.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sábado, 20 de Agosto de 2011

O SEU DIREITO A FALAR - Sonetilho

Amigo, são simples telas,

Todas de um branco lunar,

Que vês azuis e amarelas

Depois de eu as trabalhar

 

Se souberes olhar pr`a elas

Com olhos de procurar,

Verás que todas são selas

De um corcel por inventar

 

São óleos e aguarelas

Das ondas deste meu mar

Que, tal como as caravelas,

 

Partiram pr`a conquistar,

Contra todas as procelas,

O seu direito a falar

 

 

Maria João Brito de Sousa – 20.08.2011 – 13.50h

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 14:05
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17 comentários:
De João Chamiço a 20 de Agosto de 2011 às 16:02
Sempre bonito e sempre perfeito. Muitos parabéns!!!!
De poetaporkedeusker a 20 de Agosto de 2011 às 21:14
Obrigada, amigo João! :)
Abraço grande!
De linhaseletras a 20 de Agosto de 2011 às 23:14
Olá amiga , belo "sonetilho" não é este o nome que se dá a esta maneira de escrever?
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Olá amiga , belo "sonetilho" não é este o nome que se dá a esta maneira de escrever? <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Entã</A> aqui vai o comentário. <BR><BR>Podem ser simples as telas, <BR>Mas se olhares com atenção, <BR>Verás que há muitas estrelas, <BR>A brilhar na escuridão. <BR><BR>Podem até ser corcéis , <BR>Galopando para o futuro, <BR>Mas saem de alguns pincéis , <BR>Escondidos atrás dum muro. <BR><BR>Um muro que esconde Amor, <BR>Paixão e muita labuta, <BR>E desejos de vencer. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Tambem</A> com alguma dor, <BR>Que com a esperança disputa, <BR>O direito de viver. <BR>Um grande abraço e um bom domingo <BR><BR>

<img src="http://blogs.sapo.pt/images/mood/EMOTICON_FALLINGSTAR.png"> <BR>
De poetaporkedeusker a 20 de Agosto de 2011 às 23:32
O sapo está completamente doido, minha amiga! Comigo tem sido uma "festa" de saltos e pulinhos... para não falar de uns lampejos aqui e além... mas, sim! Chama-se sonetilho e tem a mesma estrutura formal do soneto, só que é feito em redondilha maior... a Idalina, no início, escrevia muitos! Agora é que já vai no soneto-soneto :) Vêm-me de vez em quando... acho que é "por fases" :))
Um grande, grande abraço... um tanto ou quanto envergonhado, por ser para si. Olhe que eu sou muito "avessa" a vergonhas mas. neste caso, abro uma excepção...
De linhaseletras a 20 de Agosto de 2011 às 23:21
Meu Deus o sapinho está louco.
Vou fazer tudo de novo

Podem ser simples as telas,
Mas se olhares com atenção,
Verás que há muitas estrelas,
A brilhar na escuridão.

Podem ser até corcéis,
Galopando para o futuro,
Mas saem de alguns pincéis,
Escondidos atrás de um muro.

Um muro que esconde Amor,
Paixão e muita labuta,
E desejos de vencer.

Tambem com alguma dor,
Que com a esperança disputa,
O direito de viver

Um grande abraço e um bom domingo
De poetaporkedeusker a 20 de Agosto de 2011 às 23:46


O direito de viver
E o dever de partilhar,
Um nadinha pr`a comer
E o resto pr`a poetar!

Se há uma estrela nas telas,
Se há papoilas numa seara,
Se fazemos coisas belas,
Não seremos coisa rara

Porque aquilo que fazemos
Só poderá ter valor
Se outro alguém o entender

E, às vezes, nem nós sabemos
Se nasce seja o que for
Do que pensamos fazer...

Este saiu muito, muito coxinho! O seu está muitíssimo mais fluido e tem um ritmo muito bom!
Abraço GRANDE! :)






De poetazarolho a 21 de Agosto de 2011 às 00:44
“Casa assombrada”

Poema de amor nem pensar
Não me sinto para aí virado
Já um de terror vem a calhar
Nem sequer estou assustado

Na esquina a casa assombrada
Faz subir a emoção ao limite
Fecho a porta, subo a escada
Estala o chão, não sei se grite

Meu coração já quer rebentar
Escuto enfim estrondo enorme
Um fantasma vem-me receber

Faz-me um gesto pra não gritar
Que o conde drácula já dorme
Se acorda meu sangue vai beber.
De poetaporkedeusker a 21 de Agosto de 2011 às 01:46
:)

Do conde, não tenho medo
Mas , do vampiro... já tenho!
Confesso este meu segredo
Que nem sequer tem tamanho;

Há, por aí, tais vampiros
A sugar o sangue à gente
Que, mesmo que fossem giros,
Não os queria pr`a semente!

Suba ou desça a minha escada
O meu medo é sempre igual
Que eu sempre fui descarada... :))

Mas... um grito não faz mal
E eu já gritei na esplanada
Por um mosquito espectral!!! :))

Olhe que esta do grito por causa do mosquito :)) é mesmo verdadeira! Acho que é mesmo a única coisa que me consegue fazer gritar...
Abraço grande e muito obrigada, Poeta! Bom Domingo! :)


De poetazarolho a 21 de Agosto de 2011 às 01:14
“Tudo num segundo”

Manuais escolares caros
E não duram um segundo
No meu tempo eram raros
Mostravam todo um mundo

Também não havia fartura
Nem os gadgets de marca
Nada um segundo perdura
Hoje, e a fartura nos abarca

Mac donalds e coca cola
Emborca lá outra vez
E calça esses ténis baris

Antes ias descalço prá escola
Chegavas com bolhas nos pés
E o ranho a pingar do nariz.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 21 de Agosto de 2011 às 02:00
Não tarda muito, Poeta,
Volta a moda "sem sapatos"!
Isto vai em linha recta,
Direitinho para os ratos!

