.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011

PASSA POR LÁ UM RIO...

 

Passa por lá um rio feito de anseios,

De águas mansas, serenas, cristalinas,

Visitado por aves que, em gorjeios,

Vêm beijar as flores mais pequeninas,

 

Um córrego onde posso, sem receios,

Banhar-me como todas as meninas…

Minh`alma, pouco dada a devaneios,

É nel` que encontra aspirações divinas…

 

Passaram tantos rios e só naquele

Soube o que era sentir, à flor da pele,

A estranha glória de não ter idade

 

Porque ele passa e passo eu com ele,

Mas nunca o esquecerei porque foi nele

Que fui esboçando a minha identidade...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 05.08.2011 – 15.13h

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 16:24
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21 comentários:
De M.Luísa Adães a 5 de Agosto de 2011 às 18:00
"Passa por lá um rio feito de anseios"
e tu o fixaste e o sentiste para além dos outros rios.

Era um rio diferente
quase divino...

E tantos rios passaram
"e só naquele
sentiste a estranha glória
de não ter idade".

Abençoado seja esse rio
onde perguntaste a Deus
se estavas viva ou sonhando...

Lindo!...

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 5 de Agosto de 2011 às 19:11
Olá, Maria Luísa! Muito obrigada pelas tuas palavras e benção!
Vou já visitar-te. Estou aqui a pensar que o Kico parece estar ligeiramente melhor e o Beethoven voltou a ter apetite mas, enquanto o Kico está gordinho, ele está mesmo pele e osso... e são todos tão velhinhos! Mas pronto! Estou a aproveitar bem este dia em que, embora estando eu com cólicas, os vejo um pouco mais vivos!
Abraço e até já! :)
De M.Luísa Adães a 6 de Agosto de 2011 às 09:20
"São todos velhinos, eu sei, mas gostam de ti e de viver por eles e para ti"

E quase chegam a ser humanos
e ainda ficam acima dos humanos,
pois são bons e amam
com um amor incondicional.

Ontem - sexta-feira na Estrada Naciona 10,

um cãozinho que se notava ser velhote, ou
grávida, não percebi bem, andava em passo apressado pela berma da estrada à procura do nada.

Tinha sido abandonado pelos donos que
partiam para férias, com crise e tudo...

E se luta por gente miserável como esta?
E se sofre por gente que de gente nada tem?

E eu fiquei com aquele imagem solitária nos
meus olhos, para sempre...
Não podia fazer nada e não fiz nada...
Cobarde, como sempre!

E talvez componho este comentário e o leve
a uns versos, como penalização, por não fazer nada, nem mudar nada1

Um beijo,

Mª. Luísa

p.s.não me desculpes,
não tenho desculpa!
De poetaporkedeusker a 6 de Agosto de 2011 às 14:29
Perdi, agora mesmo, um enorme comentário, que encheu a caixa toda, em que não só te desculpava como te contava, também, uma história verdadeira acerca do meu Ferrugem e de um episódio que me marcou para o resto da vida... não o vou repetir porque estou cansada e tenho os animais para tratar e esta net é demasiado instável para eu poder confiar-lhe comentários "literários". Mas sempre te digo que nenhum de nós pode fazer tudo sozinho. Podemos divulgar, alertar, explicar que eles são animais que sentem tal e qual como nós, mas não podemos recolhê-los todos na nossa casa! Eu aprendi isso da forma mais dura... mas fica para uma próxima vez.
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 6 de Agosto de 2011 às 18:25
Já me tem acontecido escrever e explicar e
no fim, como um relampago, desaparece tudo.

Aceito, mas neste teu caso foi uma pena.

Quando estiveres menos cansada, torna a repetir...por mim que gosto de saber coisas que depois sem se notar, aparecem em poemas.

Bom sábado e que bom estares por aqui.

