.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quarta-feira, 31 de Março de 2010

A INEVITÁVEL ROTA DO COMETA

Se é neste ir e voltar que me desgasto

E continuo a ser um astro errante,

Meu tempo de viver é neste instante

Pois morrerei na luz deste meu rasto...

 

Quanto mais se aproximam, mais me afasto,

Sempre em busca de um sol menos distante...

Ó minha velha espada, ó Rocinante,

[Dulcineia sou eu, que a mim me basto...]

 

E venham mil gigantes disfarçados

De inócuas coisas, quase inofensivas,

Venham dragões soprando um bafo ardente,

 

Venham mais mil exércitos armados

Das armas mais letais, mais punitivas...

Já nada existe aqui que me afugente!

 

 

 

Uma Páscoa Feliz para toda a blogosfera!

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Terça-feira, 30 de Março de 2010

A CEGADA DO BICHO-PAPÃO

 

 

Uma Santa Páscoa a todos os amigos que tentei, mas não consegui, contactar por email...

este PEC do Sapo não está a ser lá muito pacífico, tenho sérias dificuldades em aceder ao Poetaporkedeusker e é-me praticamente impossível publicar. Ainda por cima

vou estar ausente durante vários dias por dupla imposição da data e de duas consultas hospitalares.

Muita criatividade para todos vós!

 

 

A Loucura, por vezes, faz-nos falta

Na esquina por dobrar de uma razão...

Reaceso o rastilho da paixão

Reaprende-se o mar na maré-alta.

 

Ali, em plena arena, o velho salta

Sobre a tampa irreal do alçapão

Onde mora esse tal Bicho-Papão

Que mete muito medo a toda a malta...

 

Já quase no final da estranha cena,

Um corvídeo qualquer, batendo as asas,

Diz que a peça não presta - e não tem pena! -

 

Uns tantos que o seguiram, destemidos,

Debandam, tentam ir pr`a suas casas,

Mas caem pelo chão, já sem sentidos... 

 

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

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Segunda-feira, 29 de Março de 2010

SÁBADO DOMINGO E SEGUNDA FEIRA VIII

 

 

A HORA DO SORRISO

 

 

Tendo a vida virada do avesso

E estando já tão perto da partida,

Tenho, afinal, aquilo que mereço

Porque assim se define a própria vida

 

E, se a glória vier, caso demore,

Que nunca tenha pressa de chegar,

Só para que, depois, ninguém me chore

Apenas por fingir saber-me amar.

 

Agora, se sorrir, estarei mentindo

Porque me dói, no corpo, a alma inteira,

Porque me assumo humana e pecadora…

 

 

 

UMA TAREFA LENTA...

 

 

Não tenho tempo, irmãos, que o Tempo voa…

Quem vê, na Poesia, a distracção,

Não é Poeta e nunca foi senão

Mais um que por aí verseja à toa…

 

Lá longe, muito ao longe, o verso ecoa,

Aproxima-se mais, pede atenção

E eu já lhe não sei dizer que não

Quando, vindo de longe, em mim ressoa…

 

Flutua e vai pousar… eu fico atenta

E espero o exactíssimo momento

Em que possa senti-lo e dar-lhe voz.

 

Pode a tarefa parecer-vos lenta,

Mas esta simbiose exige tempo,

Por mais que o Tempo, assim, fuja de nós…

 

 

 

O QUE TU QUEIRAS

 

 

Tu faz de mim - de nós… - o que tu queiras!

Inventa mil passados, mil futuros,

Constrói mil pontes ou derruba muros,

Diz de tua justiça em mil maneiras.

 

Cresceste aprisionado entre fronteiras,

Numa urgência de ser em claros-`scuros

Próprias dos seres que vivem inseguros

Pensando fazer bem… fazendo asneiras…

 

Sonha à tua maneira e sê feliz.

Futuro é um passado por passar

E o presente nem sequer existe…

 

Aquilo que mais queres, nunca eu o quis.

Houve um dia em que a vida quis parar

E eu nem reparei por estar tão triste.

