.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

ÀS VOSSAS PORTAS

 Ele era o meu eleito entre os Poetas!

Vivia amando tudo o que não tinha,

Mas em qu`rendo o luar, o luar vinha

Beijar as suas horas mais secretas...

 

Viveu para aprender até morrer,

Aflorou os mistérios de outros céus

E antes de partir, disse-me: - Adeus,

Ainda tenho muito que aprender!

 

Por vezes nem sei mesmo se partiu

Ou se ficou por cá... alguém sentiu

Que as coisas permanecem mesmo mortas?

 

Por isso estamos juntos nestes versos,

Criamos outros tantos universos

E batemos, os dois, às vossas portas.

 

Ao poeta António de Sousa e à Ligeirinha.

 

Imagem - Fotografia tirada há cerca de dois meses à porta da "nossa" casa, na Rua Luís de Camões em Algés.

 

 

 

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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

EM CADA NOVO OUTONO...

 

Sempre que for Outono, eu estarei lá,

Nas folhas velhas, mortas e douradas,

No murmurar das árvores cansadas,

No Sol que se despede: - Eu volto já!

 

Há lágrimas no céu, de quando em quando,

E o vento vai gemendo de mansinho

Quando o Tempo prepara o seu caminho

Para o novo Natal que vai chegando...

 

São crianças, as tardes e manhãs

E as noites, a crescer, são como irmãs

Do eterno labutar da nossa vida

 

E, a cada novo Outono, eu lá estarei

Cantando o tal Natal que vislumbrei

Na vida  que vivi tão  de fugida...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.09.2008 - 11.30h

 

Imagem retirada da Internet

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Domingo, 28 de Setembro de 2008

NÃO BRINCO MAIS!

 

Poder-me-ão dizer que faço aqui,

Jogando o vosso jogo de paciência?

Eu tive uma postura de indulgência,

Mas sei que estou no jogo e não pedi!

 

No meio dos peões alguém estará

Que, como eu, não sabe porque joga...

Mas não vos falarei como quem roga!

Jogai, jogai... enquanto eu  estou por cá.

 

Enquanto o jogo dura, eu pouco aprendo...

De nada (ou quase nada) me arrependo!

Se qu`reis jogar, eu quero colher flores!

 

Um dia, de repente, o jogo acaba...

Não brinco mais! Eu sou como a cigarra

E quero lá saber dos vencedores!

 

O LADO "MAUZÃO"

 

Não jogo mais!... mas posso ir poetando...

Às vezes sou travessa, sei-o bem!

É o meu "outro lado"... eu serei quem

Sabe sempre o que quer mas nunca quando...

 

Quem nunca sabe quando irá parar,

Quem sonha a tempo inteiro e sem fronteiras,

Quem, como uma criança, faz asneiras

E logo depois tem de as confessar...

 

À vezes mostro as garras, assanhada,

Eriço o dorso e fico tão zangada

Que ameaço, esperneio e sou mazinha...

 

Eu tenho alma de gato. Eu avisei!

São estes os pecados que eu pequei,

O meu lado "mauzão". Que sorte a minha!

 

 

 

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Sábado, 27 de Setembro de 2008

QUE ESTRANHA LOUCURA A MINHA V, VI E VII

À PORTA DO ESPELHO

 

Precisamente um sonho! Um sonho só

E um dom ou uma dádiva - sinónimos...

Dispersa-me em milhões (serão het`rónimos?)

E abraça-se a mim fechando o nó.

 

Precisamente e só um sonho louco,

Que me enlaça, me prende e me seduz,

Aceso em mim... e tudo se reduz

Ao muito que sei ter, tendo tão pouco...

 

Nesta abundância vivo e comunico

E tenho muito mais do que o mais rico

Porque vivo do amor que tudo tem...

 

Aqui, nesta loucura abençoada,

Percorro, neste mundo, a minha estrada

Por dentro de mim mesma e sem ninguém...

 

A EXULTAÇÃO DO ESPELHO

 

Eu ergo-me do chão, meu velho amor!

Da força deste meu eterno abraço

À doce solidão na qual me enlaço

E reinvento a vida em nova cor...

 

Sou árvore caída que se ergueu,

Que germinou da pedra e estendeu ramos

E vou continuar (todos nós vamos...)