Um beijo,

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 6 de Agosto de 2011 às 22:40
Foi um episódio que realmente se passou, comigo e com o meu cão, Ferrugem, há mais de trinta anos... já não conseguiria narrar-to exactamente da mesma forma mas sempre te digo que nunca, nunca o esquecerei e que me ajudou a aceitar a ideia de que não podia mesmo ajudar, sozinha, todos os animais. Ele foi capturado pelos serviços camarários quando brincava num dos baldios que, na altura, se estendiam em redor do meu prédio e eu vi-me na contingência de ter de o resgatar do canil. Era jovem e o dinheiro, embora não faltasse, também não abundava e a multa era um "arrombo" no orçamento do mês. Mas fui. Garanto-te que ainda hoje me recordo do impacto que teve sobre mim a entrada no canil. Todos os cães se aperceberam MESMO de que eu estava ali para resgatar algum deles e, o resto já tu podes imaginar. Acabei por trazer comigo o Ferrugem e os uivos e latidos de todos os outros. Ainda hoje os recordo, bem como às expressões de esperança e ansiedade que todos aqueles animais tinham quando me viram entrar. E não te conto mais porque ainda hoje me custa recordá-lo.
Abraço grande, Maria Luísa!
De M.Luísa Adães a 7 de Agosto de 2011 às 10:37
Tu foste um rio que passou e deu esperanças
mas o rio se afastou e não os levou...

E nada mais posso dizer, apenas pedir...

Senhor meu Deus e meu Tudo,
olha pelos abandonados
nos caminhos, nos canis,
nos lugares sem luz

E dá-lhes a Tua Luz...

Maria luísa Adães

De poetaporkedeusker a 7 de Agosto de 2011 às 20:28
Olá, Maria Luísa! Fiz conforme me pediste. Só agora acedo porque a manhã foi toda dedicada ao Kico que, conforme disse, está incontinente, e à tarde estive com uma amiga.
Vou tentar não me demorar muito online porque ainda tenho imenso que fazer e ainda nem sequer um soneto me nasceu.
Abraço grande!
De PaperLife a 5 de Agosto de 2011 às 19:18
Obrigada Maria :)
Sim, escrever sonetos é contagiante :D Vamos lá ver se consigo continuar :)

Tens de ter paciência com esse 2008 :P
Quanto ao teu soneto, é mais um daqueles que me faz ler e reler :)
Adoro simplesmente ^^
De poetaporkedeusker a 5 de Agosto de 2011 às 20:31
Obrigada, Paper! Estou a ver que tenho de deixar o 2008 descansar durante um tempinho... o apetite do Beethven voltou mas o estomâgo não aguentou... veio tudo cá para fora... coitado! Vou ter de ir limpar, dar-lhe Primpéran e preparar o jantar do Kico. Depois volto para responder ao nosso Poeta Zarolho!
Beijinho!
De poetazarolho a 5 de Agosto de 2011 às 19:26
“Pílula da felicidade”

Vendo a pílula da felicidade
Que promete prazer sem fim
Gentes tristes vinde até mim
Voltai felizes sem ansiedade

Há embalagens de cinquenta
Algumas são comparticipadas
Para as que são mais puxadas
Há unidoses, a bolsa aguenta

Comprai já antes que esgote
Não percais esta oportunidade
Felicidade mesmo comprada

Não há tristeza que a derrote,
Pr’a semana surge a novidade
Vamos ter felicidade injectada.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 5 de Agosto de 2011 às 20:33
Eu já volto, Prof Eta! Mas deixo já o aviso; não sou nada apologista dessas pílulas da felicidade - antidepressivos - por tudo e por nada!
Bjo!
De poetaporkedeusker a 5 de Agosto de 2011 às 21:45
... e agora, com o chão e os móveis já limpos e o Kico jantado e passeado, devo dizer-lhe que fiquei muito tempo a pensar neste assunto do seu poema... e não foi em rima! Sei que devo ser cuidadosa na resposta pois é um tema complexo, como tudo o que toca à saúde mental. Acredito que os antidepressivos possam ser úteis e até indispensáveis em pessoas com certo tipo de patologias... eu própria os tive de tomar há uns bons anos. Não quero dizer mal por dizer, mas parece-me que há muita gente que abusa deles... no que a mim me diz respeito, detesto tomá-los! Deixei de os tomar há muitos anos e voltaram a receitar-mos quando a minha mãe morreu, mas tomei-os durante muito pouco tempo porque me apercebi de que tinham um efeito tremendo sobre a minha criatividade. Por outro lado sei que, para certas pessoas e em determinadas patologias, podem significar a diferença entre a vida e a morte... isto é muito sério, Poeta. Demasiado sério para eu tomar uma posição que não seja a da maior prudência. A ver vamos se ainda lhe consigo responder em sonetilho.
Até já. Já vi que tem outro poema ali em baixo... :)
De poetazarolho a 5 de Agosto de 2011 às 19:31
“Tanto ma.mar”

Sei que estás em festa pá
Nós por cá é que já não
Aqui deste lado já não dá
Qualquer dia falta o pão

O ministro até já afirmou
Nada será como dantes
Como no tempo do meu avô
Voltaremos a ser emigrantes

Sei que há léguas a nos separar
Temos que partir novamente
Se isto por cá continuar assim

É que foram muitos a mamar
Sim, manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim.
De poetaporkedeusker a 5 de Agosto de 2011 às 22:04
É tão lindo o "Tanto Mar...". Mesmo tendo sido censurado no Brasil, o que cá chegou encantou-me desde sempre!

