.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

GATOS... ou quase...

 

 

 

Bichinho sinuoso e ondulante

Que me adormeces sempre que adormeces,

Que entendes das razões das minhas preces

Onde ninguém veria algo importante…

 

Macio, aveludado… és um mistério

Que transcende este humano entendimento!

Quisera eu conhecer-te, lá por dentro,

Tomar posse ilegal dessoutro império…

 

Que estranhíssima química nos traça

Caminhos ideais, cheios de graça,

E nos funde e confunde tantas vezes?

 

Quando o teu grito ecoa pelas ruas

São estas mesmas veias, minhas, tuas,

Que me enchem de irreais luas acesas…

 

NA FOTO - Sigmund, Minerva e E.T. (estas duas últimas faleceram em Março e Maio deste ano)

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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

O QUASE-NADA

 

 

Por vezes faz-me falta um quase-nada

[que absurda sensação de quase-ausência

me devolve, inteirinha, à procedência

da raiz da memória antecipada?]

 

Um estranho quase-nada, é bem verdade!

Um algo indefinido, indefinível,

Que sendo bem real é intangível

Mas nada tem a ver com liberdade…

 

É algo por nascer! Algo incompleto,

Algo que ainda está por construir

Erguendo-se da sua incompletude

 

Como se fosse um corpo, um estranho objecto

Que, querendo ser, está quase a conseguir

E que não muda nunca de atitude…

 

 

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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

POEMAS QUE SORRIEM...

 

 

 

 

Curvai-vos! Os poemas são batalhas,

São rios por inventar de espadas cegas,

Causas que desconheces - mas não negas -

Isentas do bolor de humanas falhas!

 

Abri alas pr`a eles, os combatentes,

Que avançam sobre as hostes de insensíveis!

Deixai-os avançar como invencíveis

Porque deles se erguerão causas urgentes!

 

Reparai… a batalha não termina!

[nunca se sabe ao certo quem domina

neste caos que as vontades vão esgrimindo…]

 

Mas, no ponto mais alto da colina,

Nasceram mais poemas que a vermina

Desvaloriza porque estão sorrindo…

 

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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

QUINTA, SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A PALETA

(A minha paleta, à luz da Biopsicografia)

 

Em azuis e magentas me descrevo.

Em verdes e castanhos vou vivendo

Porque o sol se levanta num crescendo

Aspergindo outros tons sobre este enlevo

 

E nunca sei se devo ou se não devo

Cobrir-me desse negro a que me prendo...

Mas, enquanto não sei, eu vou sabendo

Que mesmo sendo cor, eu sempre escrevo

 

Pois sou uma paleta das ideias:

Sou apenas um leito de grafismos,

A matriz da palavra em gestação!

 

É som, o que me corre pelas veias,

O que vai dando cor aos silogismos

Que nascem porque bate um coração...

 

A VARANDA DE DEUS

 

Deus tem uma varanda junto ao mar...

Eu, que nela nasci, vou descrevê-la:

Essa varanda é como uma janela

Onde Deus se debruça p`ra sonhar...

 

E é, essa varanda, um doce lar

Para possa querer descansar nela...

É pequena, a varanda, mas é bela

E cabe nela o mundo... se mudar...

 

Cabe nela aquele que vem por bem,

O que foi perseguido e quer abrigo,

Aquele que já pecou e quer perdão,

 

O que venha sonhar como Deus vem,

O que venha esquecer cada castigo

E o que jamais condene o próprio irmão... 

                                 

 

UM BRILHOZINHO NOS OLHOS DE UM COMETA

  

 

 

 

 

 

 

 

 

Era um brilho nos olhos de um cometa

E eu, que partilhava tudo, tudo,

Rodei sobre o sofá, num gesto mudo,

Fugindo à posição da linha recta…

 

E sorri, eu também, enquanto ouvia

O que disseste em tom coloquial

Naquela peçazinha cultural

De um minutinho, só, de Astronomia…

 

Foi o Deus dos Acasos? Foi a vida?

Já nem pergunto mais e tudo aceito

Sem me sentir, sequer, muito intrigada,

 

Como se a história fosse então cumprida,

Como se tudo ali fosse perfeito

E eu fosse, finalmente, retratada… J

 

O PRESÉPIO II

 

Que frio que estava ali, que frio fazia…

E, no entanto, a luz que então brilhava,

Aquecia, por dentro, e semelhava

Um sol pequeno e pleno de magia.