Por onde me levar um sonho: - O meu!

 

Sou palimpsesto deste humano fruto,

Sou êxtase da vida e sou produto

De quantos ideais o mundo oculta.

 

Sou eco da palavra e sou reflexo

Do espelho que devolve o meu amplexo:

- Selvagem, louca, louca... (o espelho exulta!)

 

A ACEITAÇÃO DA LUA

 

A aceitação da lua é paradigma,

É este anoitecer na vertical

Cumprindo o seu sereno ritual

Na estranha condição de ser enigma.

 

A aceitação da lua em seu abraço

É bênção, oração, serenidade,

É este alheamento da vontade

Na absurda languidez em que me traço.

 

Eu, loucamente lua, mas serena,

Solene comunhão da minha pena

Com essa luz de leite, branca e pura.

 

Eu sei que a lua-mãe comanda a vida,

A hora da chegada, a da partida,

A própria aceitação desta loucura...

 

 

Imagem - "Fio de Prumo", Aguarela e Pena

                 Maria João Brito de Sousa, 2002

 

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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

QUE ESTRANHA LOUCURA A MINHA II, III E IV

VIRTUALMENTE ALICE...

 

Há dúvidas, arrobas, asteriscos,

Mil coisas irreais que desafiam,

Que nem anjos sequer pressentiriam,

Mas que já me fizeram correr riscos...

 

Há coisas de estranheza desmedida

Como a "diagonal das verticais"

E outras que parecem ser reais

Mas que não são sequer formas de vida.

 

Há coisas que parecem ser ideias

Com / fusas, semi-fusas e colcheias

A saltitar na pauta semi-breve...

 

Alice no País-dos-Pesadelos

Que trinca, alegremente, os cogumelos

E vai fazendo tudo o que não deve...

 

O PLANETA DO FAZ-DE-CONTA

 

Faz de conta que é tudo, exactamente,

Igual ao que já foi quando era "dantes".

Faz de conta... e moinhos são gigantes!

Basta-me um "faz-de-conta", urgentemente.

 

Faz de conta que vejo o que não vejo

E que tudo o que vi, nunca foi visto!

Se neste Blogomar a vida é isto,

Faz de conta que brinco e que gracejo.

 

Faz de conta que sinto sem sentir...

(mas eu não minto e nunca sei fingir, 

por isso faz de conta que não sinto...)

 

Faz de conta que sei sem o saber

E tudo o que farei será escolher

Entre a razão mais pura e o instinto...

 

PERSISTÊNCIAS

 

Mais triste do que as coisas muito tristes,

Distante, lá no cume das ausências,

Dispersa e dividida entre emergências,

Pensando pr`a comigo: -Tu desistes!

 

E surge este não-sei-dizer-o-quê

(combustível de alento derradeiro,

ideal e contudo verdadeiro...)

Que supera esta dor que ninguém vê

 

E me transporta à vida, às alegrias!

Estranha força motriz destes meus dias

Que não desiste nunca e nunca pára!

 

É porque Deus o quer, tenho a certeza,

Que esta minha selvagem natureza

Persiste e em tudo nasce e se declara!

 

A Lewis Carrol

 

Imagem retirada da internet

 

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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

QUE ESTRANHA LOUCURA A MINHA...

 

 

 

Louca! Honestamente, eu fiquei louca!

(e mesmo que não esteja, convém estar...)

A loucura permite flutuar,

Navegar neste mar sem usar roupa...

 

E louca vou criando e navegando

No estranho blogomar que Deus me aponta

Porque a minha loucura apenas conta

Se eu deixar de assumir o Seu comando.

 

Por quanto estranho escolho eu já passei,

Por quanta tempestade eu enfrentei,

Eu nutro uma secreta afeiçãozinha...

 

São sentimentos sem qualquer razão,

Que SINTO mas não sei dizer se são

Efeitos desta tal loucura minha...

 

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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

BLOGOMAR, MEU ESTRANHO BLOGOMAR...

