.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Domingo, 16 de Outubro de 2011

UM TUMULTO A SUBIR DAS PROFUNDEZAS

 

 

Hoje, nem bem, nem mal, nem coisa alguma…

Nem o silêncio impôs a reflexão,

Nem um murmúrio só, dizendo "não"

Às minhas mãos cerradas como bruma

 

E dispersa-me a onda nesta espuma

Como se, ao ser negada uma razão,

Tudo se reduzisse à dimensão

Das lutas que se perdem, uma a uma…

 

Hoje… nem bem, nem mal! Ninguém diria

Que ontem saiu à rua a rebeldia

Vestida com as cores de mil certezas,

 

Porque hoje, ao acordar, nada se ouvia

(... mas, quem estivesse atento, sentiria

um tumulto a subir das profundezas…)

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 16.10.2011 – 16.32h

 

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 22:25
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28 comentários:
De poetazarolho a 16 de Outubro de 2011 às 22:44
Caro Pedro

Já falei com o Henrique que me deu as notícias dele e a Maria João deu-me as do resto do pessoal. Nós vamos sobrevivendo e amanhã aí estaremos.
Quando contactares a amiga Maria joão de Sousa tarnsmite-lhe os meus agradecimentos pela paciência que tem de me ler e, ainda, a magnanimidade de me elogiar. Diz-lhe que: li com o maior interesse o magnífico soneto do avô António de Sousa. De todas as engenharias, decerto que a genética é a que, apesar das investigações mais recentes, deve ainda estar na era da pedra lascada, mas não me custa acreditar que a poetisa herdou o talento do avô, cujos sonetos, cotejados com os meus, serão como ponto de cruz ao pé de alinhavos. Mas cá vou alinhavando como sei e, desconhecedor de antepassado que me tenha transmitido o fraco estro, penso, dado o pendor para a veia humorística que, em medievas eras devo ter tido algum que foi bobo de alguma corte.
Obrigado poetisa pelo que, graças a si, vou acrescentando às carências das minhas heranças genéticas.

Um Abraço meu e outro de minha esposa.
Eduardo.
De poetaporkedeusker a 17 de Outubro de 2011 às 00:02
Amigo Eduardo,

Nunca me agradeça a "paciência" de o ler. Faço-o com todo o prazer e, quanto aos conhecimentos da genética, partilho dessa sua opinião. Ainda devem andar na idade da pedra lascada se não aceitam este tipo de transmissão de vocações :) Mas ela, a Genética, é uma senhora muitíssimo ocupada, sem quaisquer preconceitos morais ou seja de que tipo forem... vai distribuindo dons, caso as vias normais não estejam a preencher as necessidades da espécie, conforme ela entende - e eu acredito que ela entende tudo e mais alguma coisa! - por aqui e por ali, cobrindo o planeta inteiro a cada minuto que passa...
Também acredito que devo ter tido algum antepassado que foi bobo da corte pois também eu tenho esta tremenda tendência para a brincadeira, mesmo com a barriga a dar horas... e olhe que não eram mesmo nada palermas, os bobos da corte! Tenho por eles o maior dos respeitos pois imagino que não seria nada fácil "entreter" um rei daqueles mais irasciveis sem perder a cabeça, no sentido literal.
Um enorme abraço para si e esposa e muito obrigada por me ter dado a sua opinião tão magnânima sobre o soneto do meu avô-menino!
De Simbologia do aMoR a 17 de Outubro de 2011 às 00:08
Oi minha amiga
Passei novamente por aquela situação parecida de quando estive em Portugal.
O médico proibiu-me a internet. Estou aqui de teimosa. Isto me faz bem, eles não sabem o quanto me faz mal tirarem de mim.
Agora a depressão, como antes, primeiro são as sensações de projeção do corpono ar, depois a premonição e depois a sensação de vazio.
E pior... aqueles que usam de nossas energias e que acabam nos fazendo mal.
Desculpe não estar vindo aqui no seu blog.
Só de vez em quando virei.Foram muitas emoções vividas e sentidas, agora a depressão toma conta,estou lutando contra. Estou sem trabalhar há 15 dias e mais dias virão.
Ore por mim, estou precisando de auxílio.

