.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXI

 

O CHAMAMENTO

 

 

Por vezes tenho dúvidas. Não sei

Como chamar por Ti. Que nome tens?

Mas sei que, quando chamo, sempre vens

No mesmíssimo instante em que chamei

 

 

E se, enquanto chamava, exagerei

Pedindo-te mais graças do que bens,

Dando-me exactamente o que conténs,

Dar-me-ás muito mais que o que almejei…

 

 

Se, assim, sem dar-te um nome redutor,

Tu me dás tanta graça e tanto amor

Que, por mais que agradeça, nunca chega,

 

 

Eu ser-te-ei leal, mas sem te impor

Um nome sem valor – seja qual for! –

Porquanto não tem nome a nossa entrega…

 

 

Maria João Brito de Sousa – 06.11.2010 – 14.26h

 

 

A CONDENAÇÃO DOS MARES

 

 

 

Eu gosto tanto dos cabelos soltos

Das árvores, cumprindo os rituais

Do vento que os abana e traz revoltos

Como se fossem estranhos animais...

 

 

São livres como eu! Como eu são loucos,

Porque fazem de simples matagais,

Oceanos, selvagens como poucos,

Sob indómitas vagas vegetais

 

 

E gosto tanto de abraçar-me às rochas

Vivíssimas nos troncos que se estendem

Banhando-me num verde encapelado,

 

 

Mas choro se elas ardem como tochas,

Ou caem sob as lâminas que fendem

Verdes ramos de um mar menos salgado…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 06.11.2010 – 08.47h

 

 

 

 

AINDA E NUNCA MAIS

 

 

Já não há caravelas. Nunca mais

As naus se enfrentarão no mar salgado...

Há, no  entanto, mastros verticais

Cruzando ainda um mar nunca olvidado…

 

 

O mar que as recebeu não foi, jamais,

Tão cruel quanto o tempo já passado

E ficaram, decerto marginais,

Memórias de um velame ou de um costado

 

 

Submerso, sabe Deus em que oceano,

Em que abismo improvável e profundo,

Em que tempo, em que História, em que universo

 

 

Da frota que renega o desengano

Das coisas recusadas pelo mundo

No sonho intemporal de um bojo imerso…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 06.11.2010 – 14.52h

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 10:48
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13 comentários:
De linhaseletras a 8 de Novembro de 2010 às 14:05
Boa tarde Maria João.
Para descrever estes sonetos só me vem á ideia uma palavra"maravilhosos"
Já foi ver o meu trabalho que está no linhaseletras ", eu agora estou a voltar aos meus trabalhos manuais, até porque a inspiração anda muito por baixo, então aproveito o tempo e vou fazendo outras coisas.
Esta manta é a da Joana, mas também já fiz uma para o Ricardo, e vou começar uma para mim esta semana, como vê eu não paro, só que tenho pouco tempo , mas vou aproveitando da melhor maneira possível
Um grande abraço e um bom inicio de semana.

De poetaporkedeusker a 8 de Novembro de 2010 às 14:18
Olá, minha amiga! Faz muito bem em trabalhar ao sabor da sua inspiração! Penso que foi o Mário Cezariny que disse que "a criatividade deve andar de mãos dadas com o acaso". Não poderia ter dito melhor! É mesmo assim, sem dúvida nenhuma e se pegarmos na variável "acaso" e a substituirmos por "inspiração", perceberemos que podem muito bem ser a mesma coisa. Vou já fazer-lhe uma visita.
Abraço grande!
De linhaseletras a 8 de Novembro de 2010 às 14:05
Boa tarde Maria João.
Para descrever estes sonetos só me vem á ideia uma palavra"maravilhosos"
Já foi ver o meu trabalho que está no linhaseletras ", eu agora estou a voltar aos meus trabalhos manuais, até porque a inspiração anda muito por baixo, então aproveito o tempo e vou fazendo outras coisas.
Esta manta é a da Joana, mas também já fiz uma para o Ricardo, e vou começar uma para mim esta semana, como vê eu não paro, só que tenho pouco tempo , mas vou aproveitando da melhor maneira possível
Um grande abraço e um bom inicio de semana.