Não. Hoje ainda não nasceu nenhum soneto... não quer dizer que não venha a nascer ou que eu não venha, ainda, a publicar a coroa, toda seguidinha, sem repetição dos tais versos primeiros e últimos. Quer dizer que hoje me apetece divagar um pouco sobre os meus cansaços, as minhas alegrias e o que de muito estranho tem andado a acontecer ultimamente. De todas as conclusões absurdas que tenho tirado nestes últimos tempos, a mais sensata parece ser a de que fui acometida por uma estranha forma de loucura, e, como, de vez em quando me torno sensata, vou optar por ela. Já me preocupei muito, já me preocupei pouco e já me deixei de preocupar, por isso não se preocupem vocês também. Não vale a pena.

Pressupondo que fui acometida por um estranho caso de loucura e constatando, diariamente, que outra coisa não pode ser, o melhor é deixar fluir e esperar que passe. Porque tudo, tudo passa nesta vida e há loucuras que são mesmo episódicas. Mulher de muita fé e teimosa como ninguém, decidi continuar a poetar como se nada fosse. Tenho 14 animais para tratar e a casa virada do avesso, por isso nunca me sobra tempo para aquilo que é inútil.

O Spirit é um excelente caçador de pombos e tem o terrível vício de esgravatar a terra dos vasos todos... mas isso é o menos. A terra apanha-se do chão e tratam-se os pombos quando ele estiver deitado no sofá da sala. O problema é mesmo uma questão ontológica. Aquela coisa do: "Crescei e reproduzi-vos!"

Ele parece-me (ainda) demasiado jovem para obedecer à ordem, mas, não tarda mesmo nada, vai começar a escutá-la...

Ah! Já me esquecia do resto. "Alimentai-vos!"

Ora a essa obedece ele às mil maravilhas desde o momento em que foi concebido e tudo isso acaba por se traduzir numa coisa que não tenho. €uros.

NÃO! Não estou a pedir euros a ninguém! Estou a apelar a quem possa deixar que o Spirit o adopte que o faça antes que ele deixe por cá alguns descendentes...

É lindo, é meigo, é muito brincalhão e não foi necessário ensiná-lo a ir ao "caixote" porque ele foi lá ter de moto próprio. Ficam algumas imagens do jovem, só para vos "aguçar o apetite"...

E agora que já divaguei um poucovou tentar visitar alguns dos meus amigos e companheiros deste

"blogomar, estranho blogomar..."

 

sinto-me : sensatamente louca
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

SEM NADA NA MANGA...

 

Ainda tenho acesso à internet e penso tê-lo garantido durante, pelo menos, mais um mês. Estou muito, muito cansada, o Spirit já anda pela casa toda - hoje de manhã escapou da casa de banho e quase "comeu" o Hope e a Pitinha que andavam a "esticar as asas" pelo chão da marquise - e o vale dos correios com os 181.91€ do RSI adiantou-se milagrosamente alguns dias. Foi-me impossível pagar as facturas em atraso nos correios ou no agente TMN, aqui no Palmeiras. Fui ao Oeiras Parque e depois de mais de uma hora na fila de espera, lá consegui ficar com o assunto arrumado... quer isto dizer que ainda me vão aturar mais uns tempinhos!

(Caramba, estou tão cansada que até hesitei em carregar no ponto de exclamação...)

Vim escrever este post sem fazer a menor ideia do que iria dizer-vos e antes de tentar, sequer, abrir a caixa de correio. 

Pelo meio de toda esta confusão, lá consegui dispensar uns minutos à reformulação das últimas estrofes do 14º soneto, para que a coroa de sonetos pudesse, finalmente, merecer esse título...amanhã - hoje garanto que estou demasiado cansada - tentarei publicar a coroa já completa e só espero não ter cometido mais nenhum destes erros grosseiros e palermas ao longo de toda a coroa.

 

EPÍLOGO

 

Que a folha de papel já perpetrou

Na sua louca e branca ingenuidade;

Uma inocência prenhe da verdade

Que a minha negra pena em si gerou...

 

E eis-me enfim liberta, concluída!

Desta minha tarefa, o que me resta?

Libertar de mim mesma o que não presta

E procurar a terra prometida?

 

O tempo chegará, embora preso,

De me imolar o corpo em fogo aceso,

De transportar-me a essa luz que havia

 

No espaço onde, lá longe, eu me encontrei

E quanta luz do céu já vislumbrei

Eu, por minha vontade, cantaria!

