.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

GLOSANDO O POETA CARLOS FRAGATA IV

digitalizar0001.png

 

FINALMENTE

 

Olho a foto, revejo aquele rosto

Pejado de certezas e de planos,

Confiante nos seus dezoito anos,

Sem uma ruga ou marca de desgosto...

 

Agradando a gregos e troianos,

Bem com a vida, sempre bem disposto

Mas, diferente do que era suposto,

Seus feitos foram sempre medianos.

 

Tem já quarenta anos, essa imagem...

Uma vida passou e só agora

Cheguei ao melhor porto da viagem.

 

Felicidade, chegaste na hora

Em que estava perdendo a coragem

De amar alguém, tal como amo agora!!

 

Carlos Fragata

 

 

DE PASSAGEM...

 

"Olho a foto, revejo aquele rosto"

De traços tão perfeitamente humanos

Que ainda que passassem muitos anos

Jamais se disporia a ser deposto...

 

"Agradando a gregos e troianos"

Nunca ninguém a vira e, como Agosto,

Toda era força e garra e chama e mosto,

E, se mistério tinha, era o de arcanos...

 

"Tem já quarenta anos, essa imagem..."

Ao fim de tanto tempo, inda não chora

Sempre que a vida a açoita... e tem coragem!

 

"Felicidade, chegaste na hora"

De lhe tocar um pouco... e de passagem,

Que é tempo, é quase tempo de ir-se embora...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.09.2016 - 20.21h

 

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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2016

GLOSANDO O POETA JOAQUIM SUSTELO VIII

ESCRITA 3.jpg

 

SETEMBRO  2



Setembro foi partindo na saudade
Das tórridas manhãs das praias cheias;
Do mar trazendo os cantos das sereias,
Dum pôr-de-sol intenso e sem idade



Das fragas reluzindo à claridade
Da prata dum luar paredes meias;
Dos sonhos desfilando nas ideias
Dum tempo de balanço da vontade



Setembro desfolhou-se num outono...
As folhas vão ficar ao abandono
Tal como alguns dos sonhos que desfolho



Virá a folha nova pró seu trono;
Assim viesse a paz que ambiciono
Na calma doutro outono em que te olho...



Joaquim Sustelo

 

 

SETEMBRO -  Uma Perspectiva Egocentrada

 

"Setembro foi partindo na saudade"

De uma sobrevivência mais provável

E foi nascendo Outubro, esse implacável

Que abre uma porta ao gelo que me invade...



"Das fragas reluzindo à claridade",

Despeço-me de um V`rão mais favorável

Ao corpo - este meu corpo não saudável... -

Que nada tem, senão fragilidade...



"Setembro desfolhou-se num Outono"

Que tirita e, com cãibras, perde o sono

Assim que o frio se torna omnipresente...



"Virá a folha nova pró seu trono",

Mas... eu, se lá chegar viva e sem dono,

Estarei muito mais gasta e dependente...





Maria João Brito de Sousa -29.09.2016 - 12.50h

 

 

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Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

GLOSANDO A POETISA MARIA ROSA REDONDO II

Paula Rego - O Bailado das Avestruzes.jpg

PALAVRAS DE RANCOR


Tuas palavras ditas com rancor
que meus ouvidos escutaram tristemente
demonstram bem, a ilusão daquele amor
que em tempos, eu pensei ... em ti presente!

Tanta ânsia por te querer com tal fervor
não percebi que tu mentias inclemente
então eu fui vivendo ao sabor
duma paixão que me vencia cegamente.

Por essas peripécias que inventaste
um filme que tão bem representaste
por ti o que hoje sinto, já nem sei .

deste ao meu viver, tanta amargura,
senti-me quase á beira da loucura
numa pessoa diferente, me tornei .


28/08/2012
Rosa Redondo

PALAVRAS, PALAVRAS, PALAVRAS...

