.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

ENVOLVÊNCIA&ALARME - Sonetilho

 

Não importa de onde venha

Se toda inteira me envolve

Numa carícia tão estranha

Que só a escrita a resolve

 

E, de um só golpe me apanha,

De um só golpe me dissolve

Numa languidez tamanha

Da qual já ninguém me absolve,

 

Que mais valera calar-me

Sem sequer tentar explicar

Por que razão hei-de eu dar-me

 

Numa envolvência sem par

Sem que soe o tal alarme

Que me costuma alertar…

 

Maria João Brito de Sousa – 17.08.2011 – 19.21h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 21:48
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|
15 comentários:
De poetazarolho a 17 de Agosto de 2011 às 23:26
“Syntagma”

Ficaram por lá as almas penadas
As pessoas passam apressadas
Olham, sentem-se embaraçadas
E algumas discutem intrigadas

Almas permanecem acomodadas
Nas suas tendas estão alojadas
Vêem-se as cuecas penduradas
Cartazes com palavras desgarradas

A dois passos está o parlamento
As lindas ruas chiques de Atenas
Compras, azafama, uma esplanada

Protesto arrefeceu, secou o lamento
Os turistas tiram uma foto apenas
Captam o instante da alma penada.
De poetaporkedeusker a 18 de Agosto de 2011 às 00:35
O que se passou por lá
Também vai passar-se aqui
Mas não sei no que dará
Porque ainda o não vivi...

Semente a desabrochar
Por dentro da lucidez
De quem quiser desmontar
As mentiras que aqui vês,

Quantos braços, quantos cravos,
Quantas vozes descontentes
Se erguerão em Portugal?

Ou vamos todos ser escravos
E quedar-nos sorridentes
Para quem nos faz tão mal?


:) Abraço GRANDE!


De poetazarolho a 17 de Agosto de 2011 às 23:32
“Ele e a sua sombra”

Andam loucos por cobrar
Nestes dias de incerteza
Até quando irá durar ?
A malta está quase tesa

Era pró Natal é pra mim
Transportes venha a nós
Na electricidade é assim
Não tomamos banho sós

Este pântano é bem maior
Do que os antes falados
Do inferno se fará céu ?

Não creio, está bem pior
Ficaremos todos atolados
Então e o louco sou eu ?

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 18 de Agosto de 2011 às 00:19
Penso que maior loucura
Seria a de acreditar
Nesta "predação" obscura
De quem só quer trabalhar!

Maior loucura seria
Dar tudo e ficar contente
Quando a justiça diria
Que isso era um roubo indecente...

Há muito entrei nas medidas
Da poupança radical
E do aperto do cinto

Mas há gentes divididas
Entre a compra de um jornal
E uma carcaça com tinto...

Beijinho grande, Poeta amigo! :D Boa noite!

De M.Luísa Adães a 18 de Agosto de 2011 às 17:54
"Porque razão hei-de eu dar-me
Numa envolvência sem par
sem que soe o tal alarme
que me costuma alertar..."

Lindo, lindo, lindo!

Ainda estou de férias e te respondi nos
"7degraus" e disse:

Maria João

Eu não escrevi um sonho,
Escrevi uma realidade...

Mª. luísa
Um beijo,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 19 de Agosto de 2011 às 00:24
Vou já ao 7degraus, amiga! quero relembrar cada palavra que te disse... ou escrevi! Isto é, se o 2008 não resolver desmaiar outra vez...
De poetazarolho a 18 de Agosto de 2011 às 23:11
“Mil futuros”

Mil futuros vão existir
Serão de passados mil
Não serão por descobrir
Perguntas qual é o ardil?

São os passados a repetir
Pela força do esquecimento
Que o que passou há-de vir
Esta é lei em movimento

É um movimento perpétuo
Na sua forma sinusoidal
Por isso o filme que vês

É em círculos e não recto
Novidade é circunstancial
Já que o visionarás outra vez.
De poetaporkedeusker a 19 de Agosto de 2011 às 00:53
O novo é circunstancial
Mas vem sempre acrescentado
De algo novo que, afinal,
Nunca existiu no passado...