 

 

 

"L`IMPORTANT C`EST LA ROSE", Maria João Brito de Sousa, 1999

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Sexta-feira, 26 de Março de 2010

A CONSTRUÇÃO DA SAUDADE

 

Não partas ainda. Fica mais um bocadinho. Um bocadinho apenas, antes de te diluíres nas memórias que me não permitirão a carícia sedosa da tua pelagem riscada de amarelos de Nápoles e de outros amarelos, maduros como folhas de Outono. Nem o exacto som do teu chamamento, o calor que de ti emanava e todas essas pequeninas coisas do dia a dia de que tanto me queixei enquanto os dias eram dias antes de partires. Olha-me ainda. Repara no meu sorriso triste… tu não o sabes, mas é um sorriso de saudade adiada. Uma saudade que começou a nascer no momento em que me apercebi da inevitabilidade da tua partida e que, não tarda, se começará a esfumar na linha de horizonte das recordações. Conheço-a como às palmas das minhas mãos, sei que me será absolutamente necessária, mas não a quero neste preciso momento. Agora quero adiar-te um pouco, pintar-te na tela da alma, escrever-te no livro do Tempo com letras de tinta indelével. Fica um pouco mais... o tempo de saborear bem, de avaliar e conhecer, sem o desagrado da  surpresa, aquilo que de ti me será permitido recordar. Acreditas que sinto saudades até das tuas piores traquinices? Se um dia vier a reparar o cavalete grande que tu me partiste, se um dia voltar a pintar, pintarei para ti. Porque assim se constrói uma vida. Assim, de afectos, memórias e pequenos grandes momentos. Foi curta, a tua passagem por cá e eu sei lá que desígnios te trouxeram até mim naquela tarde de cafezinho na esplanada... mas amei-te e foi em nome desse mesmo amor que tentei - caramba, como tentei! - encontrar alguém que tivesse a disponibilidade financeira e o espaço suficiente para que pudesses ter uma vida mais livre, mais de acordo com aquilo que é natural na tua espécie. Desencontros, amigo. Tantos desencontros. Mas nós cá nos íamos entendendo... era ou não era? E o que eu aprendi contigo! O que aprendi e o que estou agora mesmo a aprender, enquanto te guardo inteirinho neste cantinho de mim e redescubro os mil e um cambiantes deste curto percurso comum. Repara. Viste? Estou quase, quase a terminar. Podes depois partir. Depois desta última pincelada amarela sobre a incompreendida teia da nossa inesperada construção.

 

 

 

Acabadinho de construir para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

 

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Quarta-feira, 24 de Março de 2010

SPIRIT II

Quando a Morte se empenha de verdade,

Dá o bote final e já não larga...

Parece desistir mas volta à carga

Com redobrado ardor e intensidade,

 

Tornou-se inevitável a partida,

O extremo sofrimento é já visível

E eu decido alcançar o impossível,

Impondo, a todo o custo, ainda a vida...

 

Mas ela não desiste da disputa

E reivindica o corpo que escolheu

Sabendo ser mais forte, a prepotente!

 

E, nas últimas horas desta luta,

Eu, não querendo admitir que ela venceu,

Sinto-me cada vez mais desistente...

 

 

 

 

IMAGEM - "A Lágrima", Maria João Brito de Sousa, 1999

 

 

 

À vossa espera, no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ , mais uma novidade da poetisa Idalina Pata.

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Terça-feira, 23 de Março de 2010

SPIRIT

 

Eu, hoje, irei além, bem mais além!

Irei aonde a lua me apontar

Seus mansos raios, ébrios de luar,

Protectores como abraços de uma mãe.

 

Aquilo que fizer, farei por bem

E cantarei, em tudo o que encontrar,

A dádiva da Vida a começar

Onde a Morte pensar que se detém.

 

Eu hoje darei graças pela vida

Como a princesa Bela Adormecida

Ao acordar do sono enfeitiçado!

 

E farei prova daquilo que digo!

Hei-de lutar por esse pobre amigo

Que a Morte pensa já ter-me roubado!

 

 

 

Ao Spirit

 

 

APELO - Convido-vos a visitar o http://ajudar-o-jp.blogspot.com/ . Um euro por cada um de nós pode fazer toda a diferença!

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Segunda-feira, 22 de Março de 2010

21 DE MARÇO, DIA MUNDIAL DA POESIA

 

 

Tu, hoje, vens magoada, vens vazia,

Vens débil, vens diferente do costume,

Como se consumida por um lume

Que te queima e que já não te alumia…

 

Vens súbita e, num acto de magia,

Invade-me o olfacto o teu perfume...

