.UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XII

 

UMA ESTRADA DE PALAVRAS

 

 

 

O sol nasceu de novo, quem diria?

Há, apesar de tudo, uma diferença;

Adormeceu, por fim, essa alegria

Que, estranhamente, vinha da presença.

 

Aprendiza da escrita, que harmonia,

De súbito quebrada, te pôs tensa,

E depois te roubou tudo o que havia

Suscitando tristeza tão imensa?

 

Que solidárias forças te tocaram,

Que estranhas harmonias se quebraram

E te deixaram tão desanimada?

 

E as horas, que em passando não passaram,

Responderam palavras que ficaram

Gravadas no papel, como uma estrada.

 

Maria João Brito de Sousa – 19.06.2010 – 17.20h

 

 

 

 

OS OPERÁRIOS DA PALAVRA

 

 

Enquanto a nossa escrita aqui deixamos,

Nós, eternos operários da palavra,

Seremos sempre aquilo que criamos

A tempo inteiro, nesta nossa lavra

 

Realidade é tudo o que engendramos

A partir desta força – a louca escrava! –

Que produz sempre mais do que esperamos

Quando o punhal da escrita em nós se crava

 

Será sempre uma escolha. Este salário

- Quantas vezes não mais que estarmos bem

Com a força interior de uma Vontade –

 

Nos diz: - Tu que escolheste ser operário

Deverás não esquecer que te convém

Ser escravo dessa mesma Liberdade!

 

Maria João Brito de Sousa – 19.06.2010 – 16.49h

 

 

 

TÃO LONGE, TÃO PERTO

 

 

Tão longe estão as estrelas e, contudo,

Tão perto podem estar do que sentimos

Quando nós, os cometas, lhes sorrimos

E quando, no sorriso, damos tudo…

 

Tão perto sinto a estrela e, se me iludo,

É porque eu e a estrela somos primos

Nessa família astral que definimos

Na fazenda de um velho sobretudo…

 

Casacas de Cometas, Luas, Sóis,

Palavras que não vergam, que se inventam

Em astros nunca dantes alcançados

 

Pelos descobridores que só depois

Abrirão os portões que em si concentram

Mil mundos que mal foram vislumbrados …

 

Maria João Brito de Sousa – 20.06.2010

 

 

A José Saramago

A António de Sousa que com ele partilha a eternidade, o amor pela literatura e Sete Luas.

 

sinto-me :
publicado por poetaporkedeusker às 12:06
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6 comentários:
De Simbologia do aMoR a 21 de Junho de 2010 às 17:36
Olá amiga

Maravilhosos sonetos.

Abraço grande
De Vítor a 21 de Junho de 2010 às 21:13
Parabéns pela sensibilidade que a Maria João teve,para homenagear tão ilustres figuras!
Admiro muito os seus sonetos,e a nobreza que paira neles!

Bj*
De poetaporkedeusker a 22 de Junho de 2010 às 10:58
Obrigada, Vitor. Tento ser justa mas sei que nunca o conseguirei. Há tantos escritores que eu gostaria de ler e não consigo por falta de tempo e dinheiro... e desta quase obsessão por escrever aquilo que não consegui escrever durante tantos anos... ou que escrevi e perdi ou nunca cheguei a inserir numa linha minimamente lógica.
Abraço gde!
De poetaporkedeusker a 22 de Junho de 2010 às 10:53
Obrigada, amiga. Eu vou tentar fazer-te uma visita hoje.
A minha cx de correio está um verdadeiro caos. Vou ter de, novamente, fazer uma limpeza drástica porque já nem encontro os emails que são imoportantes e aos quais devo mesmo responder.
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 22 de Junho de 2010 às 11:11
Mª. João

"Uma Estrada de Palavras" dividida por três dias.

Sabes?
O sol nasce todos os dias
tu sabes que nasce lá fora,
pode não nascer em ti ou em mim.

Escreves em harmonia
e depois alguma coisa se quebra
e se houve ao longe o eco,
de cítaras caladas.

Porquê o desânimo
a aproximar
apressado e gasto
de tanto caminhar?

A destroçar o pouco que resta
e as horas passam velozes
não as sentimos passar,
mas nos lembramos de amigos
que não vão voltar.

Isso e outras coisas a esquecer,
nos vêm entristecer.

Bravo, poeta amiga, pelos teus lindos versos
e te esqueceres de mim...

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 22 de Junho de 2010 às 11:18
Ah, Maria Luísa!!! Não digas isso que me deixas com a consciência pesada! Se tu soubesses mesmo a dificuldade que eu tenho tido para manter pelo menos o poetaporkedeusker em dia! Nunca me esqueço de ti! Lembro-me, todos os dias, de ti, em casa, quando trato dos pombos, pelo menos! Mas não só! Lembro-me de ti, do nosso amigo Eduardo e de tantos outros... eu já ando a fazer asneiras por causa da falta de tempo em que estou a trabalhar... já fiz asneiras graves como trocar endereços de email e esquecer-me de enviar emails daqueles obrigatórios... uma tristeza que me faz fazer figura de mal educada ou indiferente. Mas eu hoje não deixo de te fazer uma visita!!!
Abraço grande!

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