.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

GLOSANDO FLORBELA ESPANCA -Melodias

rouxinol - vitórias.jpg

Patrono: Florbela Espanca

Académica: Maria João Brito de Sousa

Cadeira: 06



ALMA PERDIDA

*



Toda esta noite o rouxinol cantou,

Gemeu, rezou, gritou perdidamente!

Alma de rouxinol, alma de gente,

Tu és, talvez, alguém que se finou!

*



Tu és, talvez, um sonho que passou,

Que se fundiu na Dor, suavemente...

Talvez sejas a alma, a alma doente,

D`alguém que quis amar e nunca amou!

*



Toda a noite choraste... e eu chorei

Talvez porque ao ouvir-te adivinhei

Que ninguém é mais triste do que nós!

*



Contaste tanta coisa à noite calma,

Que eu pensei que tu eras a minh`alma

Que chorasse perdida em tua voz!...

*



Florbela Espanca

In "Livro de Mágoas"


***********



A VITÓRIA DO ROUXINOL

*



"Toda esta noite o rouxinol chorou",

Ou fui quem lhe não soube interpretar

Um canto, que eu pensava soluçar

E era à vitória, quando a conquistou...

*



"Tu és, talvez, um sonho que passou",

Um eco do que um dia ousei sonhar

Sobre a alegria de poder cantar,

Que, chore, ou ria , nunca soçobrou...

*





"Toda a noite choraste... e eu chorei",

Porque amargura, apenas, vislumbrei

Nessa longa e nocturna melodia...

*



"Contaste tanta coisa à noite calma"

Que eu rendida chorei; levas-me a palma

Nas subtilezas d` alma da Harmonia!

*





Maria João Brito de Sousa - 27.02.2017 - 12.07h

 

 

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Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLII

Picasso - Mulher Grávida.txt

 

HÁ PALAVRAS QUE BAILAM NOS MEUS DEDOS

 

Há palavras que bailam nos meus dedos

E que zombam de mim, deste cansaço

Fazendo dos meus dedos seus brinquedos

Enquanto eles repousam no regaço

 

Vão juntinhas contando-lhes segredos

Pra que ao ouvi-los sintam embaraço

E plo papel se percam em enredos

Olvidando a fadiga em que me amasso

 

E devagar, em esforço cresce o verso

Ora algo indolente ora algo disperso

Troçando dos meus dedos vagarosos

 

Vai adquirindo forma de poema

Feito com as palavras de algum tema

E os versos, que cresceram rigorosos

 

MEA

24/02/2017

*********

 

O EMBRIÃO

 

 

"Há palavras que bailam nos meus dedos"

Seguindo a pulsação das próprias veias,

Compondo, ou recriando os seus folguedos,

Conforme a mente vai moldando ideias.

 

"Vão juntinhas contando-lhes segredos",

Arrancando e limpando as velhas teias

Que escondem, ou mascaram quantos medos

Possam vergá-las de quebranto, ou peias

 

"E devagar, em esforço, nasce o verso",

Como se em carne houvesse o próprio berço

E em sangue urdisse a própria concepção.

 

"Vai adquirindo forma de poema",

Quando a razão brindar cada fonema

Com todas as razões que há na paixão.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 25.02.2017 - 11.44h

 

 

"Mulher Grávida" - Escultura de Pablo Picasso

 

 

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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

A MORTE DO(S) (DES)ENCANTADOS

digitalizar0042.jpg

 

Quando a revolta já não faz sentido,

Esgotada a chama de uma rebeldia,

Tudo parecerá estar diluído

Numa existência já sem serventia

 

Em que o verso parece ter perdido

O estro, a força e mesmo a valentia,

Que antes sentira haver-lhe permitido

Fazer sentido, enquanto o garantia.

 

Chega a derrota e crê-se, então, vencido

Por causa de uma simples avaria...

Assim se adia o verso, o não-nascido

 

Que, noutras circunstâncias, nasceria

Por algum tempo ainda. É bem sabido

Que cedo morre o Poeta, se não cria.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 24.02.2017 - 11.02h

 

 

NOTA - O título deste soneto nasce do título daquele que, caso tivesse chegado a ser editado, seria o último livro do poeta António de Sousa, meu avô.

