.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Terça-feira, 13 de Julho de 2010

O CONCEITO DE "POETA MAIOR"

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Sou Poeta Menor. Se Maior fosse,

Melhores versos faria, com certeza,

- a minha qualidade desgastou-se

na absurda dispersão dessa beleza

 

 

nas rimas, como peixes de água doce

expandindo-se em selvagem natureza… –

Mas, Maior ou Menor, o verso impôs-se

Sem pedir meças, nem sonhar grandeza…

 

 

Noto que muitas vezes se utiliza

A palavra “menor” sem propriedade...

Acredito que muitos desconheçam

 

 

Que este adjectivo sempre simboliza

O Épico, o que alcança a divindade

Por obra de mil feitos que a mereçam…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 11.07.2010 – 15.07h

 

 

 

Imagem retirada da internet

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 08:30
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10 comentários:
De FatimaSoares a 13 de Julho de 2010 às 12:19
Querida Maria João habituei-me a comentar neste blog e adoro fazê-lo. Adorei este poema aliás maravilho-me com a facilidade e a música das palavras que deixas e encantas. Mil beijinhos amiga com muito carinho tudo de bom.
De poetaporkedeusker a 13 de Julho de 2010 às 14:13
Obrigada, Fátima. Fico muito contente por gostares de soneto clássico e dos meus em particular :)Eu, agora ando a apaixonar-me, também, pelos poemas em redondilha maior que passaram a ter "tiragem" diária no http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/ . Não te sei explicar porque razão me acontece virar-me, de repente, para um determinado estilo de poesia... quando assim acontece, digo sempre que é porque Deus quer...
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 13 de Julho de 2010 às 17:36
"Se se é na realidade poeta",

Se isso não é inventado pelo Ego
Pela vaidade de quem não sabe...
E milhentas vezes isso acontece
E cada vez em maior número.

Esse de quem falo, nem é poeta menor...
Não é poeta, mas pensa que é!Não há menores. Há ou não há! E acabou!...

Para mim,

"Ser poeta é ser Maior"...Sempre!!!

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 14 de Julho de 2010 às 14:10
Olá, amiga. Eu tenho a mesma opinião, mas a verdade é que, em termos académicos, se utilizam os dois conceitos, bem como os de poesia "pobre" e "rica", que não têm a ver com a qualidade ou a beleza do poema e sim da raiz gramatical das últimas palavras de cada verso... estava, por acaso, a reflectir sobre isso quando me nasceu este soneto. Eles nascem-me, muitasvezes, destas pequenas reflexões do dia a dia.
Eu cheguei agora mesmo do hospital e tu? Como vai essa perna? Ainda tens dores?
Abraço gde!
De M.Luísa Adães a 14 de Julho de 2010 às 19:02
Se tu o dizes acredito. Então também há poesia rica e pobre.

Muito bem! Tens de dar umas lições teoricas.
Eu fui uma boa aluna e muitas coisas mais.

Beijo,

M. Luísa
De poetaporkedeusker a 15 de Julho de 2010 às 11:36
Amiga eu sei umas coisitas muito, muito poucas... acho que precisava de mais duas ou três vidas para aprender tudo o que quereria, mas estes conceitos faziam parte das conversas de miúda que tinha com o meu pai e o meu avô. Claro que depois se veio a falar disso, no final do liceu... mas é muito capaz de ser um conceito que vai acabar por cair em desuso nos próximos tempos, sabes? Esta coisa das novas tecnologias veio dar voz a muitos, muitos poetas e estão em curso tremendas mudanças de todo o tipo... penso que novos conceitos irão surgir, novos estudos virão a ser feitos... amiga, nós todos estamos a fazer História. Não são só histórias, é mesmo História. Somos os navegadores pioneiros das novas águas da comunicação... eu, muitas vezes, lembro-me que é importante deixar qualquer coisa de "palpável", qualquer coisa "que valha a pena" para as gerações que estão para vir porque, não tenhas dúvidas, este é um momento histórico!
Abraço gde!
De M.Luísa Adães a 15 de Julho de 2010 às 15:23
M. J.

É como dizes um momento histórico.
Eu de uma forma
Tu de outra
Caminhamos e nos encontramos
No Final.

Deixei uma pegunta e um pedido nos prémios.

Por agora não tenho mais tempo.

Bºs. M. L.
De poetaporkedeusker a 15 de Julho de 2010 às 15:39
Vou já aos Prémios, Maria Luísa. Nem queiras saber o que me tem estado a acontecer no Pekenasutopias...
De Simbologia do aMoR a 13 de Julho de 2010 às 22:15
Oi Maria

Li teu soneto e pensei...
Será que Maria está se referindo ao ler meus textos e ver o tanto que escrevo sobre a estrela menor?
Se foi isso, passo a explicar-lhe:
Realmente quando saio para minhas caminhadas vejo sempre duas estrelas no céu, uma maior e mais brilhanto e outra menor que não brilha tanto. E elas são minhas companheiras de caminhada. Eu sinto-as falando comigo. Aliás, o Universo conversa comigo todos os dias.
Não sei como é o teu céu aí, se é possível vermos a mesma coisa.
Ps. Por favor não se sinta ofendida, só queria explicar algo que para mim ficou no ar.

Abraço.
De poetaporkedeusker a 14 de Julho de 2010 às 14:21
Não, amiga! Não tinha nada a ver com isso. Ainda agora expliquei à Maria Luísa, no comentário de cima, porque se utilizam estes dois conceitos. O de Poeta Maior e o de Poeta Menor. E também o de poesia "pobre" e "rica" que também não tem nada a ver com a qualidade da poesia! É apenas uma classificação utilizada pelos académicos. Pronto, penso que não deixo dúvidas nenhumas, até porque este soneto me nasceu quando estava a reflectir sobre as classificações académicas dos poetas e da Poesia que são conceitos que deverão ser conhecidos e utilizados pelos estudantes de Literatura Portuguesa... e a nós, que já o fomos, só nos faz bem recordar. Não teve rigorosamente nada a ver com os teus textos e posso garantir-te que também tenho o hábito de conversar com o Universo... sempre o tive! Quando era pequenina, ia muitas vezes para a varanda com o meu avô e ali ficávamos os dois, a conversar com os astros. Nunca me esquecerei disso! Até durante as grandes trovoadas nós o fazíamos. Eram lindíssimos os relâmpagos muito luminosos, recortados no fundo de veludo negro do céu!
E agora estou quase a deixar-te aqui um livro sobre a minha infância :)) não ligues! Cheguei agora do hospital e ainda hoje não tinha escrito nada...
Abraço grande!

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