Um forte abraço.
De poetaporkedeusker a 17 de Outubro de 2011 às 00:25
Vera :D
Então, amiga, claro que sim! Cá, em Portugal, também teremos muito mais situações de depressão muito em breve, mas serão, na sua maioria, situações reactivas... mas não serão nada fáceis de tratar se a situação se mantiver como está no presente momento. Há muito a fazer, por cá, mas um abraço daqueles grandes, grandes e solidários, até numa caixinha de comentários se pode dar a uma amiga :)
Acredito que um bocadinho ao computador, não te fará mal nenhum... não deves é abusar pois é um meio de comunicação que nos exige um enorme esforço quer físico - é péssimo para a coluna! - quer de concentração.
Envio-te mais outro abraço "daqueles", amiga! Muita fé e muita coragem!
De poetaporkedeusker a 17 de Outubro de 2011 às 00:29
Estás novamente com o perfil privado. Passei por lá mas não consegui entrar. Talvez seja melhor assim para que não te sintas tentada a responder a muita gente... mas olha que o Facebook é bem mais difícil de acompanhar pois exige uma rapidez enorme.
Outro abraço grande!
De PaperLife a 17 de Outubro de 2011 às 15:39
Estou contigo Maria!
É hora de deixar esse tumulto sair, é hora de nos libertar-mos :)

Mais um soneto simplesmente indescritível ^^
De poetaporkedeusker a 17 de Outubro de 2011 às 15:50
Obrigada, Paper! :D
Sim, é hora! Precisamos de convergir todos num mesmo sentido; o da equidade e da inviabilização das situações de corrupção!
Um abraço grande, grande!
De poetazarolho a 17 de Outubro de 2011 às 22:31
“Dantas not”

Há um parlamento na rua
Que veio para continuar
Por que esta luta continua
Não começou pr’a terminar

Também eu serei deputado
Deste parlamento sem abrigo
Nessas escadarias sentado
Não olhando o meu umbigo

Por favor não votem em mim
Não sou candidato sequer
Tanto luxo seria o meu fim

Não há volta, agora será assim
Aprovaremos leis de morrer
Morra o Dantas, morra! Pim!
De poetaporkedeusker a 17 de Outubro de 2011 às 23:20
Ninguém olha só pr`a si
E faz bem em aí estar
Pois eu só fiquei aqui
Por não poder mais andar

E, se eu arranjar transporte,
Também estarei, de certeza,
Com muita ou com pouca sorte,
Com ou sem pão sobre a mesa...

Mas hoje está impossível
Navegar por este espaço
Que não tem tecto nem fim

E parece inexcedível
O estranho esforço que faço...
Morra o Dantas! Morra! PIM!

Poeta, isto está tão difícil que eu mais pareço uma malabarista do que uma navegadora comum... amanhã sairei à rua - eu quero! - mas só aí chego se tiver boleia!
Abraço grande!

De poetazarolho a 17 de Outubro de 2011 às 22:37
“Conjuntura”

O inferno já está a arder
Alguns ir-se-ão queimar
E no céu está a chover
Outros ir-se-ão molhar

Os que ficam molhados
Podem ir ao inferno secar
Os que ficam queimados
Vão ao céu pr’a s’enchacar

Os que atearam as chamas
Ficam aqui no purgatório
Molhar e queimar é que não

Entre muitas tricas e tramas
Treinam o seu dom oratório
Das chamas aguardam extinção.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 17 de Outubro de 2011 às 23:04
... e aqueles que nada sofrem
E, muito pelo contrário,
Vêem crescer o salário
Criado pelo que encobrem?

Não morra a culpa solteira
Neste enorme rebuliço!
O capital fez asneira,
Já ninguém duvida disso!

Infelizmente não creio
Que isto possa resolver-se
Nessa paz que eu preconizo

Pois é tão mau, está tão feio,
Que não pode devolver-se,
A tal gente, algum juízo!


