.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 15 de Agosto de 2017

A SEREIAZINHA

SEREIAZINHA DE COPENHAGEN.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)



Uma maré-cheia, duas marés cheias,

Três marés tão cheias que já transbordaram,

São as coisas belas que de mim ficaram

(se não forem belas, tampouco são feias...)



E, caso surgisse galgando as areias

Onda que espantasse gentes que as pisaram,

Logo de olhos postos nos que se espantaram,

Alguém juraria: - São belas sereias!



Mas... coitadas delas, meras invenções

Deste nosso infindo, estranho imaginário,

Cantam nem sei como porque, sem pulmões,



Faltando-lhes órgão tão prioritário,

Depressa se perdem em contradições;

Na rocha, a sereia sonha o mar lendário...





Maria João Brito de Sousa – 15.08.2017 – 10.36h

 

publicado por poetaporkedeusker às 11:22
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Segunda-feira, 14 de Agosto de 2017

CALEIDOSCÓPIO

CALEIDOSCÓPIO.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)



Nasci sendo parte de outro cinescópio;

Desde os meus primeiros momentos de vida

Via, em cada letra, um caleidoscópio

E a frase sorria de tão colorida...



Só sentido faço deste modo impróprio

E só me concentro quando diluída,

Mas nunca me digam; - Foi consumo de ópio...

Pois desta maneira fui nada e parida!



Sei ser muito humana, mas não sei se sei

Explicar subtilezas que só eu distingo...

Talvez o consiga, depois o verei,



Caso sobre ainda uma gota, um pingo,

Disto que, em verdade, sempre vos contei...

Chamam-me aldrabona? Nem assim me vingo!

 



Maria João Brito de Sousa – 14.08.2017 – 13.59h

 

 

NOTA - Estas letras e dígitos não apresentam as cores com que eu mentalmente os vejo. 

 

publicado por poetaporkedeusker às 15:31
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Sexta-feira, 11 de Agosto de 2017

DEPOIS DA MARÉ-CHEIA...

maré cheia maré vazia.jpg

 



Que faço de um poema que não pinto,

Nem burilo, polindo-lhe as arestas?

Que faço ao que me escapa pelas frestas,

Daquilo que não vejo ou que não sinto?



Que faço, já que eu própria me desminto

Pois vou desperdiçando em mornas sestas

As horas de criar, quando em giestas

Podendo transmutar-me, o nem consinto?



Ah, toda a minha vida andei correndo

E agora repouso, compreendo...

Mas pudesse eu correr como corria



E garanto que, ainda que morrendo,

Seria mais veloz, menos doendo

Depois da maré-cheia, outra, vazia...



Maria João Brito de Sousa – 11.08.2017 – 11.40h

 

publicado por poetaporkedeusker às 11:48
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Domingo, 6 de Agosto de 2017

UM MOSQUITO NO COPO DO LEITE II (Em setenta e sete palavras)

mosquitos II.jpg

(em verso heróico)



Olho o copo de leite que aquecera

E emito logo involuntário grito,

Porquanto, nesse copo, acontecera

Boiar um desgraçado dum mosquito!

 



Sem saber por que raio se metera

Esse insecto no leite que ora fito,

Penso: - Quando mosquito assim se esmera,

Fica qualquer humano apoucadito!

 



Em leite, nunca nado... e sou mulher!

Como pode um flebótomo fazer

Tamanha veleidade, ousar assim?

 



Talvez tenha pousado pr`a beber,

Mergulhando depois, sem perceber

Que esse leite era apenas para mim...

 





Maria João Brito de Sousa – 06.08.2017 – 13.10h

 

Imagem retirada do Google

 

publicado por poetaporkedeusker às 13:49
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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2017

UM MOSQUITO NO COPO DO LEITE (em cem palavras)

MOSQUITO.jpg

 

-Neste copo de leite anda um mosquito!

Que falta de cuidado e de respeito

Por parte de quem faz, do leite, um mito,

Por parte de quem vê, no mito, um feito!



- Senhor, peço um favor; não fique aflito

Que vou remediar de qualquer jeito!

Vou buscar outro copo e não repito

O erro de o deixar no parapeito!



-Ao erro cometido, lho credito

E juro que não peco por defeito,

Pois posso garantir que, assim que o fito,



Só vejo quem não faz nada direito

E está mais que ditado o veredicto

Pois, mosquitos num copo... nunca aceito!





Maria João Brito de Sousa -04.08.2017 – 10.18h

 

NOTA - De visita a um blog amigo, fiz algo que muito raramente faço; cliquei no "nick" de um dos comentadores e, de acaso em acaso, acabei por ir dar a um blog que propunha uma história sobre um mosquito num copo de leite, em setenta e sete palavras.

A curiosidade foi grande e não pude resistir à tentação de conseguir um soneto perfeito com as tais setenta e sete palavrinhas... não alcancei o objectivo. Em poucos minutos percebi que teria de optar entre um soneto muito, muito manco e um verdadeiro soneto, mas composto por cem palavras.

Escolhi este último e espero a vossa compreensão, bem como a compreensão do/a "blogger" que lançou a ideia.

publicado por poetaporkedeusker às 10:57
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Quinta-feira, 3 de Agosto de 2017

RUGA A RUGA

 

velhice.jpg

 

 Eu reivindico as rugas! Ruga a ruga,

Fui conquistando ao tempo a Poesia,

Esta que agora gravo, inda que, em fuga,

Mais pareça criar desarmonia,



Porquanto, cruamente, a dor me aluga

Os sentidos em flor com que escrevia

E nem a melodia em mim madruga

Como há bem pouco tempo acontecia...



Foi, no entanto, delas que me veio

Cada verso daquel`s por que hoje anseio

E que não trocarei por coisa alguma;



Venham mais rugas porque as não receio!

De falsidades anda o mundo cheio

E, às minhas, conquistei-as uma a uma!





Maria João Brito de Sousa – 03.08.2017 - 11.35h

Dedicado à MEA e escrito após a leitura do seu lindíssimo soneto

“Não Deixem que me Vista de Saudade”.

 

Imagem retirada da Fábrica de Histórias

 

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publicado por poetaporkedeusker às 11:50
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