"Tuas palavras ditas com rancor"
Não tiveram, em mim, qualquer efeito;
Cresci, não quero ter amo ou senhor,
Nem quero mais ninguém sobre o meu leito!

"Tanta ânsia por te querer com tal fervor"
E tanto sonho inútil no meu peito,
No tempo em que quis crer que o teu amor
Seria, dentre os mais, mais que perfeito...

"Por essas peripécias que inventaste",
Nem por um só segundo me magoaste;
Mais forte me tornaste... e combativa,

(Pois) "Deste ao meu viver tanta amargura",
Que só longe de ti soube haver cura
Pr`a quem se veja assim, muda e cativa...


Maria João Brito de Sousa - 26.09.2016 -13.14h



Tela de Paula Rego "A Dança das Avestruzes"

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Domingo, 25 de Setembro de 2016

GLOSANDO O POETA JOAQUIM SUSTELO VI

Grandes e pequenos....jpg

 

DIÁLOGOS

 

Visita-me a saudade tantas vezes...
E às vezes é bem longa essa visita!
Falamos de alegrias, de reveses,
Que a fala da saudade é infinita

 

Debato-me com ela em várias teses
- Foi bom ter sido assim? (Cá se medita...)
E como foram bons, anos e meses,
Gostamos, porque a estrada foi bonita

 

Apenas exceptuamos o que dói:
A parte que é mais triste, a de quem foi
E tanto oferecia o seu carinho...

 

Há lágrima teimosa que se enxuga...
E o indiscreto espelho mostra a ruga
A encurtar também nosso caminho.

 

 

Joaquim Sustelo

 

 

MONÓLOGOS

 

 

"Visita-me a saudade tantas vezes"

Que a não distingo mais do que é real;

De instantes vou somando os longos meses

Do muito que nem sei se tem total...

 

"Debato-me com ela em várias teses",

Mas nunca perco o fogo original

Que de mim fez operária, entre burgueses,

E, entre "ricaços", torna-me animal ...

 

"Apenas exceptuamos o que dói:"

Mas de quanto nos fica, o que nos mói,

É sempre o que mais move e frutifica...

 

"Há lágrima teimosa que se enxuga"

Assim que uma saudade em nós madruga,

Pr`a que em Poema, ao menos, seja rica...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 25.09.2016 - 12.51h

 



 

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Sábado, 24 de Setembro de 2016

GLOSANDO O POETA NATHAN DE CASTRO (In Memoriam)

Nathan de Castro III.jpg

DILEMAS DE UM MAR SEM FIM



-"Ser ou não ser azul. Eis a questão"

Que o Mar se põe, olhando a cor que o cobre,

Sem estar seguro de estar certo, ou não,

Quando imagina azul seu manto nobre...



-"Ser ou não ser... O branco em minha mão"

Hesita entre algum verde, que descobre

Numa memória, ou numa inovação,

E o velho azul, que entende usado e pobre...



-"Um verde de poesia, azul de luas"...

Murmura, qu`rendo ver seu corpo imenso

Vestido de uma côr definitiva;



"Com sua voz de rochas seminuas"

Pergunta-me em que côr o vejo, ou penso,

Vendo-me olhá-lo assim, contemplativa...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 23.09.2016 - 19.35h

 

 

 

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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

GLOSANDO O POETA CARLOS FRAGATA II

ESCRITA 3.jpg

 

O ESCRIVÃO

 

 

Quando as musas me tentam e despertam,

O mar, a noite, a lua, me acompanham,

Juntam-se e são eles que desenham

Os traços dos poemas que me ofertam.

 

São eles que trabalham e se empenham,

Juntam sílabas, puxam e apertam,

Torcem, emendam, erram e acertam

E das rimas mais pobres não desdenham…

 

Traduzindo em palavras a beleza,

Limito-me a escrever o que me dão

O amor e os sons da natureza.

 

Usando como filtro o coração,

Enquanto escrevo, ganho uma certeza:

Mais que poeta, sou mero escrivão!

