.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

CERNE DO MUNDO - sonetilho

Sem dizer uma mentira,

Sem falar do que não sinto,

Espero que ninguém me fira

Ou, sequer, julgue que minto!

 

Sou, do mundo, o que nele gira

Sem me negar esse instinto

Do que à vida me retira

Quanto do sonho eu consinto…

 

Sou aquilo que sobrar

De um mundo em ebulição

Na tropopausa gelada,

 

Na condição de encontrar,

No auge da privação,

Qualquer coisa;- ou tudo, ou nada!

 

 


Maria João Brito de Sousa

 

 

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Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

DOIS REIS DE MEL COADO

Se eles sabiam do mel que tu coavas

Nos palácios das doces fantasias

Que construías, mas nunca habitavas,

Nem nas mais improváveis invernias…

 

Se eles sabiam… sabiam! Tu sonhavas,

Coando o mel que nunca provarias

Pois, dos favos etéreos que moldavas,

Nenhum seria teu, bem o sabias…

 

Coavas por coar. Outros viriam

Roer as malhas vivas que entendiam

Poder saborear quando chegasse

 

O tempo da colheita que fariam

Com as mãos inocentes que teriam

Se um futuro menor lhas não negasse…

 


 

Maria João Brito de Sousa – 26.05.2011 – 23.44h

 

 

 

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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

MEU RIO... MEU IMENSO, INSUSTENTÁVEL RIO

Minha canção das margens inconstantes

Rasgando a pradaria dos sentidos,

Meu rio de águas revoltas, mas brilhantes,

A começar do nada, em tempos idos

 

Minha ribeira brava dos instantes

Que acrescentaste aos dias já vividos,

Das lonjuras, dos sonhos mais distantes

Que, à partida, me foram prometidos

 

Meu leito, derramando em terra ardente

O abraço da vontade que não morre

Do riso que descrê, mas não desiste,

 

Meu líquido poema omnipresente

Nas águas de um futuro que dele escorre

E à qual, embora querendo, não resiste…

 


 

Maria João Brito de Sousa – 24.05.2011 – 15.17h

 

 

 

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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

ALÉM DO MAR - La mer et les autres...

Pr´além do mar havia um outro mar

E, pr`além desse mar, outro também

E outro e outro… era um nunca acabar

Dos mares que dele nasciam, mais além…

 

Havia um mar ainda por explorar

Quando por um dos mares passava alguém

E cada mar tentava, em vão, chamar

Todo o que, olhando o mar, não visse bem

 

Tanto mar! E ninguém acreditava

Pois todo aquele que o via procurava

Olhar só para o mar perto de si

 

E, apesar do mar que vislumbrava,

Não diria, jamais, que acreditava

Nos mares pr`além do mar que havia ali...

 


 

Maria João Brito de Sousa – 21.05.2011 – 15.00h

 

 

 

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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

QUAIS BANAIS? QUAIS INTANGÍVEIS?

Quando o sol vem mostrar que bem-me-quer,

Tal como quer aos melros e pardais,

Respondo-lhe que o quero ainda mais,

Que, às vezes, sou mais ave que mulher…

 

Mas, se uma lua cheia acontecer,

Redonda em seus abraços vesperais,

Aceno-lhe a sorrir, faço sinais

Para que ela, ao espreitar, me possa ver…

 

Tão ave quanto as aves, mas sem asas,

Fico a vê-las voar por sobre as casas

Enquanto estes dois astros, impassíveis,

 

Iluminando todos por igual,

Não diferenciam homem de animal,

Nem cuidam quais banais, quais intangíveis…


 

 

Maria João Brito de Sousa – 19.05.2011 – 10.05h

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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

FALA-LHES DE NÓS...

 

Fala das coisas que eu não sei esquecer

Se, mais do que eu, souberes falar de mim;

Fala da casa velha e do jardim

Onde eu plantei a alma e quis crescer…

 

Fala de mim, menina, a querer saber

Dos anseios do pé do seu jasmim,

A interrogar-me sempre, até ao fim,

Sobre ele saber-me, ou não, compreender,

 

Da gata adormecida aos pés da cama,

Do velho avô, vestindo o seu pijama,

A “poetar” até de madrugada,

 

Da avó que vinha ver se eu já dormia

- sem nunca descobrir que eu só fingia -,

Se, pr`ouvi-lo melhor, estava acordada…

 

 


 

Maria João Brito de Sousa – 15.05.2011 – 15.48h

 

