.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

CHEGAR TARDE DEMAIS À ÍTACA DO COSTUME

 

 

Por Ítaca me fui desencontrando

Da sagrada missão da Poesia...

Se acaso a encontrei, nem nela havia

Tradução pr`á linguagem do meu pranto...

 

Mal Ítaca abordei, vi-me encalhando

Numa praia inventada e já vazia

Que quanto mais negada, mais crescia

Enredando-me toda no seu manto...

 

Se algum farol em Ítaca se erguia,

Se, à porta, me pediram senha ou santo

Pr`á singular viagem que antevia,

 

Não o posso afirmar... e, no entanto,

Em Ítaca eu sonhava e redimia

Cada saudade à luz do desencanto...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 23.09.2011 - 17.40h

sinto-me :
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publicado por poetaporkedeusker às 17:14
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44 comentários:
De PaperLife a 23 de Setembro de 2011 às 18:42
Mais um excelente soneto, para começar bem o fim-de-semana :)
Vais ficar muito tempo por Ítaca? :P

Bom fim-de-semana Maria :D
De poetaporkedeusker a 23 de Setembro de 2011 às 18:52
:)) Naaaa... cheguei atrasadita...
Estou a perder alguma força anímica e sou daquelas que o detectam aos primeiros sinais... pareço um sismógrafo da tal força anímica :)))
Mas, vá lá... parece que o sentido de humor ainda está a funcionar...
Adorei aquele artigo do MEC, o acordo "tortográfico" !
Vou tomar um cafézito a ver se não adormeço em pé... ;)
De PaperLife a 23 de Setembro de 2011 às 18:54
Ainda não vi esse artigo :P
Bom café então :D
De poetaporkedeusker a 23 de Setembro de 2011 às 22:14
:) já voltei!
De poetazarolho a 23 de Setembro de 2011 às 19:38
“Lenços de sangue”

Há na guerra quem chore
Também quem venda lenços
Já por lá vi vender pensos
Os vendedores são imensos

Vender esperança é que não
Querem a vida e a morte
Brincam com a nossa sorte
Impera a lei do mais forte

Com suor, lágrimas e sangue
E carne picada para canhão
Vão tornando o império grande

Nas suas mansões douradas
Primem um pequeno botão
As bombas já foram lançadas.
De poetaporkedeusker a 23 de Setembro de 2011 às 21:58
Mas eu estou em desvantagem!
Não vejo telenovelas
E a TV não dá imagem...
Mal oiço o que dizem delas :(

Além do mais sou pacata,
Pouco sei de tanta história
Nem ando pr`aí à cata
De quem fala de memória...

Mas do nome eu já ouvi
E, por isso, associei
A esse poema, aí...

Ou será que estou errada
Em pensar o que pensei
E escrevi isto pr`a nada?


:) Abraço grande, Poeta!
De poetazarolho a 23 de Setembro de 2011 às 22:20
Está errada, está, eu também não vejo televisão mas sei que há um telenovela chamada "Laços de sangue", o meu "Lenços de sangue" tem a ver com a entrevista que a nossa amiga Maria deu no programa da Júlia,

http://sic.sapo.pt/proj_queridajulia/Scripts/videoPlayer.aspx?videoId={B0C9642E-CECC-4E34-9EBA-3647D34DABA4}

A Maria agora está em Timor como voluntária da ONU, pode segui-la em,

http://maria-made-in.blogs.sapo.pt/

eu também vou fazendo uns comentários ao meu jeito no blog dela, o último foi,

“Caminhada XX”

Chico esperto dos Camarões
Colega querido da Serra Leoa
A Indonésia das depressões
Entre os três ninguém destoa

Este é um gabinete de eleição
E sobro eu, mas que desgraçada
A aguentar toda esta confusão
Se isto se pega estou tramada