 

 

Carlos Fragata

 

 

UMA ESCRIVÃ SEM TEMPO...



"Quando as musas me tentam e despertam",

Há outras mil urgências que a desdenham,

Que as musas são crianças, se se apanham

No meio dos poetas que as completam...



"São eles que trabalham e se empenham,"

Quando elas, inseguras, mal soletram,

Dos versos que os poetas lhes decretam,

Os compassos sonoros que contenham...



"Traduzindo em palavras a beleza",

Não fica um verso só, pois cada irmão

Virá, todo atenção, sentá-lo à mesa



- "Usando como filtro o coração"... -

Em cujo centro brilha, sempre acesa,

A eterna e solitária Inspiração...

 



Maria João Brito de Sousa - 17.08.2016 - 10.14h





 

 

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

GLOSANDO O POETA JOAQUIM SUSTELO V (Em decassílabo heróico, mas não em soneto, excepcionalmente)

ESTEVA.jpg

 


A CHUVA


A chuva quando cai tem a beleza
Das lágrimas que correm por amor;
É choro, é emoção da Natureza,
Das nuvens, suas taças de licor


Há sonhos que nos traz quando se ouve
Seu som lá no telhado ou na vidraça;
Beleza há na toada que se louve
Qual música que toca e nos enlaça


Não há nenhum poema que descreva
As gotas numa pétala de flor;
E cada, é uma lágrima que leva
À terra, quando cai, o seu amor


A alma se embebeda, se extasia
Ao ver chover nos campos... no caminho...
Embriaguês que chega por magia
Como se em vez de água fosse vinho


A chuva... obra do Céu, da Natureza,
Tem música nas gotas, uma a uma...
Balada que nos dá nessa beleza
Dum dia que nos surge em tons de bruma.

 


Joaquim Sustelo
(em CAMINHOS DA VIDA)

 

 

A CHUVA, SEGUNDO UMA ESTEVA-DAS-AREIAS

 

"A chuva quando cai tem a beleza"
Da bênção que sacia e mata a sede
À terra sequiosa e sem certeza
Que em verde refloresce, se a recebe...

 

"Há sonhos que nos traz quando se ouve"
Ressoar pelos pastos e quintais,
Onde rebenta a flor, nasce uma couve
E despontam sorrindo os cereais...

 

"Não há nenhum poema que descreva"
A alegria da terra ao ser beijada
Por essas gotas de água e a própria esteva
Melhor vo-lo dirá, que eu, não sei nada...

 

"A alma se embebeda, se extasia"!
E porque nada sei senão supor,
Pressuponho o que a esteva vos diria,
Se soubesse escrever mais e melhor;

 

- "A chuva... obra do céu, da natureza",
é também minha mãe, pois deu-me a Vida..."
Tão só por estar saciada, a esteva reza
E eu fico a contemplá-la embevecida...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 16.09.2016 - 17.55h

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Domingo, 18 de Setembro de 2016

GLOSANDO LUIZ VAZ DE CAMÕES III

der Fliegende Holander II.jpg

JURANDO DE NÃO MAIS EM OUTRA VER-ME





Como quando do mar tempestuoso 
O marinheiro todo trabalhado, 
De um naufrágio cruel saindo a nado, 
Só de ouvir falar nele está medroso; 

Firme, jura que o vê-lo bonançoso 
Do seu lar o não tire sossegado; 
Mas esquecido já do horror passado, 
Dele a fiar se torna cobiçoso; 

Assi, Senhora, eu que da tormenta 
De vossa vista fujo, por salvar-me, 
Jurando de não mais em outra ver-me; 

Com alma que de vós nunca se ausenta, 
Me torno, por cobiça de ganhar-me, 
Onde estive tão perto de perder-me. 



