.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXIII

 

CANTO INTEMPORAL DE UMA SEREIA NUMA PRAIA DO NOSSO IMAGINÁRIO

 

 

Ali era outro o mar, outra a viagem

E outra a luz de um tempo imprevisível

Que ecoava absurdo, irónico, irascível

E esmagava o  real, como uma vagem.

 

 

Fora ali que eu deixara uma mensagem

Pr` alguém que, mais atento ou mais sensível,

Descobrisse o que fiz quando, invisível,

Me derramara inteira sobre a margem.

 

 

Pedi, naquela carta, um pouco ainda,

Do vosso imaginário colectivo,

Quanto se expressa em criatividade

 

 

Nas voltas de um futuro que não finda

Em que, pr`a estar convosco, sobrevivo

Incólume a tão dura austeridade…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 27.11.2010 – 20.26h

 

 

 

MEUS LONGOS, LONGOS DIAS DE MENINA...

 

 

De vez em quando, o mar, o vento, a areia,

Vêm, num rodopio, lembrar-me os dias

Em que encontrava, sempre, uma sereia

Em cada espelho de água em que me via

 

 

Eram dias de sol, de maré cheia,

De um tempo de crescer que eu percorria

E que neste momento tenho ideia

Me davam muito mais do que eu pedia...

 

 

Mas, mar, areia e vento, em rodopio,

Inda dançam pr`a mim quando me rio

E só por não poderem não trarão

 

 

De volta os longos dias que, em menina,

Me faziam sentir que era divina

A lentidão das horas desse então…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 27.11.2010 – 17.59h

 

 

 

NÃO NEGO ABRIL!

 

 

 

 

Não negarei Abril, que Abril sou eu

E tudo o que em mim vive e se desdobra

Como se fosse vosso o que me sobra

E o que vos sobra, a todos, fosse meu!

 

 

Não negarei o espaço, nem o céu

Ou o que há de divino em cada obra

E hei-de pagar ao mundo o que ele me cobra

Porque o que cresce em mim, de Abril nasceu.

 

 

Não nego Abril, que Abril me seduziu,

Me foi estendendo um braço companheiro

Nas asas e canções de voz liberta!

 

 

Prometeu e se, acaso, não cumpriu,

Foi só por não ter sido o derradeiro

Abril da liberdade sempre incerta...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 27.11.2010 – 21.06h

 

 

 

