.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

ASSIM É O POEMA

 

Numa noite qualquer de um qualquer Verão

Vislumbrei uma estrela que passava

E, fixando esse rasto que brilhava,

Fiz dele sopro de voz, poema em vão

 

Poema só não passa se lhe dão

A cuidada atenção de quem o escava

E é, tal qual um vulcão rompendo em lava,

Um grito, um brilho intenso, uma explosão

 

Mas, tanto a lava quanto a estrela errante,

Podem surgir-nos a qualquer instante,

Abalar-nos, tocar-nos de repente

 

E assim é o poema quando surge;

Uma força impensável que nos urge

Como urge o alimento a toda a gente…

 

 

Maria João Brito de Sousa – 25.08.2011 – 14.20h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 14:26
link do post | "poete" também! | favorito
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20 comentários:
De Zilda Cardoso a 25 de Agosto de 2011 às 21:11
Não se pode dizer muito sobre um poema! Gosto.
De poetaporkedeusker a 25 de Agosto de 2011 às 21:38
Tem toda a razão, Zilda! Eu também não consigo tecer grandes comentários sobre os poemas que vou encontrando por aí. Por muito bons que sejam, parece-me que os ofendo se falar muito deles... :)
Abraço grande e muito obrigada!
De poetazarolho a 26 de Agosto de 2011 às 00:05
“Adivinha”

O poder ofusca a razão
Política é o complemento
O capital é o condimento
E o ex-líbris é a corrupção

Passas a ser moeda de troca
De equilíbrios impossíveis
Os danos não são visíveis
Porque o mal não te toca

Vives na redoma de vidro
Blindado pela economia
És a nossa maior desilusão

Lixas o mais desfavorecido
Aquele que já não podia
E que faz das tripas coração.
De poetaporkedeusker a 26 de Agosto de 2011 às 00:45
O poder sempre ofuscou
Tanto ou mais do que o dinheiro!
Estou pr`a ver quem o negou
Ou o recusou primeiro...

Só não sei que adivinhar
Mas talvez não seja mau
Ficar a conjecturar
Sobre um boneco de pau...

Mas o poema é bem-vindo
Embora eu nunca adivinhe
Tão grande interrogação

E neste terceto eu findo
Com qualquer que se avizinhe
Pr`a lançar-me em confusão! :))


Fico à espera, se me for dado saber a resposta a esta adivinha, Poeta... :)

Abraço enorme! <3
De poetazarolho a 26 de Agosto de 2011 às 00:12
“O figo”

Mais poderosa do mundo
Deste mundo de papelão
Em breve baterá no fundo
É o efeito da globalização

China chama-lhe um figo
E vai metê-la num chinelo
Dá ouvidos a este amigo
Que mais isto eu te revelo

Neste nosso mundo global
Andam a dividir pr’a reinar
Através da ultra especulação

Por isso teu poder é virtual
Apenas poderíamos singrar
Fazendo uma enorme união.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 26 de Agosto de 2011 às 01:05
Mais poderosa do mundo?
Não sei bem quem possa ser
E, aqui, até me confundo
Com tão infindo poder...

Falarás de uma nação?
Da americana, talvez,
Ou da sua convicção
Nas coisas em nem crês...

Tu não crês, nem eu o creio
Não podemos ter receio
Porque essa união virá

E se ainda não falei
É porque aquilo que sei
Pouco vantagem trará...


Também aqui fico à espera, Poeta!
Um enorme abraço! :)
De poetazarolho a 26 de Agosto de 2011 às 23:36
“Procura-se”

Hoje vamos acabar com isto
Só que isto nunca mais acaba
O homem nunca mais foi visto
Mas todos sabem onde estava

Aqui joga-se ao gato e ao rato
Procuram-no vivo ou morto
No hotel, vivenda ou buraco
Terá sido visto no aeroporto

Não importa isto é divertido
Manda-se uns tirinhos pr’o ar
Umas bazucadas na moradia