Luís Vaz de Camões

In "Sonetos"



BRAVATA(S)



"Como quando do mar tempestuoso"

Que engole inteiro o velho galeão,

Emerge o grande vate e traz na mão

Quanto lhe fora em vida mais precioso,



"Firme, jura que vê-lo bonançoso"

Chegar às mãos de D. Sebastião,

Lhe justificará toda a aflição

Da luta contra um mar fero e rochoso,



"Assi, Senhora, eu que da tormenta"

Medo não tendo, vibro de ousadia,

O mesmo irado mar enfrentaria



"Com alma que de vós nunca se ausenta";

Que tempestade, a mim, me afogaria,

Se vos respiro, etérea Poesia?





Maria João Brito de Sousa -17.09.2016 - 21.11h

poesis-raphael-morghen-.jpg

 

 

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Sábado, 17 de Setembro de 2016

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE IV

BRISA.gif

 

DE VENTO.....A BRISA

 

Fui vento, nesse dia do passado

E para te alcançar soprei um beijo

Em aroma de lima. Perfumado

Com a verde esperança do desejo

 

E esse vento que fui , te fez legado

E em sopros fez de ti, águas do Tejo

Que correram pra mim , por todo o lado

Dos meus campos de amor, fizeram brejo

 

Fui vento de frescura no Verão 

No teu mar bebi, águas de paixão 

E amanheci submersa de certezas

 

No Outono que já sou, sou subtil brisa

Que entardece serena, sem divisa

Em douradas espigas de incertezas

 

 

Maria da Encarnaçao Alexandre

 

 

13/09/2016

 

 

 

NEM SEMPRE SUAVE, NEM SEMPRE EXALTADA...



"Fui vento, nesse dia do passado"

Em que esqueci pretérito e futuros,

Ficando, o fruto em mim, condicionado

Ao espaço conquistado entre os teus muros



"E esse vento que fui, te fez legado"

De um beijo que recordo entre os mais puros

De quanto beijo tenha sido dado

Entre dois jovens frágeis, inseguros...



"Fui vento de frescura no Verão",

Mas... fazendo cedência à tentação,

Transmutei-me, exaltada, em ventania...



"No Outono que já sou, sou subtil brisa"

Que a si mesma se doma e se ajuíza

Segundo as leis da Vida e da Harmonia..



Maria João Brito de Sousa - 15.09.2016 - 15.09h





 

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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2016

GLOSANDO O POETA JOAQUIM PESSOA II

POETA DE COMBATE.jpg

 

POETA DE COMBATE



Poeta de combate me chamaram.
De combate serei. Não mercenário!
Poeta de combate é um operário
das palavras que nunca se entregaram.



Poeta de combate! E porque não?
Sou poeta. Serei também soldado.
O meu canto será um canto armado
e o meu nome de guerra uma canção.

Poeta de combate me quiseram
os que cedo da luta desertaram
ou aqueles que nunca combateram.



Poeta de combate eu hei-de ser
até quando o meu povo precisar
ou nada mais houver a combater.



Joaquim Pessoa


in AMOR COMBATE, Moraes Editora



POETA

"Poeta de combate me chamaram"

E combatente fui, não mais, nem menos,

Do que esses que partiram entre acenos

Para uma guerra de onde não voltaram...



"Poeta de combate! E porque não?"

Que são meus dias, se não são trincheiras?

Que são meus versos, se não são certeiras

Balas que aponto a cada coração?



"Poeta de combate me quiseram",

Poeta de combate me terão

Ao lado dos que há muito se perderam...



"Poeta de combate eu hei-de ser"

Porquanto enquanto viva, é por paixão

Que erguendo o punho me não sei render!



Maria João Britode Sousa - 15.09.2016 - 09.32h

 

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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

GLOSANDO O POETA JOÃO DA PALMA

001_Colares.jpg

 

A SOLIDÃO, ÀS VEZES

 

 

Adoro muita vez a solidão

Aonde a paz também nos acontece…

Detesto embrulhar-me na multidão…

Confusa onde ninguém se conhece

 

 

Adorava de alma e coração

Ter mais tranquilidade, se pudesse!

