.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

O FRUTO DE UM MAR OUTRORA PROÍBIDO

 (Soneto em verso eneassilábico)

 

Quis lembrar-me do mar que trazias

A pender-te da ponta dos dedos,

Prometendo, acenando aos mil dias

Que eu roubava à avareza dos medos

 

E colhi, desse mar que escondias,

No remoto pomar dos segredos,

O mel doce, que em fruto of`recias

D´entre mil, extemporâneos, azedos…

 

Houve um tempo redondo e magoado

Em que o fruto minguava escondido,

Definhando de tão resguardado

 

Na redoma do que é proibido,

E se eu nunca o tivesse encontrado,

Talvez nunca o tivesse perdido...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 23.10.2011 – 15.00h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 13:22
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15 comentários:
De ligeirinha a 24 de Outubro de 2011 às 17:51


Que bonito!!! tão intrinsecamente teu....Beijo grande!
De poetaporkedeusker a 24 de Outubro de 2011 às 21:20
:D Obrigada, Ligeirinha! Mas tu és um génio! Tens toda a razão! Eu ontem dizia que era importante que os poemas fossem sentidos mas estava-me a escapar essa vertente... também é importante que o poeta transpareça nos seus poemas!
Estou aflita e nem se nota muito porque me puseste aqui toda entusiasmada a deixar pontos de exclamação :) mas estou com cólicas. Já passei na farmácia a comprar Buscopan... mas tenho a impressão de que a vesícula também não está grande coisa... estou com uma "directa" e, sinceramente, nem sei como me estou a aguentar tanto. Devo estar muito cheia de adrenalina porque, neste momento, nem tenho sono nenhum... mas eu já te vou visitar!
Beijinho!
De poetazarolho a 24 de Outubro de 2011 às 22:30
Meu Caro Pedro

Gostei de todos os teus poemas, mas distingui um.

SONETILHO DESCARTESIANO
(Em contraponto a um do Pedro)

Se pensasse e existisse
Como prova de bom senso
Eu talvez me dividisse
E não pensasse o que penso

Não pensar e existir
Tais premissas eu dispenso
Prefiro inexistir
E a existência dispenso

E talvez, a não pensar
Preferindo a inexistência
Eu, assim, me administro

E cedo irei chegar,
Com honras de Excelência
A um cargo de Ministro.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 24 de Outubro de 2011 às 23:44
E mesmo sendo tão hábil
Encontrará concorrência
Pois num governo tão lábil
Qualquer um será Excelência...

Quanto a mim, não tendo achado
Um gato entre os ancestrais
Ponho Descartes de lado,
Fico como os animais...

Enquanto puder escrever
Deixar-me-ei das questões
De teor mais requintado

E, se isto não for viver,
Podem vir mil sugestões;
POETA MUITO OCUPADO!


Muito obrigada pelo seu sonetilho, amigo Eduardo! :) Penso que sabe que estes poemas são feitos muito rapidamente e ganham em espontaneidade aquilo que perdem em forma e rigor... só neste contexto de "desgarrada" poderão ser devidamente apreciados...
Enorme abraço para si e esposa! :)
De poetazarolho a 24 de Outubro de 2011 às 22:39
“A escolha”

Isto tem que ser assim
Por isso aceno à infantaria
E essa malta vá por mim
Ou começa a pancadaria

Parem todos de gritar
Regressem às vossas casas
Não se ponham a incendiar
Estamos a passar pl’as brasas

Das ruas o lixo recolham
Essas greves não têm razão
Trabalhem mas é a dobrar

Não vão bandeiras desfraldar
Esse é um símbolo da nação
Quando votarem então escolham.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 24 de Outubro de 2011 às 23:59
Vê-se no que o voto deu!
Democracia é bem mais
Que votarmos, tu e eu,
Nas eleições nacionais!

Também é Cidadania
E a participação
Fazem a Democracia
Pr`a quem é bom cidadão!

O direito a fazer greve
Tem uma força impensável,
Pode trazer soluções,

Bons resultados, em breve,
Para um país bem mais estável
Apesar das divisões...

