.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

UNS TANTOS DE NÓS...

 

Muito além das conquistas ou dos medos,

E dos bens que, pr`a ter, há que comprar,

Das mentiras, verdades e segredos

Que cada um irá, ou não, calar;


Muito além das sereias nos rochedos

[que inventámos tão só para enganar

as fragatas que lançam seus torpedos

quando nenhum de nós quer disparar…]


Apesar das mil coisas que nos prendem

À nossa condição de seres humanos

E que no dia-a-dia nos constroem,


Há uns tantos de nós que compreendem

Que iremos muito além desses enganos

Das “coisinhas” banais que mais nos doem…

 

 


Maria João Brito de Sousa

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 12:21
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|
10 comentários:
De Isabel Maia Jácome a 5 de Novembro de 2010 às 16:25
Maria João... ESTE, gostei particularmente.
Sentido, profundo, articulado, sequencial e direccional... agarra-nos, prende-nos e faz-nos sentir o quanto somos, podemos e devemos ser!
Gostei muito, mesmo!
Fui ao seu outro "local" dos "poemas sem rima"... e também gostei. Gosto dos poemas soltos, zangados ou doces, mas que partem de dentro e atervo-me atranscrever-lhe um "poema" meu aqui neste seu lugar de partilha e que penso ilustra esta vontade/necessidade de escrever, como uma esplosão que se não controla...

"Não sei porque escrevo.
Por impulso,
por renuncia
ao pensamento elaborado
à justificação
meticulosa das coisas
ao pensamento prévio
ao projecto.

E sinto que o poema em mim
nasce feito
aborto ou
(quase) perfeito,
nasce apenas
sem dó nem piedade."

Um abraço nesta amizade que nasceu... se consolida e cresce, nesta cumplicidade que se desvenda...
Bom fim-de-semana
Sempre,
Isabel Maia Jácome

De poetaporkedeusker a 5 de Novembro de 2010 às 16:33
É isso mesmo, Isabel! Eles nascem-nos "de dentro"! Mesmo os zangados, como este seu que agora partilhou comigo e de que gostei muitíssimo! Um poema "bonitinho" pode até ser feito por encomenda, usando a técnica formal... um bom poema TEM de nos vir cá de dentro! E também de fora! É estranhíssimo, mas eu penso que um BOM poema depende de uma misteriosa convergência entre algo de muito forte, cá dentro, e um milhão de variáveis que parecem reunir-se no momento em que ele começa a nascer! Eu deveria saber dizer isto de forma mais clara, mas não sei! Só sei que é mesmo assim!
Um enorme abraço!
De Isabel Maia Jácome a 5 de Novembro de 2010 às 18:15
também não sei como é... mas sinto que é como a Maria João diz...
depois, claro a maioria das vezes precisa ser trabalhado... mas nasce assim, "sem dó, nem piedade"
Abraço Maria João...peotaporkedeusker :)
Isabel
De poetaporkedeusker a 8 de Novembro de 2010 às 10:24
:) Abraço grande, Isabel! Passo pelo "Escrever por Dentro" depois de publicar os sonetos de hoje!
De Peter a 5 de Novembro de 2010 às 22:58
olá poetisa, tudo bem ???
alem do soneto , também a fotografia é bela.
Algés?? Havia um café á beira do rio onde se faziam horas de romantismo puro e ingénuo , tal qual como o tempo que tinha a mesma dimensão. Ingénuo e puro.
Em Algés e no Restelo, no velho cinema Restelo !
De poetaporkedeusker a 8 de Novembro de 2010 às 10:32
Ah! O velho Cinema Restelo! Lembro-me pois! O café que eu mais frequentava, quando andava no liceu, era o Pavilhão Ribamar, à beira da Marginal... ainda o Palácio Anjos era uma ruína. Depois fazia a pé o percurso até ao Aquário Vasco da Gama e, poucos metros depois, era a velha casa do Dafundo, onde eu ia lanchar e dar um beijinho à avó Maria :) Ainda lá está, agora com uns azulejos muito amarelos... mas não conheço os novos habitantes...
Bacini, Peter!
De Vítor a 6 de Novembro de 2010 às 16:04
Muito bonito,Maria João...é mesmo uns tantos de nós...para meditar!

Parabéns.

Bj*
De poetaporkedeusker a 8 de Novembro de 2010 às 10:36
Eu penso que sim, Vitor. Penso - e todos os dias vou cimentando esta minha convicção - que não somos todos tão iguais quanto isso. Claro que todos temos os mesmíssimos direitos, mas temos aspirações e ambições tão diferentes uns dos outros... e é assim mesmo que deve ser porque é na diversidade e na complementaridade que está a riqueza de uma espécie!
Abraço grande!
De eva a 6 de Novembro de 2010 às 18:47
Parabéns a você
Poeta tão querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida.

Atrasada mas parabenizando-a, como dizem os brasileiros, com toda a alegria de o poder fazer.
Agradeço à sua amiga Efigénia Coutinho o lembrete pois me deixou uma cópia da mensagem que aqui lhe deixou.
Um soneto muito bonito. Felizmente que há cada vez mais uns tantos de nós.
Abraço GRD


De poetaporkedeusker a 8 de Novembro de 2010 às 10:40
:) Obrigada, Eva! Obrigada, também, à Efigênia :)
Também me parece que estes "uns tantos de nós" estão a crescer em número:) Isso é bom. Muito bom!
Abraço grande!
PS - Ainda não consegui ouvir o Dueto de Gatos, mas vou conseguir! :)

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