.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017

APOGEU POÉTICO AVL -1º Lugar

dar.jpg

 

APOGEU POÉTICO AVL

Tema: GRATIDÃO

Segmento: Clássico



Patrono: Florbela Espanca

Académica: Maria João Brito de Sousa

Cadeira: 06



GRATIDÃO 

 

(..."... não saiba a tua mão esquerda, o que faz a tua mão direita" - Mateus, 6, 3)



Que maior recompensa pode haver

Pr`a quem possa estender a mão que ajuda,

Do que saber que uma aflição se muda

Num momento de alívio e de prazer?



Há quem só saiba dar pr`a receber

Aplauso, ou recompensa bem choruda,

Porque não sabe dar. Que não se iluda;

Joga segundo as regras do poder!



Que importa quem receba o recebido,

Se mesmo estando grato, é bem sabido

Que pressente o que anseia aquela mão



Que se lhe estende enquanto jaz caído

À qual, aliviado, mas dorido,

Expressa, contudo, a sua gratidão?



Maria João Brito de Sousa - 29.12.2016 - 17.45h

 

AVL - 2016- 17.jpg

 

 

 

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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017

GLOSANDO ANTÓNIO CODEÇO II

Arvore de outono.jpg

FOLHAS OUTONAIS

 

 

Julguei pintar imagens outonais

De folhas moribundas pelo chão

Soando nos meus pés tão musicais

De acordes dados pela solidão

 

Sombrios rostos tornam-se banais

Passam por mim, tremenda confusão

Na falsa ilusão serem imortais

Esquecemos que há no corpo um coração

 

Caem folhas dos ramos do meu peito

As folhas outonais já ressequidas

De tanto sol que enfrentam diariamente

 

Conseguirei dobrar este conceito

Ser rei dum reino de árvores despidas

Ser cego e mesmo assim ver toda a gente?

 

António Codeço

 

 

AUTO-RETRATO

 

"Julguei pintar imagens outonais",

Mas foi o meu retrato que pintei

Em pinceladas quase acidentais

Sobre o branco da tela em que as lancei.

 

"Sombrios rostos tornam-se banais"

E na banalidade me espelhei,

Confundindo esses traços vegetais

Com este, muito humano, em que os pensei.

 

"Caem folhas dos ramos do meu peito"

Quando o vento outonal sopra a favor

Desta minha cegueira indesmentida...

 

"Conseguirei dobrar este conceito",

Dobrada em lucidez, saber-me expor

Nos traços, meus também, dessoutra vida?

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 30.01.2017 - 08.36h

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Domingo, 29 de Janeiro de 2017

GLOSANDO FRANCISCO RODRIGUES LOBO

Bugio.jpg

 

FERMOSO TEJO MEU...

 

 

Fermoso Tejo meu, quão diferente

te vejo e vi, me vês agora e viste:

turvo te vejo a ti, tu a mim triste,

claro te vi eu já, tu a mim contente.

 

A ti foi-te trocando a grossa enchente

a quem teu largo campo não resiste;

a mim trocou-me a vista, em que consiste

o meu viver contente ou descontente.

 

Já que somos no mal participantes,

sejamo-lo no bem. Ó quem me dera

que fôramos em tudo semelhantes!

 

Mas lá virá a fresca primavera:

tu tornarás a ser quem eras d'antes,

eu não sei se serei quem d'antes era.

 

 

Francisco Rodrigues Lobo - 1580/1622

 

 

(Apud Carolina Michaëlis de Vasconcellos, "As Cem

Melhores Poesias Líricas da Língua Portuguesa"—

Londres, 1910).

Nota - Soneto e dados bibliográficos retirados do blogue "O Secular Soneto"

 

 

 

 

ROUBANDO UM BEIJO AO TEJO

 


"Fermoso Tejo meu, quão diferente"

me pareces do rio que outrora amei;

vejo-te tão distante que nem sei

se deste estranho amor ficaste ausente...

 

"A ti foi-te trocando a grossa enchente",

a mim foi-me moldando o mar que ousei,

o sonho feito barca em que embarquei

e a minha rebeldia impenitente...

 

"Já que somos no mal participantes"

e havendo um mesmo mar à nossa espera,

saibamos, tu e eu, ser bons amantes...