 

Nas palhas, um menino que sorria…

Era p`ra ele que a luz se desdobrava

Como se tudo, tudo o que ali estava,

Nos enchesse de súbita alegria…

 

Tantos meninos, tantos, já passaram.

Tantos viveram e nos cativaram

Com obras geniais, vidas notáveis…

 

É, no entanto, aquele menino pobre

Que a luzinha, brilhando, nos descobre,

Quem nos desvenda as coisas improváveis…

 

 

 

 

 

 

 NOTA - Peço desculpa por esta anarquia gráfica que não consigo remediar de forma nenhuma... acho que a minha pen se incompatibilizou  de vez com o 2008... hoje nem sequer consegui copiar os sonetos do fim de semana e tive de usar alguns que eu penso (?) ainda não ter publicado e que estavam, por acaso, na dita pen...

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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

O PRESÉPIO DE BARRO

 

 

Já estás quase a nascer, meu Deus Menino,

Simbolizando a Vida em todos nós…

Já oiço, antecipada, a tua voz

Na luz da Estrela-guia, em cada sino…

 

Quem me dera saber-te assim seguro

Por todo o humano tempo que te resta,

Amado, eternizando uma só festa,

Por todas as etapas do futuro…

 

Assim, tão pequenino, aconchegado

Num presépio de barro, bafejado

Pelo inusitado dos presentes…

 

Mas, mais tarde ou mais cedo, renegado,

Tremo porque te sei crucificado

Por quem nunca aceitou homens diferentes…

 

 

 

 

 

 

UM FELIZ NATAL PARA TODOS VÓS!

Peço desculpa a todos os que não consegui contactar nestes últimos dias, quer por email, quer por visita e comentário. O tempo é escasso e muitos dos emails vieram devolvidos...

mas fica a intenção! Um enorme abraço para todos vós, em todo o mundo!

 

Maria João, poeta porque Deus quer

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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

EM TEU NOME

 

 

 

Em teu nome acendi incenso e velas

E o raio de luar desta oração

Que aqui teço e devolvo à devoção

Da minha evocação das causas belas.

 

Em teu nome e no nome do teu nome

Lavrei estas palavras que te entrego

E tudo o que em palavras eu delego

É esta causa imensa como a fome.

 

O meu último esteio foi quebrado

E oiço um estranho silêncio inacabado

Perpetuando, sempre, a voz do tempo…

 

Cravo então, em silêncio, o meu arado

E sigo pela vida, sem cuidado,

Porque a vida, afinal, é um momento…

 

 

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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

O TRAIÇOEIRO

Ó gato! `Inda te chamam altaneiro!

A ti que te dás todo em marradinhas,

Que me olhas bem nos olhos, que adivinhas

O que é e o que não é bem verdadeiro,

 

Que queres ver-me feliz, que me procuras

Para me dar, de ti, o que em mim falta,

Que derramas, em mim, a maré-alta

Das tuas brincadeiras e ternuras?

 

Traiçoeiro? Que ideia! És mais leal

Do que essa gente louca que te insulta

E que te desconhece por inteiro!

 

Tu és, como qualquer outro animal,

Um pequenino ser que a vida exulta!

Jamais serias falso ou traiçoeiro!

 

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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA III

 

 

 

 

 

 

UM POETA NA ESQUINA

 

Poeta numa esquina, sem alento,

Que não choras nem pedes a quem passa

A esmola da atenção ou essa graça

Do merecido pão do teu sustento

 

[As asas que perdeste... esse talento

Que o mundo destruiu, como uma traça

Que devorando tudo te desfaça

E te não deixe mais que desalento...]

 

E, cruelmente alheia, a populaça

No seu vaivém, correndo contra o vento,

Não percebe, sequer, quanta desgraça

 

Te prende àquela esquina, desatento

Das coisas deste mundo e desta raça

Que assim te condenou não te entendendo...

 

 MISTÉRIO

  

Que mistério em teu corpo se engendrou,

 

 

 

Maria, se não foste de ninguém?

Que mistério, Maria, te fez mãe

De um menino que tanto nos marcou?

 

Que Maria foi essa que alcançou

Honra tão grande e tão imenso bem?

