.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

A ÉTICA DA CRISE...

 

Perdão… dá-me licença que o assalte?

Passe o dinheiro todo, por favor,

E queira desculpar-me, meu senhor,

Não vá ser esse pouco o que lhe falte…


Mas, se me der licença, eu explico já

A causa deste roubo que aqui faço

E sela-se este assalto num abraço

Porque é nisto que a crise, às vezes, dá…


Acontece eu estar “liso” e ter dois filhos,

Por isso aqui me vê, nestes sarilhos

Que me irá desculpar porque entendeu


Que a crise toca a todos, meu amigo…

E desculpe-me lá se o pus em perigo!

Com muito amor;     este Assaltante seu…

 


 


21.00h – 08.02.2011 – M. João Brito de Sousa

 


NOTA – Eu tinha – tinha mesmo! – um Soneto Clássico, sem a menor imperfeição formal e de conteúdo menos… “popular”, prontinho para publicar… mas não resisti a postar este, escrito num jacto, entre a gargalhada e a lágrima. Queiram ter a bondade de entender…

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 10:58
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12 comentários:
De M.Luísa Adães a 9 de Fevereiro de 2011 às 12:09
Aceito, entendo e gosto!

Olá, poeta amiga, como estás?

Voltei!...

Um abraço,

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2011 às 12:25
Já estás por cá, Maria Luísa? Que bom! Pode parecer palermice dizer isto... a distância, na net, não se sente... mas é como se se sentisse... nem sei explicar.
Estive quase para não publicar este soneto... mas é um soneto, sem dúvida, e eu tinha-me proposto levar o soneto a todos os tipos de temas que me tocassem...
Abraço GRANDE!
De M.Luísa Adães a 9 de Fevereiro de 2011 às 13:12
Tens razão, na Net não há distâncias, mas
como seres humanos que somos e não máquinas,
sentimos a distância e de que maneira, meu
Deus...

Voltei , como sempre, por uns tempos.
Longe ou perto, é sempre por uns tempos...

Tenho Vinicios de Moraes comigo e nos
prémios. Sei que o teu tempo é limitado e
por isso aceito o pouco que me possas dar.
Quando partimos, somos esquecidos - todos,
sem excepções!
Esta é das poucas coisas certas que conheço!

Um abraço,

Mª. luísa

De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2011 às 14:41
Olha que nem todos... posso dar-te o exemplo de V. Van Gogh, de cuja vida me tenho lembrado ao longo de toda a minha vida e mais ultimamente porque veio a debate, no Facebook, um episódio da sua dramática existência. Aquele homem partiu muito, muito antes de eu nascer e, tendo conhecido a sua obra e algumas biografias, nunca me esqueci dele. Esta também pode ser uma forma de não morrer, morrendo. Para mim está a ser e penso que sempre foi. Todos nós temos uma memória algo selectiva; a minha é-o muitíssimo.
Alguma coisa, em mim, nunca se quis esquecer de Vincent... conheço biografias de outros pintores, escritores e músicos e, no entanto, nenhuma calou tão fundo quanto a dele...
Vou ver o Vinicius! Até já!
De M.Luísa Adães a 9 de Fevereiro de 2011 às 16:26
Aqui temos Van Gogh e a sua pincelada única.

O reconheço à distância e te disse o porquê no blogs de premios-prosa-poetica, num longo texto de resposta a vinicius de Moraes.

Obrigada pela visita e sabes? Deu muito trabalho e no Rio minha prima me ofereceu o Livro primeiro dele publicado em 1933.
Só voltou a ser publicado em 2008.

Estive nalguns lugares maravilhosos que ele
costumava frequentar e passar férias (de encanto).
Passados 2 dias, dá-se a maior catástrofe na
zona serrana do Rio de Janeiro e Nova Friburgo ficou arrasada, onde tencionava ir...

Sei que ficou irreconhecível e está a ser apoiada pelos médicos- sem- fronteiras e
tenho uma amiga psicologa a trabalhar lá e a
viver lá.
A casa dela não foi afectada. Está num cónego (não sei definir "cónego" em brasileiro).

Beijos,

Mª. Luísa

Mª. Luísa
De poetaporkedeusker a 9 de Fevereiro de 2011 às 16:52
E eu já te deixei um enorme discurso de resposta :))
Tu nem ligues! Eu reajo instintivamente a certas palavras e começo a "debitar" discurso sem parar...
Eu soube da tragédia. Vi imagens... só as primeiras. Depois não quis ver mais... há momentos em que é melhor eu não estar a olhar porque a minha imaginação recria todo o cenário da catástrofe e torna-se muito doloroso. Por vezes é assim que acontece.
Quanto ao local onde residia a tua amiga... seria "córrego"? Em Português de Portugal, cónego é um sacerdote... mas pode ter esse sentido no Brasil...
Abraço gde!
De António Garrochinho a 8 de Fevereiro de 2012 às 01:37
excelente ! a ética da crise.
Parabéns Maria João. Adoro os seus sonetos, toda sua poesia.

António Garrochinho
De poetaporkedeusker a 8 de Fevereiro de 2012 às 11:35
:D Obrigada, amigo António Garrochinho!
Abraço grande!
De a 9 de Fevereiro de 2011 às 21:52
Olá Jo!
Quase a vejo a "sentir" este soneto, que embora popular está cheio de sentido.
Beijinho

De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2011 às 11:26
É popular, Fá, sim... pus em soneto um episódio que "mexeu comigo" e que tinha acabado de ver no telejornal... mas senti-o, sim senhora. Senti-o e o soneto veio logo de jorro... por isso é que não resisti a publicá-lo...
Já tenho perguntado aos meus botões se o velho Bolinhas já está "fino"... já aí vou!
Bjo!
De linhaseletras a 10 de Fevereiro de 2011 às 00:29
Olá amiga ,este soneto está muito engraçado, embora seja tão real o que aqui escreve que nos deixa a pensar que qualquer dia estes casos começam a ser tão banais como ir ás compras, mas como não há dinheiro faz-se assim desta maneira.
Um abraço.
De poetaporkedeusker a 10 de Fevereiro de 2011 às 11:28
Pois é aí mesmo que "a porca torce o rabo", minha amiga! Não seria um caso isolado - penso eu... - que me levaria a escrever isto assim, num repente, mas a pertinência deste tipo de situações perante uma crise deste calibre.
Obrigada pelas suas palavras e um enorme abraço!

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