Poeta, amanhã vou tentar estar no Chiado.
Um abraço grande, grande para todos vós! A net está ainda pior do que ontem!
De poetazarolho a 17 de Outubro de 2011 às 23:45
O que há no Chiado ?
De poetaporkedeusker a 18 de Outubro de 2011 às 00:49
Há uma concentração, às 18h, para uma marcha contra o Pacto de Agressão de que estamos a ser vítimas, Poeta! Eu ainda confio que se possa evitar que nos empurrem para este fosso a que querem lançar o Estado Social!
Abraço gde!
De poetazarolho a 18 de Outubro de 2011 às 23:54
“Adeus”

A alternativa é a bancarrota
Então deixem a banca romper
Porque se a banca fez batota
Não tenho que à fome morrer

Alternativa é o neoliberalismo
Então podem deixá-lo afundar
Pois se nos leva pr’o abismo
Eu não tenho que me atirar

Tenho pena òh pátria minha
É nenhuma a saudade de ti
Faço as malas, vou embarcar

Um dia volto à santa terrinha
Lembrarei o sítio donde parti
Sem a esperança de voltar.
De poetaporkedeusker a 19 de Outubro de 2011 às 11:52
E essa, pr`a muita gente,
Vai ser, decerto, a saída
Pois não vejo outra decente
Pr`a quem quer ganhar a vida

Mas muitos hão-de ficar
Para evitar a desgraça
De Portugal a afundar
Sem trabalho e sem ter "massa"

Esta absurda alternativa
Que não tem pés nem cabeça
Escraviza o trabalhador!

Mas haverá gente activa
Que diga NÃO, nos impeça
De irmos de mal a pior!


Olá, Poeta! :) Peço desculpa por só responder agora mas, ontem à noite, consegui um acessozinho que só me deixava escrever por alguns segundos antes que a net se fosse completamente abaixo. Acabei por ir passear o Kico e, quando estava na rua, fui assaltada por um verdadeiro "ataque de sono". Estava a ver que adormecia ali, em pé, na rua. Só tive tempo de levar o Kico para casa e "atirar-me" para a cama :)
Abraço grande!
De poetazarolho a 18 de Outubro de 2011 às 23:59
“Burro”

Houve um dia a perestroika
Noutro caiu o muro em Berlim
Agora enfiam-nos a troika
E acham que isto fica assim

Mas constroem tantos muros
Para a divisão não ter fim
E acham que somos burros
E eu também acho que sim

E de tanto o burro carregar
Sem cenoura pr’a o motivar
Já não anda mais o burro

Só lhe dá para escoicear
Não sei como irá terminar
Mas cheira um pouco a esturro.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 19 de Outubro de 2011 às 12:08
Como os burros, tantas vezes,
Com as palas ajustadas,
Serão alguns portugueses...
Até serem arrancadas

Essas palas que os cegavam
E as cangalhas sobre o lombo
Mas também esses pensavam
Não levar tão grande arrombo!

Se o burro parar de vez
Quero ver quem "dá no duro"
Pr`o capital se encher mais!

Português que é português
Não abre mão de um futuro
Conquistado por seus pais!


Até já, Poeta! Vou ter de ir, num instantinho, ao Face pois deixei a meio uma conversa com uma amiga, ontem à noite. Depois venho colocar estes sonetilhos nos seus blogs. Abraço! :)
De poetazarolho a 19 de Outubro de 2011 às 18:00
O BOBO da CORTE

O Bobo da Corte anda em exaustão:
Por mais que rebole e perca o juízo,
El – rei e os Nobres fazem um carão!
Nada lhes arranca, nem breve sorriso.

Não são, mas parecem, humanos com siso
Atacou a todos cruel depressão…
De passos perdidos, salão a salão
Gastam o seu tempo, de andar indeciso.

Em vez de carpir, desfeito em ais,
O príncipe dos momos, com um traje novo,
Veio para a rua com os seus jograis

E à cidade disse: «vós que aí estais,
A partir de agora, quem ri é o Povo
O Rei e a Corte, já riram demais!»

Eduardo

Nota de rodapé – Em homenagem ao meu antepassado que, em medievas eras, instilou em mim, por sucessão, os genomas do poetar. Foi ele, bobo numa qualquer corte dessa Europa. Penso que o palhaço, se andou a rebolar com a Rainha no tálamo real, o que acabou por lhe valer bárbara decapitação. Tal concluí, pelo meu traço distinto, a aloirada melena e umas certas dores que, de quando em vez, me a atacam a cerviz.
De poetaporkedeusker a 19 de Outubro de 2011 às 21:44
Olá, Eduardo

Obrigada por mais este poema!
Analisando os três últimos pontos que foca já não estou tão segura de que tenhamos ascendência comum pois só partilho as dores na cerviz que, ainda por cima, são quase constantes no que à cervical diz respeito.
Vou tentar enviar-lhe um sonetilho imperfeito pois este seu poema merece-mo!

