.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

PESCADORES - "Soneto" experimental com versos de nove sílabas métricas

images (14).jpg

 

Será sempre miséria o que temos

Porque é sempre no mar que buscamos

Esse tanto que nunca tivemos

Dos manjares que, não tendo, vos damos

 

Sobre o mar, que é tão nosso, crescemos,

Defendendo os interesses dos amos,

Retirando da força dos remos

Cada metro do chão que varamos

 

Quando às redes dos braços trazemos

Todo o peixe que agora pescamos

Somos nós e só nós que sabemos

 

Quanta luta de morte enfrentamos

Nestes braços cansados que erguemos

Pelo pão que jamais vos negamos!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 09.07.2011 – 17.09h

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 11:35
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10 comentários:
De PaperLife a 13 de Julho de 2011 às 11:51
Muito bom mesmo!
Mais uma excelente homenagem aqueles que passam mais tempo em mar do que em terra firme :)
De poetaporkedeusker a 13 de Julho de 2011 às 12:01
Estou sem palavras, Paper... o soneto é experimental porque só tem nove sílabas métricas em vez das dez do verso heróico que eu costumo utilizar... mas continuei a acentuar a sexta, como nos heróicos. Estranhamente nasceu todo ao som do Sérgio Godinho... mas eu nada sei de música e não a publico, claro está! Mas que ele me inspirou uma forma nova de soneto, não há dúvida nenhuma!
Abraço grande!
De poetazarolho a 13 de Julho de 2011 às 12:09
“Filosofia”

Havia o monstro de Portugal
O pântano também era nosso
Andar de tanga até agradeço
E agora há o desvio colossal

Como pode um pequeno país
Ter tantos problemas gigantes?
Mas que raio de governantes!
Pr’a meu governo não os quis

O pior é que me desgovernam
Das contas caseiras, o balanço
Eu nem percebo de economia

Mas porque é que não hibernam?
Poupavam-nos a tanto falhanço,
Ou vão todos estudar filosofia?
De poetaporkedeusker a 13 de Julho de 2011 às 14:23
:)) !

É estranho, mas a verdade
É que a crise é tão global
Que bem pouco desmerece
Este nosso Portugal...

Não sei se ainda verei
O que está pr`acontecer
E se agora desvendei
O que alguns querem esconder,

Mas o mundo, todo inteiro,
Atravessa um mesmo impasse
Que tem a ver com "dinheiro"...

Sistemas? Tremem de medo
E, se o planeta falasse,
Diria; "O homem? Cruz credo!" :)) !
De poetazarolho a 13 de Julho de 2011 às 12:20
Sim, no seu remam todos e há harmonia, música, tudo...
No meu só um rema e andam todos à lambada, um dia hei-de conseguir aprender mais...

Prof Eta
De poetaporkedeusker a 13 de Julho de 2011 às 14:37
:)) "Andam todos à lambada" ... poeta! Deixe-se levar pela música... marque um compasso, usando as sílabas tónicas e átonas de cada palavra... estas minhas "respostas" apressadas também andam um bocado "à lambada"... porque aqui não dá - ou só raramente dá... - para recorrer à tal musicalidade. Muitas pessoas não entendem mas, às vezes, estou horas em silêncio, só trabalhando automaticamente com as mãos e mantendo o pensamento totalmente liberto, para me nascer um soneto... gostaria de saber explicar melhor mas não sei... ou fica tudo muito esquisito e complicadíssimo quando, na verdade, é preciso um despojamento quase total de objectivos imediatos, quando nos "nasce" um bom poema. Os melhores que eu já fiz, surgiram-me sempre de surpresa... mas é claro que dão muito trabalhinho depois... há que mudar uma sílaba aqui, um tempo verbal ali, substituir uma palavrinha acolá... trabalho nunca é demais! Mas é essencial essa coisa do "compasso". Eu, que não entendo nadinha de música, fiz este enquanto trauteava o "Que força é essa?". Se ele tivesse as dez sílabas métricas do verso heróico, não "caberia" na música... por isso é que a musicalidade é tão importante na poesia! Acho eu... que me perdoem os letristas se disse alguma "enormidade", mas estou muito convicta de estar a dizer uma grande verdade poética...
Abraço grande! :)
De poetazarolho a 13 de Julho de 2011 às 22:20
“Clave de sol”

De música me embriago
Com poesia m’embebedo
E tu não bebes um trago?
Emborca forte sem medo

S’acaso saíres a cambalear
Vais ver que és amparado
Mesmo antes de cair ao mar
E nunca morrerás afogado

Se te afogares em estrofes
Te atingir um dó sustenido
Vais ver que terás salvação

Até nas grandes catástrofes
Por um soneto serás protegido
Uma clave de sol te dará a mão.
De poetaporkedeusker a 14 de Julho de 2011 às 12:29
Está a "fluir" muito melhor, Poeta! :)

Hoje é um daqueles dias em que tive de ficar à espera que vagasse um computador e, ainda por cima, estou com muito mais cólicas... mas ainda não cheguei à incapacidade de resposta! :)

Nos dias em que a dor vem ocupar-me
Perco, às vezes, o "jeito" pr`a escrever
E não sei fazer mais que lamentar-me
Daquilo que me está a acontecer...

Hoje, porém, teimosa como sou,
Posso ranger os dentes e soprar
Mas nada negará o que vos dou
Enquanto esta vontade não faltar!

Estarei muito dorida ... mas o dia
Inda agora começa a desdobrar-se
E o céu nasceu azul de manhãzinha...

Mais uma estrofe - ou duas... - nasceria
Na vontade que está a concentrar-se
Nestas mãos que não param...sorte a minha! :))


Abraço grande! :)
De Simbologia do aMoR a 14 de Julho de 2011 às 00:56
Oi amiga

É muito bom ver-te com teus sonetos no facebook.
Está muito bem musicalizado.
Só falta alguém cantar.

Abraço.
De poetaporkedeusker a 14 de Julho de 2011 às 12:30
:) Olá, Vera! Eu ainda me entendo menos bem com o Face, mas lá vou conseguindo enviar os sonetitos :)
Beijinho e obrigada!

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