 

Peço-vos desculpa, por este erro que só  merece perdão por ter sido inconsciente. Amanhã tentarei uma revisão mais generalizada. Se vos não conseguir visitar ou responder a todos os vossos comentários, é por puro cansaço. O Spirit, de alguma forma, parece ter feito despertar alguma coisa dentro do meu próprio espiríto. Algumas dúvidas que não passam necessariamente pelo: - Tira isso da cabeça, Maria João! Só podes estar completamente louca!

Amanhã tentarei falar-vos também disso. Hoje nem sequer estou capaz de fazer uma soma "de cabeça"...

  

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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

CESSE TUDO O QUE A ANTIGA MUSA CANTA!

Outro valor mais alto se levanta...

 

Lamento muito, mas não poderei proceder hoje à reformulação da estrofe final da minha coroa de sonetos. O "valor" que podem ver no topo do post tem prioridade em relação a uma coroa de sonetos...

mesmo que eu partisse do princípio que seria a minha "coroa de glória".

Chama-se Spirit, tem cerca de 5 ou 6 meses e pertence ao sexo masculino da família dos felinos urbanos.

- O que está o Spirit a fazer em casa da Poeta?Perguntarão vocês, muito pertinentemente.

Pois nem eu mesma sei explicar o que está um jovem felino amarelo a fazer, fechado na minha casa de banho... posso fazer-vos a narrativa do estranhíssimo evento, mas vocês, mais uma vez, não me acreditarão... fá-la-ei, de qualquer modo.

Fui, esta tarde, à farmácia Buscar (a crédito, claro...)

Bactrim para a Lupa que começou agora a apresentar melhorias no seu estado e à vinda, sentei-me um pouco com as minhas duas amigas na esplanada do café.

Desta vez não houve muitas gargalhadas. Uma delas vai ter um casamento na família e as conversas acabaram por centrar-se nas "toilettes", o que para mim é uma tremenda chatice (desculpem-me o português vernáculo...).

Quando, já noite, nos preparávamos para recolher aos respectivos lares e já estavam feitas as continhas dos "garotos" (com muuuuitas moedinhas pretas...), eis que esta vossa humilde amiga sente, subitamente, uma coisa fofa, ronronante e peluda a saltar-lhe para o colo. A vossa amiga poeta é forte, mas ficou sem pinga de sangue.

Primeiro fiquei desconcertada, alheei-me da dura realidade, imaginei que estava a ter uma alucinação a 3D. Depois o ronron começou a fazer-se acompanhar por turras e outras evidentes manifestações de carinho. Estava (mesmo) um gato ao meu colo!

Olhei implorativamente para cada uma das minhas amigas e deparei-me com duas estranhas boquiabertas. Olhei para o céu. Garanto que me zanguei com Deus. Pronunciei em voz bem alta:

- Ó Deus, isto é demais! Isto não se faz a uma poeta doente e mais pobre do que nunca!

Depois caí em mim. Elas continuavam de boca aberta e os outros clientes da esplanada imitavam-nas, provavelmente devido à estranha invocação que lancei para o céu estrelado.

O facto de estar um gato sentado no meu colo tornava-se mais real a cada momento que passava.

Tanta gente naquela esplanada e o bicho viera direitinho ter comigo! Comigo, que partilho um T1 com dois cães, cinco gatos e seis pombos e que acabo de deixar os meus últimos 55 cêntimos do mês

em cima da mesa do café.

Volto a olhar as minhas duas amigas que se levantam ainda boquiabertas. Uma fica muda. A outra ainda aventa:

- Leve-o para casa e depois solte-o lá para as duas ou três da manhã. A essa hora já não há cães nas ruas...

Eriço-me por ele. Protesto. Garanto que nesta rua sempre houve cães a qualquer hora (eu que o diga por experiência das madrugadas em que vou passear a Lupa...).

Compreendo que nenhuma delas irá acolher aquele gato que escolheu o meu colo. Por razões que bem conheço e não me interessa aqui ventilar.

