assim prevejo!

Só nos faltava mais essa!
A Nova Febre do Ouro
A atacar os portugueses...
Essa que quando começa
Só acaba quando o estouro
Matou os mais dos "fregueses"!

Boa noite, amigo Eduardo!
Estou a responder-lhe exactamente com aquilo que me veio à ideia ontem, quando soube da notícia. Hoje foi só fazer as rimas... decerto não encontrarei muita gente que entenda mas eu arrisco-me a manter a minha opinião inicial.
O ouro que o Alentejo tem mais é o da sua gente e da sua terra, como deixou transparecer no seu poema...
Muito obrigada pela oferta de mais este poema e um enorme abraço para si e esposa!

Maria João

De poetazarolho a 27 de Outubro de 2011 às 22:33
“Velho fado”

Já gastei toda a poesia
Mas não vou ficar calado
Quem sabe talvez um dia
Comece a cantar o fado

Ó povo, meu lindo povo
Teu destino eu vou cantar
Não esperes um fado novo
Não cantarei pr’a t’enganar

Cantarei teu destino triste
Todo o sangue, toda a labuta
Eu cantarei sem ter vaidade

Um povo que não desiste
De novo partirá nesta luta
Por cá deixará a saudade.
De poetaporkedeusker a 28 de Outubro de 2011 às 01:32
Poeta, tenho estado no Face, com muitas publicações... ainda consegui vir atá cá mas estou num daqueles dias em que já durmo em pé... amanhã respondo-lhe. Hoje já nem vejo nada!
Abraço grande! :)
De poetaporkedeusker a 28 de Outubro de 2011 às 14:47
Por muita luta passámos,
Por muitas mais passaremos
E entre o muito que deixámos
Está o tanto que escrevemos,

Está o tanto que plantámos
Pelo quanto já colhemos,
Pelo muito que cantámos
E o mais qu`ainda cantaremos!

Tanto nos falta a tristeza,
Quanto nos falta a alegria;
Cada uma em seu momento

Que ao pão que pomos na mesa
Não falte a mão que o fazia
Antes de faltar-lhe o tempo...


Boa tarde, Poeta :) Só agora chego ao CJ...
Abraço grande!
De poetazarolho a 27 de Outubro de 2011 às 22:47
"O cavalo"

As aparências iludem
Neste nosso Portugal
Se facilidades vendem
É porque vai muito mal

Estamos mal habituados
Ao nosso modo de viver
Na crise sempre atordoados
Um dia havemos de renascer

Ouvimos belas promessas
E até gostamos bastante
Pois eles falam às massas

Com um cantar afinado
Já sabes daqui em diante
Desconfia do cavalo dado.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 28 de Outubro de 2011 às 15:01
Talvez tenha havido um excesso
Mas, em verdade sabemos
Que um dos frutos do progresso
É chegar ao que não temos...

Quanto a mim; sempre a descer
Em qualidade de vida
Nunca ambicionei poder
Mas exijo ser ouvida!

Cavalos nunca são dados,
Todos nasceram selvagens
Tanto ou mais do que eu sei ser

E não cometem pecados;
Correm livres pelas margens
Do que te esforças por ter...

Até já! :)
De poetazarolho a 28 de Outubro de 2011 às 20:49
“Plastificados”

Na sociedade plastificada
Em que só a moeda conta
Tu já não contas pr’a nada
Se te indignas é um’afronta

Cresceste num meio hostil
Aprendeste com a solidão
Sentes-te só entre uns mil
Se te indignas lá vem bastão

Já não contas com os demais
Plastificado que foste também
Euforia provém da finança

Souberam engolir-te os natais
Aprenderam a tratar-te com desdém
Para que possam continuar a dança.
De poetaporkedeusker a 28 de Outubro de 2011 às 21:21
Sei disso sobejamente
Mas, onde a moeda conta,
Conta também quem consente
Tanta e tão cruel afronta!

Conta aquele que se levanta
Contra a ordem estabelecida
Onde a moeda, se encanta,
Não vale mais que uma vida!

Alguns hão-de ser ouvidos
Antes de serem calados
Pelas mãos do deus dinheiro

E os demais, já prevenidos,
Nunca mais serão dobrados
Sem a dobrarem primeiro!

Boa noite, Poeta! Abraço grande!
De poetazarolho a 28 de Outubro de 2011 às 21:04
"O ladrão"

Ó senhores do parlamento
A quem cumpre legislar
Legislem lá um regulamento
Que não permita mais roubar

Pois se roubam à descarada
Cá neste sítio, eu lamento
Assistimos sem fazer nada
Tapamos buracos c’orçamento

Passamos tempo neste cavar
E mais nos vamos enterrando
Aumentando o buraco a tapar

Ó senhores da governação
Escrevam lá um memorando
Que permita prender o ladrão.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 28 de Outubro de 2011 às 21:30
Não sei, Poeta, não sei
Se o conseguem legislar...
Mas há que mudar a lei
Pr`o capital se afastar!

A partir deste momento
Pouco mais sei que dizer
Que o que disse não lamento
Nem foi deitado a perder...

Mas não disse que era fácil
Nem afirmei estar sozinha
Naquilo que disse aqui

Haja uma voz menos grácil
Pr`a me dar uma "mãozinha"!
Grata por te ouvir a ti!

Obrigada, Poeta! :)

De poetazarolho a 30 de Outubro de 2011 às 11:05
“Convergir”

A vida tem muitas maneiras
Se és pássaro eu também sou
Quer tu queiras ou não queiras
Segue-me e vê por onde vou

Agradeço de forma sentida
Cada reparo feito e tão sincero
Pássaro livre segue a sua vida
Não seja este céu lugar severo

Olhos nos olhos, frente a frente
Sempre foi o melhor caminho
Para enfrentar a divergência

Em tudo aquilo que é diferente
Mente aberta e um certo jeitinho
Assim se constrói a convergência.
De poetaporkedeusker a 30 de Outubro de 2011 às 14:58
Falas das asas de dentro
Que ao planar sobre as lonjuras
Sobrevoam sempre o centro
Das batalhas que são duras

A essas conheço-as bem
E, embora estando doente,
Não me furto ao que lá vem,
Nem me mostro descontente

Pois se as asas me nasceram
Foi decerto pr`a voar
Até ao fim dos meus dias

Se os horizontes cresceram,
Nunca os hei-de eu encurtar,
Nem queixar-me de "avarias"...

Olá, Poeta! Estou bastante "perra" hoje mas terei de ir ao hospital amanhã, mesmo sem os exames que deveria ter feito na semana passada. Em resumo, estou mesmo mais "avariada" do que gostaria de admitir :)) Estou a escrever-lhe do cafézinho onde costumo vir sentar-me um bocadinho todas as tardes. É o meu cinema, as minhas férias... o meu espaço de "não fazer nenhum" :)) Também lhe chamaria o meu recreio, porque não? Há anos que isto se tornou o meu recreio...
Deixo-lhe um abraço grande pois a bateria não está grande coisa e pode acabar-se a qualquer momento.

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