Sou eu quem está magoada e quem se assume

A tua humilde serva, ó Poesia…

 

Hoje quero cantar-te e é chorando

Que te abraço e te aceito e reconheço

Que sem ti nada sou, que nada sei

 

E, se hoje não cantar, cantarei quando

For, por fim, meritório o que te ofereço.

Mas, por ser o teu dia, eu cantarei!

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

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Sexta-feira, 19 de Março de 2010

O CAPÍTULO QUE ME ESQUECI DE LER

manual.jpg

Não, mãe. Não tenho remorsos. Peço imensa desculpa, mas não tenho. Bem... talvez tenha tido daquela vez em que estraguei a mochila velha para que o pai me comprasse aquela linda, linda, que combinava às mil maravilhas com o cheiro das aparas de lápis e a textura do papel Almaço que eu teimava em levar comigo para toda a parte... que idade tinha eu? Quatro, cinco anos?

Lembro-me de ter pegado na tesoura, lembro-me daquele apertozinho no coração - talvez lhe chamasses peso na consciência - que senti quando cortei uma das correias. Não foi fácil. As correias eram resistentes e as minhas mãos eram tão pequeninas... mas o que custou mais foi a mentira.

- Pai, a mochila velha estragou-se...

Vi-o observar serenamente a velha sacola. Ainda hoje não sei se percebeu logo o que se passava, mas penso que sim... agora. Na altura disse-me, calmamente, que iríamos, nessa tarde, comprar uma nova.

Fui desenhar para o quarto de brinquedos, mas não estava feliz. Nada feliz. Era estranhíssimo porque me imaginava a criança mais feliz do mundo no dia em que pudesse abraçar, cheirar, manipular uma mochila novinha em folha... no entanto estava muito, muito longe de estar feliz. Muito pelo contrário. Esvaíra-se-me em coisa nenhuma aquela antecipação do objecto cobiçado e as mãos haviam-se-me tornado tão pesadas que as linhas não fluíam em contornos humanos, como nãs manhãs de todos os dias. Levei algum tempo a consciencializar, mas acabei por perceber tudo. Mais uns minutos com as mãos que me pesavam toneladas pendentes sobre

a folha de papel ainda branca e a decisão foi tomada.

Hoje sinto-me orgulhosa dela. Reconheço que era preciso "tê-los no sítio".

- Pai, não quero a mochila nova. Fui eu que cortei a alça da velha.

O resto vem-me meio embaciado. Devia ter lágrimas nos olhos. Não me recordo de ter ouvido nenhum raspanete. Nada. Só me lembro de continuar a usar a velha mochila, reparada pelas mãos hábeis da avó Alice. Por isso, mãe, te digo que já não tenho remorsos, que isso me não é útil, que também te não é útil a ti e que eu sempre fui uma pessoazinha capaz de aprender com os seus próprios erros. Acredita. É a melhor forma de se aprender, mãe.

Vejo que me não entendes... ou que não concordas. Acho que não concordas porque não entendes. Tudo bem, mãe. Eu esqueci-me de ler esse capítulo no Manual de Instruções.

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

 

Texto acabadinho de ficcionar - sobre um episódio verídico - para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

 

 

APELO - Convido-vos a visitar o http://ajudar-o-jp.blogspot.com/ . Um euro por cada um de nós pode fazer toda a diferença!

Um FELIZ DIA DO PAI a todos os meus leitores que sejam pais.

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Quinta-feira, 18 de Março de 2010

A UMA POMBA QUE TENTEI ENSINAR A VOAR

 

 

 Minha pobre avezinha... perdoaste

Este meu erro, assim, tão sem perdão?

Quis libertar-te e não te dei senão

Esse breve momento em que voaste

 

Por um instante, assim que te soltaste

Do estranho abrigo que era a minha mão

Embora nunca achasses salvação

No asfalto da estrada em que pousaste...

 

Pequena companheira de quem sou,

Nos bons e maus momentos desta vida,

Perdoa, por favor, quem te fez bem…

 

Perdoa, por favor, quem te cuidou

E te chorou na hora da partida

Como se fosse pomba, ela também...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 18.03.2010 - 14.41

 

 

À Hope, que partiu ontem à hora do almoço.

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Quarta-feira, 17 de Março de 2010

ALMA DE ÂNCORA

Ó alma, onde estás tu que te não sei?

Os passos que eu já dei pr`a te encontrar...