Levanto-me e tomo lentamente o caminho de casa. Spirit segue-me como um cão. Entro no elevador. Spirit entra também. Isto não é normal!Lidei com dezenas de gatos e nunca encontrei nenhum que entrasse confiantemente num elevador. É tudo completamente surreal. Tudo... até abrir a porta e o Kico e a Lupa virem a correr ter comigo. Aí é que o Spirit mostrou ser um gato de carne e osso! Houve rugidos, sopradelas e unhadas. Até a E.T. apanhou por tabela ... é por isso que eu tenho, neste momento, um gato amarelo e muito jovem chamado Spirit na minha casa de banho. E é por isso que a coroa de sonetos vai ter de esperar. O Spirit não pode ficar indefinidamente na minha casa de banho e precisa de uma casa para viver.

Se algum de vocês conhecer alguém que queira partilhar o seu espaço com um gato amarelo, macho, meigo, de cerca de seis meses de idade e que tem a "carinha chapada" do Lion King, enviem-me, por favor, um email para m.joao-bsousa@sapo.pt ou, se a internet for cortada e não receberem resposta, podem telefonar para o número de telemóvel do perfil. O nome nasceu deste estranhíssimo encontro que acabo de vos descrever. E podem acreditar que tudo isto é a mais pura verdade. Antes não fosse, meus amigos. Antes não fosse.

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publicado por poetaporkedeusker às 23:06
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12º, 13º e 14º SONETOS DA COROA - REMATE

 

 

 

 

 

O TEMPO NUMA FOLHA DE PAPEL

 

No barro desta humana imperfeição

Mas aspirando a Anjo. Quem diria

Que tão estranha e tão vã filosofia

Haveria de ser aspiração?

 

Mas sendo controversa, ou mesmo vã,

Garanto que não mudo o meu caminho!

Sabe-me a boca ao mel, ao rosmaninho

Das horas que cantar nesse amanhã

 

E se, a cada minuto, eu acrescento

Uns "pós" do meu teimoso entendimento

A quanto me pareça ser cruel,

 

O Futuro vislumbra-me e sorri...

Sorrio-lhe, eu também, porque prendi

O Tempo numa folha de papel...

 

Maria João Brito de Sousa - 22.09.2008

 

O "PECADO" DA FOLHA DE PAPEL

 

O Tempo numa folha de papel,

De súbito pequeno e vulnerável,

Desvendando um futuro indecifrável

A traços de caneta ou de pincel...

 

Estranhíssima Alquimia a que revela

Essa improvável forma de viver

De um Tempo aprisionado, sem poder

Gastar-se, nem na chama de uma vela...

 

Contudo, o tempo exprime-se e confessa,

Revela, aos nossos olhos, a promessa

Da mensagem que em si cristalizou

 

Nos versos em que o trago aprisionado

Ao culminar do único pecado

Que a folha de papel já perpetrou...

 

Maria João Brito de Sousa - 22.09.2008

 

 

EPÍLOGO

 

Que a folha de papel já pepetrou

Na sua branca e louca ingenuidade;

Esta inocência prenha da verdade

Que a minha negra pena em si gerou...

 

E eis-me enfim liberta, concluída!

Desta longa tarefa, o que me resta?

Ir rejeitando tudo o que não presta?

Fazer-me, agora, à Terra Prometida?

 

O Tempo há-de voltar (embora preso...)

P`ra lançar o meu corpo ao fogo aceso,

P`ra rematar-me, enfim, quando serena...

 

Morreria feliz e sem castigo

Tão só por cá crescesse o que bendigo,

Tão só por cá ficasse a minha pena...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 22.09.2008 - 13.17h

 

Imagem - "Auto-Retrato"

                 Maria João Brito de Sousa, 2006

 

Nota- Tudo isto é só para não ficar atrás do Bin Laden, que também parece ser um "Grande Poeta".

Desculpa, Alfredo, mas este ano esqueci-me mesmo do teu aniversário.

APOSTILA- Acabo de constatar que este trabalho feito "à pressão", acabou por ficar péssimo, pois confundi o 2º soneto com o 1º. Logo à noite tentarei emendá-lo, embora a minha tentativa de reedição tenha saído gorada, porque o texto me aparece desconfigurado. A última estrofe terá de ser reformulada para que isto se possa considerar uma coroa de sonetos. Não quero coroas de glória, mas neste momento, também dispenso uma de espinhos. Se o pessoal do Sapo puder ter a bondade de configurar o texto na reedição de posts, eu terminarei a coroa ainda hoje, lá por volta das 23 horas, quando acabar de tratar de toda a minha família de pêlo e penas.