Mas o chefe todo bem disposto
Convidou-me para almoçar
E explicou-me a situação

Nas Nações Unidas é suposto
Imensas vagas reservar
Pra gente que tem um pancadão.
De poetazarolho a 23 de Setembro de 2011 às 22:26
Bom parece que em todo o caso o vídeo já não está disponível, mas foi uma passagem do dito que me inspirou aquele escrito.
De poetaporkedeusker a 23 de Setembro de 2011 às 22:37
:( Pode ser que ainda volte a ficar disponível... ? Não?! Acho que não entendo lá muito da disponibilidade dos vídeos... mas gostava mesmo de a ver! :) Vou tentar!
De poetaporkedeusker a 23 de Setembro de 2011 às 22:35
:))) !!! Este está engraçadíssimo, Poeta!!! Não consegui ver o vídeo - estava indisponível - mas consegui ir ao blog dela. Agora vou tentar de novo ver o vídeo porque... olhe, porque gostava de ver a Maria! Depois vejo se consigo responder ao sonetilho. Hoje estou mesmo enferrujada, mas tento!
Muito obrigada e até já! :D
De poetaporkedeusker a 23 de Setembro de 2011 às 22:49
Ai, Poeta! Não vi o vídeo e estive na página da Júlia a ensinar o pessoal a... matar piolhos! Eu devo ter alguma vocação escondida para exterminadora de pragas! Com tanta publicação, tinha logo de ficar "agarrada" a uma sobre piolhos!!! Enfim... parece que ajo mais depressa do que o bom senso que me manda ficar quietinha...
Até já! :)
De poetazarolho a 23 de Setembro de 2011 às 23:06
Não consigo encontrá-lo, já tentei Google, Youtube e nada, parece que foi retirado... paciência, mas era uma entrevista com a nossa amiga que está a leiloar todos os seus pertences para cumprir o seu sonho,

"mas que sonho é esse que tu tens, Maria?
I have a dream que, para já, passa por Bruges, mais concretamente pelo College of Europe. Acontece que um Master of Arts in EU International Relations and Diplomacy Studies lá em Bruges é coisa para me deixar penhorada por sete gerações. Ora como eu não tenho onde cair morta e estou longe de vir a herdar o que quer que seja, não me resta outra alternativa que não seja vender o recheio da casa. Quem quiser ajudar, basta divulgar.
Eu e o gato agradecemos. "

de frequentar um mestrado europeu para depois tentar ingressar na ONU, só que entreatanto foi seleccionada pela ONU para como voluntária seguir o processo de recenciamento eleitoral em Timor e lá está...

http://takeustobruges.blogs.sapo.pt/
De poetaporkedeusker a 23 de Setembro de 2011 às 23:21
Deixe estar, Poeta! Já consegui ver o tal vídeo dos piolhos! :)) A Júlia está tão bonita! Já não a via há séculos...
Mas deixou-me mais contactos da Maria. Obrigada! Vou ver se a vejo!
Caramba!!! Gostei daquela de ficar "penhorada por sete gerações"! :)) Eu também já devo estar por duas ou três... :)) e sem mestrado...
Até já!
De poetazarolho a 23 de Setembro de 2011 às 19:43
“Saldo positivo”

O João tinha um buraco
Mas o Alberto não sabia
Nem sequer o Cavaco
E mais vinte ninguém via

Mas um dia aqui d’el Rei
Santa Bárbara dos aflitos
Do buraco tamanho não sei
Cabem lá uns cubanitos

Vamos todos contribuir
Para este buraco tapar
Cada um dá três pazadas

Com jeitinho p’ra não partir
A espinha a quem as levar
E as contas ficam saldadas.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 23 de Setembro de 2011 às 22:12
Desta aqui, pr`a compensar,
Já sei mais um bocadinho!
Meio mundo anda a falar
Do famoso "buraquinho"...

Sei que nunca tive pá
Pr`a tapar tanto buraco
E a coluna já não dá
Porque está feita num caco...

Se em sonetilho eu puder
Compensar, de alguma forma,
O "Buraco da Madeira"

Todos aqueles que eu fizer
Passarão do gesto à norma
Pr`a tapar a ilha inteira...


Ai, que coxinho! :(
Abraço grande!
De poetazarolho a 24 de Setembro de 2011 às 23:03
Caro Pedro

Com o Outono à espreita, aí te mando o meu «OUTONO de ESPERANÇA». Peço-te que o reencaminhes para a Maria João de Sousa, como agradecimento pelo belo soneto que me enviou.