 

 

"Mas lá virá a fresca primavera :"

tornar-te-ás mais brando, eu, mais severa,

e um beijo não nos rouba mais que instantes...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.01.2017 - 11.08h

 

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Sábado, 28 de Janeiro de 2017

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XIII

Fotografia de Phil Mckay (google).jpg

 

 

PALCO DA VIDA



É imensa esta estrada este caminho

É um palco real com bastidores

Onde actores fizeram o seu ninho

Nas brancas asas de ágeis beija-flores

 

Encenam seus papéis em desalinho

Que a fadiga provoca-lhes as dores

Que albergam em seu peito num cantinho

Mitigadas um pouco plos amores

 

Sem saberem da peça qual o fim

Lutam pelo seu próprio camarim

E fazem desta luta seu sustento

 

Quando se acaba a peça desce o pano

Acaba-se o teatro do engano

Sobra apenas cansaço e desalento

 

 

MEA

24/01/2017



IMPROVISO(S)



Sabendo que é perfeita, a analogia,

Em nada a contradigo e se a acrescento

É porque prometi que assim faria,

Se me sobrasse um nada de talento;



Escrevo umas linhas, nesta tarde fria,

Para o papel da vida em que me invento

E abuso duma mão que mal me guia

Na criação de enredo e de argumento...



Neste palco da vida, é sempre assim,

Mesmo na solidão do camarim,

Actuo e vou da lágrima aos sorrisos,



Mas quando cai o pano é mesmo o fim,

Não da Peça da Vida, mas de mim,

Das minhas deixas, dos meus improvisos...





Maria João Brito de Sousa - 26.01.2017 - 17.10h

 

Imagem - Fotografia de Phil Mckay





 

 

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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXIX

espaço vazio, tu.jpg

 

REPENSANDO O VAZIO



Entrei no meu vazio escurecido

Por túneis que cavei e construí

E onde guardei oculto meu bramido

Que em abrigos de plumas eu escondi

 

Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido

E ao esvoaçar de mim sei que cresci

E sonhei-me num porto já esquecido

Moldando do mar ondas que vesti

 

Entrancei nos cabelos o luar

Que descendo tirou o sono ao mar

E neles me encontrei em novo eu

 

Raiei de rouxinol e voei calma

Dei ao vazio tons que trago na alma

Dos túneis e ruínas fiz meu céu

 

MEA

25/012017



 

NEGANDO O VAZIO ABSOLUTO



"Entrei no meu vazio escurecido"

E logo o preenchi da claridade

Do verbo, nesse instante pressentido,

E da sua sonora intensidade...



"Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido"

Fiz ecoar, nas ruas da cidade,

A canção, muito acima do ruído

E o sonho, muito acima da ansiedade...



"Entrancei nos cabelos o luar",

Com mil cuidados, fi-lo então brilhar

Como um pequeno sol, quanto bastasse;



"Raiei de rouxinol e voei calma"

Porque o vazio tão só levava a palma

Se ao vazio dos vazios me não negasse!





Maria João Brito de Sousa - 26.01.2017 - 09.59h

 

 

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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2017

AO PÃO QUE O DEMO AMASSOU

pao que o demo amassou.jpg

 

Eu, que não roubei pão, nem o vendi,

Da mesma forma tenho de o comer,

Mas fá-lo-ei tão só pr`a não morrer,

Que a morte (in)certa nunca eu me rendi

 

Pois sempre afirmarei que, se o comi,

Foi só para o poder contradizer;

Ao pão que o demo amassa pr`a vender

E à côdea rija com que o cubro aqui...

 

Não lha vendo, nem compro, e, se lha como

É na clara intenção de ver se o domo

Usando a minha imensa teimosia,

 

Mas porque todo o pão contém fermento,

Da mesma levedura eu me alimento

E dela me acrescento a cada dia...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa 25.01.2017 - 15.27h

 

 

Nota - Soneto escrito na sequência da leitura do poema "Esse Mesmo Pão" de Vergílio de Sena.



 

 

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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XI

quarto poder.jpg

 



JORNAIS....

 

 

Folhas! Um maço delas, cor da neve!

Pouco a pouco elas vão ficando escuras

Com as letras pintadas duma greve,

Das guerras ou até legislaturas

 

 

Em letras garrafais ali se escreve

Para que se façam rápidas leituras.