Minha janela aberta sobre o mar

Que agora se fechou, mas que abrirei.

 

Minh`alma já sem medo onde guardei

As asas de albatroz que ousei sonhar

No espectro de mil raios de luar

Que me levou além do que sonhei...

 

Minh`alma, meu tesouro de além mundo,

Terraço ajardinado aberto em flor

Sobre tudo o que aqui me vai prendendo...

 

Minh`alma sobre a luz de que me inundo,

Milagroso placebo contra a dor

A que fico ancorada, a que me prendo...

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

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Terça-feira, 16 de Março de 2010

ESTRANHA SOBREVIVÊNCIA

Impôs-se-me uma lágrima e chorei...

Chorei como quem chora a própria vida!

A lágrima era o ponto de partida

Desse poeta em mim que então soltei...

 

Mais lágrimas rolaram... mais de mil,

Seguidas por mais mil que não paravam.

Fui lágrimas de mim que em mim rolavam

Até redesenhar o meu perfil...

 

Depois nasceu a vida aberta em flor

Onde antes eram lágrimas de dor

E este poeta em mim sobreviveu...

 

Ah! Como é louco e estranho o meu destino!

Sobreviver à morte de um menino

E alcançar, depois, o próprio céu!

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Segunda-feira, 15 de Março de 2010

POETAS DO PORVIR

Poetas por nascer; eu nada sei

Desse futuro incerto... o vosso tempo...

Mas lanço sobre vós o olhar atento

E sei que cantareis como eu cantei!

 

Poetas do porvir; quanto eu sonhei

Ouvir no vosso canto o sentimento

Dos versos que cozinho em fogo lento

E são manjares que nunca provarei...

 

Mas é por vós que canto e que me assumo

Poeta desenhada a fio de prumo

Neste imenso jardim da Poesia!

 

Por cada um de vós serei semente

E farei do futuro o meu presente

Pois adivinho em vós tudo o que queria!

 

 

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Sexta-feira, 12 de Março de 2010

A MULHER INTERROMPIDA

Não foi assim tão antigamente...

Foi há cerca de um tempo

Mais duas metades de dois tempos meios.

Uma voz amiga, certamente,

Embora longínqua, perguntou por mim

E eu, tão confusa, não me conhecia...

Sou mulher de um homem,

Respondia.

E a voz insistia:

- Mulher, quem és tu?

- Sou a mãe de um filho que não mora cá

E de três meninas que me querem muito,

Apesar da culpa, apesar de tudo...

E a voz repetia:

- Mulher, quem és tu?

 

E eu iria jurar que não mentia

quando respondia:

- Eu sou essa mãe, apesar do luto!

 

A voz não cedia quando perguntava

Do Espaço, do Tempo e outras coordenadas:

- Ó mãe dos teus filhos, diz-me quem és tu!

Onde moram as tuas horas carnais?

Onde guardas o corpo quando sais

E voas em busca do filho perdido?

Que fazem essas tuas mãos?

Que estrelas tão negras trazes no olhar?

Que morte tão estranha te veio buscar

E esqueceu teu corpo entre os teus irmãos?

 

E eu respondia

Sem me aperceber

Que me descrevia sem me conhecer:

- Sou a mulher do meu homem

E a mãe das minhas crias!

Procuro o que se perdeu, o que morreu mal nasceu

E não alcanço encontrar...

 

Mas a voz não se calava no seu calmo perguntar:

- Mulher, que é feito de ti?

Só a ti tens de encontrar!

 

Então procurei-me em mim

E vi que não estava lá...

Procurei-me em todo o mundo,

Do abismo mais profundo à montanha mais escarpada,

Fui ao Nilo, fui ao Ganges,

Procurei-me em cada ventre

Das grutas mais ignoradas...

 

Devo ter percorrido o universo inteiro

Quando, de repente,

Encontrei um corpo que me não era alheio

E uma alma ardente

Onde cabia, exactamente,

A chama tão acesa do meu peito!

 

E juro

Que foi a primeira vez,

Em toda a minha vida,

Que aceitei a minha imagem denegrida,

Que me não importei de não ser entendida

E me orgulhei da estranha condição

De ser UMA MULHER INTERROMPIDA!

 

.

Poema convictamente reeditado para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

 

Imagem - O Nascimento de Vénus - Boticelli

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publicado por poetaporkedeusker às 16:35
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