E ver valer a calma e a razão

Num clima de harmonia que eu vivesse!

 

 

É lindo este bem-estar e distrair

Embora tanta vez sem conseguir

Neste mundo tão falso e poluente

 

 

Oh! Quem me dera um dia me acercar…

Dum espaço mais sadio… e lá morar!

Onde a paz se desenhe alegremente!

 

 

João da Palma

 

 

A MINHA SOLIDÃO...

 

"Adoro muita vez a solidão"

Pois só nela me abraça a poesia

E só dela me nasce esta pulsão

Que em forma de poema se anuncia...

 

"Adorava de alma e coração"

Viver dessa pulsão no dia a dia,

Mas a pobreza extrema contraria

A minha mais sublime aspiração...

 

"É lindo este bem-estar e distrair",

Dos versos e das rimas a fluir

Das teclas às palavras, se estou só...

 

"Oh! Quem me dera um dia me acercar(...)"

De espanto que crescesse sem parar,

Estando eu desfeita e quase feita em pó...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 18.07.2016 - 12.44h

 

publicado por poetaporkedeusker às 11:40
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2016

GLOSANDO O POETA FRASSINO MACHADO

Petrarca-Meister_001 Pyrro enfrentado uma tormenta

 

SONETO PRA QUE TE QUERO

 

 

Andas por aí, perdido em todo o lado

Qual vagabundo entre terra e céu

Mascarado por indelével véu

Ficando a toda a hora acorrentado.

 

Andas por aí exposto e desnudado,

Fingindo de estandarte e até troféu,

Mas como escravo feito Prometeu,

Não consegues vencer teu triste fado.

 

E prenhe d` emoções em poesia,

Tu Soneto,tu que foste imperial,

Permite que por ti me torne austero...

 

Escuta bem: sem b`leza e harmonia

E sem o valor e o brilho do cristal,

Soneto, meu irmão, pr`a que te quero?

 

Frassino Machado

 

In "Musa Viajante", Chiado Editora, 2016

 

 

SONETO, POR QUE TE ESCREVO?

 

"Andas por aí, perdido em todo o lado",

Cheio de silicone, a "dar nas vistas",

Quando aquilo que tento é que resistas,

Que (en)cantes, sem tornar-te rebuscado...

 

"Andas por aí exposto e desnudado, "

Disposto em prateleiras consumistas,

Exportado - ou deportado? - pr`ás revistas

Das novelas, da bolsa, ou do mercado...

 

"E prenhe d` emoções em poesia,"

Em vez de ouvir-te-te fluido e natural,

Vejo-te em (des)compassos martelado...

 

"Escuta bem: sem b`leza e harmonia",

Por que te escrevo eu, se "compro" igual

Num qualquer saldo... e já pré-cozinhado?

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 08.09.2016 - 17.30h

 

(inédito)

 

 Imagem - Pyrro  enfretando a tempestade

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 15:48
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016

CRIVO(S) & SENTIDO(S)

Nascente-do-Tejo  - Serra de Albarracin.png

 

Não me apontem sentidos quando eu vejo

Que sigo um rumo próprio e produtivo

Que irá bem mais além, se eu tenho ensejo

De enchê-lo das razões de que me privo



Quando, num verso, encontro o tal solfejo

E, num soneto o esboço, agreste e vivo!

De assim, tão vivo o ver, logo o protejo

Quer passe, quer não passe, pelo crivo



De quem julgue que eu própria o não cotejo

- embora em gesto quase intuitivo... -

Enquanto o vou escrevendo, se o desejo



Como sempre o desejo; sensitivo,

Ritmado - francamente! - e, como o Tejo,

Valente, renovado e compulsivo...





Maria João Brito de Sousa - 08.09.2016 - 13.48h

 

 

Imagem da nascente do Tejo, serra de Albarracín

 

publicado por poetaporkedeusker às 14:07
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