 

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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLI

1746417_0Z1HZ.jpeg

 

UM POUCO DE PRIMAVERA

 

Naquela verde relva do jardim

Há salpicos de vida já brotando

Com a brancura fresca do cetim

São mesa posta a pássaros em bando

 

Que saltitam por ela em frenesim

Ora ali voando ora debicando

Num bailado de voos sem ter fim

E em alegres chilreios vão rimando

 

Versos em que prometem Primavera

Em abraços voados pla atmosfera

Que nas manhãs de sol pintam no espaço

 

E expressam melodia tão fremente

Com destreza singela e inocente

Mudando a cada instante seu compasso

 

MEA

21/02/2017

 

********************

 

MÁTRIA

 

 

"Naquela relva verde do jardim",

Expressando a vida em cor, rejubilantes,

Há vidas que parecem não ter fim,

Que renascem tão vivas quanto dantes,

 

"Que saltitam por ela em frenesim"

Contrariando os mais recalcitrantes,

Pois Vida, ao renascer, renasce assim,

Em ciclos pré-datados e constantes...

 

"Versos em que prometem Primavera",

Toda a Vida os compõe, vindos da espera

Que precede as razões de cada dia

 

"E expressam melodia tão fremente",

Que nada, nem ninguém, nega ou desmente

Que seja, a Vida, a mãe dessa harmonia!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 23.02.2017 - 09.40h

 

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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2017

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XL

água.jpg

 

ÁGUAS

 

Águas da chuva são belos brilhantes

Delicados e frágeis a brilhar

Em gotas transparentes, cintilantes

Numa cama de flores, a sonhar

 

As águas do mar são ondas gigantes

Na imensidão perdida do olhar

Feitas de vento e sal, que estonteantes

No areal se permitem descansar

 

Águas do rio são leito de jovem

Que em seu curso a embalam e se movem

Como se fora berço confortante

 

As águas do granizo, sei que são

Em pérolas os sonhos de paixão

Dum cavaleiro audaz belo e galante

 

 

MEA

9/02/2017



ÁGUAS, TAMBÉM...



"Águas da chuva são belos brilhantes"

São transparentes lágrimas sem choro,

Ou névoas que, não qu`rendo estar distantes,

Se juntam pr`a formar límpido soro.



"Águas do mar são ondas gigantes"

Que vejo junto à costa, se demoro

Os olhos qu`inda as vêem como dantes

Desde o tempo distante em que hoje moro.



"Águas do rio são leito de jovem",

Pois também se evaporam, depois chovem

Pr`a, novamente, ao rio se irem juntando.



"As águas de granizo sei que são",

Não mais que a simples cristalização

Dessa mesma água, assim que for gelando...







Maria João Brito de Sousa -15.02.2017 -20.08h

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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017

CONVERSANDO COM FLORBELA ESPANCA - Morte

alegoria da morte.jpg

 

DEIXAI ENTRAR A MORTE

Deixai entrar a morte, a iluminada,
A que vem para mim, pra me levar,
Abri todas as portas par em par
Como asas a bater em revoada.

Que sou eu neste mundo? A deserdada,
A que prendeu nas mãos todo o luar,
A vida inteira, o sonho, a terra, o mar,
E que, ao abri-las não encontrou nada!

Ó Mãe! Ó minha Mãe, pra que nasceste?
Entre agonias e em dores tamanhas
Pra que foi, dize lá, que me trouxeste

Dentro de ti?...pra que eu tivesse sido
Somente o fruto das entranhas
Dum lírio que em má hora foi nascido!...


Florbela Espanca



In, "Charneca em Flor"



****************************



ORDEM DE PRORROGAÇÃO DE SENTENÇA



Desvia essa gadanha, ó velha Parca,

Que por mais alguns anos ta dispenso,

Pois, se ontem te venci, melhor te venço

Enquanto em vida deixo a minha marca



E enquanto for levando a minha barca

Por entre um nevoeiro espesso, denso,

Prossigo nesta rota do bom-senso

Assim que a bujarrona se me encharca



Do sal marinho, quando o vento o traz

À minha barca que demanda a paz

No mar de um Sonho que em tempos me coube



E a todas as barreiras liquefaz;

Aos sonhos que me ficam para trás,

Não há, pr`a já, gadanha que mos roube!

