.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Domingo, 23 de Setembro de 2012

SONETO PARA SAUDAR OS AMIGOS QUE ME ACOMPANHAM

Trago nas mãos o mesmo que tu trazes,

Uns pós de um quase nada que não usas,

Um punho, erguido aos dias mais audazes,

E um punhado – infalível! - de recusas…

 

Grito nas ruas, escrevo-me em cartazes

E exalto-me na cor de tantas blusas

Que ninguém sonhará a quantos “quases”

Reconduzo estas lutas inconclusas…

 

Devo, porém, dizer-te que fraquejo,

Que, embora corpo e alma, o meu desejo

Seria ir muito além do que consigo…

 

Que importa?! Ele surge sempre um novo ensejo;

Se me parece pouco o que em mim vejo,

Sempre há-de ser maior por estares comigo!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 23.09.2012 – 19.14h

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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

A JUSTIFICAÇÃO DE UMA FLOR

Das pétalas me irrompe uma só pressa;

Estender-me, transparente, intacta e pura,

Entre outras flores que a morte não segura

Antes que a Primavera se despeça…

 

Não sei se é pertinente, ou vos interessa,

Que fale de quem sou, nesta loucura

Em mim, tornada “eterna enquanto dura”,

Mas que, em murchando, em mim se reconheça.

 

Interesse, ou não, só nela me defino!

Sou ponte a florescer sobre um destino

Que pode, ou não, ser meu… pouco me importa!

 

Persigo-me a mim mesma em desatino

E só sei serenar se me imagino

Comemorando a flor, depois de morta…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 19.09.2012 – 21.03h

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Domingo, 16 de Setembro de 2012

MOAXAHA - Para variar...

AO ANIMAL CRIADOR QUE NOS HABITA

 

 

Amo as penas discretas dos pardais,

Macias, leves, quase intemporais…

 

Amo a serena calma dos meus dias,

Sem saudade, sem medo ou nostalgias,

Repudiando humanas tiranias,

Liberta já das cangas tão banais

Do que se engendra em ciclos rituais…

 

Devoro a manhã clara, as tardes mansas,

Retorno à tal menina que usa tranças,

Devolvo corpo e alma às simples danças

Das coisas sem rotina, ocasionais,

Que são espólio comum dos animais…

 

“O morto és tu, Lázaro! Surge et ambula!”

 

 

Citando António de Sousa em Mea Culpa, Mea Maxima Culpa – Livro de Bordo

 

Maria João Brito de Sousa – 13.09.2012 – 15.33h

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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012

UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha

Eu, que tanto o pratico, sei tão mal
As razões de voar do próprio engenho…
Sinto que é muito meu, mas sei-o estranho
E chego a acreditá-lo original…

Por vezes, volitando, é um pardal
Que por mim passa a ver quando o detenho,
Sabendo que eu, sem asas, não desdenho
Um timorato adejo ocasional…

E logo as mãos me adejam no teclado
Por causa de um pardal me ter tentado,
Por obra de tão parca tentação

Que é caso pr`a dizer que ter voado
Tem sempre uma razão, sempre um “culpado”
E as "culpas" nunca são da própria mão…



Maria João Brito de Sousa – 05.09.2012 – 20.10h

Imagem de pardoca, retirada da net, via Google

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Sábado, 1 de Setembro de 2012

ESTE BICHINHO EM NÓS...

Há sempre uma coragem que se inventa

E outra que habita em nós, sempre a crescer;

Uma que oferece a força àquele que tenta

E outra que há-de tentar até morrer!

 

Há sempre um sonho mais que se acrescenta

Ao rol daquilo que haja  pr`a fazer

E um bichinho voraz que se alimenta

Do que, antes, foi capaz de nos vencer

 

E há sempre uma certeza que nos move

Dentro desta engrenagem sabotada,

Que, às vezes, faz chorar, que nos comove,

 

Mas que em chegando a nós não pede nada

Senão a força hercúlea que promove

Assim que faz de nós sua morada...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.09.2012 – 18.45

 

 

 

IMAGEM - Gravura de JOSÉ DIAS COELHO retirada da net, via Google

 

 

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