Provavelmente terá fugido
A Nova York terá ido almoçar
Com uma bela loira quem diria.
De poetaporkedeusker a 26 de Agosto de 2011 às 23:42
Poeta, estou a ver um interessantíssimo vídeo sobre ... olhe, sobre a humanidade e os sistemas que eu rejeito desde sempre. Tentarei vir ainda hoje responder... mas não necessariamente levando à letra a "caça ao homem"...
Abraço grande!
De poetazarolho a 26 de Agosto de 2011 às 23:44
Que sistemas ?
De poetaporkedeusker a 27 de Agosto de 2011 às 00:58
:) O económico e o monetário, Poeta. Mas, se de início achei bom demais para ser verdade, o final já não me convenceu assim tanto... é um trabalho de gerações e gerações, passar de um mundo como o nosso, tão dividido em termos sociais, para o mundo edénico do futuro... eu sei que podemos não ter esse tempo todo antes de esgotar os recursos naturais e antes que o sistema capitalista entre em colapso... mas isto anda a ser estudado há muitos anos e eu conheço demasiadamente bem o ser humano para acreditar em grandes panaceias por ele criadas...
Nenhuma grande convulsão social se faz - ou fez... - sem derramamento de sangue... e falo de convulsões ao nível de países, não de uma mudança repentina à escala mundial. Mas deve saber do que se trata... www.zeitgeistmovingforward.com
De qualquer forma fiquei sem inspiração nenhuma para poetar. As realidades descritas no início, nada têm de fantasioso e a minha cabeça vai levar muito tempo a processar a parte final do vídeo.
Posso tentar de manhã... ou ainda esta madrugada se o vídeo me tiver tirado o sono...
Abraço grande! :)
De poetaporkedeusker a 27 de Agosto de 2011 às 04:06
Nem mosca ou mesmo formiga
Eu perseguiria assim...
O meu cãozito que o diga
Pois não tem medo de mim...

Já estou a ficar cansada
De tanta perseguição
Por uma razão que em nada
Pode ter qualquer razão

Nestas respostas que dou
Falo mais do que devia
Mas bem menos do que quero

Bem vê, Poeta, assim sou;
Tão capaz desta "avaria"
Quanto do que já nem espero...


Este ainda me nasceu, Poeta. É um bocadinho "tonto" e tem um final ambíguo, mas para quem já está a dormir em pé, poderá considerar-se aceitável :) Para o soneto do seu pai é que já não dá... por muito que o meu corpo esteja a responder ao cansaço, a minha cabeça ainda está às voltas com aquela transição final que eu, exactamente por ser tão imune a publicidades e afins, não consigo ver tão cor de rosa como eles pretendem fazer parecer... esta malvada sinceridade só me deixa "engolir os anzóis" que me digam respeito a mim mesma. Quando é a humanidade inteira que está em jogo, não engulo coisa nenhuma.
Abraço grande!
De poetazarolho a 26 de Agosto de 2011 às 23:43
“Nova luz”

Uma nova estrela nasceu
Lá longe no firmamento
Sua luz ainda não apareceu
Ansiamos o seu surgimento

Dizem que é luz de bonança
Sua aurora será de rara beleza
Traz raios novos d’esperança
Mas quem pode ter a certeza?

Ela própria também não a tem
Mas viaja rápida e pujante
Pois acredita num novo valor

Confiante aponta para Belém
Leva atrás um mar de gente
Disposta a venerar o Salvador.
De poetazarolho a 26 de Agosto de 2011 às 23:59
G 20

Remédio urgente

A Terra está doente e não tem cura
Caminha, acelerada p`ro abismo…
A moléstia que tem é a loucura,
O vírus que a causou capitalismo

Reúnem-se, agastados, à procura,
Os mentores que eivados de cinismo,
Declaram que é bem que sempre dura
Mas que bem cedo eclodirá em sismo

Convictos de que nada se consome,
De acordo com uma lei universal,
Transformaram a fartura em fome

E o remédio é isolar o vírus,
Segundo uma lei medicinal…
Ou, então, a eutanásia, feita a tiros!

EDUARDO
De poetaporkedeusker a 27 de Agosto de 2011 às 01:18
Olá, meu amigo Eduardo!

Por tudo isso fiquei efectivamente sem inspiração nenhuma, nenhuma, para poetar e muito menos em soneto. Este vídeozinho que já viu é fancamente indigesto na sua fase final! Dei comigo a acenar afirmativamente durante a maior parte dele mas, no último terço, começou-me a cheirar a "esturro"... desculpe-me o vernáculo. Cheira-me a manipulação de massas. Não sei como o encara mas sei que eu não tive ainda tempo para o digerir. Não por mim... mas também por mim. Sobretudo porque já vivi o suficiente para entender como as boas intenções podem dar péssimos resultados quando postas em prática.
Agora vou tratar de limpar as minhas caixas de correio porque cada vez sinto mais que este mundo precisa mesmo de boa poesia. Vou preparar o poetaporkedeusker para funcionar, quando chegar a hora :) ou, caso não funcione, vou preparar-me a mim para analisar a parte final do que vi.
Um abraço grande!