As variáveis são tantas
Que são sempre irrepetíveis
Nos animais e nas plantas
Com ciclos imprevisíveis

Na espiral de que me falas
Há sempre um ou outro ponto
Do circular movimento

A surgir do que tu calas
Como aquele que conta um conto
E o lança aos braços do vento... :)

Beijinho, Poeta! Já li, já vi e acho uma maravilha! Não é só poema, é o resto :)
De poetazarolho a 19 de Agosto de 2011 às 09:32
OK, irei dando cada passo e informando.
De poetazarolho a 18 de Agosto de 2011 às 23:21
“A festa do culpado”

Por sermos humanos erramos
Culpa morre sempre solteira
Aos outros não desculpamos
Quando fazem alguma asneira

Solteira morreu a avó da culpa
Não se conhece descendência
Se tiveres uma boa desculpa
Terás a nossa condescendência

Por tudo isto já não há culpados
Podemos errar e fartar vilanagem
Com os erros tentamos aprender

Morta a culpa estamos desculpados
Se errando é fraca a aprendizagem
Não teremos que nos arrepender.

Pro Eta
De poetaporkedeusker a 19 de Agosto de 2011 às 01:06
Verdade mais verdadeira,
Não existe se eu disser
Que fiz muito boa asneira
Só pr`a poder aprender!

Se duma culpa falei,
Culpada não me senti...
Tão naturalmente errei
Que o fiz e logo assumi...

E se eu não tivesse errado
Quem me diria que o certo
Estava ali, ao meu alcance?

Tudo é bem mais complicado
Mas vai sendo descoberto
A cada novo relance...


Abraço grande, Poeta!!! :)
De poetazarolho a 19 de Agosto de 2011 às 21:00
“Discurso da flôr”

Enchi de silêncio minhas palavras
E vazei meu copo de um só trago
Vi o ar de espanto que mostravas
Por ficar no ar este discurso vago

O silêncio extraíste das palavras
Com ele construíste uma linda flôr
Muda, com a qual sempre falavas
Contigo ela comunicava pela côr

Na arte suprema da comunicação
Esta relação nunca mais cedeu
Assim pela primeira vez na vida

Rebelde, entendeu o teu coração
Repleto de côr este discurso meu
Ausência de palavras foi resolvida.
De poetaporkedeusker a 19 de Agosto de 2011 às 22:22
Ausência, ausência... não era...
Mas era tudo tão vago
Que eu quis optar pela espera
Nesta indecisão que trago

Estando sempre preparada
Para o que der e vier
Prossigo na minha estrada
Como outro humano qualquer...

O Sashimi adoptou-me
- é um gato abandonado... -
E eu não posso dar-lhe abrigo

Mas, desse encontro, ficou-me
O estranho sabor negado
De um eterno novo amigo...

Obrigada, Poeta! Por favor, faça circular por aí que há um gatinho abandonado aqui, perto de minha casa... é um gato macho, jovem, tigrado e que foi obviamente abandonado. O nome fui eu quem lho deu e ele aceitou-o à primeira. É muito, muito meigo e deve ter crescido numa casa onde havia cães pois só hoje começou a aprender, da pior maneira, que os cães não se dão muito bem com gatos desconhecidos.
Abraço grande!:)
De poetazarolho a 19 de Agosto de 2011 às 21:09
“Bola de berlim”

Este mundo não é meu
Eu também não o queria
Mas se alguém o comeu
Ficou com grande azia

Era lindo e amarelinho
Aberto bem a preceito
Estava bem recheadinho
Com um creme perfeito

No final lambe os dedos
Arrota de agradecimento
Para terminares o festim

Bate a sorna sem medos
Acordas em sofrimento
Indigesta a bola de berlim.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 19 de Agosto de 2011 às 22:33
Bem bom! Bolas de Berlim
Só poderão fazer mal
Àquele que tema que, assim,
Possa engordar, no final!

Quanto a mim, soube-me bem
E, enquanto as pude comprar,
Deliciei-me... quem tem
Tanto medo de engordar?

Durou pouco mas foi bom...
E depois? Se mais houvesse
Mais comeria, decerto...

Ou não será de "bom tom"
Comer, se nos apetece,
Numa esplanada aqui perto?

Abraço grande, Poeta! :)

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