 



Maria João Brito de Sousa - 14.02.2017 - 10.37h





 

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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2017

SILÈNCIO(S)

arvore-perdendo-as-folhas-2255d.jpg

 

Neste silêncio triste embalo os mortos

Entre asas fracas, flácidas, pendentes,

E sobre este regaço, os mesmos hortos

De onde ervas emanavam, persistentes,



Cobrem-se já de caules secos, tortos,

Negros, mirrados, quase transparentes,

Quais longos mastros nos distantes portos

Da rota imaginária dos ausentes...



É outra, no entanto, a minha rota,

E se hoje reavivo a estranha frota,

Razões bem fortes tenho pr`a fazê-lo,



Pois muito se assemelha ao que descrevo

A angústia de não ter para o que devo,

Embora eu mude o esboço a cada apelo.





Maria João Brito de Sousa - 06.02.2017 - 13.23h

 

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Domingo, 5 de Fevereiro de 2017

GLOSANDO PATATIVA DO ASSARÉ

Sancho e burrico.jpg

 

O BURRO

 

 

Vai ele a trote, pelo chão da serra,

Com a vista espantada e penetrante,

E ninguém nota em seu marchar volante,

A estupidez que este animal encerra.

 

Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,

Sem dar uma passada para diante,

Outras vezes, pinota, revoltante,

E sacode o seu dono sobre a terra.

 

Mas contudo! Este bruto sem noção,

Que é capaz de fazer uma traição,

A quem quer que lhe venha na defesa,

 

É mais manso e tem mais inteligência

Do que o sábio que trata de ciência

E não crê no Senhor da Natureza.

 

Patativa do Assaré (1909-2002)

 

In "O Secular Soneto"

(osecularsoneto.blogsot.pt)

 

BURRO(S)

 

 

"Vai ele a trote, pelo chão da serra,"

Carregando no lombo a carga alheia,

Porque burro de carga não coxeia,

Nem quando em sujo lodo um casco enterra.

 

"Muitas vezes, manhoso, ele se emperra"

Causando ao dono enorme cefaleia,

Quando, na hora de voltar à aldeia,

Entenda ser demais quanto carrega...

 

"Mas contudo! Este bruto sem noção"

De que quem ganha a teima é o patrão

Que à chicotada o quebra, tarde ou cedo,

 

"É mais manso e tem mais inteligência"

Do que muito "finório" de aparência

Que nunca diz que não porque tem medo.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 02.02.2017 -15.19h

 

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Sábado, 4 de Fevereiro de 2017

GLOSANDO JORGE DE SENA

A morte do cisne.jpg

 

INDEPENDÊNCIA

 

 

Recuso-me a aceitar o que me derem.
Recuso-me às verdades acabadas;
recuso-me, também, às que tiverem
pousadas no sem-fim as sete espadas.

Recuso-me às espadas que não ferem
e às que ferem por não serem dadas.
Recuso-me aos eus-próprios que vierem
e às almas que já foram conquistadas.

Recuso-me a estar lúcido ou comprado
e a estar sozinho ou estar acompanhado.
Recuso-me a morrer. Recuso a vida.

Recuso-me à inocência e ao pecado
como a ser livre ou ser predestinado.
Recuso tudo, ó Terra dividida!

Jorge de Sena, in 'Coroa da Terra'

 

 

 

 

... OU MORTE.



"Recuso-me a aceitar o que me derem",

Enquanto o não pagar. E pago foi

Por estas mãos que quase nada auferem

Deste trabalho infindo que as corrói.



"Recuso-me às espadas que não ferem"

E à forja em que uma espada se constrói,

Pois, de todos os gumes que me esperem,

Há-de ser sempre o meu que mais me dói.



"Recuso-me a estar lúcido ou comprado"

E recuso-me a ser manipulado

Pelas razões de outra razão qualquer.