OUTONO

Se o Outono chega, a vida vivida,
Não é sempre o cabo dum longo caminho.
Não se adivinha o fim da corrida
Só pelo percurso corrido sozinho.

A folha amarelada, pelo chão caída
Se não for pisada e tiver carinho
Pode recobrar, com um sopro de vida
A cor que já teve, a vir de mansinho.

Nem sempre o Outono nos traz a saudade…
Há sonhos frustrados pela Primavera.
Na força da vida e na mocidade

Também há percalços e passos perdidos,
Também a esperança pode ser quimera
E vã ansiedade para os esquecidos.


EDUARDO

belo soneto que me enviou.
De poetaporkedeusker a 26 de Setembro de 2011 às 23:47
OUTONO, FRIO OUTONO...

Não é o cabo da vida
Mas não é isso que importa...
O que importa é que, à partida,
Bate o frio à nossa porta

E se o mandarmos embora
Quem nos diz que ele obedece?
Faz frio por dentro e por fora,
Nem a poesia aquece...

Devo, agora, desculpar-me
Por esta estranha resposta
Que nem sonetilho é

Mas saiu sem perguntar-me;
- Poeta, gosta ou não gosta?
Aqui vai, de boa fé!


Meu amigo Eduardo,

Já lhe pedi desculpa em "rima manca" e repito o meu pedido em prosa. Ando cansada e sem inspiração nenhuma para voos poéticos. Bem gostaria mas a única forma viável seria eu forçar o nascimento de um soneto... e eu prometi a mim mesma que o não voltaria a fazer.
Muito obrigada por ter gostado do meu último soneto. Tenho a sensação de o ter escrito há muito tempo mas suponho que seja uma consequência do ritmo alucinado a que eu escrevi sonetos durante três anos... ou mais. Não é um soneto tão antigo quanto me parece.
Termino enviando-lhe um abraço extensivo a sua esposa e à Maria Vitória Afonso.

Maria João


De poetazarolho a 24 de Setembro de 2011 às 23:16
"Irmãos"

Ó irmão de meu irmão
Meu irmão também és
Não vislumbro eu razão
Para levarmos c’os pés

Mas eu devo ser cego
Pois há pr’a cima de mil
A côr da pele não nego
Define-te logo o perfil

Branco, azul, preto, amarelo
Ó coitado meu irmão
Estás feito num farelo

Não vales mesmo um tostão
A razão para o atropelo
Existires é suficiente razão.
De poetaporkedeusker a 25 de Setembro de 2011 às 01:03
Respondo reflexamente
Porque isto me suscitou
Recordações... de repente,
Estou por cá... já cá não estou!

No Face há uns tais castigos
Que eu nem sei como entender...
Dizem alguns que são perigos
Mas eu não quero saber...

Se alguém não gosta e faz queixa,
Cinco vezes de seguida,
Fica o pobre castigado...

E como é que isso me deixa?
Vivendo enquanto houver vida...
Nada mais me dá cuidado!

Está muito mauzinho mas eu também não estou nada inspirada... não vou responder hoje ao seu pai. Amanhã posso estar um pouco melhor, quem sabe?
Mas olhe que só agora estou a aperceber-me de que o Face pode ser um espaçozinho tão desagradável quanto eu pressenti desde o início...
Abraço grande, Poeta!
De poetazarolho a 26 de Setembro de 2011 às 00:20
“A queda do império”

Portugal vai mostrar ao mundo
Mas o mundo não quer saber
Que o mundo está moribundo
Não sabemos se vai sobreviver

Todos os países devem milhões
Dívida soberana a isso obriga
Nenhum cumpre as obrigações
Mas alguns têm o rei na barriga

Não tarda a grande indigestão
Para o equilíbrio reintroduzir
Será nauseabundo o seu odor

Apenas alguns se salvarão
E o pior ainda está pr’a vir
Não há transformação indolor.
De poetaporkedeusker a 26 de Setembro de 2011 às 12:53
De que o pior está pr`a vir
Não consigo duvidar
E os impérios, ao cair,
Muitos irão derrubar...