Em pormenor também lá se descreve

Impressas as imagens de amarguras

 

 

Nessas folhas há tanta informação

Palavras escritas cheias de emoção

De análise, censura, sentimento

 

 

Serão por vezes falsas, outras reais

Há, porém, nas palavras dos jornais

Um excessivo poder, algo sedento

 

 

MEA

23/01/2017





O QUARTO PODER





Não fora a mão que o doma a dos burgueses

E os ricos quem lhe paga os ordenados,

Seria, o Poder Quarto, as mais das vezes,

A voz dos povos livres, revoltados,



Mas pelas leis do lucro, quer "fregueses"

E explode em escandaleiras, dando brados,

Contradizendo, alguns dos que mais prezes,

Outros, bem menos lidos e comprados.



Quer saibamos, quer não, tem o poder

De moldar-nos conforme convier

Às ambições do grande capital



E, pr`a fazer de nós quanto quiser,

Basta-lhe, estando atento, obedecer

A quem proclame o bem, fazendo o mal...





Maria João Brito de Sousa - 25.01.2017 - 12.00h

 

 

 

NOTA - Com o meu pedido de desculpas a todos os bons jornalistas que vão resistindo por esse mundo fora...

 

 Imagem retirada do Google

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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXVIII

Take one 3.jpg

 

QUISERA SER…

 

Quisera ser a brisa perfumada
Que vem da rama fresca do pinheiro
Fazer dos teus cabelos a morada
E soprar-te ao ouvido o dia inteiro

 

Quisera ser a onda bem picada
Se nela te fizesses marinheiro
E lá no alto mar de vela içada
Nosso barco do amor, nosso veleiro

 

Quisera ser a chuva de Verão
Orvalhando teu rosto de paixão
E em teus lábios deixar frugal pecado

 

Quisera ser o ar, a luz das estrelas
Fragrância duma flor, chama de velas
Para mais te sentires remansado

 

 

MEA
22/01/2017

-----------------------------------------------------------------------



"TAKE ONE"

(Luzes, Câmaras, Acção!)



"Quisera ser a brisa perfumada",

Ou mesmo uma nortada que, em crescendo,

Fosse, às tantas, tangendo entusiasmada,

As espias que a Barca vão sustendo.



"Quisera ser a onda bem picada"

Que por um quase nada a está vencendo,

Porquanto de repente, agigantada,

Da proa até à gávea a vai escondendo...



"Quisera ser a chuva de Verão"

Pr`a chorar-te, em sequela, a convulsão

Nascida de um naufrágio, que o não foi;



"Quisera ser o ar, a luz das estrelas"

E, rasgado o guião, ver nascer delas

Outra Barca sem velas, nem herói.





Maria João Brito de Sousa - 23.01.2017 - 18.06h





 

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Domingo, 22 de Janeiro de 2017

PÉS DE BARRO

pés debarro.jpeg

 

Dar-vos-ia o que tenho, nada tendo;

O intenso travo a sal do mar que sou,

A fonte de onde o verso me brotou,

As mãos com que costuro e me remendo,

 

A dúvida, a certeza e quanto entendo

De uns dotes com que a vida me dotou,

A beleza que tive e já murchou,

A musicalidade a que me prendo,

 

A rosa, o espinho, a força, o estro, a chama

E tudo, tudo aquilo a que me agarro

Pr`a manter-me de pé, fugindo à cama...

 

Poeta sobre humanos "pés-de-barro",

- que mil vezes prefiro a ´mãos com lama`.. -

Eu dar-vos-ia o céu... por um cigarro!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 20.01.2017 - 16.11h

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Sábado, 21 de Janeiro de 2017

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXVIII

800.gif

 



DEVANEANDO....



De olhos cerrados vejo o mar imenso
O mar azul sem fim que beija a areia
Com um véu de espuma branco e tão intenso
Que tece nela favos de colmeia

 

Abraça a rocha e faz-se ali suspenso
Em farrapos que voam como teia
E afastam-se agitando fugaz lenço

De rendilhados claros, em colcheia

 

Vai, e de novo volta noutro instante
Umas vezes sereno outras gigante
Naquele balouçar que me adormece

 

Que me enleva e me faz de mim sair
Levando-me nas vagas, a dormir
Nesse sonho de brisa que me aquece

 

 

MEA
19/01/2017

 

 

(RE)CONSTRUINDO

 

 

"De olhos cerrados vejo o mar imenso",

Meu berço, meu amante e meu irmão

De um mundo imaginado, ao qual pertenço

Em toda a minha humana dimensão

 

"Abraça a rocha e faz-se ali suspenso",

Como se eu fora a rocha, a suspensão,

Ou seu cais derradeiro, o meu consenso,

E a sua meta, a minha aceitação...