Até já! :)

De poetazarolho a 24 de Outubro de 2011 às 22:43
“Teus para sempre”

Seguro o cálice de emoção
Olho o horizonte emergente
Tua dôr fere-nos o coração
Nunca te sentiremos ausente

Jamais aceitaremos um adeus
Sabemos que em breve voltarás
Estamos mais perto de Deus
Já renunciámos ao satanás

É nossa também essa tua dôr
Não voltamos a ti certamente
Não vamos chorar nem clamar

Sempre escreverás com fulgor
Nossos punhos, teus pr’a sempre
Somos pedaço de ti sem suplicar.
De poetaporkedeusker a 25 de Outubro de 2011 às 00:08
Isto faz-me lembrar Portas
E a renúncia anunciada...
Ou tenho as ideias tortas
Ou foi por não dormir nada...

Inda há pouco, há poucochinho,
Vi Portas renunciando
Às regalias... baixinho,
Pergunto, estarei sonhando?

Estou tão fora de contexto
Que nem eu sei se me entendo...
Não percebo se estou certa

Ou se li mal todo o texto...
Quero ver se compreendo,
Se faço uma descoberta...

Abraço grande, Poeta! :)
De poetazarolho a 25 de Outubro de 2011 às 21:59
“Assaltados”

Paulo Portas onde andas tu
Que à superfície não te vejo?
Estive a discursar na ONU
Sempre foi o meu desejo!

Submarinos já comprarei
Agora quero construir pontes
Rotundas nunca construirei
Talvez um dia construa fontes

Não se reocupem os pobres
Com a austeridade a crescer
Saímos da crise empobrecendo

Protegeremos os poucos nobres
Que assim evitam empobrecer
E migalhas nos vão oferecendo.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 25 de Outubro de 2011 às 22:13
:)) Que inspiração, Poeta!
Eu ando cá e lá porque estou a ouvir o Rádio Horizontes da Poesia!

Ah... não consigo fazer um poema enquanto oiço outros... fico toda "misturada"... mas eu tento depois! Até já!
De poetaporkedeusker a 25 de Outubro de 2011 às 22:23
Não sei onde Paulo está,
Tenho a porta mal fechada
E se o vento chega lá,
Lhe dá uma rabanada,

Depois já nem porta há
E eu não tenho quase nada...
[mas no rádio ainda dá
uma canção partilhada...]

Agora estou a escrever
Ao longo de outro poema
E não sei no que vai dar...

Gostaria de entender
Se isto é, ou não um problema...
E agora vou acabar!

Até já, Poeta! :)
De poetazarolho a 25 de Outubro de 2011 às 22:06
“Subvencionados”

Eles estão a abdicar
Do subsídio d’alojamento
Onde se irão alojar ?
Na escadaria de S.Bento

Venham ver os deputados
Estão a dormir ao relento
Deixem esmola aos coitados
Que está chuva, frio e vento

Ainda que não cuidem de nós
Deles temos que cuidar
Para que cuidem da nação

Senão o futuro será atroz
Sem nova lei pr’a aprovar
Que garanta uma subvenção.
De poetaporkedeusker a 25 de Outubro de 2011 às 22:37
Subvencionada estou eu
Ao estro que aqui me prende
Recebendo o que alguém deu
A quem mais nada pretende!

Se eu pudesse - podem crer! -
Trabalhar de outra maneira,
Não deixava de escrever
Mas seria uma canseira,

Trabalharia a dobrar
Mas talvez sem me cansar
Tanto quanto canso agora

Pois não estaria doente...
Fá-lo-ia alegremente
E podia ir jantar fora...

:)) Abraço grande, Poeta! Isto de escrever poemas a ouvir outros poetas... bem... cuuuusta!!! :))





De PaperLife a 26 de Outubro de 2011 às 12:41
Outro soneto de se lhe tirar o chapéu Maria :)
Adoro a ligação entre cada palavra e a pintura ^^

Como estás? :)
De poetaporkedeusker a 26 de Outubro de 2011 às 16:19
:) Olá, Paper! Obrigada! Tens razão; há uma profunda ligação entre esta pintura e este soneto :)
Trago outro, acabadinho de fazer... foi o tempo de andar aqui às voltas a tentar conseguir ligação... mas não estou muito bem e este soneto parece mais o uivo de um lobo velho com fome e frio... mas tu vais entendê-lo!
Até já! :)

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