É urgente, é sempre urgente,
Renovar democracias,
"Tapar" o "furo eminente"
Deste "é o ver se te avias"...

Pouco sei, mas acredito
Que ainda dias virão
Em que a terra que eu habito
Voltará a dar bom pão!

Há tantas formas, Poeta,
De viver honestamente,
De ser útil, construir...

Porque atingir essa meta´
Não deixará indiferente
Ninguém que saiba "sentir"

Tive, agora mesmo, de mudar de canal. Começou, na RTP, um espectáculo que me repugna profundamente e nem sequer traz bolinha vermelha no canto superior direito.
Peço desculpa mas tinha de mencionar isto!

Abraço grande!
De Simbologia do aMoR a 6 de Agosto de 2011 às 03:07
Oi Maria

Quantos rios passam por lá, mas sempre um é mais especial.
De poetaporkedeusker a 6 de Agosto de 2011 às 13:27
:) Olá, Vera! São rios muito metafóricos, mas estão em todos nós, segundo eu os vejo... este representa o carácter e a vocação que todos trazemos connosco, que começamos a descobrir na infância e que, penso eu, mais tarde ou mais cedo virá a desabrochar mesmo quando a vida nos prega grandes partidas. Pode englobar - e engloba! - muito do que fomos aprendendo ao longo do tempo mas apesar das cedências que todos vamos tendo que fazer, é ele que acaba por definir a nossa forma de estar no mundo. No meu caso, é um rio sereníssimo... mas tem uma força enorme :)Vou já ao teu blog! Bjo!
De poetazarolho a 6 de Agosto de 2011 às 20:14
“A chama”

Sinais exteriores de riqueza
Sei que dão muito que falar
Sinais interiores de pobreza
Nunca vi alguém preocupar

Mas é bem mais preocupante
Toda essa pobreza interior
Pois é muito mais degradante
Tudo o que provoca em redor

Nunca por dentro empobreças
Nem enriqueças exteriormente
Sabes que possuir não é viver

E portanto nunca te esqueças
Pr’a que possas viver plenamente
Mais vale por dentro enriquecer.
De poetaporkedeusker a 6 de Agosto de 2011 às 22:51
Nunca sinto essa pobreza
Que, às vezes, nos vai minando
Trazida pela riqueza
Com que tantos vão sonhando...

Preconizo, no entanto,
Que uma pobreza excessiva
Pode trazer-nos quebranto
E uma tristeza massiva...

Apenas o que nos baste
Porque o demais, é demais
E não traz felicidade;

Para a Terra, são desgaste
Esses gastos anormais
Que nos tiram liberdade!

Abraço grande, Poeta! Tudo bem? Um bom fim de semana! :)



De poetazarolho a 7 de Agosto de 2011 às 23:45
“Tanto ma.mar II”

Res publica está prostrada
Já não se aguenta em pé
Porque tem sido sugada
Com a conivência do Zé

Ó Zézinho vê lá se acordas
Antes que seja tarde demais
Quanto mais tu os engordas
Ainda eles te espremem mais

É sempre a mesma a cantiga
Já devias sabê-la de ouvido
Quem antes esteve a governar

Nem sei mais o que te diga
Deixou o país todo destruído
Esteve aqui só para mamar.
De poetaporkedeusker a 8 de Agosto de 2011 às 00:13
:) Olá, Poeta!

Para mim, o pior mal
É acabarem de vez
Com o Estado Social
Sem nos darem mais porquês...

É bom que não se confunda;
Português que trabalhou
Nunca será de segunda...
Que o diga quem já suou!

Acorda lá, Zé Povinho
E vê o que vão fazer
A todos os portugueses!

Depois não há pão nem vinho...
Só migalhas pr`a comer...
Esses serão os revezes!!!


Abraço grande e uma boa semana para vós! :)

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