Se El-Rei e os Nobres
Estão tão indispostos,
Decerto há desgostos
Maiores para os pobres

Por causa de uns cobres
Chamados impostos
Irão ser depostos
El-Rei e os Nobres

Caso a cantilena
Se não torne obscena,
Dou por bem empregue

Os passos já dados
E os versos contados
Que a teima persegue...

Vai em redondilha menor... saiu-me muito pobrezinho, em versos de cinco sílabas métricas... mas foi assim que ele me saiu e eu estou a ver-me aflita para conseguir manter o acesso online.
Um enorme abraço para si e esposa.

Maria João
De poetazarolho a 19 de Outubro de 2011 às 22:00
“General”

Esta é a greve do general
Furriel não está de acordo
O soldado vai passar mal
Sargento está mais gordo

Não há dinheiro pr’o soldo
Todos ralham sem razão
Sentem-se à sombra do toldo
E roam as côdeas do pão

Não esperem dias melhores
Esta é a curva descendente
Do futuro há muito prometido

Na demência haverá piores
Dias de esperança ausente
Duma guerra sem sentido.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 20 de Outubro de 2011 às 12:27
Poeta, conhece aquela do Zeca Afonso; "Mais vale ser um cão raivoso/do que um carneiro/a dizer que sim ao pastor, o dia inteiro..."
Esta guerra é de todos nós e não fomos nós, povo, quem a convocou. Ou nos rebelamos ou, muito em breve, teremos perdido até os poucos direitos que tínhamos antes de Abril.
Já lhe venho deixar o sonetilho. Está quase na hora do almoço e corro o risco de chegar atrasada se o começar agora.
Até já!
De poetaporkedeusker a 20 de Outubro de 2011 às 14:40
Nem sargento, nem major,
Nem furriel ou soldado
Podem esperar o melhor
Se o país está condenado!

Todos ralham... com razão
E mesmo os mais egoístas
Dão a sua opinião
Tentando não "dar nas vistas"

E quem comprou, afinal,
A guerra em que nos meteram
Tão contra a nossa vontade?

Não seria o capital
E os offshores que o receberam?
Esta é, Poeta, a verdade!


Abraço grande! Nenhuma guerra faz sentido mas os direitos tão duramente conquistados, vão ser-nos arrancados um a um e eu estarei sempre do lado daquele que se negar a entregá-los de bandeja. O objectivo final é exactamente esse, Poeta. Há muito que tenho vindo a pressenti-lo e a minha decisão foi tomada com toda a consciência.
De poetaporkedeusker a 20 de Outubro de 2011 às 23:29
Tenho a impressão de que me enganei... esta do Cão Raivoso é do Sérgio Godinho...
Estou constantemente a perder a ligação e não sei se vou conseguir, sequer, ler os seus sonetilhos...
De poetazarolho a 20 de Outubro de 2011 às 22:03
“Animais”

Com a visão da águia vamos
Conseguir elevar-nos mais alto
Com energia do dragão estamos
A um passo de dar o grande salto

Com a força do leão estaremos
Defendidos para todo o sempre
Como a formiga trabalharemos
Não haverá povo como a gente

Se nos virem com ar deprimido
É porque somos muito ingratos
Cuspimos no prato onde comemos

Aproveitemos o que nos é oferecido
Aos políticos devemos estar gratos
Ou então nem sequer os merecemos.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 21 de Outubro de 2011 às 15:03
Poeta, o sangue a ferver
Que trazemos nestas veias,
Talvez ajude a varrer
Muito pó de velhas teias!

E, se à esperteza do gato,
Juntarmos a lealdade
Do cão que traz o sapato
Ao amigo, em liberdade,

Talvez vislumbremos mais
Do muito que há por fazer,
Do tanto que há por mudar...

Eu bicho e nós animais...
Quem ousa pensar que o "ser"
Pode escolher onde estar?


Abraço grande, Poeta! Sou uma daquelas pessoas que não se julgam mais importantes nem mais leais do que um cão e muito menos mais persistentes do que um gato... também acredito que nem todos os políticos são passíveis de corrupção e que seria perigoso tratá-los a todos como "farinha de um mesmo saco". Penso que essa estratégia só viria a beneficiar os grandes capitalistas que, apenas muito ligeiranmente assustados, se vão entretendo a lançar-nos cenouras para a "arena", sabendo de antemão que a dispersão é uma arma que joga a seu favor.

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