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 11:57
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9 comentários:
De Isabel Maia Jácome a 30 de Novembro de 2010 às 08:31
Mais um fim-de-semana produtivo Maria João. Os poemas são muito bonitos.
Bj
Isabel
De poetaporkedeusker a 30 de Novembro de 2010 às 11:17
Olá, Isabel! Começo por pedir desculpa por não ter chegado a cumprir a minha promessa de visitar os links do seu post comemorativo da 50ª publicação. Vou tentar fazê-lo hoje.
O fim de semana não foi muito produtivo... a partir de sábado, não criei nada e esse desequilíbrio mantém-se até hoje. Tanto quanto vou conhecendo de mim mesma e das exigências desta estranha alquimia entre mim e a Poesia, irá manter-se, sabe Deus até quando. Aprendi a viver "no limite da sobrevivência", mas no que me toca a mim... quando, na vida real, surge um drama que não é meu mas que passa a dizer-me respeito e que estou obviamente incapaz de resolver, a situação complica-se e a alquimia deixa de funcionar.
Hoje ainda trago um soneto da semana passada mas, a partir de amanhã, deixarei de publicar por tempo indeterminado.
Neste momento já tenho alguma dificuldade em tratar das minhas próprias coisas e até o duche diário me exige um esforço que, por ser excessivo, me leva muito, muito tempo. Isso já me acontecia antes de surgirem estes novos problemas, mas para vir até aqui, a uns 300m da minha casa, ainda vai dando, se me levantar muito cedo, claro.
Vamos a ver se eu consigo, ao menos, vir até cá, fazer a tal revisão dos sonetos - será trabalho para mais de seis meses porque rever soneto clássico em decassílabo heróico não é tão "ligeiro" como possa parecer a um leigo - e tentar por em dia a correspondência...
Um grande abraço e até já!
De Isabel Maia Jácome a 30 de Novembro de 2010 às 13:04
Minha querida
Sei, como enfermeira e como pessoa também, o que são as fragilidades humanas e as condicionantes a que obrigam. Assim como as repercussões que muitas vezes têm em nós para grande contariedade nossa.
Creio que é importante manter o seu trabalho que lhe dá vida e que considero dos mais difíceis. "Ser poeta é ser mais alto"... e quando a inspiração falha, sobretudo por problemas físicos, sejam do corpo, sejam sociais, reflectem-se sempre na alma também.
Fico preocupada por sentir em si esse sentimento de "obrigação", que sei ser de manifestação de amizade, em ir aos links de que falei.
Penso que também poderá ser bom...mas com a falta de tempo que tem dadas as suas actuais limitações, em vez de BEM pode proavelmente fazer-lhe MAL!
Por favor, cuide de si... alguém de quem tanto gostamos!... e não se deixe exaurir em múltiplas obrigações para além do que se pode e sente prioritário... uma de cada vez.
... e acredito que, breve breve, conseguirá recuperar tempo para o seu digno e difícil trabalho...
...entretanto, e porque julgo conhecer um pouco do que padece, vá escrevendo sempre, mesmo que não seja em "soneto"... porque a sua escrita, pelo que conheço é muito rica... logo, logo, voltam os sonetos.
Abraço de FORÇA, força que sei que tem,
Sempre,
Isabel
De poetaporkedeusker a 30 de Novembro de 2010 às 14:23
:) Obrigada pelas suas palavras, Isabel! Não estou deprimida - ainda... - mas ser poeta também pode ser "ser mais só", acredite, e eu , a partir de agora, vou ter de me preocupar e ocupar de outra forma. Não falo de terceiras pessoas na internet, mas acredite que não estou a falar de namorados nem nada que se pareça. Não digo que não seja uma situação dramática; é-o mais do que alguém possa imaginar e eu não consigo mesmo ter esta disponibilidade total que ofereci à Poesia durante estes três anos. Costumo dizer que tenho de "mudar o browser" para fazer seja o que for e,neste momento, o "browser" ficou "encravado" numa situação com a qual vou ter de conviver diariamente e para a qual não vejo solução que não tenha incontáveis "senãos"... :)) Estou a fazer metáforas mesmo na prosa! Costumo ser de uma abertura total no que me diz respeito, mas respeito muitíssimo a privacidade dos outros e é por isso que isto parece um verdadeiro puzzle de metáforas sem sentido. Valha-nos Deus que me vou rindo dos disparates que digo! Não me leve a mal mas não devo mesmo falar de certas coisas que são graves - muito graves - e que podem expor e magoar terceiros.
Já visitei a maioria dos links privilegiados por si, mas a internet começou a ter problemas e fiquei sem acesso antes da hora do almoço... nem consegui publicar porque não conseguia entrar no perfil!
Só agora parece estar mais ou menos segura e, pelo menos, tem-me deixado responder ao seu comentário.
Um abraço grande e até já!
De Isabel Maia Jácome a 30 de Novembro de 2010 às 15:35
Compreendo-a e desejo-lhe as melhoras em todos os sentidos. E força também.
Ainda bem que conseguiu deixar o seu poema para a Laurinda Alves.
Beijinho
Isabel
De Zilda Cardoso a 30 de Novembro de 2010 às 12:48
M. João
Será possível dedicar um poema dos seus à Laurinda Alves? Amanhã é o seu aniversário. e como sabe, se posso dar umas dicas..., os seus talentos não têm sido bem aproveitados...
Obrigada
De poetaporkedeusker a 30 de Novembro de 2010 às 14:29
Olá, Zilda! A Laurinda Alves foi uma das poucas pessoas que eu ainda consegui visitar antes do breakdown da net. Penso que tenha conseguido deixar o meu comentário.
O meu soneto para hoje já tem alguns dias de idade :)) mas terei muito gosto em dedicá-lo a tão ilustre aniversariante! Se a internet não voltar a fazer-me a partida de me não deixar abrir os blogs, o próximo soneto será dedicado à Laurinda Alves!
Um enorme abraço!
De linhaseletras a 30 de Novembro de 2010 às 14:17
O seu trabalho de fim de semana é sempre muito bom e a prová-lo aqui estão estes bonitos sonetos.
a
Um grande abraço e um bom feriado, eu vou passá-lo a trabalhar se Deus quiser.

De poetaporkedeusker a 30 de Novembro de 2010 às 14:34
Está cansada, não está, Idalina? O seu sapito está com ar de quem precisa de fazer uma longa sesta e olhe que eu também não estou grande coisa. Hoje tive mesmo de abdicar do duche da manhã e lavar-me "à gato" porque não arranjei força para entrar para a banheira que é muito alta. Espero estar um bocadinho melhor amanhã porque me sinto muito mal sem o meu rico duchezinho! Devo estar com os marcadores A.N.A mais elevado do que o habitual... mas ainda vou tentar o duche quando chegar a casa!
Um grande abraço!

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