"Recuso-me à inocência e ao pecado"

E a viver sorrindo conformado,

Porque aceitá-lo obriga-me a morrer!





Maria João Brito de Sousa - 02.02.201 - 08.23h

 

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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2017

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XV

lago dos cisnes.jpg



PERDI-ME NUM POEMA



 

Perdi-me quando entrei por um poema

Que de versos abertos convidava

A um passeio livre sem problema

Plas sílabas e estrofes que eu sonhava

 

E eram tantas palavras sobre um tema

Tantas quadras dispostas que mostrava…

Que entrando lá fiquei nesse dilema

De nem sequer saber por onde andava

 

Equipei-me dum lápis e papel

E pra que ao meu querer fosse fiel

Nele refiz os versos dos caminhos

 

Perfumei-os com rosas e alecrim

Depois criei-lhe um céu só para mim

E bailei-o ao som de cavaquinhos

 

 

MEA

31/01/2017

 

**************************

 

O BAILADO

 

 

Perco-me mais e mais a cada dia,

Nos versos, rimas, notas musicais,

Eu que, quando perdida, encontro mais

Em termos de abundância e de harmonia

 

E que quanto mais pobre e mais vazia,

Mais rica vou ficando... não notais

Que os versos podem ser paradoxais

Quando engendrando mais que a fantasia?

 

Garantidos os bens essenciais,

Ao ritmo de alguns versos mais leais

O pouco que nos sobre é garantia

 

Do nascimento dos originais

Que nos brotam  de dentro e, se os juntais,

Bailam numa perfeita sintonia.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 01.02.2017 - 14.06h

 

 

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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

SONETO A UM VERSO "EM BRUTO"

pistola fumegante.jpg

 

SONETO A UM VERSO "EM BRUTO"



Gosto-te, ó verso brusco, asselvajado,

Na força em que, apressado, mal respiras

E fumegas no cano, enquanto as miras

Nem foram necessárias. Disparado,



Saído num rompante, alvoroçado,

Sem que pedisses contas, nem às liras

Que quase sempre escutas quando admiras

Requintes de outro irmão mais demorado...



Que esta "embalagem" não te fica bem?

Quem to ousa dizer? Afinal, quem

Te poderia impor tempos dif`rentes?



E sorrindo, apesar de não ter dentes,

Sei que engendrar-te, não me tornou mãe;

Só em quem te entendeu como ninguém.





Maria João Brito de Sousa - 31.01.2017 - 11.05h

 

 

NOTA - Por favor, não se assustem com a imagem que é meramente ilustrativa da metáfora do disparo...



 

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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XIV

TEMPOS DE SECA.jpg

UM AÇUDE DE ÁGUAS INQUIETAS



Tenho tantas palavras por dizer

E sei nelas tal força pra sair

Que se calcam e falham de nascer

Quando lhes vou dar tempo pra fluir

 

Deste dia nublado a embater

Nas vidraças querendo-me exaurir

Das forças que me restam por não ver

A clara luz do sol que me faz rir

 

E do mar a saudade que me dói

Que aninhada em meu peito me corrói

Assim latente traça esta inquietude

 

Que atropela o que penso e me confunde

E que neste dispor faz que me afunde

Nas águas inquietas deste açude

 

 

MEA

29/01/2017

 

 

TEMPOS DE SECA

 

 

É nos tempos da seca que a planura

Se enche das crostas áridas, gretadas,

Da terra sequiosa, ardente e dura,

Que implora a bênção de águas derramadas.

 

Se às vezes me sei terra, sou perjura

Quando no rio revejo, bem espelhadas,

Aspirações comuns, árdua procura

Da foz... ou das palavras consumadas.

 

Virá, ou não, o tempo de uma enchente?

Pr`á terra, sim, mas nunca sabe, a gente,

Quanto tempo esta sede irá durar

 

E enquanto a seca queima a terra ardente,

Lá vai seguindo o rio, que é sempre em frente

Que alcança a foz aonde abraça o mar...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 30.01.2017 - 11.15h

publicado por poetaporkedeusker às 11:22
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