Maria e só Maria foi alguém

Em quem o próprio Espírito encarnou…

 

E terá sido assim que aconteceu?

Terá sido o menino que nasceu

Igual a todos nós, nascido em dor?

 

Porque se assim não foi… quem serei eu

Para inquirir sobre quem já morreu

E em tudo vive ainda em puro amor?

 

 QUE PENA...

 

 

Que pena, meu amor! Eu sei lá quando

As hostes da vontade irão render-se

E o corpo, desistente, converter-se

A escravo, meu amor, do teu comando…

 

Eu sei lá, meu amor… mas juraria

Que a linha que percorro, vertical,

Não há-de quebrar nunca… este ideal

É jamais desistir de uma ousadia!

 

Tantas vidas na vida! `Inda há pouquinho

Percorria, na estrada, outro caminho

E, no palco, um papel numa outra cena…

 

Agora, bem mais longe e tão mais perto,

Termino estes acordes do concerto.

[e, às vezes, tenho até alguma pena…]

 

 

 

 

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET 

 

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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

A NORTADA E A LAREIRA ACESA

 

Lareira de Natal

 

Ali soprava ainda um vento agreste

Chicoteando os ramos inocentes

Que as árvores estendiam, descontentes

Com essa fúria súbita e celeste.

 

Rodopiavam folhas arrancadas

Ao maternal abraço dessas hastes

Que balouçavam gerando contrastes

Com as casas imóveis e caiadas.

 

Era a Nortada fustigando a aldeia,

Cavando remoinhos na charneca,

Levando tudo, tudo pelos ares…

 

Por trás das nuvens brilha a lua cheia.

Deita-se o bom medronho nas canecas

E acende-se a lareira em nossos lares…

 

 

Imagem retirada da internet

 

 

- A nossa amiga Maria Luísa, do http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt/, encontra-se doente, com dores na coluna, e não poderá estar entre nós durante algum tempo. Pediu-me que vos avisasse a todos e vos transmitisse os seus votos de um muito FELIZ NATAL!

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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

AS CATEDRAIS DE GELO

 

Gela a branca geada. Branca, gela

E tudo se arrepia em seu redor

Como se nos mostrasse o seu melhor

Nas construções de gelo que revela.

 

Assim o Inverno chega e se desvela

Na criação de mil cristais sem cor,

E sem sequer olhar, seja o que for,

Agreste, toca, esculpe e remodela…

 

Silencioso e breve, este escultor

Das obras transparentes e espelhadas,

Vai transformando tudo em catedrais

 

De onde roubou o sopro do calor…

[depois, na Primavera, derrotadas,

tornam-se o verde pasto de animais…]

 

Imagem retirada da internet

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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

LIBRETO

 

 

Estou numa verborreia de soneto

Que não posso conter, que não comando,

Pois, a cada momento, eu vou achando

Acordes com os quais me comprometo...

 

E assim se perde em mim um Eu concreto

Nessa vida real que vou deixando...

[Um concerto ideal vai entoando

Os acordes finais deste “libreto”...]

 

O público, encantado, pede “bis”,

Mas vem o rapazinho da cortina

Pôr cobro à euforia do momento...

 

[Não sei por que razão alguém me diz

Que a "sonetista" é louca e desafina

Mas que o cenário, esse, é um portento!]

 

 

 Imagem retirada da internet

 

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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

O VESTIDO VERMELHO

 

Era um amor platónico, pensava ele. Fez um tremendo esforço para entreabrir os olhos, já baços, que uma guinada mais forte o obrigara a cerrar. Era imenso, insustentável, mas sempre fora um amor platónico. Nunca soubera amar assim outra qualquer.

A vida, inteira, passava-lhe diante dos olhos como um filme muito, muito antigo… ela andava sempre de calças e sorria muito. Ele sentava-se a seu lado, no sofá de napa, vigiando-lhe o sono, sempre que ela ficava, madrugada afora, à espera do marido invariavelmente afadigado em lides político-partidárias. Nunca gostara muito dele. Considerava-o um tanto ou quanto negligente no cumprimento dos seus deveres de macho protector, mas nunca lhe passara pela cabeça senti-lo como rival. Era, efectivamente, um amor insustentavelmente platónico.

Uma dor excruciante fê-lo cerrar, novamente, os olhos amendoados, cor de mel. Gemeu baixinho.

