.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

À LUZ DAS VELAS - sonetilho

Amigo, este nosso medo

É pão servido nas mesas

Dessas humanas fraquezas

A que eu sei que já não cedo!

 

Não cobiço o teu segredo;

Desfraldei velas acesas

Na mira de outras riquezas

Que durem mais do que um credo…

 

(lá fora é noite cerrada

e aqui, de luz apagada,

só vejo o que eu quero ver,

 

se me esqueço de acender

esta vela, tão queimada,

que pouco ilumina… ou nada!)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 07.09.2011 – 18.54h

 

 

 

 

 

sinto-me :
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publicado por poetaporkedeusker às 19:03
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32 comentários:
De poetazarolho a 7 de Setembro de 2011 às 23:11
“Já não há heróis”

Fui à terra de Cervantes
Tentei encontrar um herói
Já não os há como dantes
É uma pobreza que dói

Antes combatiam dragões
Hoje da sombra têm medo
Ainda falei com o Camões
Não me revelou o segredo

Adamastor tem a liderança
Cospem fogo os dragões
Luso heróis já não existem

Nem Quixote e Sancho Pança
Quero ouvir outras opiniões
Só vejo covardes que desistem.
De poetaporkedeusker a 7 de Setembro de 2011 às 23:34
Não há Sancho nem Quixote
Que me façam desistir,
Sou pior do que um serrote
Que escreva mesmo a dormir

Já não há gente capaz
De honrar suas convicções?
Por uns segundos de paz
Dá-se um país aos vilões?

Já nem sei que responder
A notícias tão terríveis
E tão estranhas novidades!

Fico triste por saber
Como as coisas são sofríveis
Se queremos ouvir verdades...


Olá e obrigada, Poeta! Continuo muito cansada mas lá saiu qualquer coisinha... :))
Abraço grande!


De linhaseletras a 7 de Setembro de 2011 às 23:21
Boa noite Maria João, então como está, este soneto contem muito desanimo, eu tive uma altura da minha vida que só me sentia bem ás escuras mas isso foi muito mau , foi quando tive uma depressão. Espero não ser o seu caso.
Não se preocupe com a capa que havemos de encontrar uma solução, o que interessa é ficar melhor. Um grande abraço e não se deixe ir abaixo
De poetaporkedeusker a 7 de Setembro de 2011 às 23:50
Olá, Idalina! :) Não! No meu caso não tem a ver com depressão... eu estou muitíssimo motivada para fazer coisas, não tenho é força nem poder de concentração para o fazer... pode e tem a ver com o quadro de SAAFS, mas eu atrevo-me a dizer que estou mesmo um bocado "esgotada". Não é fácil entender porque a maior parte das pessoas não compreende quanto é necessário investir para se ter um velho blog de soneto clássico constantemente actualizado... e se eu estivesse bem de saúde, provavelmente não estaria tão exausta... mas olhe que ter o blog todo revisto, é coisa que já tirei da ideia! Ou então não posso mesmo fazer mais nada durante uns largos meses... este soneto é mais direccionado do que parece e tem intenções políticas. Não tem assim tanto a ver com o estado em que realmente me sinto e que seria mais comparável a uma pilha gasta do que a uma vela quase apagada... :)) Mas só estou um bocadinho preocupada por estar ainda mais lenta e limitada. Isso é naturalíssimo porque estava habituada a um ritmo de produção que agora não consigo manter...
Muito obrigada pelo seu cuidado e pelas flores, amiga!
Abraço grande!
Um enorme
De M.Luísa Adães a 8 de Setembro de 2011 às 14:41
Gostei! Muito bom!

Um abraço,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 8 de Setembro de 2011 às 19:01
Obrigada, Maria Luísa! Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 9 de Setembro de 2011 às 15:43
À Luz das Velas
Todas as sombras aparecem e enchem os
lugares vasios.

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 9 de Setembro de 2011 às 15:51
Olá, Maria Luísa! Como estás hoje?
De M.Luísa Adães a 9 de Setembro de 2011 às 16:16
Muito nervosa por dentro. Hoje levo a última injeção e termina o tratamento.

Estou melhor, mas a medicação foi rude e não me deixou muito bem. Tenho de aguardar.
Agradeço o cuidado, mas a 100% não estou!

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 9 de Setembro de 2011 às 17:01
Amiga, o tratamento é bastante eficaz e vais ver que o efeito ainda se fará sentir muito tempo depois do último injectável. Podes não estar a 100% mas, com algum cuidado e repouso, poderás ter um dia a dia quase normal... mas atenção ao computador! É terrível para toda e qualquer coluna! Há posturas que minimizam os riscos... não as saberia descrever mas lembro-me bem de pequenos pormenores... penso que uma pequena elevação do local onde os pés assentam (um banquinho, por exemplo) pode ajudar. Fala com o teu médico.
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 11 de Setembro de 2011 às 10:08
Agradeço o cuidado, mas sinto que o pc me faz muito mal e vou começar a desistir .

