.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 29 de Agosto de 2016

APOGEU POÉTICO - Academia Virtual de Letras

Natureza.jpg

 

APOGEU POÉTICO AVL - Agosto, 2016

Tema - NATUREZA

Modalidade - Clássico

Patrono: Manuel Maria Barbosa du Bocage

Académica: Maria João Brito de Sousa

Cadeira: 06



NATURA



Natura, minha Mãe, se sei cantar-te,

De ti me veio a força, o sopro humano

E este engenho que teima em dedicar-te

Cada alegria e cada desengano...



Se ainda sei, Natura, que negar-te,

Seria ir-me perdendo em rumo insano,

Assim continuarei fazendo Arte

Do muito que me deste, ano após ano!



Somei-lhe, é certo, indómita vontade,

Um trabalho sem fim, um risco, um preço

E a minha própria escolha que, em verdade,



Foi livre, tanto quanto o reconheço...

Mas sendo eu tua filha, ó Grande Madre,

Como não ser-te igual, desde o começo?



Maria João Brito de Sousa - 12.08.2016 - 12.22h

 

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Sábado, 27 de Agosto de 2016

GLOSANDO O POETA JOÃO URAGUE FILHO

clave.jpg

A PALAVRA AMOR

 

Era só uma palavra simplesmente,
Que fora do contexto delirava;
E dada a sua natureza escrava,
Uivava à solidão avidamente.



De súbito o amor por quem bradava,
Por quem se lhe não dera de repente;
Vestiu-se de lampejos por quem sente,
E refulgira ao sol porquanto amava.



E às asas se soltara aos céus de opala,
Sobrevoando por vales e colinas,
Mentindo nas estrelas quanto cala;



Depois exausto aos ventos e à neblina,
Pousou qual beija-flor onde trescala,
Perfumado nuns lábios de menina!



João Urague Filho





PALAVRA(S)





"Era uma só palavra, simplesmente",

Que só de uma palavra eu precisava

Pr`a voar sobre a côr que nela achava,

Pr`a tocá-la e deixá-la dar semente...



"De súbito, o amor por quem bradava",

Nasceu, cresceu, tornou-se mais urgente

E, duma só palavra brotou gente

Que muitas mais palavras lhe juntava



"E às asas se soltara aos céus de opala"

Como se da palavra, inda menina,

Nascesse, gloriosa, a própria fala...



"Depois, exausto aos ventos e à neblina",

Decido reduzi-la à antiga escala,

Mas logo outra (re)nasce e me ilumina...



Maria João Brito de Sousa - 08.07.2016- 16.50h

 

 

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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

GLOSANDO O POETA DIÓGENES PEREIRA DE ARAÚJO

velinha.jpg



A PEQUENINA VELA

 

Ao ver a luz de tão pequena vela

que, tão pequena, vence a escuridão,

eu penso no Brasil. Com emoção.

A tão pequena vela nos revela

 

que a luz, mesmo pequena, é solução

para criar a Pátria que se anela.

Se a luz ficar debaixo de gamela

não ilumina e falha em sua missão.

 

Alguém que não progrida e viva em teima,

não se aprimora e nenhum bem produz,

nada partilha, a não ser desatino.

 

Conquanto pequenina, a vela queima

e se destrói, no entanto gera luz

e heroicamente cumpre seu destino

 

Diógenes Pereira de Araújo



LUMINOSIDADE(S)



"Ao ver a luz de tão pequena vela"

Emanando, serena, um tal clarão,

Fico retida, em plena reflexão

Sobre a razão da coisa mais singela,



"Que luz, mesmo pequena, é solução"

Pr`a tanta escuridão, quando se anela

Ir-se fazendo dela a voz que apela,

Fugindo da querela, à criação...



"Alguém que não progrida e viva em teima",

Só pensa que se queima, assim que a vê,

Pois julgando que crê, mal sabe ver...



"Conquanto pequenina, a vela queima",

Tenta, qual guloseima, e, sem porquê,

Morre sempre à mercê do que a acender...