Nunca se revoltara contra a ordem natural das coisas e sabia que o fim estava a chegar. Intuía-o por ali, muito pertinho, rondando o seu corpo velho e imprestável, mas qualquer coisa o prendia ainda ao lado de cá da vida.

A imagem dela surgiu, novamente, no derradeiro filme que o seu cérebro projectava, estranhamente alheio à sua vontade… ela sorridente. Ela a cantar, na cozinha, nas mil e uma lides de dona de casa. Ela ainda menina. Ela ainda a necessitar de protecção. Como poderia partir e deixá-la assim, ingénua, indefesa?

Abriu, ainda uma vez, os olhos. Ela estava ali, diante dele, estranhamente vestida de vermelho. Um vestido longo e decotado que lhe pareceu absurdamente desligado dela. E não sorria. Adivinhou-lhe mesmo duas lágrimas rolando pela face, em câmara lenta. Viu-a baixar-se, descendo em direcção a ele e sentiu que o acariciava longamente.

Faltava, ainda, qualquer coisa realmente indefinível para que pudesse partir. Fixou nela os tais olhos de mel onde a última centelha de vida recusava extinguir-se. Sempre entendera as palavras que ela lhe dirigia naquela outra língua modulada em curtíssimos sons cantantes, embora todos troçassem dos longos monólogos que a mulher costumava dirigir-lhe.

Foi então que ela falou:

- Se é por mim… se é por mim que ainda vives, apesar de tanta dor…

Ele bebia-lhe sofregamente as palavras embargadas por soluços.

- Se é por mim, - continuava ela com uma voz que parecia mais e mais distante - não sofras mais. Vai. Liberta-te. Continuarás comigo para além da morte.

Ele tentou ainda emitir um latido em sinal de compreensão, como sempre fizera. Não o conseguiu.

A vida foi-se-lhe apagando suavemente como a imagem da sua amiga. Da sua amiga súbita e estranhamente adulta. Súbita e estranhamente vestida de vermelho.

 

 

 

 

Um conto, para variar...

 

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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA III

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COMPOSIÇÃO FIGURATIVA LINEAR A PRETO E BRANCO

 

 

Trazia os olhos negros afundados

Em órbitas profundas como poços

E nos lábios carnudos, grandes, grossos,

Restos mortais de sorrisos negados.

 

Alto, de ombros estreitos e curvados,

Parecia o mais jovem daqueles moços

E, embora magrito e fraco de ossos,

Sobressaía dentre os encorpados.

 

Uns jeans, uma t-shirt e um blusão,

Já sem sombra de cor, por tanto uso,

Cobriam aquele corpo há tanto tempo

 

Quanto o tempo que dura uma ilusão.

Tinha o aspecto agreste, algo confuso,

De quem personifica o desalento…

 

 

 

COMPOSIÇÃO FIGURATIVA LINEAR A PRETO E BRANCO II

 

 

Não fora o choro triste, convulsivo

[silente, por pudor, mas que me vem

invadir toda a paz que me mantém

e que, serenamente, em mim cultivo],

 

Não foram essas lágrimas salgadas

E as mãos que se te crispam sobre o rosto,

Apontando, frontais, o teu desgosto,

Dir-te-ia entre as mais afortunadas…

 

Mas oiço-te chorar. Um grito mudo

- um gemido, talvez… - mas, sobretudo,

A negação de um medo que é só teu…

 

Não sei por que negar as evidências…

O medo morre sempre em transparências

Depois de descobrir-se onde ele nasceu…

 

 

 O MEU PINHEIRINHO LINDO

 

 

Procedo aos rituais do meu pinheiro;

Há bolas de mil cores, tantas luzinhas!

Há mil fitas douradas e estrelinhas

Que um dia me custaram bom dinheiro…

 

Mas, que importa? É Natal, celebração,

Tempo de partilhar, de ser feliz!

Eu continuo, como sempre fiz,

A ajeitar as bolinhas de algodão…

 

Faz frio lá fora. O vento zune e canta

Açoitando as vidraças, querendo entrar

Como se, também ele, fosse bem-vindo…

 

Vou buscar o aconchego de uma manta,

Abro a janela e acabo por notar

Que ele vem beijar o meu pinheiro lindo…

 

 

 

 Imagem retirada da internet

 

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