.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 22 de Outubro de 2011

O ABRAÇO DA LUZ DO MEU POENTE

Dei-te um mar inocente e virginal,

Mas telúrico e quase incandescente,

A brotar desse anseio universal

De ser muito mais mar do que era gente

 

E nesse mar selvagem, sensual,

Da onda mais revolta e mais urgente,

Não soubeste deixar-me outro sinal

Pr`além do gene instável da semente…

 

De quanto mergulhaste, vertical,

Assim que o sol, a pino, se fez quente,

Perdeu-se-te a mensagem, no final,

 

E, enquanto o sol se põe, mesmo à tangente,

Eu crio, noutro mar mais ficcional,

Cada raio de luz do meu poente...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 22.10.2011 – 15.00h 

 

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 15:42
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15 comentários:
De PaperLife a 22 de Outubro de 2011 às 16:36
Lindo Maria, como sempre :)
Não há nada mais bonito que ver o pôr do sol à beira mar :)
De poetaporkedeusker a 22 de Outubro de 2011 às 17:06
:D! Obrigada, Paper! Estou meia cá, meia lá, numa ligação que só funciona quando lhe apetece :( Às vezes lá me dá uns minutos de descanso... outras, parece um relâmpago! Desce e foge logo! :)) Bjo!
De poetazarolho a 22 de Outubro de 2011 às 20:07
“Não existo”

Se eu penso logo existo
Alguém disse sem pensar
Se não pensando disse isto
Existência pôde dispensar

Não existindo esse alguém
Já pode pensar à vontade
Só poderá ser um ninguém
Pois não existe de verdade

E agora mais não te digo
Perdi o rasto à existência
Por pensar me meti nisto

Nunca pensei pr’a comigo
Pensar tornou-me ausência
Então é verdade não existo.
De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2011 às 00:07
:)) Gostei imenso deste, Poeta!

Se, sentindo, eu sei que sou,
Posso até ser animal
Mas tudo o que aqui vos dou
Não vos fará nenhum mal...

Escreverei quanto puder
E, enquanto escrevo, sou eu,
Pois, animal ou mulher,
Escrevo o que de mim nasceu...

Serei, talvez, um poema
Que se encheu de vida própria
Desatando a existir

Ou apenas um fonema
Que se sobrepôs à cópia
Passando a poder SENTIR... :))

Abraço grande, Poeta! Já disse mas digo outra vez que gostei imenso deste seu "Não Existo"!
De poetazarolho a 23 de Outubro de 2011 às 07:31
É mesmo isso que falta o "SENTIR", sentir os outros à nossa volta e chorar as suas lágrimas.
De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2011 às 21:01
Não só, Poeta, não só... chorar as suas lágrimas e rir os seus risos também. Além do mais há quem, como os animais não humanos, chore sem lágrimas. É preciso entender tudo isso e saber gerir tudo isso... por exemplo, em relação à poesia, acredito que a boa poesia, aquela que vem a ser consagrada com o passar dos anos, o é porque foi sentida. Se o poeta não sentir, poderá escrever bonitos poemas "de laboratório" mas não os conseguirá fazer prolongar no tempo... a qualidade de quase tudo o que se faz passa pelo "sentir".
Estou praticamente sem ligação... isto está pior do que nunca!
De poetazarolho a 23 de Outubro de 2011 às 19:10
Caro Pedro

O tempo mudou, mas espero que estejam todos a passar um fim de semana feliz. Nós,pela República do Prakistão, também não temos razão de queixa.
Beijos do pai e da Mãe.

QUANDO a ESMOLA É GRANDE…

Com todos os pobres a morrer de fome,
Alguns abastados, de sã consciência
E com parangonas de benemerência
Vieram, dos ricos, salvar o bom-nome…

Declararam alto que o que os consome
Na hora difícil da nossa existência,
É não repartirem com proficiência
Tudo o que roubaram a quem menos come.

Mas pelos seus pares, ao serem instados,
Desmascaram, célere, o que os apoquenta
E aos que os inquiriram, tão indignados

Replicam eles: «oiçam meus senhores,
Se morrem os pobres, quem é que os sustenta?!
Ponderem com siso, sejam pensadores.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2011 às 21:53
Meu amigo Eduardo,

Este seu poema merece-me um soneto ou, pelo menos, um sonetilho mas não neste momento em que estou a braços com dificuldades acrescidas... o único queimador do meu fogão que estava a funcionar, deixou de o fazer... e eu tenho a comida do Kico por fazer. Além do mais o acesso que consegui - que estou a tentar conseguir desde a hora do almoço... - está mais periclitante do que nunca e, se eu não fosse teimosa que nem um gato, nunca teria conseguido deixar este comentário... se conseguir.
Amanhã é dia de hospital e graças à lentidão com que agora me movimento, terei de me levantar antes das cinco da manhã, para poder deixar os animais tratados. Não sei a que horas volto, mas tentarei responder-lhe adequadamente.
Um abraço grande para si e esposa!

M. João
De poetaporkedeusker a 24 de Outubro de 2011 às 13:20
Aqui está, amigo Eduardo, um soneto que me parece ir ao encontro do seu. Utiliza caminhos menos óbvios, mas penso que acaba por se encontrar com ele. Publicá-lo-ei a seguir, enquanto post do meu blog.


