.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011

CONVITE PARA UMA DESGARRADA

 

Aqui sou o que sou! De minha graça,

Poeta e portuguesa - quanto baste! -

E antes que um poema se me gaste

Nalgum prévio receio de ameaça,

 

Esqueço o tanto que sorte me anda escassa

E recrio este jogo de contraste

Sem ter em atenção quanto contaste,

Mal uma estrofe acena ou se me enlaça!

 

Mas se o verso se atrasa ou se um poema

Encontra, no caminho, algum problema

E me obriga a ficar pr`aqui calada,

 

Não entro em desespero… ele há-de vir

Assim que a rima espreite e que, a sorrir,

Me convide a entrar na  desgarrada…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 08.08.2011 - 18.00h

 

 

IMAGEM - Tela de Paula Rego

 

Reformulado a 22.10.2015

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 18:00
link do post | "poete" também! | favorito
|
21 comentários:
De Nati a 8 de Agosto de 2011 às 19:03
Olá! :)
De poetaporkedeusker a 8 de Agosto de 2011 às 23:28
Olá, Nati! ;)
De poetazarolho a 8 de Agosto de 2011 às 20:44
Essa é que é essa, grande desgarrada!

=)

“Hipóteses”

Hipótese dum mundo melhor
Hipótese dum mundo animal
Hipótese dum mundo pior
Hipótese dum mundo banal

Hipótese dum mundo menor
Hipótese dum mundo imoral
Hipótese dum mundo maior
Hipótese dum mundo amoral

A hipótese escolhida afinal
Parece pouco ou nada importar
Tal como se encontra imundo

O mundo será em breve virtual
Não há hipóteses a considerar
Está sem hipótese este mundo.
De poetaporkedeusker a 8 de Agosto de 2011 às 22:20
Aqui repito o que disse
E disse que o virtual
Pode trazer-nos "chatice"
Ou até fazer-nos mal!

Mas, verdade, verdadinha,
É que ele tem o seu papel
Nesta vida que é tão minha...
[e tua também... e dele...]

Digam lá se eu poderia
Escrever quanto tenho escrito
Se não fosse este aparelho!

Quase tudo eu perderia...
[Coitado deste bendito
Que já está a ficar velho!] :)))


Olá, Poeta! :)) Fiz este sonetilho de pé quebrado a rir! Lembro-me da quantidade de poemas que perdi quando escrevia só em papel - também tenho alguns perdidos em ficheiro... - e cheguei à conclusão que perco muito menos agora...
Abraço grande!
De poetaporkedeusker a 8 de Agosto de 2011 às 23:30
Respondi a rir mas isto é mesmo muito sério.
Obrigada pelo contacto com o Pessoa!
De poetazarolho a 8 de Agosto de 2011 às 21:01
“Manifesto”

Manifesto não é de protesto
O manifesto não é de amor
Não é um simples manifesto
Este manifesto é de clamor

Clamamos direito a clamar
Neste tempo que é de apatia
E quando só ouvimos calar
Clamamos por um novo dia

Um novo dia de esperança
Quando a esperança morreu
Um novo dia de solidariedade

Quando esta está sem pujança
Esse novo dia quem o percorreu
Ninguém para dizer a verdade.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 8 de Agosto de 2011 às 22:30
Estamos ainda a dormir
Mas é tempo de acordar,
De unir esforços e sentir
O que podemos mudar!

E se a esperança nos morreu,
Qualquer coisa nos ficou...
Ou mais ninguém percebeu
Que este mundo já mudou?

É tempo de dar as mãos
E de, lembrando o passado,
Rasgar o caminho novo!

Afinal somos irmãos
Quando este abraço apertado
For de todo o nosso povo!

Abraço apertado, Poeta! :)
De poetazarolho a 8 de Agosto de 2011 às 23:03
Já conhece?