De linhaseletras a 8 de Novembro de 2010 às 14:08
Hoje o "sapinho"está um mãos largas, dá comentários aos pares e tudo!É uma "farturinha"

De poetaporkedeusker a 8 de Novembro de 2010 às 14:19
:)) É um sapinho generoso!!!
De Vitor a 8 de Novembro de 2010 às 21:20
...O mar,essa imensa massa de água que tanto me fascina e,tanto me faz sonhar...assim como os seus sonetos que tanta coisa me faz lembrar...e maravilhar!

Bj*
De poetaporkedeusker a 9 de Novembro de 2010 às 15:07
Obrigada, Vitor! Estive, há pouco, no Outro Lado e deixei por lá um comment um bocadinho queixoso. Estava - e estou - sem acesso aos meus blogs, fotografias e emails do sapo... vim ao Centro Paroquial, mas a conexão é tão lenta, daqui, e os computadores que funcionam não têm entrada USB para a pen... não sei se conseguirei publicar hoje.
Abraço grande!
De Isabel Maia Jácome a 9 de Novembro de 2010 às 12:18
Gostei muitos dos seus sonetos do fim-de-semana, especialmente do chamamento e A condenação dos mares. Do outro também mas os dois primeiros tocam-me particularmente
Lindos!
beijinho de força, Isabel
De poetaporkedeusker a 9 de Novembro de 2010 às 15:15
Olá Isabel! Estava a ver que não conseguia ler o seu comentário! Estive toda a manhã a tentar aceder aos meus blogs do sapo, sem conseguir. Acabei por fazer a conexão através de um computador do Centro Paroquial que não tem entrada USB para a pen em que trago os sonetos e sonetilhos que criei em casa... mas todos os computadores do CJO estão sem acesso ao Sapo.
Os dois primeiros sonetos são mais pessoais, mais intimistas... o último é mais "mobilizador" :)
Muito provavelmente não conseguirei visitar ninguém, hoje... também é muito possível que não consiga publicar. Amanhã tenho uma reunião, de manhã, e vou acompanhar uma das idosas a uma consulta, da parte da tarde... farei o que puder!
Abraço grande!
De Isabel Maia Jácome a 9 de Novembro de 2010 às 15:34
...Esse intimismo tocou-me!
Não se preocupe, poeta... nem sempre temos o tempo para tudo o que desejamos. Espero que tudo corra bem
Que a consulta da senhora que acompanha, corra bem!
Beijinho,
Isabel
De poetaporkedeusker a 9 de Novembro de 2010 às 15:48
Obrigada, Isabel :) Não consegui fazer visitas mas consegui publicar um sonetilho brincalhão que´fiz anteontem e que tinha de memória... faço tantos que me esqueço deles, mas este é muito simples - e muito sincero - e ficou por cá :)
Um abraço grande!
De Simbologia do aMoR a 9 de Novembro de 2010 às 19:26
Oi Maria

Belos sonetos de sábado, domingo e segunda-feira.
Eu na verdade, os não os tenho necessáriamente nesta ordem, quando vem, vem.

Abraço
De poetaporkedeusker a 10 de Novembro de 2010 às 15:27
Vinha a pensar em ti, quando me dirigi ao CJO! Não to diria se não fosse verdade! Já vou verificar se tenho acesso ao Re-nascer e aproveito para te dizer que eles também não estão nesta ordem, quando os crio no 2008 ou no caderninho. Só quando chego aqui faço a escolha e, aí, opto por dar-lhes este título generalista e ir numerando... mas tenho-os datado, desde há uns meses largos. Nem sempre me lembro de retirar a data, antes de publicar...
Abraço grande e espero que esteja tudo bem com a tua família.

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