A saúde não permite "e quem não escreve a
quem lhe escreve, por melhor que seja
"é esquecido" ...
As multidões não perdoam
àqueles que elegem como ídolos.

E eu já sinto isso!

Um abraço,

Mª. luísa
De poetaporkedeusker a 11 de Setembro de 2011 às 12:54
Tens razão... o computador faz-nos mal, é um instrumento de trabalho muito mais "pesado" do que parece. Se nos ficarmos por esta apreciação imediatista, é provável que comeces a ser menos visitada... mas o trabalho fica. Eu acredito que aquilo que faço - ou fiz... - virá a dar os seus frutos. Vita brevis, ars aeterna.
Espero que melhores e que encontres a forma ideal de vir aos teus poemas de vez em quando, de forma a não prejudicares a tua saúde.
Abraço grande, grande!
De M.Luísa Adães a 11 de Setembro de 2011 às 19:19
Obrigada por responderes,
Me sinto abalada. Isto é uma troca de favores
e me desagrada!

No entanto, tenho muitos amigos e visitantes,
mas essa multidão não tem grande significado.

Tem significado o que sinto!

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 11 de Setembro de 2011 às 19:49
Qual quê?! Responder-te é uma troca de favores? Não! Respondo-te porque isso é o que acontece naturalmente na comunicação! Comunicamos e pronto! :)
Todo e qualquer poeta sonha, lá no fundo, ser lido por quem o entenda... mas sabe que muito poucos o conseguirão. O poema acaba por ser uma vitória da escrita sobre aquilo que se cala. E também penso que a maioria dos poetas tem uma costelazinha de "comunicador social"...
Vou ter de ir lá abaixo mas ainda volto hoje! Tenho alguns sonetilhos que ainda nem li, à minha espera, na caixa do correio. Até já!
De M.Luísa Adães a 12 de Setembro de 2011 às 12:16
Obrigada pelas tuas palavras.

Um abraço,

Mª. Luísa
De M.Luísa Adães a 8 de Setembro de 2011 às 18:37
Mª. João

Hoje não te encontrei, Que se passa?

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 8 de Setembro de 2011 às 19:09
Desta vez, nada de especial. Quando vinha do C. Paroquial encontrei a D. Isa com umas amigas que não via há muito tempo e decidi que só poderia fazer bem ao meu cansaço ficar uma tarde sem me preocupar com a bicheza e os poemas... e penso que fiz bem. Ando mesmo muito cansada e assim quebrei um pouco esta rotina que, parecendo que não, tem o seu quê de cansativo. Estás melhor?
De M.Luísa Adães a 9 de Setembro de 2011 às 15:45
Por vezes é necessário!

Um abraço,

Mª. Luísa
De PaperLife a 8 de Setembro de 2011 às 19:06
Lindo Maria! :D
Um soneto simples mas que diz tudo! ^^

(e da maneira que isto anda, daqui por uns tempos vamos voltar a usar velas em vez de lâmpadas :P )
De poetaporkedeusker a 8 de Setembro de 2011 às 19:14
Sem dúvida, Paper! :D E só os mais abastados poderão comprar as velinhas porque, quando a procura aumentar muito, os preços subirão em flecha! São as manhas deste sistema capitalista... :
Abraço grande!:)
De poetazarolho a 10 de Setembro de 2011 às 00:34
“Poema emprestado”

Sonhos não foram roubados
Apenas partiram pr’a guerra
Hão-de regressar reforçados
Pl’o cheiro a sangue e a terra

Nunca esquecem o seu autor
Mesmo mortos em combate
Pode-se abater um sonhador
Mas um sonho nunca se abate

Porque assim pode ser o sonho
Livres, genuíno, de força imensa
Tão semelhante à própria poesia

E se a liberdade não tem dono
Sonho também não tem pertença
Já este poema é teu por um dia.
De poetaporkedeusker a 11 de Setembro de 2011 às 02:07
Este aqui, poeta amigo,
É bem NOSSO de certeza!
Cresceu, qual espiga de trigo,
Fez-se pão em qualquer mesa

Vão-se os meus olhos fechando,
Mal comando estas letrinhas
Que os meus dedos vão teclando...
Mas são nossas, não são minhas!

Talvez acorde amanhã
Mais tarde do que o costume
Quem sabe, menos dorida...