ARQUIVO PESSOA

http://arquivopessoa.net/

De poetaporkedeusker a 8 de Agosto de 2011 às 23:19
Não, Poeta, não conheço mas vou lá agora mesmo! Obrigada! :)
De poetazarolho a 9 de Agosto de 2011 às 19:50
“Fogo distante”

Londres é fogo que arde e se vê
Há ali porém uma face escondida
É a face que não mostram na TV
Mas nós pressentimos essa ferida

Tem por base a clivagem social
Originada na sociedade dividida
Por força do acumular de capital
Pobre pr’ó gueto, rico pr’avenida

Fogo que arde, mas não se sente
Fumo que se vê, mas não se cheira
Destruição real, mas muito distante

Esta preocupação nem é com a gente
Se não atacada sua causa verdadeira
Abeira-se de nós num curto instante.
De poetaporkedeusker a 9 de Agosto de 2011 às 21:47
Poeta, não vou poder desgarrar porque prometi que estaria, dentro de minutos, no Horizontes da Poesia, em directo, mas pode crer que é um assunto que me está a preocupar - como a todos nós - e que eu já estava a prever. Se puder ainda cá volto hoje.
As clivagens sociais existem até o oprimido "rebentar"... e ele acaba por rebentar mesmo...
Abraço grande e até já ou até amanhã!
De poetazarolho a 9 de Agosto de 2011 às 19:55
“Bar.afunda”

Em Londres soltam os cães
Em Nova York bolsa afunda
No forno da aldeia cozem pães
Minha rua está uma barafunda

O pastor conduz o rebanho
Pr’a pastagem do outro lado
Bombista em Roma, já t’apanho
Em Paris o rating foi cortado

Wall Street viu um fantasma
Ó freguês olha a vivinha da costa
Na City gato preto foi avistado

Correctores têm ataque d’asma
Sardinha na brasa, quem não gosta
Mundo da finança anda azarado.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 9 de Agosto de 2011 às 21:49
Vou tentar vir até cá!
De Simbologia do aMoR a 9 de Agosto de 2011 às 20:59
Oi Maria

quem é a desgarrada?

De poetaporkedeusker a 9 de Agosto de 2011 às 21:52
Olá, Vera! Não vou poder demorar muito mas "desgarrada" é o nome que se dá à poesia - geralmente poesia popular - que é feita rapidamente, em resposta a outra que foi dita ou escrita por outra pessoa. Como eu e o Poeta Zarolho fazemos faz tempo. Se reparares nos meus comentários das últimas semanas, perceberás o que é uma desgarrada.
Beijinho e até já ou até amanhã!
De PaperLife a 10 de Agosto de 2011 às 10:20
Não desesperes mesmo... pode tardar, mas não falha :)
E por mais tarde que venha, surpreende e encanta-me sempre ^^
De poetaporkedeusker a 10 de Agosto de 2011 às 19:16
: Obrigada, Paper! Ele já chegou, desta vez sob a forma de sorriso :) Eu é que fui "raptada" por uns poetas amigos e só agora vou poder publicá-lo...
Abraço grande! :)
De poetazarolho a 10 de Agosto de 2011 às 14:07
OUTRAS VIAS

Por mais que chames e grites,
que batas o pé no chão,
que clames e te irrites,
que cheges à exaustão,
que acabes por ficar rouco,
que endureças a luta,
eles, os filhos da puta
vão sempre chamar-te louco.

Para atingires nova meta
seguindo por outras vias
só como O Grande Profeta:
junta doze dos mais rudes,
sem grandes aptidões,
fala-lhes todos os dias,
molda-lhes as atitudes
e, em breve, serão milhões.

Eduardo
De poetaporkedeusker a 10 de Agosto de 2011 às 19:24
Olá, meu amigo Eduardo!
Não vou poder responder-lhe em rima porque só há pouco cheguei e estou completamente desinspirada... para já. Mas este seu poema é muiíssimo intrigante e tem... como se diz... "pano para mangas"! Mas deixa-me sem palavras. Olhe que não é muito habitual, em mim.
Vou publicar e, depois, verei se as rimas me voltam...
Um grande abraço e muito obrigada por me honrar com mais um dos seus poemas.
De poetazarolho a 11 de Agosto de 2011 às 09:18
Meu caro Pedro:
Eu domino muito mal esta maldita ferramenta e não sei responder, por esta via, aos comentários que recebi.

Agradece, penhoradamente, à grande poetisa Maria João Sousa, pelo elogio que lhe mereceu a minha poesia. Vindo o elogio de onde vem, deixa-me muito sensibilizado. Diz-lhe isso.

Os nossos meninos já foram para a praia com a tia. Andam felizes.
Um beijo do pai e da Mãe.
Eduardo.
De poetaporkedeusker a 11 de Agosto de 2011 às 14:28
Meu caro Eduardo,

Não tem de me agradecer de maneira nenhuma! Eu é que lhe fico muito grata por mais estas palavras que o Pedro fez o favor de publicar na caixinha de comentários do meu blog de sonetos.
Para si e esposa, o meu abraço e um sorriso! :)

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