Com ranhoca no nariz,
Pois então, como era dantes!
Há-de haver alguém feliz
À conta dos meliantes...

Coca-cola? Nem pensar!
Só água... e vinda do céu
E hamburgers... só um por mês!

Se estou a extrapolar
Não será por erro meu...
São previsões, como vês!


Já vi que estou muito coxinha hoje :)) Mas estou a responder a primeira coisa que me vem à cabeça assim que leio os seus sonetilhos... se calhar, se pensasse mais, ficava mais caladinha :))
Mas, paciência! estou a fazer jus à liberdade de expressão que ainda não deixou de ser constitucional!
Beijinho e abraço grande! :)
De poetazarolho a 21 de Agosto de 2011 às 11:44
Aí vai um retrato de infância. É verdadeiro, dos meus tempos do Gil Vicente, em Lisboa.

19 de Agosto de 2011 – Dia Mundial da Fotografia


RETRATO do PASSADO

Nesta aldeia global
Todos os dias há um dia
Tornou-se habitual,
Hoje é o da fotografia.

Esta da aldeia global
Trouxe-me logo à ideia
A minha pequena Aldeia
No concelho do Sabugal.

E a da fotografia
Lembrou-me um sábio Professor,
Leccionava Geografia
E era investigador
Quando ele veio a conhecer
Minha origem de Beirão,
Chamou-me pr´a me dizer,
O tal doutor sabichão:

-Escuta lá, rapazito
Agora pelo Natal
Trazes-me, lá do Sabugal
Umas casas de granito.
Respondi à brincadeira:
-a minha é a mais pequena
Mas, mesmo assim, tenho pena
Não me cabe na algibeira.

-Ouve lá, ó meu basbaque
Julguei que me entendias,
Eu quero fotografias…
Vou emprestar-te um Kodak.

Aí fui eu, todo fadista
De kodak pendurado
Armado em turista
Pr´a dar conta do recado.

As mocinhas lá da aldeia
E até as minhas tias,
Todas tiveram uma ideia:
Pousar p´ras fotografias

E todas aperaltadas
Junto às casas de granito
A olhar p´ro passarito
Ficaram lá pespegadas.

O Navas, o meu professor
Lá fez a revelação
E disse-me, com furor:
-Ouve lá, ó parvalhão,

Eu até te tinha dito
Que p´ra minha colecção
De casas de Portugal
Queria casas de granito
Do Concelho do Sabugal
E não bonecas de papelão.


Eduardo
De poetaporkedeusker a 21 de Agosto de 2011 às 15:58
Muito obrigada por este seu delicioso poema, Eduardo! É curioso - mas é assim mesmo! - como a sua poesia tem a sua marca. Ao fim de ler dois ou três versos já estava a dizer para mim mesma; "Este é do Eduardo!" Mas eu explico porquê... nem tencionava vir até cá porque tenho imenso que fazer em casa e amanhã vai ser um dia daqueles horríveis porque tenho de ir ao hospital. Nasceu-me um soneto sem eu saber como e decidi vir só publicá-lo quando vi que havia um comentário do Pedro. Também não sei porquê, passou-me pela cabeça que ele tivesse vindo deixar o seu sonetilho um pouco mais cedo e só quando comecei a ler vi que o ritmo e a linguagem eram suas. Acho isto uma maravilha! Posso ser palerma e maravilhar-me com coisas a que ninguém parece ligar muito, mas é assim que eu sou... acho mesmo uma maravilha sermos capazes de reconhecer um amigo só pela sua forma de escrever :)
Um grande abraço para si e para a sua esposa, amigo Eduardo. Os meus votos de um excelente Domingo! :)
De Isabel Maia Jácome a 21 de Agosto de 2011 às 12:39
Para variar... lindo! e cheio do muito sentido que toda a arte tem, seja na tela, seja na palavra. Saudades minha querida poeta e obrigada pela sua amizade em que acredito e de que me sinto lisonjeada.
Saudades
Isabel
De poetaporkedeusker a 21 de Agosto de 2011 às 15:45
Muito obrigada pela sua visita e pelas suas palavras, apesar do momento menos feliz por que está a passar!
Hoje o meu tempo online vai ser muito reduzido porque a bicharada está num dia "não" e eu tenho de ir ao hospital amanhã, muito cedinho, fazer exames. Pensei nem vir até cá mas, nem eu sei como, nasceu-me um soneto e senti a necessidade de o vir publicar.
Um enorme abraço, Isabel. Para todos vós! :)
De PaperLife a 24 de Agosto de 2011 às 12:38
Ando mesmo desactualizada, ainda não tinha lido este :$
Mas está lindo, como qualquer um dos sonetos que aqui tens :)
A imagens condiz tão bem com as tuas palavras ^^ foste tu que pintas-te? :)
De poetaporkedeusker a 24 de Agosto de 2011 às 17:48
Sim, Paper, é uma das minhas telas e já foi pintada em 1999... é grande. Tem cerca de 1 metro por 80 cm e, de alguma forma, é uma representação de mim :)

Abraço grande!
De PaperLife a 24 de Agosto de 2011 às 12:39
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