Maria João Brito de Sousa - 11.07.2016 - 18.16h

 

 

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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2016

GLOSANDO O POETA ALBERTINO GALVÃO

13373039261.jpg

AFIRMAÇÃO



Afirmo, podem crer, pouco me importa
Que saibam e divulguem meus segredos
Pois se algo há em mim que me conforta
É de saber vencer todos meus medos

 

Aos silêncios que eu quero, abro a porta,
Enquanto embalo versos nos meus dedos...
Cinismo para mim é coisa morta
E próprio de quem vive só de enredos

 

O que me importa, sim, é ter por par
Alguém que eu possa amar e saiba amar
Sem ter de alguma vez, à sociedade,

 

Pagar, por má conduta, algum tributo...
E é manter-me assim firme e resoluto
P’ra me dar à poesia em liberdade

 

Abgalvão (reservado DA)

 

 

 

(CON)FIRMAÇÃO



"Afirmo, podem crer, pouco me importa"

Que engendrem, sobre mim, falsos rumores

E que, mesmo depois de eu estar bem morta,

Me inventem mil amor`s, ou desamores!



"Aos silêncios que eu quero, abro a porta"

Que, depois, logo fecho aos delatores

De tudo o que a minh`alma não suporta;

Bastam-me, a mim, meus próprios dissabores!



"O que me importa, sim, é ter por par"

Aquilo, tudo aquilo que eu criar,

Pois só assim eu vou (sobre)vivendo...



"Pagar, por má conduta, algum tributo",

Perdendo, do que crio, flor e fruto,

Quando são, flor e fruto, o que eu pretendo?



Maria João Brito de Sousa - 05.07.2016 - 15.23h

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 14:03
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Sábado, 13 de Agosto de 2016

GLOSANDO O POETA MATOS SERRA

ninhonatural.jpg

 

QUEM ME DERA, AMOR.

Quem me dera que eu fosse a primavera,
teu campo colorido e sem entraves…
e nele um manso rio de ternas naves,
sempre alegre, e feliz, à tua espera.

 

Que eu fosse a primavera… quem me dera!...
Ter sempre manhãs limpas e suaves…
com brisas, muitas flores e cantos de aves,
projeção da minh’alma tão sincera!...

 

Se eu fosse a primavera, meu amor…
em cada dia dar-te a graça de uma flor,
como a papoila, alegre, dos trigais!...

 

No leito deste rio do meu carinho
atapetava em ‘sp’rança o teu caminho
p’ra não te ver triste nunca mais!...

 

 

Matos Serra in, Imaginadas Metamorfoses.

 

 

SE EU FOSSE A PRIMAVERA...

 

 

"Quem me dera que eu fosse a primavera"

Que amadurece até tornar-se V`rão

E toda fruto e só maturação

De espanto, de razão, de sonho e espera...

 

"Que eu fosse a primavera... quem me dera!.."

No crescendo do fruto, em suspensão,

Poder manter-me em flor sem mais razão

Do que a da floração, se assim pudera...

 

"Se eu fosse a primavera, meu amor",

Rasgando sobre a terra um mar de cor

Com estro de escultor cinzelaria

 

"No leito deste rio do meu carinho",

A cada novo dia, um terno ninho

Sobre o qual, por amor, te deitaria...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 03.07.2016 - 13.46h

 

 

 

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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

GLOSANDO A POETISA LANDA MACHADO

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AMOR ETERNO



Vieste e foste embora de repente

Deixaste em teu lugar uma saudade

E esse nosso amor tão inocente

Envolveu toda a minha mocidade

 

O tempo foi correndo lentamente

Com alegria, dor, felicidade…

Muitas vezes lutei contra a corrente

À procura da minha identidade

 

Houve na minha vida mais amores,

A vida é uma paleta de mil cores,

Mas há um tom dif’rente em cada idade

 

Agora que alcancei o meu poente

Talvez nos encontremos finalmente

Nesse mundo de Amor Eternidade

 

Landa Machado

 

Em “NA LONJURA DO TEMPO”

 

 

IDENTIDADE(S)

 

 

"Vieste e foste embora de repente"

Tal como a chuva chove, a nuvem passa

E o fruto que hoje comes foi semente

Que antes rompera a terra ardente e escassa...



"O tempo foi correndo lentamente"...

A roer-me por dentro, como a traça,

A solidão, a mim, tornou-me gente

E a ti, nem sei porquê, esgotou-te a graça...



"Houve na minha vida mais amores"

E - porque não dizê-lo? - , perdas, dores,

Coisas que eu sei que nunca entenderias...



