.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

GLOSANDO O POETA JOSÉ MANUEL CABRITA NEVES

silo.jpg

 

 

LOUCURA SAUDÁVEL

 

Gosto de gente fora do normal,

Gente que tenha um pouco de loucura,

Que faça desta vida uma aventura,

Uma festa constante, um arraial!

 

Gosto de quem se ri da desventura

Com ar descontraído e jovial…

De quem desvaloriza o que está mal,

Tendo sempre o remédio para a cura…

 

Ser sempre concordante, consensual:

É, como alguém já disse, um pão sem sal!

Quiçá, um zé ninguém, fraca figura…

 

Ser perspicaz, empático, frontal,

É para a discussão fundamental!

Gosto de gente assim: louca mas pura!...

 

José Manuel Cabrita Neves

 

Carnaxide 6-02-2016

 

 

LOUCURA(S)?





"Gosto de gente fora do normal",

De gente sã, de gente bem madura

Que entenda que um poeta não tem cura,

Pois poderá ser cura, esse seu mal...



"Gosto de quem se ri da desventura",

Mas que possa explodir num choro tal,

Que a todos desconcerte e, por igual,

Enfrenta, sem vergar, sorte e tortura...



"Ser sempre concordante, consensual",

Não ter, sequer, coluna vertebral;

- Eis o grande ideal da ditadura!



"Ser perspicaz, empático, frontal",

Conseguindo manter-se racional,

Fará, de um pobre, um silo de fartura...



Maria João Brito de Sousa -06.07.2016 - 14.48h



 

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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

GLOSANDO A POETISA HELENA FRAGOSO

Flores bravias.JPG



TRISTEZA...



Tristeza, a que me invade não tem fim...
Sem que possa afastar a escuridão,
Que quase permanente vive em mim
Ensombrando-me assim o coração.

Perdi até meus sonhos... Sei que sim,
Perdi também o amor e a ilusão...
Aquela pouca paz que tinha, enfim...
Tudo isto se esfumou... Caiu ao chão.

Tento ainda lutar, pois sou assim...
A força que guardei dentro de mim
Aos poucos já se esvai de minha mão...

Tristeza, a que me invade não tem fim...
Sem que possa afastar a dor de mim,
Apenas me acompanha a solidão.



Helena Fragoso - 21.04.2016



RESILIÊNCIA(S)



"Tristeza que me invade e não tem fim"
Esta de não saber se estás melhor,
Sabendo quanto estás longe de mim,
Pensando que talvez te esmague a dor...

"Perdi até meus sonhos...Sei que sim",
Pressentindo, impotente, esse rigor
De entender que esse mal te deixa, enfim,
Tão longe do Poema, amor maior...

"Tento ainda lutar, pois sou assim";
Tão frágil quanto a haste do jasmim,
Mas tão teimosa quanto qualquer flor...

"Tristeza, a que me invade não tem fim(...)",
Mas ambas somos flor`s de um só jardim
Que ostenta a Resistência por pendor!



Maria João Brito de Sousa - 06.07.2016 -16.08h

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Domingo, 17 de Julho de 2016

GLOSANDO O POETA JOAQUIM SUSTELO

_dando_as_maos.jpg

 

PEDISTE-ME UM POEMA

 

 

Pediste-me um poema... que dissesse
o quanto para mim tu representas.
Não sei o que te deu, que impulso esse,
vai ser com ele, amor, que te alimentas?

 


Será que me pediste como em prece
que enaltecesse as trocas ternurentas
de beijos que nós demos... ou só desse
guardado na distância em que me tentas?

 

 
Pediste-me um poema... como o faço
dizendo o que te quero em breve espaço
se o espaço entre nós dois já não existe?

 


Um traço só de ti, ou uma ideia?
Se ocupas minha alma, que bem cheia
só a pensar em ti ela me insiste?!

 

 

Joaquim Sustelo

 

(em COMO UM RIO)



PEDISTE-ME UM POEMA...

 

 

"Pediste-me um poema... que dissesse",

Das nuvens que alcancei, tacto, sabor

E um pouco desse tanto te trouxesse,

Se o pudesse reter, em mim, de cor...