O FRUTO DE UM MAR OUTRORA PROÍBIBDO - Soneto de nove sílabas métricas


Quis lembrar-me do mar que trazias
A pender-te da ponta dos dedos,
Prometendo um sorriso aos mil dias
Que eu roubava à avareza dos medos

Fui colhendo esse tal que escondias,
No remoto pomar dos segredos,
O mais doce daqueles que oferecias
D´entre mil, extemporâneos, azedos…

Houve um tempo redondo e magoado
Em que o fruto minguava escondido,
Definhando, imaturo e guardado

Na redoma do que é proibido…
[e se eu nunca o tivesse encontrado,
mais ninguém dele teria comido…]

Maria João Brito de Sousa – 23.10.2011 – 15.00h
De poetazarolho a 23 de Outubro de 2011 às 19:16
“Retrocesso monstruoso”

O monstro surgiu de novo
Lá pr’os lados de S.Bento
É alimentado pelo povo
Refugia-se no parlamento

Tem as asas de um dragão
De águia é a sua garra
Tem a juba de um leão
Todas as formigas agarra

E as formigas agarradas
Por este monstro assustador
Estão a ficar sem esperança

De ver as coisas renovadas
Só lhes sobra tanta dor
E o retrocesso que avança.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2011 às 22:04
Este monstro "regressado"
Deitando as garras de fora
Quer levar-nos ao passado
Ou quer mandar-nos embora...

Mas, se matar a formiga,
Vai-se acabar por tramar...
Ele, a essa, só obriga
Depois dela se matar...

Mas eu, nestas condições,
Não sei sequer fazer versos
E é preciso que o poema

Sem tais atrapalhações,
Mesmo em tempos tão adversos,
Tenha impacto enquanto emblema...

Este vai já com tanta pressa, Poeta... estou mesmo atrapalhada!
Abraço grande!
De poetazarolho a 23 de Outubro de 2011 às 19:24
“Sentir”

Eu sinto os outros à volta
As suas lágrimas eu choro
Também vivo a sua revolta
Pertenço a um imenso coro

Numa partilha infinita viver
Retira-nos muitas partículas
Mas se um dia há que morrer
Deixamo-las, essas gotículas

Grito agora contigo irmão
Contigo cantarei pl’o caminho
Arrastar-me-ei sem cantar

Quando a voz já me faltar
Sem forças terás meu carinho
É teu o pulsar do meu coração.
De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2011 às 22:20
Temos tantas, tantas formas
De, por cá, deixar um rasto
Sem cuidar de estranhas normas
Nem crer no que já está gasto...

Mas eu sei que é muito humana
Esta coisa de ter guias...
Mas um guia até se engana
Muitas vezes, muitos dias...

Memória é uma das vias
De viajar pelo tempo
Até às nossas raízes

Renovando as fantasias
E permitindo ao talento
Que adquira novos matizes...

Eu acredito numa memória genética, comum a todas as formas de vida, mas específica segundo cada espécie... espero que este sonetilho se aproxime do que tento dizer... é útil e indispensável à vida, essa memória genética.



De poetazarolho a 23 de Outubro de 2011 às 21:17
Caro Pedro

Há bocado comovido com a fome, agora a TV mostrou a Feira de gastronomia em Santarém. Na Turquia a Terra tremeu e matou. O Mundo é vário e nasceu avariado.
Durmam bem
Eduardo.

Santarém (feira da gastronomia) já começou

e

Embora o meu palpite
Para a crise que vai correndo
Seja a falta de apetite,
Hoje, pensando bem,
Sempre vos vou dizendo:
-Vamos até Santarém.

E lá pelo Ribatejo
Sem gastar muito dinheiro
Pode até fazer poupança,
Se quiser ter o ensejo
De se ficar pelo cheiro
Em vez de encher a pança.

Encontrará feijoadas
Os rojões ou caldeiradas
Sarrabulho ou a morcela,
Branco ou tinto na tigela
As tripas ou a alheira,
Chouriço ou farinheira.

Se quiser outro pitéu
Prove o toucinho do céu
Papos de anjo ou filhós fritas…
Mas se cair na asneira
De abusar dos jesuítas,
Vai ter barriga de freira.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 23 de Outubro de 2011 às 22:45
Logo hoje que só comi
Uma bola de Berlim
Por volta das duas horas,
Vem com a gastronomia!
Eu só lhe digo que assim
Até pedras comeria!

Para o cão há, todavia,
A lata quase vazia,
Os biscoitinhos, bem secos,
Que pertencem aos tarecos
E uma taça de água limpa
Que dá um jantar "supimpa"!

Se o fogão não funcionar
Que interessa que tenham fome...
Já não vai haver jantar!
Nem que a casa vá abaixo
E o cão aprenda a cantar,
Eu deito fora o meu tacho!


Peço desculpa! Este está mesmo horrível... mas saiu-me e eu não tenho coragem para o apagar... saiu-me tão depressa que nem tive muito tempo para pensar... mas está mais ou menos divertido e pitoresco... pelo menos tenho a certeza de que está incomum!
Um abraço para si e sua esposa!

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