.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

AMPLITUDES

 

Por cada imenso grau dessa amplitude

Gerada em cada abraço, sem mentir,

De súbito, conjugo o verbo rir,

Embora sendo inversa essa atitude…

 

Pensas que, na mulher, essa virtude

Se deva, em três pernadas, resumir

Ao acto de gestar e de parir…

E julgas que o que pensas não te ilude…

 

No toque intraduzível de um abraço,

Revelo mar e céu por cada traço

De cada palavrinha que te diga

 

E, podes nem pensar mas, se te enlaço,

Será pr`a mitigar quanto cansaço,

Na amplitude do gesto, o corpo abriga…

 

 


 

Maria João Brito de Sousa

 

 

Imagem retirada da internet

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 17:23
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8 comentários:
De Peter a 24 de Fevereiro de 2011 às 20:12
Belo soneto. Bacio.
De poetaporkedeusker a 25 de Fevereiro de 2011 às 11:38
Grazie, Peter! :) Não nos víamos por aqui há um tempinho... o blog continuará "em obras" por muitos e longos meses, mas eu, de quando em quando, não resisto a publicar um novo soneto... e não. Não estou bem. Ninguém pode estar no seu melhor quando está à beira de ficar sem gás, água e electricidade porque se "esqueceram" de lhe enviar o vale de 189 euros com que terá de se governar durante um mês inteirinho.
Bacini.
De Simbologia do aMoR a 25 de Fevereiro de 2011 às 20:30
Lindo soneto!
O abraço revela tudo!

Abraços :)
De Vítor a 25 de Fevereiro de 2011 às 21:48
Os sonetos alimentam-lhe a alma,que trespassa a nossa carapaça,e nos eternece com tanta alegria,tão simples,e simplesmente através da escrita.


Bj*
De poetaporkedeusker a 28 de Fevereiro de 2011 às 11:05
Bom dia, Vitor. Acredite que nunca um verdadeiro poeta escreveu só para si. Este processo de interacção entre o poeta e quem o venha a ler sempre foram a "causa última" de todas as obras poéticas... e não só as poéticas.
Vou tentar visitá-lo ainda hoje.
Um enorme abraço e muito obrigada pelas suas palavras.
De poetaporkedeusker a 28 de Fevereiro de 2011 às 11:07
Sim, Vera, é isso mesmo! Em termos de análise literária podemos dizer que a "Chave de Ouro" está lá, no seu lugar, nos últimos versos e na última estrofe.
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 27 de Fevereiro de 2011 às 11:18
Tão lindos e nos parecem tão simples,
mas tão difíceis de construir.

O poeta é o destinado ao sofrimento
todos somos´...
Mas a ele lhe clareia a visão da beleza
a entrega do Infinito distante...
O Infinito que ninguém compreende.

Errante dos caminhos, mas envolvido na
beleza de uma alma com capacidades de
amar as distâncias...

Um abraço

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 28 de Fevereiro de 2011 às 11:00
É verdade, Maria Luísa... parecem muito mais simples do que na realidade são. Devo dizer-te que não está a ser nada fácil o meu trabalho de revisão pois, muito embora tenha sonetos muito bonitos no início do Poetaporkedeusker, estou a encontrar imensos erros e pequenas falhas formais que são dificílimas de reparar.
Vou tentar ir hoje ao teu blog e conhecer quem tu chamas de "último amor", mas não te vou dizer que esteja bem. Não estou. O vale da segurança social continua sem aparecer e as dificuldades materiais tornaram-se tão prementes que, por momentos, pensei em desistir de tudo. Tudo, mesmo.
Não me parece nada justo o que me está a acontecer, sabes? Afinal de contas preparo-me para deixar a este país a maior obra em soneto clássico jamais escrita em língua portuguesa e tudo o que pedia em troca eram os tais 189 euros mensais que, embora muito mal, sempre iam garantindo a sobrevivência. Não tenho saúde para tentar trabalhos cujo posto seja muito mais distante do que o CJO - tenho mesmo dificuldade em deslocar-me - mas tenho a sensação de que algumas entidades do meu país prefeririam ver-me como uma má mulher a dias, em vez de uma boa sonetista. Para mulher a dias não tenho, nem forças, nem vocação, embora já tenha feito limpezas, quando era bastante mais jovem e ainda tinha alguma força para gastar.
Continuo muito zangada... se for ao teu "último amor", espero conseguir ser minimamente simpática...
No meu caso, no que toca a esse tipo de amor do homem pela mulher e vice-versa, já me aconteceu, já me passou... e garanto-te que fiquei vacinada :) O meu primeiro amor foi e será o último, o resto nem conta. A não ser que falemos de um amor mais abrangente e, aí, ainda tenho muitíssimas cartas para dar... se me não continuarem a empurrar para a desistência... se eu não considerar que a vida tem um preço e que esse preço, no meu caso, é a dignidade.
Obrigada pelas tuas palavras... estás a ver como eu estou "resmungona"? :)) Agora até me ri. Sou e serei sempre muito sincera, mas este "resmungona" deu-me vontade de rir e não está muito bem empregado... deveria dizer revoltada.
Abraço grande!

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