.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

DOR

Não me doas assim, tão cruamente,

Roubando-me a noção de tudo o mais,

Deixando-me irascível, descontente,

Exausta do suplício em que me esvais…

 

Deixa-me em paz o corpo onde sou cais,

Sozinha, eu sei, mas orgulhosamente!

Devolve-me o meu "eu"  de aonde sais

Pr´a que o poema nasça urgentemente...

 

Quem pode assim escrever, desfeita em dor,

Abafando os gemidos da lamúria,

Sem descanso ou momento de conforto?

 

Quem poderá provar-te sem temor,

Sem que a voz lhe rebente numa fúria,

Ou preferir-te à paz de um cais já morto?

 

 

 

Maria João Brito de Sousa 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 13:01
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20 comentários:
De PaperLife a 23 de Junho de 2011 às 13:08
Então, como estás? :'/
Só agora pude vir aqui, tenho andado com pouco tempo :(
Como te sentes?
Um beijo e as melhoras Maria *
De poetaporkedeusker a 27 de Junho de 2011 às 15:19
Finalmente consigo dar um pulinho até cá, Paper! A situação melhorou um pouco, mas só parcialemente porque eu continuo a quase não conseguir andar. Fui ao Centro de Saúde e deixei consulta marcada para daqui a bocado... esta vinda é mesmo a correr.
Abraço grande obrigada!
De PaperLife a 23 de Junho de 2011 às 13:09
E quanto ao soneto, apesar de todas as dores que transmites, está lindo :')
De poetaporkedeusker a 27 de Junho de 2011 às 15:19
:) Obrigada! Estava mesmo, mesmo cheia de dores e saiu-me assim...
De Peter a 23 de Junho de 2011 às 22:29
Não sei que dizer. Coragem!
Bacio.
De poetaporkedeusker a 27 de Junho de 2011 às 15:22
Grazie, Peter! :)
Não vou ter tempo para vos visitar... o Diogo - o funcionário "das tardes" do CJ - acaba de me dizer que a sala vai ter de encerrar por causa de uma acção de formação... e também tenho de ir ao centro de saúde. Bacini.
De poetazarolho a 24 de Junho de 2011 às 15:52
“Dor que não dói”

A nossa Maria sem camisa
Poetisa e pintora distinta
Tem uma camisa com pinta
Que foi tecida pela leve brisa

Sendo poeta porque Deus quer
Mesmo não o querendo ela seria
Tudo aquilo que mais desejaria
Porque tem garra esta mulher

Anda numa fase mais dorida
Mas esta dor não dura sempre
E com a ajuda cá da gente

Em breve essa dor será corrida
Passará a ser dor benevolente
Dor que não dói certamente.
De poetaporkedeusker a 27 de Junho de 2011 às 15:24
Olá, Poeta! E eu que digitalizei o poema para o por aqui, com a fotografia das rosas... vou tentar pô-lo ainda, antes que encerrem a sala :)
Beijinho!
De poetazarolho a 26 de Junho de 2011 às 02:24
“A lágrima”

A lágrima trago dentro de mim
Lágrima que não chora sua sorte
Esta é uma lágrima muito forte
Ela que já aguentou vento norte

Nunca havia visto lágrima assim
Mesmo contra toda a adversidade
Longe dos tempos de mocidade
Ela encontra forças sem vaidade

É uma experiência surpreendente
Forças supremas e arte de resistir
Poder testemunhar minha gente

Vocês hão-se pensar, está a mentir
Mas eu sei esta lágrima é diferente
Esta lágrima eu vi um dia a sorrir.
De poetaporkedeusker a 27 de Junho de 2011 às 15:25
E este está tão bonito! Obrigada, Poeta! :)
De M.Luísa Adães a 26 de Junho de 2011 às 10:54
Mª João

Também tenho um poema à "Dor", mas menos revoltado, menos impaciente, diferente...
A dor é a velha Senhora que destrói e mata!

Eu sei e não gosto dela! O soneto exprime bem o que sentes.

Te convido, quando te sentires menos dorida, para ires aos Prémios e
levares uma lembrança minha.
Fácil de encontrar (logo no princípio)

Um beijo e as melhoras,

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 27 de Junho de 2011 às 15:28
Obrigada pelas tua compreensão... vou fazer o possível por ir ver o teu Prémios, mas só agora cheguei do centro de saúde onde deixei consulta marcada para daqui a pouco, vim até cá com muita dificuldade e dizem-me que vão ter de encerrar a sala... mas, se não conseguir hoje, consigo amanhã! :)
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 27 de Junho de 2011 às 15:42
Mª. João

Tenho no Prémios, selinho para ti dos meus 300 seguidores.

As melhoras,

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 27 de Junho de 2011 às 15:54
Vou tentar ir lá, já, já! Já publiquei as rosas e o poema que o Poeta Zarolho fez para mim! :) Obrigada!
De poetazarolho a 27 de Junho de 2011 às 00:18
De poetaporkedeusker a 27 de Junho de 2011 às 15:34
Modestos? Tudo bem... este também é modesto! :) E eu sou azaradita... amanhã vou ter de voltar aos Correios porque hoje não tinham dinheiro para o vale - parece que é muito... - , no centro de saúde dizem-me que o papel que o meu médico do hospital passou não chega para me isentar das taxas moderadoras e, quando pedi o papel do hospital, disseram-me que era um erro administrativo do centro de saúde porque a isenção já estava digitalizada no cartão de cidadão... acho que há coisas inconcebíveis que só me acontecem a mim... :/ e não é pelo dinheiro que, hoje, até tenho... é porque isto anda a acontecer há que tempos e não entendo esta confusão toda...
Beijinho!
De poetazarolho a 27 de Junho de 2011 às 19:29
“A latrina”

Não têm dinheiro pr’o vale
Nos correios de Portugal
Mas nada se consta corra mal
Neste canto d’Europa, o quintal

A isenção da taxa moderadora
Dizem-me que já está no cartão
Mas afinal dizem-me que não
Não chegou o papel da doutora

Neste pequeno canto europeu
Enorme fedor já não se aguenta
Têm que mandar cá a inspecção

Isto não parece quintal, digo eu
Parece mais uma latrina sebenta
Promovam já uma desinfecção.
De poetaporkedeusker a 29 de Junho de 2011 às 12:15
:o! Caramba, Poeta! Este tinha-me escapado... mas está um delícia! :)) Essa da "latrina sebenta" é do melhorzinho que já ouvi!

Espero que isto se resolva,
Na sexta-feira que vem,
E que o centro me devolva
As taxas que por lá tem... :))

E mais não posso pedir
Pois só peço o que for justo...
E até estou a pressentir
Que isto me traga algum custo... :/

Mas, tudo bem, não me importo
De ter de justificar
O que for justificável...

Agora... se der "pr`o torto"
E alguém me quiser multar...
Isso sim, é condenável! :))

Bjo!
De artesaoocioso a 4 de Julho de 2011 às 16:23
Cara amiga,
Com uma tão grande parafernália de técnicas, ainda não conseguimos dominar a dor.
Não sei dizer mais nada, nem consigo.
Abraço grande.
De poetaporkedeusker a 4 de Julho de 2011 às 17:43
Venho sossegá-lo um bocadinho, meu amigo... a dor mais intensa já está, de momento, ultrapassada... espero que me dê um pouco de descanso antes de voltar...
Muito obrigada e um enorme abraço!

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