.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

MADRUGADAS E OUTROS RECOMEÇOS

Fica tão triste a cor das madrugadas

Em que o sol se esqueceu de vir brilhar

E as nuvens plúmbeas crescem, desoladas,

Sobre os últimos raios de luar…

 

Mas, em compensação, outras, ousadas,

Rompendo o escuro manto irão mostrar

O azul do céu às vidas ensonadas

Que agora mesmo acabam de acordar…

 

Há sempre um cravo aberto na janela

De cada madrugada que não esqueço

Nas horas de um porvir que se aproxima

 

E, se alguém se esqueceu de olhar pr`a ela,

Eu escrevo outro poema, eu recomeço

No primeiro amanhã que nasça em rima…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 2011.07.22 - 12.17h

sinto-me :
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publicado por poetaporkedeusker às 12:17
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10 comentários:
De linhaseletras a 22 de Julho de 2011 às 14:12
Olá Maria João, Tive de ler este soneto várias vezes e em voz alta para o interiorizar e levar comigo para o ouvir e sentir durante toda a tarde.
É simplesmente maravilhoso.
Um abraço muito grande.
De poetaporkedeusker a 22 de Julho de 2011 às 15:31
Obrigada, amiga. Este é um daqueles mais espontâneos... é dos que eu costumo dizer que "nascem sozinhos" :))
Abraço grande!
De PaperLife a 23 de Julho de 2011 às 16:37
Estou bem Maria, e tu?
Admito que às vezes sou um pouco confusa, mas gosto de deixar as pessoas a pensar, para chegarem a diferentes conclusões :)
De poetaporkedeusker a 23 de Julho de 2011 às 17:02
:) Olá, Paper! Eu estou meia "clandestina" :))
mas ainda deu para vir até cá...
Não estou a dizer que sejas confusa... deixa ver se eu te consigo explicar... nas poesias mais herméticas - e eu também as tenho - nós percebemos que o autor queria dizer qualquer coisa que nós não conseguimos entender à primeira, na tua o que eu senti foi como se tu quisesses "não dizer" ou "esconder" qualquer coisa propositadamente... mas isto pode ser bom e não quer dizer que eu esteja correcta... é assim que eu sinto, só isso :)
Agora vou ao correio porque hoje já fiz "despesa"... o Kico estava a precisar de um banho - ele está incontinente e suja-se sem querer - , dei-lho e não resisti a tirar-lhe uma fotografia e enviá-la em mms para o meu endereço. Se conseguir, publico-a no Face!
Abraço grande!
De poetazarolho a 23 de Julho de 2011 às 20:50
“Olhar derradeiro”

Tu que tens os deuses dentro
Sabes que viver vale a pena
Que o entusiasmo é epicentro
Da mudança que nasce serena

Rejeitas a mesquinhez actual
Das verdades feitas a pedido
Que querem mostrar só o mal
Te prendem à vida sem sentido

Olhas este circo em teu redor
Cada dia uma pirueta diferente
Oferecida pelos malabaristas

É necessário outro circo melhor
Que este está velho e decadente
Constrói o novo, nunca desistas.
De poetaporkedeusker a 23 de Julho de 2011 às 23:02
:) Olá, Poeta!

Dir-nos-ão que não podemos
Mudar seja quanto for
Mas todos nós o fazemos,
Uns melhor, outros pior...

A mudança é tão constante,
Sempre tão inevitável,
Que não há um só instante
Que não tenha variável

E, a cada instante que passa,
Sendo o melhor que sabemos
E tentando ir mais além,

Conseguiremos a graça
De ver além do que vemos
E, assim, sentir-nos bem...

:) Estou aqui um bocadinho... um bocadinho "ilegalmente" :/ e em condições muito precárias, mas ainda deu para um sonetilho :)) Um excelente domingo para todos vós! Abraço grande, grande!


De poetazarolho a 24 de Julho de 2011 às 23:51
“Juros d’arrasar”

De Portugal são amigos
Vêm mais 3 mil milhões
Vamo-nos a eles galifões
Eu cá chamo-lhes figos

A dente de cavalo dado
Não se olha certamente
Nem se fica indiferente
Pior é se é emprestado

Com tanta falta de pilim
E os juros que irão cobrar
Eu nunca vi nada assim

Este país ir-se-á afundar
Será enorme o frenesim
Quando fôr dia de pagar.

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 25 de Julho de 2011 às 00:46
Neste preciso momento,
Sem ter feito um só soneto,
Só sei dizer que lamento...
Já nem faço o que prometo!

Não sei que me aconteceu...
Se por aceder à net
Nenhum soneto nasceu...
Não sou já quem se promete!

Nem os juros a subir
Me trazem inspiração
Para um poema fraquinho

E agora, quase a dormir,
Já perdi a direcção
Do costumeiro caminho...

Poeta, estou mesmo sem um soneto para publicar amanhã... que remédio senão admiti-lo, por muito que me custe. Acho que nem sequer tenho um daqueles de segunda escolha que eu guardo para as "faltas".
Vou tentar ir ao Blog Not, mas não consigo comentar daqui... daqui posso ouvir, mas estou muito limitada em termos de net.
Um enorme abraço para todos vós, sem esquecer a D. Laura! :)


De poetazarolho a 26 de Julho de 2011 às 00:20
“A besta”

Entre o bicho e o homem
Vai uma distância enorme
Os bichos matam e comem
Homem mata sem ter fome

Homem mata só por prazer
Até mesmo o seu semelhante
E grita na hora do ver morrer
Esta é uma vitória retumbante

Este homem é mais que bicho
Mata, destrói e canta vitória
É uma aberração da natureza

Filho de Deus, satanás ou lixo?
Muitos houve ao longo da história
Encarnações da besta com certeza.
De poetaporkedeusker a 26 de Julho de 2011 às 02:00
:) Olá, Poeta!

E é sempre de madrugada,
Comigo quase a dormir,
Que começa a desgarrada
Dos poemas que hão-de vir... :))

Em boa verdade diz
Que o mais cruel animal
É o homem que não quis
Parar de fazer o mal...

Bichos não têm maldade,
Vão seguindo a natureza
Como a vida os ensinou

O ser humano, em verdade,
Tem ódios, tem avareza
E mata aquele que o poupou...

Bem, também temos o nosso lado bom e muito bom, até! :) Caminhamos em direcção ao nosso melhor, enquanto indivíduos e enquanto espécie... haverá altos e baixos, como sempre houve, mas caminhamos em direcção ao nosso melhor! :)
Até manhã, aqui ou no CJ, se o Kico estiver melhor. Abraço grande!

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