Estarei mais ou menos sã
E arderei no mesmo lume
Que se acende em cada vida

;-) Abraço gde!
De poetazarolho a 11 de Setembro de 2011 às 01:15
“Cala-te Narciso”

Sonhos estão em metamorfose
Pelo menos eu assim acredito
Ou será utopia em grande dose
Tal como Narciso me havia dito

Não sei mas perguntei ao Dalí
Que me respondeu em abstracto
Mas confesso que sobrevivi
Apesar da utopia ser um facto

Cala-te Narciso, respondi eu
Não quebres ao mestre o pensar
Espera a metamorfose acontecer

Mas o mestre já não respondeu
Parou, pensou e desatou a pintar
Assim Narciso acabava de renascer.
De poetaporkedeusker a 11 de Setembro de 2011 às 01:52
Assim renasce Narciso
Mas, desta vez, mais prudente,
De elaborado juízo,
Muito menos reticente...

Vai medindo o novo piso,
Estuda a terra e a semente...
Vem mais firme e mais conciso;
Pensa tanto quanto sente!

Sonha ainda, claro está,
Mas sozinho não estará
No trabalho que elabora

Noite escura. Faz-se tarde...
- Narciso, que Deus te guarde!
- vou dormir um pouco agora... -

:) Abraço grande!

De poetazarolho a 11 de Setembro de 2011 às 01:53
“Economista alentejano”

Andam por aí à molhada
Antigos economistas chefe
Mas a julgar pelo regabofe
De economia não vêem nada

São de Harvard e americanos
Mas os canudos caducaram
É que as previsões falharam
Estão de rastos os fulanos

Antes fossem alentejanos
E compadres do bel canto
A análise demorava anos

O sucesso seria um espanto
Pois mesmo havendo enganos
A crise caducava entretanto.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 11 de Setembro de 2011 às 13:46
Prof Eta, estou a ser "sabotada" pela minha bicheza que está toda - são quatro - a vomitar. Vou ter de largar o pc por algum tempo mas volto assim que puder!
Até já!
De poetazarolho a 11 de Setembro de 2011 às 02:28
“Congresso”

Costa levantou-se da cadeira
E deu uma volta ao camarim
Ficou com uma grande bandeira
Porque o Seguro não fez assim

Cá vamos sabendo do congresso
Dum grande partido imputável
Faz parte do nosso progresso
É tudo gente muito impecável

Problema não está na ideologia
Todas elas têm ideias positivas
Reside no ser humano a questão

Que a ideologia na gaveta metia
Em busca de algumas alternativas
Para nos espremer até mais não.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 11 de Setembro de 2011 às 15:19
Nada sei de António Costa.
Penso que é boa pessoa
Mas vai ficar sem resposta
Porque, nisto, eu ando à toa...

De Seguro... ainda menos!
Do muito pouco que sei
Não me sobram nem uns remos
Pr`a vos mostrar que remei...

No ser humano reside
Toda a sua humana essência
Mas ele vive em sociedade

E a essa... quem preside?
Ou a fome é "aparência"
E um direito é só "maldade"?


Poeta, vou agora tomar um café porque, senão, ainda adormeço aqui... os meus meninos patudos não estão nada bem... e o pior é que só a dois deles eu consigo dar o Primperan. O Garfield e o Sigmund defendem-se com unhas e dentes e eu não posso arriscar por causa de estar anti-coagulada. Um arranhãozito pode mandar-me para o outro mundo em três tempos e eu ainda tenho muito que fazer :) Beijinhos e até daqui a pouco!
De poetazarolho a 11 de Setembro de 2011 às 12:50
“A posta restante”

Quem pelo sonho passeia
Anda muito desenganado
Não é sonho a verborreia
E o sonho já foi roubado

O larápio foi identificado
Nada de mal lhe aconteceu
Pelo contrário foi ilibado
E carta de alforria recebeu

Carta confere imenso poder
É do poder que ele mais gosta
Além do sonho já pode roubar

Rouba tudo a seu bel-prazer
Para nós resta a ínfima posta
Assim o estamos a mandatar.
De poetaporkedeusker a 11 de Setembro de 2011 às 13:42
Nem todos subscreverão
O poder do capital.
Um dia, a bem ou a mal,
Haverá revolução!

Já o sonho foi roubado
Mas algum, mais persistente,
Resistirá alojado
No peito de muita gente!

Venho de uma fome antiga
Que é tão velha como a vida
E que, mais tarde ou mais cedo,

Derrubará quanta intriga,
Quanta vontade traída
Agora nos meta medo!


Abraço!!! Grande!

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