Estrebuchando até poder,
O Poder capitalista,
Muito caro há-de vender
A sua injusta conquista

Cada um de nós prepara
O mundo à sua maneira
Em prol dos injustiçados

Mas a vitória sai cara...
Erga-se a nova bandeira
Dos valores reconquistados!


Abraço grande, Poeta! Não sei o que se passa com a minha caixa de correio do sapo. Continua toda virada do avesso e não vai ser nada fácil descobrir novas mensagens...
De poetazarolho a 26 de Setembro de 2011 às 22:33
“Às de ouros”

Até a América anda assustada
Com a Europa aos trambolhões
Mas já pode dormir descansada
Vem aí um plano de milhões

Crise do euro será estancada
Vão ser afastados esses papões
Confiança vai ser restaurada
Por via das recapitalizações

Será jogada a derradeira cartada
Perdedores voltam pr’os mouros
Aos vencedores a glória infinita

Carta há muito estava guardada
É enorme o peso deste às de ouros
E neste casino a banca já se agita.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 26 de Setembro de 2011 às 23:18
Nunca acreditei nas cartas,
Nem nas suas previsões
E as pessoas estão já fartas
Dos buracos de milhões...

Nunca gostei de casinos
Nem dos seus jogos de azar
E só creio nos destinos
Que nós pudermos mudar...

Devo confessar, porém,
Que este meu correio está
Tão virado do avesso

Que não sei o que contém
Nem sequer o que há por lá...
E é bem triste o que confesso!


Abraço grande, Poeta! :)
De poetazarolho a 26 de Setembro de 2011 às 23:40
MOMENTO DE VERDADE E ESCLARECIMENTO

Intervenção de Mia Couto (Conferências do Estoril 2011)

http://www.youtube.com/watch?v=jACccaTogxE&feature=player_embedded

De poetaporkedeusker a 27 de Setembro de 2011 às 00:29
Obrigada, Poeta! Já conhecia, do Facebook, mas foi muito bom rever. Tenho uma enorme admiração pela escrita do Mia Couto e revejo-me em todo este texto, Mudar o Medo.
Enviei-lhe, há pouquinho, para o Poetazarolho, um sonetilho de resposta ao soneto do seu pai.
Sabe, Poeta, estou a escrever-lhe e a ouvir o Prós e Contras. Não estou a dar muita atenção porque o tema me não é nada simpático - mercados e competitividade - mas oiço o suficiente para cada vez gostar menos. Se estivesse menos cansada escreveria um pouco mais sobre este assunto... ando cansadíssima, meu amigo. Mas estou a ficar cansada de me desculpar com o cansaço :)) Um dia destes sou capaz de fazer mesmo umas feriazinhas da internet. Sinto-me muito mal por querer escrever qualquer coisa e sentir que as palavras me não surgem...
Abraço grande!
De poetazarolho a 27 de Setembro de 2011 às 00:45
Isso não deve ser uma preocupação, porque as palavras surgem quando elas querem.
De poetaporkedeusker a 27 de Setembro de 2011 às 02:35
:) Obrigada pelas palavras reconfortantes mas eu estou a notar uma tremenda diferença... não há muito tempo surgiam-me a toda a hora, por tudo e por nada. Agora parece-me que tenho a cabeça vazia e a memória não está a funcionar como dantes. Espero que seja apenas cansaço mas já começo a ter algumas dúvidas... mas talvez seja cedo para tomar outras medidas que não o descanso. Afinal a situação política e económica está francamente má e tornou-se muito absorvente, aliado ao facto de o Kico e o Beethoven continuarem a exigir-me um esforço maior e muito prolongado. O Beethoven parece estar ligeiramente melhor... já não vomita há dois dias... bem, deve ser mesmo cansaço puro e duro :)) Pode ser que ainda volte a escrever como dantes :))
Abraço amigo!
De poetazarolho a 27 de Setembro de 2011 às 23:12
O dantes quando se cruza com o amanhã já é diferente, se é que me faço entender.
De poetaporkedeusker a 28 de Setembro de 2011 às 00:55
:) Acho que sim, Poeta...
De poetazarolho a 27 de Setembro de 2011 às 00:48
Fui ao Prós e Contras, acabou, só ouvi as despedidas. Foi o último programa de televisão que deixei de ver faz uns largos meses, agora já não vejo televisão.
De poetaporkedeusker a 27 de Setembro de 2011 às 02:46
Quando o tema me parece muito interessante, vejo. Com competitividades é que eu não consigo alinhar... pois se eu considero que essa competitividade é excludente para os menos favorecidos! Disse-se, a páginas tantas, que "há dois tipos de pessoas; as que choram e as que vendem os lenços"... pois não é claríssimo que os "vendedores de lenços" farão os possíveis e os impossíveis para manter o máximo de pessoas a chorar? É a perfeita síntese do capitalismo que se defende nesta pequena frase! Pois não vêem que não venderão lenços nenhuns se se conseguir chegar à justiça social? Mercados, mercados, mercados... estou farta deles! Criem-se condições de trabalho, não gurus da economia capitalista! Já não os posso ver nem pintados!
Desculpe-me o desabafo, Poeta.
Abraço grande!
De poetazarolho a 27 de Setembro de 2011 às 23:10
Os seus desabafos transpiram sabedoria, bem haja.
De poetaporkedeusker a 28 de Setembro de 2011 às 00:56
:) É a minha profunda convicção, em desabafo.
De M.Luísa Adães a 27 de Setembro de 2011 às 12:14
Ítaca
A ilha grega do suave clima...