"Será que me pediste como em prece",

Ou pressentiste, apenas, quanto ardor

Nessas nuvens encontro, se mas tece

Meu estranho vôo de asas de condor?



"Pediste-me um poema... como o faço"

Se as asas se me alongam nesse abraço,

Antes de eu te saber dizer porquê?



"Um traço só de ti, ou uma ideia(?)"

Daquelas que o meu corpo não cerceia

E a alma não planeia, nem prevê?



Maria João Brito de Sousa - 05.07.2016 - 14.29h

publicado por poetaporkedeusker às 12:40
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

EVENTO AVL - O MEU PATRONO VISTO POR MIM

Bocage.jpg

 Patrono: Manuel Maria Barbosa du Bocage

Académica: Maria João Brito de Sousa

Cadeira:06

 

BOCAGE





(Soneto em decassílabo heróico e rima encadeada)



Manuel Maria foi vate erudito

Que fez, do verso escrito, o seu combate,

Ousando algum dislate, usando o grito

Que de si fez proscrito, embora vate...



Sonetos de quilate eu lhe credito

Num breve plebiscito em que arrebate

E abarque o que o meu vate deixou escrito;

Seu estro, esse infinito, e seu remate!



Barbosa du Bocage, o dos sonetos,

Homem de mil trajectos, que reage

Improvisando, o que age sem projectos



E que em versos directos, tece ultrage

Aos "nobres" - "quel dommage!"*- mais infectos,

Mas nunca aos seus dilectos: - Eis Bocage!



Maria João Brito de Sousa -07.07.2016 - 14.00h





* "Quel dommage!" - Que pena!, em francês.

 

bocage-biografia-e-obras.jpg

 

 

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Quinta-feira, 7 de Julho de 2016

AUTO-RETRATO MUITÍSSIMO IRÓNICO II

WIN_20160602_132447.JPG

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Carente? Sou, mas nunca de conselhos;
Só da matéria-prima necessária
À minha natureza proletária
Que quer morrer de pé, não de joelhos!

 

Tão pouco o sou de afectos, porque os velhos
E os poetas são, de sorte vária,
Capazes de engendrar paixão contrária
À superficial, vendida em espelhos...

 

Carências? Tenho tais e tão prementes
Que alguns duvidam - mesmo os mais carentes...-
Que eu possa ser carente, se o não for

 

Das coisas que uns entendem mais urgentes,
Como abraços, sorrisos, flor`s e dentes
E, para culminar, beijos de amor...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 04.07.2016 - 17.23h

 

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 08:47
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Domingo, 3 de Julho de 2016

GLOSANDO JOAQUIM PESSOA

digitalizar0046.jpg

 

QUE AMOR É ESTE AMOR?

*

Amar-te, só amar-te, e construir
amor e mais amor no amor já feito,
amor quase infinito, amor perfeito,
amor em flor, florindo o que há-de vir.



E ao amar-te assim, quero sentir
que o meu amor por ti não está no peito:
percorre toda a pele, a carne, o leito,
regressa à boca a tempo de sorrir.



Que amor é este amor, esta vontade
de nunca te perder e de escrever-te
sabendo que és a própria liberdade?



E em cada dia que não posso ver-te
não tenho vida, tempo, nem idade,
não tenho nada que não seja ter-te.

*

(Inédito)

 

Joaquim Pessoa

 

(A)PRENDER-TE...

 

"Amar-te, só amar-te, e construir"

A cada dia, amor, mais vida ainda,

É tudo quanto sei, que a vida é linda,

Mas só enquanto, viva, eu a fruir

 

"E ao amar-te assim quero sentir",

Ó vida, quanto amor a ti me cinda

Na esp`rança duma vida que não finda

Enquanto o mesmo amor em mim florir...

 

"Que amor é este amor, esta vontade"

De manter-te a pulsar, de não perder-te,

Mesmo quando essa esp`rança se me evade?

 

"E em cada dia que não posso ver-te",

Mais desta vida perco em quantidade,

Mas menos morro, à força de (a)prender-te...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.06.2016 - 21.37h

 

 

publicado por poetaporkedeusker às 11:33
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