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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011

SONETO VENCEDOR DO V PRÉMIO POESIA EM REDE - 2011

Nasceu-me, hoje, um soneto descuidado,

Fazendo ouvidos moucos à razão,

E todos vão pensar que veio em vão

Pois jamais gostará do nosso Fado

 

Mas o que aconteceu foi que o estouvado,

Não sabendo fingir, nem dizer “não”,

Mal ouve os mil acordes da canção

Corre a abraçar-se a ela, alvoroçado…

 

Coitado do soneto… apaixonou-se

Por um fado qualquer que então passava

Nos lábios de um fadista, nas vielas,

 

E nem sabe dizer quem foi que o trouxe,

Que guitarra, trinando, assim chamava,

Que estranhas vibrações foram aquelas…

 

 


 

Maria João Brito de Sousa – 21.01.2011 – 19.01h

 

 

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http://poesiaemrede.no.sapo.pt/

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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

V PRÉMIO POESIA EM REDE

{#emotions_dlg.sarcastic} GANHEI O V PRÉMIO POESIA EM REDE !!!

 

http://poesiaemrede.no.sapo.pt/

 

 

ABRAÇO GRANDE!{#emotions_dlg.fallingstar}

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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

TROVAS À TROIKA

Olho este povo cansado

De ver a vida a passar,

De viver das aparências

Na mais dura das carências

A que o vão fazer chegar

Para o terem bem calado…

 

Meu povo tão criativo

De poetas e cantores,

Gente com caule e raiz

Que nunca será feliz

Nas mãos dessoutros senhores

Que o querem manter cativo

 

Vejo a gente nas canseiras

Das noites sobressaltadas

Pelos dias sempre incertos

E nos olhos, muito abertos,

Mil perguntas formuladas

De mil e uma maneiras…

 

 

Ah, povo, se fores dormir

E eles tentarem sufocar

O cravo que tens no peito

Ao roubarem-te o direito

De viver, de trabalhar

E, até mesmo, de sentir…

 

Oiço a gente que murmura,

Que duvida e quer respostas,

Que não consegue entender

Porque é que há-de acontecer

Que as regras sejam impostas

Como eram na ditadura

 

Povo de garra, com garras,

Que rosna sob um chicote

Que a muitos soube calar

Mas que recusa aceitar

As loucuras de um Quixote

Que nunca vestiu samarra!

Não cales, povo que sofres,

A tua revolta imposta

Por amos que não quiseste!

Mostra-te indómito, agreste,

Diz que Portugal não gosta

Que disponham dos seus cofres

Ou da força dos seus braços

Cansados de não saber

Se, amanhã terão trabalho,

Se lhes fica, ou não, retalho

Do que puderem colher,

Do fruto dos seus cansaços!

 

[este povo inda tem garra

pr` a derrubar os chicotes

que o tentarem subjugar

e recusa-se a aceitar

ordens vindas de Quixotes

sem burrico e sem samarra!]

 

 

Maria João Brito de Sousa 

 

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Terça-feira, 3 de Maio de 2011

ABRIL, OUTRA VEZ!

Meu país da liberdade,

Desse Abril que há tantos anos

Escreveu a sua vontade

Com cravos florindo em canos

 

De espingardas sem idade

Nas mãos erguidas, sem amos,

Que em nome de outra verdade

Negaram velhos arcanos!

 

Desnuda-se hoje a raiz

Desse sonho inacabado

Na fome de quem o fez!

 

Ó jovens do meu país,

Ergam-lhe um cravo encarnado,

Façam-lhe Abril outra vez!

 


 

Maria João Brito de Sousa

 

 

SONETILHO DE ABRIL

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Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

A QUEDA DO POETA

Tropeçou, o Poeta, no seu manto…

Quem lhe procura a voz que está caída

Nas pedras do caminho, em qualquer canto?

Poeta que caiu, tem voz perdida

 

E de nada lhe serve sê-lo tanto

Se não encontra a voz que é, à partida,

O único bordão do seu encanto…

Se a voz se lhe perdeu, está desmentida!

 

Poeta, encontra a voz que te caiu

Ou nunca chegarás a ser Poeta

Neste mundo de quedas e tropeços!

 

E, se alguém te empurrou, ninguém o viu;

Foste tu, nessa cauda de cometa,

No teu vaivém de eternos recomeços…

 


 

Maria João Brito de Sousa – 30.04.2011 – 14.12h

 

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