 

Nota II - Sonetos libeiramente reformulados a 05.04.2016 (Garanto que adoraria poder recordar-me das circunstâncias que deram origem à nota anterior, bem como à dita "apostila"... e já lá vão quase oito anos...)

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9º, 10º e 11º SONETOS DA COROA

NÃO SEI SE EXISTO MESMO OU SE ME INVENTO...

 

No sorriso do mar, ao qual assisto,

Há cometas que passam, há sereias,

Há sonhos transmutados em ideias,

Há loucas ilusões que enfim conquisto!

 

Há conchas delicadas e castelos,

(memórias do que ainda está por vir...)

Há coisas que me fazem reflectir

Sobre o que fiz (ou não...) p`ra merecê-los.

 

No muito que me diz esse sorriso

Encontro sempre aquilo que preciso

E disso os meus poemas vão crescendo.

 

Eu e o mar! Um só e afinal

Todo este meu tesouro é irreal...

Eu nunca sei se sou ou se me invento!

 

 

AS HORAS QUE ME ABRAÇAM

 

Eu nunca sei se sou ou se me invento

Nos poemas que escrevo e que semeio...

Talvez eu seja o fruto de um anseio

A germinar em forma de talento...

 

Ou talvez seja só habilidade

Este meu enlaçar-me nas palavras...

Talvez as minhas mãos sejam só escravas

De uma outra bem maior realidade...

 

Talvez seja a vontade colectiva

Urgindo em mim, tornando-me cativa

Das letras que aqui traço e que me traçam...

 

Só sei que mora em mim, inevitável,

Uma necessidade incontrolável

De vos falar das horas que me abraçam.

 

 

NO BARRO DESTA HUMANA IMPERFEIÇÃO

 

De vos falar das horas que me abraçam,

De vos cantar a terra em que nasci

De vos mostrar o mar que traz em si

Magias que a si mesmas se entrelaçam

 

No brilho de um céu mais prometedor.

E se nisso me sei, isso é quem sou:

Abraços de um cometa que passou

E que por cá deixou rastos de amor.

 

É nesta identidade controversa,

Que aqui vos deixo, em jeito de conversa,

Que está a minha essência e explicação.

 

Se existo de verdade, eu sou assim;

Sou expressão deste Deus que habita em mim

No barro desta humana imperfeição.

 

 

Imagem - "Puberdade"

                 Pastel de Óleo

                 Maria João Brito de Sousa, 1999

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Domingo, 21 de Setembro de 2008

PORQUE, ÀS VEZES, É INEVITÁVEL PARAR...

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Sábado, 20 de Setembro de 2008

7º E 8º SONETOS DA COROA

VIAJAR PARADA

 

Desta alma pendular e des-inteira

Eu amo as mil raízes que engendrei

Na vertical de mim, como sonhei!

Eu, dedicada à causa derradeira,

 

Às aves que em mim poisam, aos meus frutos,

Ao vento que me embala de mansinho,

À luz que vai rasgando o seu caminho

Na terra, a pecadores e impolutos,

 

Às mil formas de vida que me envolvem,

Aos sonhos que, em nascendo, me devolvem

A força que em mim trago e me foi dada,

 

Às estrelas que me olham lá de cima

À fé que cresce em mim e que me anima

A tanto viajar estando parada!

 

O SORRISO DO MAR

 

A tanto viajar estando parada

Chamar-lhe-ão loucura (e talvez seja...)

Mas eu amo esta terra que me beija

No dealbar de cada madrugada.

  

E estendo mais e mais estes meus ramos

E fico assim feliz se frutifico!

É assim que viajo enquanto fico

E corro muito mais que os próprios gamos!

 

Não páro de correr nem um segundo!

Espalho as minhas sementes pelo mundo

E dispersa no vento é que eu existo.

 

Em frente o mar sorri, chama-me barco...

Sorrio-lhe de volta. O que eu abarco

Do mar, nesse sorriso ao qual assisto!

 

Imagem - "Potro Radiculado"

                Maria João Brito de Sousa, 1999

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