 

"Vai, e de novo volta noutro instante";

Ora explodindo em espuma, ora distante,

Marcando, compassado, o seu vaivém

 

"Que me eleva e me faz de mim sair"

Pr`a ser (re)construída ao descobrir

Na explosão, todo o sal que o mar contém.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 20.01.2017 - 09.31h

 

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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

GLOSANDO ARY DOS SANTOS

ary_dos_santos76757.jpg

 

SONETO DE MAL AMAR





Invento-te recordo-te distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.

A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciúme atormentada
a provar-me que ainda não estou morto.

E as coisas que eu não disse? Que não digo:
Meu terraço de ausência meu castigo
meu pântano de rosas afogadas.

Por ti me reconheço e contradigo
chão das palavras mágoa joio e trigo
apenas por ternura levedadas.



Ary dos Santos, in 'O Sangue das Palavras'







SONETO DE MAL-LEMBRAR





"Invento-te recordo-te distorço"

Essa velha memória desgastada

Pelo tempo passado, pelo esforço,

Pela estrofe que passa, desgarrada.



"A palavra desejo incendiada";

Erro de paralaxe, ou óbvio escorço

Duma memória em versos recriada

Que é, da figura humana, apenas torso.



"E as coisas que não disse? Que não digo (:)"

Sobre as fomes de um pão que encontra abrigo

Em quadras e sextilhas (en)cantadas?



"Por ti me reconheço e contradigo"

Que andei de verso em verso, qual mendigo

Da esmola das canções que são rimadas.



 



Maria João Brito de Sousa - 18.01.2017 - 11.02

 

No dia do 33º aniversário da sua partida.







 

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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE X

Picasso - Cabeza de Mujer.jpg

 



UM MUNDO ONDE NÃO SEI ENTRAR

 

 

Há um mundo só teu que não conheço

Onde não sei entrar de tão fechado

Mundo misterioso, tão avesso

Que te atormenta, triste e baralhado

 

 

Olhas de olhar perdido e não pareço

Quem um dia andejou plo teu passado

Por quem tu declaraste teu apreço

Infindo, teu afecto ilimitado

 

 

Não me encontras em ti! Eu não sou eu!

E procuras por mim! E a dor cresceu!

E o meu sorriso dói-me ao ver-te assim

 

 

Nesse mundo onde o sol ficou tapado

Deixando o teu eu sujo e sepultado

Nessa amargura atroz que não tem fim

 

 

MEA

14/01/2017

 



UM MUNDO QUE APENAS INTERPRETO

                ou IDENTIDADE(S)





Em cada um de nós, um universo,

Um poço infindo, um mundo pessoal

Íntimo, mas sensível e diverso

Do todo que nos veste, no plural,



Um algo indesvendável, controverso,

Profundamente nosso, uno, integral

Que, ao vestir-nos por dentro, anda disperso

E que ao amargo, ou doce, é transversal...



Divisível no génio, ou na loucura,

Durará quanto a vida a nós nos dura

E, tanto quanto sei, perde-se então...



Mas, apagada aquela chama acesa,

Perdida a vida à qual já esteve presa,

Muitos vão perguntar: - Está morta, ou não?







Maria João Brito de Sousa - 15.01.2017 - 11.40h

 

 

Imagem - "Cabeza de Mujer", Pablo Picasso

 

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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

AI, ESTAS MENINAS DOS MEUS OLHOS...

Bolinha.jpg

 


Não sei se é desta névoa que se evola

Das letras, sob as minhas mãos geladas,

Se destas teclas, quase tão estouvadas

Como as meninas, quando não há escola,



Já me escapa a palavra, como a bola

Rola em pátio de escola quando, ousadas,

As meninas se lançam nas jogadas

Com que qualquer criança se consola...



Mas, sendo as dos meus olhos, são culpadas

Pelo mau desempenho que as desola

Depois de descoberto e, já cansadas,



Guardam os versos dentro da sacola

E ausentam-se da estrofe, envergonhadas;

Já nem tentam "jogar", se for por esmola...

 



Maria João Brito de Sousa -14.01.2017 - 11.14h

 

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