"Agora que alcancei o meu poente",

Eu quero lá saber! Serei dif`rente,

Mas vivo as minhas próprias fantasias!



Maria João Brito de Sousa -08.07.2016 -15.48h

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 01:55
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2016

GLOSANDO O POETA CARLOS FRAGATA

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DONOS DO TEMPO

 

Corre o tempo, passando tão veloz,

Leva consigo a vida e a esperança

Mas, para nós, a vida é riso e dança,

Pois os donos do tempo somos nós…

 

O tempo é tempestade, nós bonança;

Tudo acalma, ao som da tua voz…

Vamos juntos p’lo rio, até à foz,

Revivemos os sonhos de criança!

 

Nosso passeio é força, é certeza,

Teu riso cristalino é alegria,

Minh’alma nos teus olhos fica presa.

 

Dentro do teu olhar, a noite é dia

E a exaltação é cama e mesa

E tudo é feito a dois, em sintonia!...

 

Carlos Fragata



DEPRESSA, "MA NON TROPPO"...



"Corre o tempo, passando tão veloz"

Que mal me deixa, o tempo que me alcança,

Tecer, um verso só, com confiança,

Sem me enredar nas horas, feitas nós...



"O tempo é tempestade, nós bonança",

Mas todos caminhamos para a foz

E não há raiva alguma, nem temp`rança,

Que atrase o passo que essa força impôs...



"Nosso passeio é força, é fortaleza",

Mas... ao senti-lo, à nossa revelia,

O tempo corre mais, tenho a certeza;



"Dentro do teu olhar, a noite é dia",

Mas vê com que despacho e subtileza

Nos ultrapassa, em Tempo, a Poesia...





Maria João Brito de Sousa - 06.07.2016 -18.56h



 

 

publicado por poetaporkedeusker às 09:06
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Quinta-feira, 4 de Agosto de 2016

SEM CONDIÇÕES...

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Para podermos manter um animal sob o nosso tecto, à nossa responsabilidade, não basta amá-lo;há que ter muito bom-senso e um mínimo de disponibilidade financeira. 

O primeiro nunca me faltou mas, a segunda, atingiu o ponto de ruptura e, desta vez, não há volta a dar-lhe.

 

A Mistral - uma cálica, pelo padrão da pelagem - precisa de alguém que lhe dê o que eu deixei de poder dar-lhe, uma vez que nem sequer a minha própria sobrevivência posso garantir, de momento.

Qualquer interessado pode fazer a sua proposta na zona de comentários, abaixo.

 

Esta gata meiga, mas muito brincalhona, será entregue a quem ofereça comprovadas garantias de a poder tratar com o mesmo carinho que sempre teve, enquanto esteve sob o meu tecto.

 

(Zona de Nova Oeiras)

publicado por poetaporkedeusker às 19:58
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2016

GLOSANDO A POETISA GLÓRIA MARREIROS

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TERRA DA MINHA VIDA

 

 

Recordo aqueles troncos imponentes,
na serra onde nasci e fui menina.
E nem sequer sonhava com a sina
traçada sobre linhas resistentes.



Fui ave nas ramadas mais ardentes
e encostas maquilhadas de neblina.
Ouvi vozes de brisa calma e fina
falar-me de saudades já dormentes.



Toquei nas rosas bravas das roseiras
que trepam por memórias e ladeiras,
deixando antigos cheiros no meu rosto.



E vejo nesta terra mil peugadas
dos beijos que não dei, nas madrugadas
suspensas na agonia do sol-posto.



Glória Marreiros





FUSÕES...



"Recordo aqueles troncos imponentes"

Dos abrunheiros a que me abraçava

Quando, menina em flor, lhes segredava

Canções das que calava para as gentes...



"Fui ave nas ramadas mais ardentes",

Radícula que freme, emerge e escava

E acaba transmutada em fruta brava

Na gestação de muitas mais sementes...



"Toquei nas rosas bravas das roseiras"

Sem me picar, porque essas companheiras

Sabiam-me uma irmã dos seus folguedos



"E vejo nesta terra mil peugadas"

Dessas fusões por tantos condenadas

Que são, do que hoje escrevo, honestos credos...





Maria João Brito de Sousa - 12.0.2016 - 14.11h

publicado por poetaporkedeusker às 17:19
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