Maria João
De poetaporkedeusker a 27 de Agosto de 2011 às 15:49
Eduardo, este sonetilho que agora mesmo me nasceu vem mesmo, mesmo a calhar para resposta a este seu soneto do G 20! Também vem a calhar para o do Pedro, mas eu, depois, levo-o para a caixinha de comentários do blog dele. Deixo-lho aqui e, apesar de não ser um bom poema - tem no entanto toda a correcção formal e métrica que se pode exigir ao sonetilho - tenho a impressão de que o vou publicar como post! É muito demonstrativo daquilo que eu sou e, por isso, dou-lhe honras de post.
Um grande abraço e muito obrigada por me deixar estes seus sonetos e esparsas!
Se outra estrela, além daquela
Que me conduz, me ilumina,
Colidir, algures, com ela
Tentando mudar-me a sina,

Morrerei por minha estrela
Porque ninguém me confina
A estrelas diferentes dela
Sob ordens de outra doutrina!

Morro dizendo que não
A qualquer imposição
Que não venha desse rasto

E de um brilho milenar
Que me obriga a poetar
E me diz que assim me basto!


Maria João Brito de Sousa – 27.08.2011 -15.31h


De poetazarolho a 28 de Agosto de 2011 às 16:47
Caro Pedro

Cá recebi esse Natal. O natal já não está longe e o da beterraba também não. Pode ser que seja açucarado.

Agradece à Amiga Maria João de Sousa aquele belo sonetilho que ela diz ter sido inspirado pelo meu G 20. Sinto-me muito honrado por ter sido fonte de inspiração de tão insigne Musa.

Até logo

Eduardo.
De poetaporkedeusker a 29 de Agosto de 2011 às 00:43
Caro Eduardo,

Eu é que lhe agradeço! Não me conhece pessoalmente ou não me dedicaria tão delicada adjectivação. Sou mesmo uma pessoa banalíssima... com excepção do cabelo, demasiado comprido - e cheio de "brancas" - para ser banal. Mas sou mesmo o tipo de pessoa que gosta de estar no seu cantinho, a escrever e a tratar da bicharada... só acredito mesmo que tenho alguma vocação para a poesia e, com muito trabalho, o blog lá vai crescendo... como a minha força muscular já é pouca só para tratar da minha higiene e da da bicharada e, para mim, a pintura é um verdadeiro "corpo a corpo" com uma tela, ao qual já nem me atrevo a responder, canalizo todas as minhas energias criativas para os poemas. Penso ser uma boa "economista" dos dons que nasceram comigo e que, de alguma forma, foram potenciados pela infância feliz que tive o privilégio de viver.
Muito obrigada por ter gostado do meu sonetilho! Um abraço para si e para a sua esposa!

Maria João
De poetazarolho a 27 de Agosto de 2011 às 09:06
Já com os devidos acertos, que ontem foi à pressa, aí vai o soneto que te ofereci. Se quiseres, manda à insigne poetisa Maria João de Sousa.

Para o Pedro – pensador em sonetilhos e que tem um blog intitulado «Poetazarolho»

Belos sonetilhos escreve, à molhada
E todos os dias me manda um molho,
Deixa minha alma, sempre, extasiada
Pois, embora o diga, não é um «zarolho»

E lá vão chegando, sem eu dar por nada
Se vou ao Gmail e mal para lá olho
Aos três e aos quatro, todos d´assentada
E todos servidos com o mais puro molho.

Já tenho cismado: onde irá beber
Tanta humanidade e profundo brilho?
Mas eu continuo a não entender.

Queria eu pensar que é hereditário,
Já que o pensador, até é meu filho…
Mas se ele assim cresce, eu cresço ao contrário.

EDUARDO
De Isabel Maia Jácome a 29 de Agosto de 2011 às 21:33
... gosto, entendo e sinto o que diz!
Abraço bem forte!
Isabel
De poetaporkedeusker a 29 de Agosto de 2011 às 22:06
Muito obrigada por entender e sentir, Isabel! Não é muito fácil encontrar quem o saiba fazer e é tão reconfortante! :)
Abraço enorme!

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