Aí temos Ulisses, exausto e cansado...

Deixei no Prémios "Mia Couto" para o nosso amigo comum e para os visitantes.
me parece ter interesse e não resisti!

Lindo teu poema!

M. L.
De poetaporkedeusker a 27 de Setembro de 2011 às 14:13
:) Que bom ver-te por cá! Espero que estejas a sentir-te melhor e não a abusar... sei bem que nós tendemos sempre a abusar um pouco quando nos mandam estar quietinhas...
Já conheço o texto e o vídeo do Mia mas vou ver a tua opinião sobre ele!
Até já!
De poetazarolho a 27 de Setembro de 2011 às 23:08
Caro Pedro

Eu e a Mãe lemos com muito gosto OS TEUS POEMAS.
Gostei muito do que a Maria João de Sousa enviou. Podes dizer-lhe que o que vem dela nunca é banal.
Eu não tenho nada para te retribuir o que me mandas com tanta profusão, mas como andei por aí a espreitar O OUTONO, lembrei-me do vento e da ODE ao VENTO que escrevi há muito tempo e agora aí vai...de rajada. O vento é assim, desaparece e logo surge furioso.
Beijos do pai e da MÃE
Eduardo


Ode ao vento

Às vezes penso comigo
Que, quando a hora morta,
O vento me bate à porta
E abala a assobiar
Ele, afinal, é um amigo
A pedir para entrar.

Mas eu deixo-o ir sozinho
P´la noite, à chuva e ao frio
E mesmo assim o vento
Move a vela do moinho
E o barco que sobe o rio
Sem um queixume ou lamento…

O vento, assim solitário
Com um pouco mais de amizade,
Com menos ingratidão,
Seria mais solidário,
Moderava a velocidade
E nunca era tufão.


EDUARDO
De poetaporkedeusker a 28 de Setembro de 2011 às 01:26
Que bonita rima, amigo Eduardo! :)
Gostaria de tentar mas reconheço que a cabeça me está a doer tanto que quase não consigo pensar... mas penso que não hei-de morrer sem tentar!

Se o vento sopra lá fora
Eu fecho a minha janela...
Do lado de dentro dela
Estou quentinha e protegida
Onde o tempo se demora
E onde se me alonga a vida

Mas há sempre um amanhã
Em que as mãos se me distraem
Nalguns trabalhos comuns
E a vontade é coisa vã
Quando as coisas se me esvaem
Sem eu ter poderes nenhuns...

E acho que fico por aqui. :) Estas duas estrofes
já abonam em favor da minha boa vontade muito embora as dores de cabeça e a falta de inspiração :))
Ainda tentei a terceira mas as palavras morreram-me a meio de uma guinada na zona parietal... é melhor desistir enquanto não estrago estas duas estrofes!
Um grande abraço e muito obrigada. Os meus melhores cumprimentos também à sua esposa
e sua amiga Maria Vitória Afonso.





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